segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Spirit Bound - O recomeço Capitulo 2 Marcas da Vida






Stan e eu caminhamos lado a lado pelo terreno escuro da academia. Já fazia tanto tempo que eu andava sozinha, que de repente pareceu ser bom ter alguém ao meu lado. Nós não dissemos muitas coisas. Eu não sabia o que dizer e provavelmente Stan também não.

Chegamos de volta ao ginásio algum tempo depois. Eu olhei para a multidão de pessoas e pensei em como a vida era engraçada. Alguns minutos atrás eu havia fugido de algo que desejei minha vida toda. Estranho como o valor das coisas muda. Eu ás vezes me perguntava o que eu estava fazendo naquele lugar ainda.

– Rose! Eu sabia que você conseguiria, eu sempre soube.

Lissa correu para mim assim que eu entrei no ginásio. Quando ela me abraçou eu me lembrei da razão de estar ainda na academia, eu estava ali por ela. A confiança de Lissa em mim era a única coisa que eu ainda tinha. Eu sorri encarando seus olhos pálidos de jade. Lissa sorriu de volta e me arrastou pelo braço.

– Vamos, precisamos arrumar você.

– Me arrumar? Para que?

Lissa colocou as mãos na cintura, como se eu fosse uma anormal ou coisa parecida. Se bem que ultimamente eu me sentia mesmo, meio anormal.

– Para a cerimônia.

– Ah claro, a cerimônia.

Quando os guardiões se formavam, era feita uma cerimônia especial. Uma cerimônia em que se ganhava a marca da promessa.

Lissa me levou até o meu quarto e ficou tagarelando de um lado para o outro, como se quem fosse ser tatuada fosse ela, e não eu. Eu me limitei a ficar em silêncio e tentar salvar o que Stan não conseguiu destruir do meu rosto. Muitas camadas de corretivo depois, eu estava apresentável. Lissa prendeu meu cabelo em um coque alto, para deixar meu pescoço exposto, e me ajudou a vestir a roupa. Nada de vestido bonitos e brilhantes – alguém tinha que reformular essa história de terninho, afinal eu tenho dezoito anos! – o que nós usávamos era mesmo um conjunto de calça e blusa preta, com uma regata de decote amplo nas costas. É claro que minha amiga, princesa Lissa Dragomir, deu jeitinho de deixar minha roupa um pouco melhor, fazendo alguns ajustes em uma costureira moroi.

Quando terminamos, eu me olhei no espelho. Lissa sorriu.

– Fizemos um bom trabalho, hum?

– Você sempre faz um bom trabalho Liss.

Nós nos abraçamos por um longo tempo. Quando eu a soltei, Lissa estava com lágrimas nos olhos.

– Eu queria tanto que as coisas fossem diferentes, Rose. Eu queria tanto que ele estivesse aqui.

Eu engoli o meu próprio choro. Okay, falar de Dimitri agora era, sem dúvida, covardia das grandes.

– Está tudo bem Liss, vamos apenas deixar as coisas como estão.

Lissa não insistiu. Ela sabia que eu não gostava de falar sobre o passado, ela me conhecia bem.

Abrimos a porta do quarto, para encontrar Adrian do lado de fora. Ele estava com a mão para cima, preparando-se para bater.

– Hey, eu pensei que estava na corte – eu disse, puxando um sorriso de canto de boca.

– E perder isto?

Adrian abriu os braços, apontando para mim. Eu não pude deixar de sorrir.

– Isto o que? Os hematomas, ou os arranhões? Ah já sei! Provavelmente você está se referindo as múltiplas escoriações.

Adrian levou a mão ao meu rosto. Seus olhos castanhos estavam absolutamente doces e calmos. Embora ele ainda cheirasse a nicotina e whisky.

– Você não muda, Litlle Dhampir. Você não muda.

Eu queria dizer a ele que ele estava errado. Queria dizer que eu havia mudado muito, mas achei que não seria uma boa idéia, então eu apenas o peguei com um braço e Lissa com o outro e sai pelo corredor.

Alberta e os outros guardiões estavam em uma fileira quase militar. O clima no salão era muito sério e formal. Assim que eu coloquei o pé no salão da cerimônia, meu coração acelerou. Uma sensação forte e confortável tomou conta de mim. Eu estava ali, finalmente. Eu havia conseguido, apesar de tudo. Hoje, eu receberia minha marca da promessa, o que faria de mim uma guardiã de verdade. Hoje, eu cumpriria a maior de todas as minhas promessas.

Enquanto eu andava em fila junto aos outros novatos, meu coração estava em paz. Depois de muito tempo, enfim, meu coração estava em paz.

Eu me ajoelhei em uma almofada vermelha, em frente a um moroi de cabelos grisalhos que eu nunca tinha visto. Ele começou a recitar o juramento e eu comecei a sentir minha garganta se fechando junto com cada sim que eu dizia. Cada sim que eu dizia me lembrava a promessa que eu fiz a Dimitri, cada sim me lembrava que eu ainda tinha um trabalho para fazer. Um trabalho doloroso.

As lágrimas começaram a rolar no momento em que minha marca começou a ser feita. Não era dor, ou pelo menos, não dor física. A dor que eu sentia era na alma. É difícil explicar a responsabilidade que eu senti. Pode ser estranho para qualquer um que uma tatuagem possa mudar algo em você, mas eu nasci para isso. Receber aquela marca me transformava mais do que eu podia ter imaginado. Enquanto eu sentia a agulha arranhar a minha pele, eu me lembrei do meu instrutor. Me lembrei da primeira vez que vi sua marca. Da admiração que eu senti por suas seis marcas molnija. Eu tinha as minhas agora, e não poderia mostrar a ele.

Quando terminou, tudo que eu queria era sair dali. Eu queria me sentar em algum lugar e chorar. Só chorar.

Infelizmente, sair do salão não foi tão rápido como eu gostaria. Todos os meus amigos estavam ali, e eu pensei que se fizesse o que tinha vontade, eu estaria mais parecida com Stan do que eu poderia suportar.

Edie veio correndo e me pegou em um abraço apertado.

– Conseguimos Rose! Nós conseguimos!

O sorriso no rosto de Edie era tão sincero que eu acabei sorrindo junto. Sim nós havíamos conseguido.

Eu deixei Edie conversando com um outro garoto louro, do qual eu não me lembrava o nome e continuei andando. Uma mão conhecida em meu ombro, me fez virar.

– Eu estou orgulhosa de você Rosemary.

A voz impessoal de Jeanine Hathaway. Okay, eu estava costumada com isso, mas será que ela não podia me abraçar e dizer que me amava?

– Obrigada mãe, significa muito para mim.

Ela sorriu e eu percebi que significava muito para ela também. Apesar de tudo, eu acho que compreendia melhor a minha mãe ultimamente. Eu continuei buscando espaço entre a multidão.

– Procurando emprego, guardiã?

A voz sarcástica de Christian saiu de trás de uma pilastra.

– Não com um Ozera – eu respondi.

– Uh! Esta partiu o meu coração – Christian respondeu, colocando a mão sobre o peito.

– Você tem um?

Ele não respondeu minha provocação, apenas sorriu.

– Bela roupa.

– É, eu tenho uma bela estilista.

– Eu sei.

Só quando ele respondeu, foi que eu percebi que tinha dito besteira. Christian e Lissa ainda não tinham se acertado e isso era muito doloroso para os dois.

– Desculpe.

Eu tentei concertar as coisas, e o sorriso sarcástico voltou aos lábios dele.

– Não por isso.

Christian virou de costas e deu um tchau com as mãos, o que era bem típico dele.

– Nos vemos por aí? – eu gritei para ele.

– Sempre!

Um pouco antes de sair pela grande porta de madeira de lei, Lissa veio me abraçar e por mais que eu tentasse disfarçar, minha amiga entendia a razão das lágrimas – Sim, eu estava chorando. Assim que virei para a porta, tornou-se impossível segurar. Ela não perguntou ou falou absolutamente nada, apenas segurou minha mão e saiu comigo da multidão.

Lissa me deixou no quarto e voltou para festa, assim que eu disse que precisava ficar sozinha. Quando a porta se fechou, eu me livrei das roupas o mais rápido que pude e me deitei. Eu estava tão cansada que parecia que desmaiaria a qualquer momento.

Eu fechei meus olhos e busquei Dimitri em minha mente. Não foi difícil, já que ele estava em toda ela. Eu me foquei nele. Em seus olhos e seu sorriso e seu cheiro. Ah meu Deus como eu queria sentir aquele cheiro novamente!

Quando os sonhos vieram, eu estava na cabana. Nossa cabana. Eu estava na cama, vestindo uma calcinha e uma camiseta. E o cheiro estava lá. Aspirei o máximo que pude de ar. O cheiro dele. Estava tão perto, tão em mim. Quando olhei para baixo, eu percebi o porque, a camiseta que eu usava, era dele. Um barulho na pia, desviou minha atenção. Dimitri estava lá, usando apenas uma calça jeans, mexendo em alguma coisa. Eu não consegui desviar os olhos dele. Era ele novamente. Sua pele, seus olhos. Eu me levantei e caminhei até onde ele estava. Dimitri se virou e sorriu para mim, nada de presas, apenas sua boca, seus dentes.

– Então você acordou, Roza? Finalmente. Eu fiz café.

Ele estendeu uma xícara para mim. Eu a peguei e coloquei na pia. Dimitri estranhou.

– Não quer café?

Eu sorri maliciosamente para ele.

– Talvez depois.

Ele retribuiu a malicia do meu sorriso e me puxou em seus braços. Ah Deus, como eu estava com saudades! Minhas mãos deslizavam em seu peito nu, sentindo, tocando. Dimitri me beijou. Sua língua explorando minha boca, suas mãos explorando meu corpo. Eu podia sentir as correntes elétricas se espalhando em meu corpo.

– Eu quero você. Eu preciso de você - Foi o que eu consegui dizer entre um gemido e outro.

Ele não vacilou. Suas mãos desceram em minhas coxas e ele me segurou contra seu quadril. Eu agarrei em seu pescoço, puxando o mais perto. Dimitri me sentou na mesa atrás de nós e encaixou meu corpo no seu. Eu sentia seu toque em minha pele. Suas mãos percorrendo minhas costas, seus dedos acariciando meus seios. Eu podia sentir que era um sonho, mas eu não queria sair daquele lugar. Eu não queria sair nunca. Ele começou a beijar minha barriga, por baixo da camiseta e eu gemi mais. Tanto desejo, tanto tesão. Eu queria ele, eu queria mais. Deslizei meus dedos em seu cabelo, sentindo o toque suave e sedoso dele. Minha cabeça girou e de repente Dimitri não estava mais comigo. Eu estava em algum lugar estranho. Algo como uma fazenda. Uh! eu odeio fazendas! Que diabos eu estava fazendo em uma?

– Rose?

A voz de Mason me assustou.

– Pelo amor de Deus Mase, me diga que você não me tirou do meu sonho!

– Hey, eu não chamei você aqui!

– Não? Então me responda porque eu não estou na cabana com Dimitri e estou aqui com você?

– Eu não faço idéia. Eu moro aqui.

– Mora aqui? Como assim, mora aqui? Isto – eu abri meus braços, tentando dar ênfase a todo o feno e coco de cavalo que tinha no chão – é o paraíso?

Mason se deitou em um monte de feno e cruzou as mãos atrás do pescoço.

– Eu gosto daqui.

– Ótimo! Me lembre de não ir mais a igreja, assim quem sabe, eu não venha parar aqui.

Mason riu.

– Uma reuniãozinha e ninguém me convida?

– Adrian! O que você faz aqui? – eu perguntei assim que o vi.

Ele se aproximou, impecável, em sua calça caqui e sua camisa branca. Adrian estendeu a mão para mim.

– Eu não consegui dar os parabéns antes, resolvi aparecer agora - seus olhos encontraram os de Mason e ele continuou – só não esperava que você tivesse companhia. Aliás, eu achei que os espíritos não pudessem se comunicar com os vivos.

– Rose é uma shadow-kissed. E você o que quer com ela? – Mason perguntou, levantando-se um pouco.

– Assunto particular – Adrian respondeu me puxando para perto dele.

Impressão minha ou naquele momento eu tinha dois espíritos brigando por minha causa? Bom papai-do-céu, ou fada-do-dente, ou coelhinho-da-páscoa, sei lá. Se eu puder posso trocar os dois e voltar para a cabana? Okay, é claro que eu não posso. Eu respirei fundo e olhei para Adrian.

– Então foi você que me trouxe aqui?

– Sim. Não. Mais ou menos. Eu tentei entrar no seu sonho, mas não consegui, então de repente, você estava aqui.

Ele olhou diretamente para mim e continuou.

– Alguma coisa me bloqueou de entrar em sua mente antes, o que foi?

– Eu não faço idéia, o usuário do espírito aqui é você!

– Você estava com alguém poderoso. Alguém com quem você tem uma ligação muito forte. Lissa, talvez.

Eu tossi e pigarreei um pouco, antes de concordar. Bem, era muito melhor ele pensar em Lissa do que saber a verdade. Minha bochecha corou só de pensar.

Mason e Adrian continuaram discutindo sobre qual dos dois tinha mais direito de estar em meus sonhos e minha cabeça estava doendo, muito. Eu dei uma sacudida, tentando eliminar as vozes, nada. Soltei hunf entre os dentes e me sentei ao lado de Mason – aquilo iria demorar – mas antes que eu soltasse meu peso, alguma coisa me espetou e eu olhei para baixo. Para a minha maior felicidade, eu ainda estava de calcinha e camiseta, o que era absolutamente constrangedor. Eu surtei.

– Você! Eu apontei para Mason – me faça o favor de aparecer apenas quando eu estiver vestida! E você! – eu apontei para Adrian – me faça o favor de arranjar alguma roupa decente para mim em suas fantasias! E agora os dois! Me levem de volta, pelo amor Deus. Vocês estão me dando dor de cabeça.

Um segundo depois, eu estava em minha cama.

Confesso que tentei, desesperadamente, voltar a sonhar com Dimitri, mas eu não consegui. Eu estava ansiosa com o futuro e amedrontada. Como se pudesse sentir, Mason apareceu.

– Rose, me desculpe. Eu não queria atrapalhar você, eu nem sabia que você poderia ir até lá.

– Okay – eu respondi meio sem vontade.

– É sério Rose. Eu não entendo bem estas coisas ainda, sabe, não fácil morrer.

Eu pensei em dizer alguma coisa como: “E você vem dizer isto para mim? Eu estou tentando matar um strigoi que eu amo e não está dando muito certo”. Mas ao invés disso, eu disse outra coisa. Algo que convenceu ele de que tudo estava mesmo bem, porque ele parou de falar do assunto.

– Hey, posso ver sua marca?

– Hum?

Mason revirou os olhos para mim.

– A da promessa Rose, a da promessa! Lembra? Aquela que você fez hoje!

– Ah esta. Sim, é claro.

Segurei meu cabelo em um rabo de cavalo para que Mason pudesse ver meu pescoço.

– Está linda.

Eu olhei pelo espelho.

– Ah, ela inda está meio vermelha, mas vai ficar bom logo. Sabe, eu tenho ma ótima cicatrização.

Mason sorriu e se aproximou.

– Não a marca sua boba, você.

Engoli em seco. Eu não tinha menor idéia de como lidar com o flerte de um fantasma. Sarcasmo! Sarcasmo é sempre bem vindo.

– Devem ser os hematomas, sabe, eu li que homens se sentem atraídos por isso.

Mason sorriu comigo.

– Você leu? Desde quando você lê?

Eu me fiz de ofendida.

– Desde sempre. Eu não sou só um rostinho bonito em um corpo super sexy, eu sou inteligente.

Mason segurou minha mão e olhou em meus olhos.

– Eu amo você Rose. Sempre vou amar.

– Mase eu...

– Não se preocupe, eu entendo. Eu sei o quanto você o ama, eu sinto. Sempre senti.

Mason baixou os olhos para o chão e eu me senti culpada. Culpada por usa-lo, culpada não ter conseguido protege-lo. Ele segurou meu rosto entre suas mãos frias.

– Vou fazer o que for preciso para vê-la feliz de novo.

Ele sorriu e eu sorri também. Era bom ter Mason de volta, por mais estranho que isso fosse. Ele soltou meu rosto de repente, ainda sorrindo.

– Vivo na área! - E desapareceu.

Alguns segundos depois, bateram em minha porta. Eu não me espantei quando abri.

– Adrian. O que você quer.

Ele me estudou um pouco e depois soltou um dos seus sorrisos irônicos.

– Prefiro a camiseta.

Olhei para baixo e percebi que eu usava minhas calças velhas de ginástica e uma blusa de algodão.

– E você veio aqui, no meio da noite, só para me dizer isto?

Ele entrou – Adrian nunca esperava ser convidado – e se sentou na cadeira da escrivaninha.

– Eu vim te dar os parabéns – ele esperou um pouco para depois continuar – e, fazer uma proposta.

– Ah uma proposta! Bem, isto muda tudo. E o que seria Adrian Ivashcov?

– Eu vou ajuda-la.

– Em que?

– Em sua busca.

Eu sabia exatamente do que ele estava falando e já estava odiando Lissa por ter contado, mas mesmo assim, me fiz de desentendida.

– Que busca?

Ele suspirou fundo.

– Seu guardião, Litlle Damphir.

Eu fiquei muda. Se por um lado, eu não queria que ninguém soubesse, por outro, seria bom ter ajuda. Especialmente de alguém que pudesse obter facilmente favores com a rainha. Eu precisava de alguém que pudesse me ajudar com Victor.

– E o que você quer em troca?

– Sua garantia de que eu terei minha chance com você.

Eu me sentei na cama e cruzei as pernas.

– Eu já lhe prometi isso.

– Não Rose. Eu não quero que você me prometa nada, eu quero que pense. Por isso eu vou ajuda-la, enquanto você tiver esperanças com Belikov, você não vai poder me dar uma chance.

– Então por isso, você vai me ajudar a mata-lo.

– Sim.

De repente, uma esperança brilhou em minha mente. E se desse certo? E se fosse mesmo verdade? O que eu faria com Adrian? Não era justo usa-lo, especialmente sabendo que ele realmente tinha esperanças em relação a isso. Eu suspirei.

– E se eu descobrir que posso salva-lo. E se der certo Adrian, você sabe que vamos ficar juntos.

Ele olhou serio para mim, mas eu pude ver a doçura e a sinceridade em sua voz.

– Então eu vou saber que fiz a coisa certa.

Eu o abracei e Adrian encostou os lábios nos meus. Não foi exatamente um beijo, mesmo porque eu não me movi, mas foi carinhoso e tenho que admitir que Adrian tinha um certo charme.

– Para a corte, então? Adrian me perguntou.

– Sim para a corte!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Spirit Bound - o recomeço / Capitulo 1




Quando eu saí pela Rússia, em minha caçada pelo homem que eu amo, eu não imaginei que seria tão difícil.

Não foi difícil encontrá-lo, nem me deixar cair em seus braços, mais uma vez. O difícil foi matá-lo. enterrar uma estaca de prata no coração do único homem que eu amei em toda a minha vida.
Tão ficícil que eu falhei. Eu não pude completar minha missão. Agora, Dimitri é quem está me caçando e eu tenho a impressão de que isto não terá um final feliz.





Prólogo – A Carta



Quando acordei, a sensação era estranha. Eu não sentia dor, embora a estaca ainda estivesse em meu peito. Eu a puxei e segurei em minhas mãos. Não havia mais mágica nela, ou eu não estaria escrevendo esta carta agora.

Naquela noite, na margem do rio, eu me levantei e caminhei de volta para a casa que agora pertencia a mim. Apesar de tudo, ela havia me ajudado. Apesar de tudo, ela havia escolhido permanecer ao meu lado, ainda que não quisesse se unir a mim.

Agora, enquanto eu escrevo esta carta, a estaca de prata está em minha mão. Eu não consigo tirá-la da minha mente. Penso em como seria tocá-la novamente. Em como seria sentir seu gosto em minha boca novamente. Hoje, enquanto escrevo esta carta um pensamento faz minha boca salivar de desejo. Eu penso em como seria provar o gosto de seu sangue quente e doce, enquanto faço amor com ela. Minha. Esta é única palavra que vem em minha mente quando penso nela. Minha, minha Roza.

Nada do que escrevo aqui é mentira. Eu penso exatamente isso, eu sinto exatamente isso, e mais, muito mais. O desejo que tenho dela é doentio, eu vou tê-la novamente. Não importa o que eu tenha que fazer para conseguir, eu vou fazer.

Infelizmente, não será fácil. Eu a treinei bem. O que me consola, é que será muito interessante. Eu preciso matá-la, e eu vou. Mas antes disso, eu preciso tê-la em meus braços, mais uma vez.







Capítulo 1 – Passado Perdido





A janela do quarto estava entreaberta. Estávamos na primavera e apesar de Montana ser um lugar frio, naquela tarde o sol brilhava razoavelmente forte. Eu estava sentada na beira da janela, sentindo o sol esquentar a minha pele enquanto olhava as montanhas. O papel ainda estava amassado em minhas mãos.

Definitivamente, existe uma diferença entre cartas de amor e ameaças de morte, mas para mim, não importava muito. O que importava de verdade é que ele havia escrito. O que importava é que eram suas mãos segurando a caneta que marcou aquele pedaço de papel. Eu estava apavorada, mas eu não conseguia de deixar de amá-lo.

Enquanto o sol esquentava minha pele, meu pensamento viajou até a Rússia, até Dimitri. Eu tinha tantas lembranças. Abri o papel mais uma vez, eu já havia perdido a conta de quantas vezes o li, mas eu precisava ler uma vez mais.



Minha querida Rose,


Uma das poucas desvantagens de ter despertado é que não precisamos mais dormir; portanto nós não sonhamos mais. É uma pena porque se eu pudesse sonhar, eu sei que sonharia com você. Eu sonharia com o seu cheiro e sobre a sensação do seu cabelo negro entre meus dedos. Eu sonharia com a suavidade da sua pele e o poder seus lábios quando nos beijamos.

Sem sonhos, eu tenho que me contentar apenas com minha imaginação – que é quase tão boa quanto. Eu posso imaginar todas essas coisas perfeitamente, assim como consigo imaginar como será quando eu tirar sua vida desse mundo. É algo que eu me arrependo de ter que fazer, mas você tornou minha escolha inevitável. Sua recusa de se juntar a mim numa vida e amor eterno não me deixa outra opção, e eu não posso permitir que alguém tão perigoso quanto você viva. Além do mais, mesmo que você seja transformada contra sua vontade, você agora tem tantos inimigos entre os Strigoi que um deles iria te matar. Se você deve morrer, que seja por minhas mãos. A de mais ninguém.

Mesmo assim, eu te desejo sorte hoje enquanto você faz suas provas – não que você precise. Se eles estão fazendo você fazer os testes – e eu não tenho duvidas que eles fizeram – é uma perda do tempo de todos. Você é a melhor no grupo, e nessa noite você vai merecer sua marca da promessa. É claro, isso significa que você será um desafio muito maior quando nos reencontrarmos – o que eu definitivamente vou gostar.

E nós vamos nos encontrar de novo. Com a formatura, você partira da Academia, e assim que você estiver do lado de fora das wards, eu vou encontrar você. Não existe lugar nesse mundo que você possa se esconder de mim. Estou observando.

Amor,



Dimitri.


Eu também me lembrava exatamente de todas aquelas sensações, e de outras, muitas outras mais. Eu me lembrava da sensação do seu corpo apertado contra o meu. A suave pressão do movimento de fazer amor com ele. Eu me lembrava do calor da sua pele. Um calor que eu não sentiria mais, nunca mais. O homem que eu amava já não existia mais, ele havia se perdido em algum lugar daquele passado. E não importa o que eu fizesse, nada poderia trazê-lo de volta – ou quase nada – mas eu não estava disposta a arriscar Lissa por isso. Ela não. Eu já havia perdido muitas coisas e Lissa não entraria nesta lista.

Eu suspirei fundo, mandando aquela nova Rose de volta para dentro de mim e resgatando a garota inconseqüente, que fazia piada de tudo. Podia não ser honesto, mas era o único jeito de não enlouquecer.

Eu estava terminando de pentear o meu cabelo, quando Lissa entrou.

– Não me diga que chama isso de rabo de cavalo?

Lissa estava parada na porta, sorrindo para mim, ou melhor, ela estava rindo de mim. Okay, eu nunca fui mesmo muito boa com cabelos, para minha sorte minha herança genética sempre me ajudou. Eu sorri para ela, segurando desajeitada a escova nas mãos.

– Bem, é uma tentativa.

Lissa pegou a escova e começou a alisar o meu cabelo. Ultimamente ela tinha sido muito mais minha guardiã, do que eu dela. Eu gostava de ver como Lissa estava diferente. Eu gostava de ver tanta confiança em seus olhos e eu tinha que admitir que muito dessa mudança, eu devia a Christian Ozera. Mesmo não estando mais com ela, Christian havia mudado muito Lissa, e eu podia ver que era para melhor.

– Ansiosa?

A voz suave e carinhosa de Lissa me arrancou dos meus pensamentos. Eu queria dizer a ela o quanto eu estava ansiosa e o quanto eu estava apavorada. Ansiosa porque eu queria muito ser aprovada nos meus testes finais e finalmente poder ser a guardiã dela e começar nossas vidas. Apavorada porque se eu realmente fosse aprovada – o que Stan iria tornar bem difícil – eu teria que ser a guardiã dela e começar nossas vidas. Contraditório? Nem tanto, quando se tem um Strigoi no seu encalço. Apavorante? Absolutamente! E principalmente quando este Strigoi é o melhor, ou o pior, dependendo do ponto de vista. E mais principalmente ainda, quando você ama este Strigoi.

Eu respirei fundo mais uma vez – qualquer dia eu iria arrebentar um pulmão, ou uma costela, ou os dois – e respondi sarcasticamente:

– Bom você sabe, Stan é muito pior que um Strigoi!

Lissa não riu. Ela me conhecia bem, o que ás vezes me dava medo. Ao invés de rir comigo, ela me abraçou.

– Você vai se sair bem – e então, ela completou - eu tenho certeza.

Eu a segurei um pouco mais, junto a mim. Lissa era meu porto seguro.

– Você sempre cuidou de mim, agora eu vou cuidar de você – Lissa disse em meu ouvido.

Com as últimas palavras eu tive que segurar a nova Rose para não sair de dentro de mim chorando. Eu não podia. Lissa não merecia uma guardiã fraca.

– Hey, você fez um bom trabalho aqui! – eu disse, passando a mão pelo rabo de cavalo perfeito que Lissa havia feito.

Ela sorriu e caminhou em direção a porta.

– Bem, ninguém disse que uma guardiã tem quer ser desarrumada!

– Diga isto á Alberta!

– Rose!

– Hey! Eu sou sincera, você sabe.

Lissa revirou os olhos sorrindo.

– Te vejo lá embaixo? Ela perguntou.

– É claro, eu tenho um Strigoi hipotético para matar! – eu respondi dando um soquinho no ar.

– Hey, Rose?

Eu me virei para ela á tempo de pegar o pequeno anel de prata.

– Para dar sorte!

Lissa saiu e eu fiquei olhando a argola em minha mão. Sorte eu teria se meu dedo não caísse!

Por mais boa vontade que Lissa tivesse, ela realmente não havia entendido bem o que colocar naqueles anéis. Meu dedo que o diga! Ele ainda tinha marcas do último.

Eu fechei os olhos e encaixei o anel em meu dedo cuidadosamente. Quando ele chegou a base do dedo eu sorri – pelo menos nada estava quebrado, ou sangrando, ainda.

Desci as escadas correndo. Eu estava atrasada, como de costume. Algumas coisas nunca mudam.

Quando olhei o ginásio cheio, meu coração deu uma fisgada. Dimitri estaria ali, junto dos outros guardiões e com sorte, seria com ele que eu lutaria. Se eu pudesse mudar as coisas, se eu pudesse desfazê-las. Meu pensamento viajou mais um pouco, meses atrás, quando nós dois treinávamos naquele lugar. Eu o vi ali novamente, sentado em sua cadeira, com os pés apoiados na grade do ginásio, enquanto eu corria. Seu livro de Cowboy aberto, embora seus olhos estivessem em mim. Na é época eu ignorei, achei que fosse bobagem, mas hoje eu sei, era para mim que ele olhava. Se eu pudesse voltar no tempo eu teria feito tanta coisa diferente. Eu teria arriscado mais. Eu teria tirado o livro das mãos dele e o teria trazido para mim. Eu o teria beijado, muitas vezes mais. Da última vez que eu o beijei não foi a mesma coisa, não que eu não tivesse gostado, é só que, não era mais o meu Dimitri.

Eu dei um pulo e agarrei alguma coisa atrás de mim.

– Hey, garota me solte! Pelo amor de Deus eu só queria dizer “olá”!

– Edie, ficou maluco?

– Porque eu queria dizer “olá”?

– Não! Por se aproximar sem fazer barulho.

Edie sorriu e eu percebi que tinha sido uma idiota – okay, ultimamente isso não era tão incomum.

– Desculpe, okay? Eu estava distraída.

De repente os olhos de Edie se perderam dos meus. Ele os baixou para algum lugar no piso e eu sabia exatamente para onde. Não fazia muito tempo desde a morte de Mason.

– Era para ele estar aqui conosco – Edie afirmou.

– Sim.

Pensar em Mason me deixou ainda pior. Eu sentia falta do meu amigo. Era tão fácil ser eu mesma com Mason. Ele me compreendia tanto. Eu estava pensando em como a vida era injusta, tirando de mim duas pessoas que eu amava tanto, quando Edie continuou.

– Mase está melhor agora, eu sinto.

E então eu me lembrei que a nova Rose estava tentando sair novamente e a puxei para dentro.

– Hey! Pensei que só eu sentisse estas coisas por aqui! – eu falei dando um soco de ombro em Edie.

Deve ter funcionado um pouco, porque o garoto sorriu. Edie segurou em meu braço e me levou para o lugar onde os novatos estavam.

Um pouco antes de eu me sentar, Stan parou ao meu lado.

– Hatway, finalmente nos deu o ar da sua graça!

Bem injusto se você pensar que eu estava no máximo cinco minutos atrasada, mas vindo de Stan, era compreensível.

Eu olhei para ele com meu olhar inocente, apesar de não funcionar com ele, era sempre divertido.

– Bem, eu tenho uma marca da promessa para ganhar.

– Veremos!

Por um momento, eu pensei que talvez não fosse assim tão ruim não ser aprovada. Quem sabe eu não poderia continuar ali, na academia? Pelo menos eu não teria que lidar com meus problemas externos.

Eu nem tinha me ajeitado direito no banco, quando Alberta chamou o meu nome. Okay, eu já devia esperar que eu seria a primeira, mesmo assim, me surpreendeu. Eu me levantei e caminhei para o meio do ginásio, fazendo um pouco de alongamento com meus braços. O nome que Alberta chamou depois de mim, fez meus braços caírem como pedras ao lado do meu corpo.

– Guardião Alto – a voz de Alberta ecoou pelo ginásio.

Ah não! Isso já era demais! Stan? Tinha que ser Stan? Engoli em seco. É claro que tinha que ser Stan. Quem mais me deixaria tão motivada?

Eu olhei na fileira de guardiões nas arquibancadas e encontrei os olhos da minha mãe. Ela estava séria – o que não era novidade – e olhando para mim. Provavelmente ela e Stan haviam tramado tudo só para me fazer perceber que não importa o quanto as coisas estejam ruins, elas podem piorar.

Stan entrou na arena montada para os testes e se posicionou ao meu lado.

– Agora vamos ver o que o Belikov lhe ensinou.

Eu não respondi. Não havia nada para dizer. As maiores lições de Dimitri eram apenas minhas. Além disso, eu não entraria nas provocações de Stan. Eu precisava me concentrar, e foi o que eu fiz.

Assim que o juiz iniciou nossa luta, minha mente entrou em modo matar. Eu não era tão grande e nem tão forte quanto Stan, mas eu havia aprendido com o melhor. Se Dimitri não estaria ali para me ver, eu honraria sua memória.

Meu teste final, como o de todos os novatos, era uma luta corpo a corpo. Nada de ser pego de surpresa, ou fingir que se estava lutando com Strigoi. Ali, eu tinha que vencer Stan, como em uma luta de boxe. Hum, boxe! Até que não seria tão ruim. Eu pensei isso por exatos dois segundos, foi o tempo que Stan levou para acertar o meu rosto. A mão em punho bateu no meu rosto e eu senti alguma coisa quente e pegajosa escorrer – sangue! Ótimo, nem dez minutos de luta e eu estava sangrando. Eu caí.

Enquanto eu estava no chão, meus olhos encontraram minha mãe. Ela não estava torcendo por mim – ou pelo menos não visivelmente – mas eu percebi uma certa tensão nela. Expectativa? Talvez. Preocupação? Provavelmente. Amor? Nem tanto! Mas o fato é que ela estava ali, por mim. Meus olhos rodaram e encontraram Lissa. Ela estava lá, torcendo por mim, no meio da multidão. Era por ela que eu estava ali. Eu precisava vencer, eu precisava vencer por ela. E foi quando, atrás de Lissa, eu o vi novamente. A forma brilhante e esfumaçada de cabelos cor de bronze – Mason. Eu pisquei um pouco, ele não desapareceu. Eu quase sorri, mas o outro braço de Stan estava indo para minha boca, eu desviei. Mason ainda estava lá, atrás de Lissa, olhando para mim. Eu levantei e cerrei meu punho. Um soco no estômago e Stan afastou-se um pouco. Em minha mente eu podia ouvir Mason falando comigo: “Isso! Faça isso! Você precisa vencer” . Eu precisava mesmo. Não só por mim, mas por todos que eu havia perdido pelo caminho.

Eu apanhei mais um pouco e tenho certeza de que meu rosto estava completamente desfigurado – o que só provava que Stan me odiava muito. Porque diabos ele só batia no meu rosto? Mas o importante é que eu acabei em cima de Stan. Montada em sua cintura, imobilizando-o completamente. Ele tentou se mexer, mas não pode. Meus olhos pararam, minha mente voou. Na ultima vez em que eu havia lutado, era Dimitri embaixo de mim. Da ultima vez, eu havia enfiado uma estaca no coração do homem que eu amava. Infeliz ou infelizmente, eu não havia completado minha missão – ele estava vivo.

Quando o juiz anunciou minha vitória, eu não consegui comemorar. A nova Rose estava incontrolável e eu apenas corri. Corri como uma boba e corri exatamente como Dimitri me disse que um dia eu precisaria. “No dia em que você não puder lutar” – ele me disse – “corra!” . Foi o que eu fiz. Eu não podia lutar com minhas lembranças, embora eu também não pudesse arrancá-las de mim. Pelo menos eu podia esconde-las das pessoas.

Eu só parei quando avistei a cabana. Minhas pernas falharam. Eu não conseguia voltar aquele lugar, nunca mais. Não sem ele.

A grama estava seca e fofa. Eu me sentei nela, com as pernas cruzadas, escondendo minha cabeça entre elas. Fiquei ali, tentando controlar minha respiração e mandar a nova Rose para dentro de novo, quando o cheiro entrou em meu nariz. Era um cheiro gozado, de incenso e roupa velha, sei lá. O pior é que eu sabia o que significava.

Desta vez ele se aproximou mais. Eu senti sua mão em meu ombro, mas não abri os olhos. Eu não conseguia definir se eu queria ou não, ver alguma coisa.

– Rose?

– Já faz bem mais de quarenta dias, você não deveria estar no céu, ou coisa assim?

Mason retirou a mão do meu ombro e eu me senti uma estúpida. Abri os olhos e encontrei Mason ao meu lado. Sentado comigo na grama. Ele parecia exatamente o mesmo de sempre. A mesma roupa, os mesmos olhos, o mesmo sorriso. Algo em meu coração me dizia que era Mason, apenas meu amigo Mason, e que eu não precisava ter medo dele. Algo em minha razão me dizia que eu estava completamente louca e que precisava de terapia. Eu decidi ouvir o coração – como se eu nunca tivesse feito isso!

– Hey Mase, me perdoe. Eu estou um pouco confusa.

– Eu sei.



A mão voltou ao meu ombro e eu senti a suavidade fria e quase imperceptível de seu toque.

– Eu achei que você não poderia voltar – não foi exatamente uma pergunta, embora eu esperasse exatamente uma resposta.

– Eu não posso – ele baixou um pouco a cabeça, desviando os olhos dos meus – mas eu não poderia deixá-la sozinha.

– Hum.

Foi a única coisa que saiu da minha garganta. Na verdade eu tenho certeza que pareceu mais um rosnado que qualquer outra coisa. A minha sorte é que eu não precisava mais flertar com Mason, porque certamente, foi bem assustador.

– Você vai ficar por muito tempo? – eu perguntei, assim que minhas palavras retornaram.

– O tempo que você precisar.

– Isso pode ser muito tempo.

Eu não respondi exatamente para o fantasma de Mason ao meu lado, na verdade, eu respondi mais para mim mesma. Eu não tinha idéia de como resolver toda a situação estranha em que minha vida se encontrava, mas eu sabia que não seria fácil, nem rápido.

Mason sorriu para mim. Um sorriso brilhante e cheio de sentimento. Se eu não olhasse seus olhos vermelhos, eu diria que era o mesmo Mason de antes, se bem que ultimamente, olhos vermelhos não eram um problema tão grande para mim.

– Então acho que vou ficar por muito tempo – ele parou e sorriu novamente – mas não agora. Você tem companhia.

Não deu tempo de perguntar quem era, Mason desapareceu. Eu continuei ali, parada, olhando para o nada, ou melhor, para o tudo – nossa cabana.

Quando eu conseguir ver a pessoa que sentou ao meu lado, eu quase não acreditei – Stan. Eu não fazia a menor idéia da razão que havia levado Stan até aquele lugar, e sinceramente, eu nem sabia se queria descobrir.

– Você fugiu.

Eu não respondi e Stan ficou em silêncio por alguns segundos.

– Não se foge de uma vitória.

Eu encarei seus olhos, pela primeira vez. Não que eu nunca tivesse olhado para ele, mas naquela noite, eu olhei de verdade. Stan não parecia mais tão assustador agora. Ele estava ali, sentado em minha frente, olhando para mim, tão sem jeito quanto eu. Em outra ocasião, talvez eu o tivesse ignorado. Eu podia ter feito isso, afinal o cara socou o meu rosto repetidas vezes e provavelmente levariam semanas até que eu pudesse sair na luz novamente. Eu não sei se foi o fantasma de Mason ou a lembrança da cabana, mas algo me fez ser sincera com Stan.

– Eu não tenho ganhado muitas coisas ultimamente. Acho que esqueci como é.

– Você venceu Hatway, como eu sempre soube que venceria – ele fez uma pausa e suspirou fundo – como Dimka sempre soube que venceria.

Golpe baixo ou não, a verdade é que eu estava chorando. Não chorando de soltar coisas estranhas pelo nariz, mas meus olhos não podiam segurar as lágrimas.

Stan tirou um lenço do bolso e me entregou. Eu passei em meus olhos e acabei manchando tudo de sangue.

– Me desculpe. Eu prometo que lavo.

Stan sorriu.

– Não se preocupe, é só um lenço – ele pegou o lenço da minha mão e secou mais uma lágrima – eu queria que fosse Dimka á lhe dizer isto, mas eu sei que ele não pode, então vou dizer por ele: Estou orgulhoso de você. Nós estamos!

Eu congelei. Será que as pancadas haviam sido tão fortes? Será que eu estava com uma concussão? Stan orgulhoso de mim? O cara me odeia desde... Desde sei lá quando!

Não tive muito tempo para digerir o elogio, porque Stan continuou.

– Eu sei o quanto é duro para você.

– Sabe?

– Sim, Rose. Eu sei.

Rose? Alguém mais ouviu o guardião Stan “Terrível” Alto me chamar pelo meu apelido? Okay, eu devo ter batido mesmo a cabeça com força.

– Eu passei por algo parecido.

Deus, agora eu estava assustada mesmo. Primeiro minha mãe se preocupando comigo, depois o fantasma de Mason e por último, Stan me contando confidências! Eu só podia estar morta, ou louca, ou os dois!

– Como assim?

– Eu matei alguém que eu amava.

Eu olhei para Stan. Seus olhos estavam perdidos no passado. Por um momento, eu senti nele a mesma dor que eu tinha. Por um momento eu pensei que talvez ele não fosse tão ruim assim, e eu pensei em quantas vezes eu quis ser durona como ele e afastar todo mundo. Eu o compreendia melhor do que imaginava.

– Eu não matei Dimitri – minha cabeça pendeu para á frente – eu falhei.

Eu esperei ver admiração nos olhos de Stan, esperei ver um monte de coisas, mas não o que eu vi – compreenção.

– Eu sei.

– Como sabe?

– Seu pai me contou.

Meu pai? Meu pai contou a ele? Ele sabia quem era o meu pai? Puxa a coisa só estava piorando!

Eu não sabia o que perguntar a Stan. Não que eu não tivesse perguntas, o problema era exatamente o contrário – eu não sabia o que perguntar primeiro.

Stan se levantou rapidamente, com desenvoltura. Enquanto eu parecia uma pata choca com todos os meus hematomas e cortes. Ele estendeu a mão para mim e quando eu a segurei, ele me ajudou a levantar.

– Venha, temos uma marca da promessa para tatuar.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Trechos de Amos e Masmorras






"O respeito é básico numa relação de dominação/submissão. Nunca faça com um amo o que não gostaria que ele lhe fizesse como submissa”



"A submissão é como uma meditação. Vendam seus olhos, sua mente está em silêncio, seu coração bate... A porta de sua rendição se abre."



"No BDSM, os casais são tão diferentes e tem necessidades tão díspares como pessoas existem no mundo."




“Submissa não é a que sofre mais, 
mas sim a que mais deseja”.



"O amo e a submissa gravam-se um na pele do outro. Como uma tatuagem.


“Não há prazer que seja mau.
O mau é não saber que prazeres escolher e quais evitar”.


“Em uma sessão, o amo é um demônio e, também, um anjo”.

“Não importa quão grandes sejam as lágrimas de uma submissa; 
será amada e venerada por como as deixa cair”.


"As verdadeiras submissas, têm caráter e se zangam às vezes."


Das lágrimas ao beijo existe um calafrio”


“Na submissão e na dominação, como na vida, sempre há penalidades”.


"Se pedirem para escolher entre quatro demônios, o feio, o mau, o bom e o cara bom, a quem escolheria? No final agarraria o cara bom… Não? Pois o mesmo com os amos."


"Açoite e chicotadas: açoitar um submisso é somente outra maneira de acariciar, tocar e estimular à outra pessoa a níveis físicos e psicológicos."


"O BDSM é uma viagem de auto-descobrimento, onde cada passo que dão juntos — amo e submissa — devem andar na mesma direção, numa mesma vibração".


Trechos de Amos e masmorras 

Livro Amos e Masmorras - Primeiro Castigo


 Amos e Masmorras 
Primeiro Castigo de Cléo 


Espero que gostem e bem picante....
e a parte do livro que mais gosto.
Como já havia dito o livro e muito bem escrito e torna toda a experiencia que Clêo tem no mundo do BDSM em algo incrível, que nos faz imaginar e desejar .
Bom mais um pedacinho do livro.
Fiquem a vontade e apreciem.











 “Submissa não é a que sofre mais, 
mas sim a que mais deseja”.



Ela o fez, e ele prendeu correntes em seus pulsos, por cima da cabeça, e em seus tornozelos, abrindo suas pernas.

Quando as correntes faziam clique, ele acariciava a área capturada para tranquilizá-la.

—Vou tocá-la, Cleo - anunciou com o rosto entre sombras.

—Sim - sussurrou.

Lion passou a mão por cima de sua garganta e foi deslizando através de sua clavícula e seus seios. Acariciou os mamilos com os polegares, detendo as mãos ali.

O coração de Cleo disparou, e um golpe de desejo se localizou no centro de suas pernas, formando redemoinhos por trás de seu umbigo. Mordeu o lábio inferior e fechou os olhos.

—Gosta que a toque assim?

—Sim, senhor. Eu gosto.

—E eu gosto de te tocar, Cleo.

Ela abriu os olhos e centrou sua vista nele. Lion sorria extasiado com seus seios e tinha a ponta do nariz vermelha de excitação.

“Então, também o deixo um pouco nervoso, não é? Bem, um pouquinho não é mau”, pensou com regozijo.

—Tenho que te disciplinar com os açoites. No torneio podem vir provas de todo tipo se não encontrarmos antes os cofres; e poderíamos nos ver obrigados a empreender algum duelo. Um duelo poderia ser o de conter o grito durante o açoite, o de contá-lo, ou o de não gozar ou não chorar… E terá que ter muito autocontrole.

—Poderia gozar pelos açoites?

—É óbvio —respondeu— Talvez hoje não, porque vai estar muito preocupada em pensar se dói ou não. Misturarei os açoites com as carícias, a estimularei e acalmarei. Quero que se familiarize com os golpes e quero comprovar qual é sua área mais sensível, está de acordo?

—Sim — disse decidida.

—Primeiro vou prepará-la na frente, e depois o farei por trás. Não uso chicotes porque são muito dolorosos e podem chegar a cortar a pele. No torneio, as Criaturas utilizam chicotes para castigar; mas são amos muito versados nessas práticas e sabem que não podem cometer enganos e machucar de verdade uma submissa.

—Me dão medo as Criaturas.

Lion assentiu.

—Não tem que temê-las. Além disso, faremos o possível para não cair em suas garras.

—Bem.

—Os instrumentos que usar pode despertar muitas sensações em você. Se tiver que gritar, faça, Cleo. Se tiver que chorar, chore. E, se não aguentar, recorde a palavra de segurança.

—Scar.

—Isso. —Voltou a passar os polegares pelos mamilos e logo deslizou os dedos por sua cintura, suas costelas e depois os quadris. Ficou com os olhos cravados em sua vagina e levou os dedos até lá para abri-la com cuidado.

Oh, meu Deus. Só queria vê-la; não a acariciou por dentro nem penetrou os dedos em nenhum lugar. A abriu como se fosse um pêssego para observar sua cor e textura. Mas ela sentiu que umedecia e que começava a palpitar.

—Tem uma cor muito rosada. Quando o sangue se acumular aí pelos açoites e palmadas, inchará e passará ao vermelho raivoso. Se tornará muito sensível. Os açoites nesta área servem para que o sangue bombeie nos pontos sexuais e seja plenamente consciente deles. Quando estiver preparada, poderia chegar ao orgasmo só com um sopro —assegurou acariciando-a levemente—É muito bonita, Cleo. —Elogiou-a com tato e cuidado.

Ela inspirou profundamente quando parou de tocá-la e exalou com um obrigada afogado.

—Vamos começar —disse agarrando um flogger de várias caudas. — A primeira coisa que tem que fazer é não pôr etiquetas ao que está sentindo. Sei que é angustiante estar atada e imobilizada sabendo que alguém vai golpeá-la, mas sou eu: sou Lion. Cortaria uma mão antes de machucá-la de verdade. Assim — sopesou o peso das extremidades e as analisou com atenção. — Não etiquete. Não há dor. Não há prazer. Há algo muito mais poderoso e potente que isso. —Deixou que as caudas do flogger acariciassem seu torso e passassem por cima de seus mamilos. Estes reagiram e ficaram arrepiados.

— Isso. Responde muito bem, Cleo.

—Ah… Obrigada, Senhor.

—O que vou fazer com você, tudo o que vai sentir pode parecer doloroso; mas é dor para conseguir um prazer sublime. A dor não é o fim dos açoites: é o meio para fazer que voe. Uma sessão de BDSM, um castigo, não tem por que te aterrorizar. Pode pensar nisso como uma cena de filme de suspense em que não sabe o que vai acontecer. Sentirá um golpe, e depois, na mesma área, dois beijos ou duas lambidas; um açoite, e depois uma carícia reconfortante. E a soma de tudo isso, a soma de sentimentos e do grande contraste da dor e do prazer é o que faz do BDSM algo tão incrível. Sexo bestial e doçura infinita, suavidade e dureza, inferno e céu… Imagine uma discussão e depois quão incrível é a reconciliação. Aqui é o mesmo: depois que a flagelam ou a castigam, o melhor é que cuidam de você e a mimam. —Inclinou-se sobre ela e lhe deu um beijo fugaz nos lábios. — Vou cuidar de você, meu bem.

Antes sequer que Cleo pudesse saborear e entender o motivo desse beijo, chegou a primeira carícia vertical das extremidades do flogger. Golpeou-a sobre o estômago, aproveitando seu próprio peso para que as estremidades não se enredassem e fossem todas na mesma direção.

Cleo se esticou e com as mãos se agarrou às correntes.

Primeiro chegou um e depois outro e outro e outro… Chegavam a grande velocidade e impactavam sobre a pele nua da jovem, que apertava os olhos com força e punha todo o corpo em tensão

—Não gosto dos vergões, nem marcas na pele, nem cortes… Os sádicos, não os amos que gostam da dominação e da submissão —esclareceu, — abusam dos chicotes — Zás!, no seio esquerdo, — inclusive dos floggers com objetos cortantes. — Outro zás no outro seio. — Mas os sádicos têm outra psique e gostam de infligir dor por dor. A mim não.

Cleo estava tremendo, aguentando as sensações tão facilmente como podia. Lion parou, e agora sentia como a pele atiçada formigava e esquentava. E, então, chegou outro tipo de golpe sobre suas coxas. Um igualmente estimulante.

A pele picava e não sabia se o que estava experimentando era dor ou prazer.

Depois de trabalhar suas coxas, Lion subiu o flogger de novo sobre o estômago; e então chegou o primeiro raio de dor forte quando as caudas foram parar em sua virilha.

—Oh, meerda! —exclamou ela apertando os dentes.

—Doeu este, Cleo? Assim?

Ele fez de novo: e Cleo saltou da maca-mesa ao sentir o açoite na vagina.

Mas quando a sensação picante desaparecia, ficava de novo aquela estranha estimulação em toda sua pele, como se alguém a tocasse, mas sem tocá-la. E se sentia arder.

—Aguenta, Cleo. Isto é somente para te preparar. É um aquecimento. —centrou-se de novo em seus seios e passou de maneira continuada as caudas do flagelador como uma carícia sussurrante, para logo voltar a começar.

Esteve longos minutos trabalhando sua parte dianteira, até que toda sua pele estava vermelha devido à estimulação.

—Deus… É tão bonita.

Cleo não podia falar. Estava convencida que seu cérebro estava fritando. O que acontecia com seu corpo?

Acaso queria mais? Não podia ser…

Ele acariciou seu rosto e retirou a vermelha franja de seus olhos.

—Faz que queira fodê-la agora mesmo, Cleo. Está se entregando para mim. — Colocou a palma da mão sobre sua vagina e a deixou ali, sem mover os dedos. — Nota? Está umedecendo, querida.

Estava se entregando a ele? O que acontecia era que estava ardendo como um maldito vulcão. Não queria que parasse de tocá-la. Não queria que afastasse a mão dali.

—Lion…

Zás! A primeira bofetada com a mão aberta sobre seu sexo: spanking vaginal; e deixou a mão ali, retendo todo o calor.

Saltaram lágrimas dela, mas, incompreensivelmente de novo, desejou muito mais.

—Como me chamo?

—Senhor.

—Sim, assim é —passou os dedos pelos lábios do seu sexo, mas não fez nada mais. — Boa garota.

Sem saber muito bem como, Lion a liberou das correntes e a virou como um frango; ficou de barriga para baixo sobre a mesa. Ele a aprisionou outra vez e começou a flagelá-la tal e como fez com sua parte dianteira. O fazia num ritmo e velocidade que continham uma força hipnótica. Não forte, porque aquele não era o castigo principal, mas sim com suficiente pressão e cadência constante para que sua pele se preparasse.

—Deus —gemeu Cleo, colocando o rosto para o lado contrário de onde ele estava. Ardia-lhe a pele, certamente que a estava irritando; mas seu corpo mergulhava numa hipnose provocada pelo contato das extremidades, por como alternava um golpe e outro: um mais forte, outro mais frouxo, um mais suave… Depois parava e passava as mãos por cima da área torturada, como se a quisesse consolar e acariciar, pedindo perdão pelo castigo que estava infligindo. E ela, nesse momento, sentia vontade de chorar. Mas não o faria. Devia ser forte.

—No torneio só eu a tocarei. Não vou deixar que ninguém se aproxime, Cleo. Para isso devemos ser os mais rápidos em encontrar os cofres; e, se não o fizermos, temos que ganhar os duelos. Mas se em algum momento tiver que enfrentar às Criaturas ou ceder ao que o Amo do Calabouço ou Uni exijam, tem que se preparar para qualquer coisa — Zás! Um açoite entre as nádegas que fez que sua linda pele se avermelhasse. — OH, gatinha… Veja. — Passou as mãos por seu traseiro e se inclinou para lhe dar um beijo.

—Lion? —soluçou ela muito necessitada dessa boca.

Zás! Um açoite com a mão aberta.

E ela se queixou pelo contato.

—Senhor!

Esfregou a área em que deu a bofetada e se inclinou de novo para beijá-la.

—É muito importante que nos castigos nunca pronuncie meu nome. Pense que você e eu temos outras identidades, e que essas serão as oferecidas aos organizadores do torneio. Um engano desse tipo chamaria muito a atenção dos Vilões.

—Sim, senhor.


—Já está preparada para seu castigo.

Desencadeou-a e a deixou sentada de novo sobre a mesa-maca. Com o flogger na mão ainda, retirou seu cabelo do rosto e pôs uma mão de cada lado de suas pernas, sobre o suporte, de modo que a deixou presa entre seu corpo e a maca, nua, afetada pelos açoites e vermelha como um tomate.

Cleo nunca foi tão consciente de seu corpo como nesse momento.

—Deixa-me louco que confie em mim desse modo, Cleo.

—Ob... Obrigada, Senhor.

—Está indo muito bem em seu papel, não é, bonita?

Lion retirou o cabelo vermelho e úmido pelo suor do seu rosto. Encostou sua testa à dela e a olhou nos olhos. Ansiava beijá-la.

Mas não queria confundí-la nesse momento; como tampouco ele queria se confundir.

—Me olhe.

Cleo levantou a vista, confusa. Não sabia como devia se sentir, mas se sentia tão bem e descansada… Tão ativada.

Lion a agarrou nos braços e a deixou em frente ao seu punching bag.

—Coloque suas mãos no saco, Cleo, e segure.

O olhou por cima do ombro.

Não se sentia tão desorientada para não o advertir com seus olhos, muito verdes, o que aconteceria se a machucasse de verdade.

—Disse que confiava em mim — a recriminou, captando a mensagem desse olhar— Olhe para a frente.

—Sim, senhor. —Ela mordeu a língua e esperou paciente que chegasse o golpe.

—Quero que você mesma aceite a dor voluntariamente. Por isso não a amarro.

—Bem. —Cleo se posicionou melhor para receber o castigo.

—Deve se manter quieta, sim?

—Sim, senhor.

—O início da dor vai crescer porque liberou muitas endorfinas, e por isso é mais difícil que saiam hematomas. No pré-aquecimento, as carícias servem para que as endorfinas se

se acumulem na pele. Está vermelha e abrasada, querida. Vou golpeá-la num ritmo lento para que tenha tempo de absorver cada golpe e antecipe a sensação do próximo. Ontem me ofendeu três vezes. Serão cinco chicotadas por cada ofensa.

—Quinze, senhor? —perguntou estreitando os olhos e desejando que a tocasse de uma vez: não importava se vinha um açoite, uma bofetada ou uma carícia.

Queria que continuasse estimulando-a, não queria esfriar.

—Uma, quando me disse que queria outro amo, quando o que eu pretendia era te proteger de cair nas mãos erradas; a segunda, quando insinuou que não me preocupavam suas necessidades, quando a domesticação de ontem a preparava para mim; e a terceira, quando disse que não era irresistível, quando Cleo —se aproximou dela e sussurrou ao ouvido, — vejo o brilhante que está entre as pernas, gatinha. E é pelo muito que gosta do que faço. Mas vamos acrescentar cinco mais.

—Por que?! —replicou.

Ele permaneceu em silêncio durante uns segundos. Essas respostas mereciam outro castigo, mas esperaria que Cleo se dessa conta que não devia falar com ele assim.

—Senhor? —perguntou sem entusiasmo.

—Por insinuar que Clint morreu por minha culpa e que minha incompetência fez que sequestrassem Leslie.

Aquelas palavras a afundaram. Era verdade que disse isso e se arrependeu imediatamente, mas não pediu perdão ainda. Como se atreveu a atacá-lo assim?

—Está pronta? —Acariciou sua nádega esquerda e a beliscou suavemente—Está ardendo.

—Sim, senhor —respondeu com um fio de voz.

—Vai contar em voz alta as chicotadas. Tenho um chicote de nove caudas nas mãos, Cleo. Isto vai doer um pouquinho mais. —Usou a velocidade e o peso do chicote para golpear sobre suas nádegas, fazendo alavanca com seu braço e o cabo.

O som das caudas cortando o vento podia ser atemorizante, mas era mais espetacular escutar como açoitavam a pele.

—Um! —gritou Cleo cravando os dedos no saco de boxe. Deus… Como ardia. Depois de dez segundos, chegou o segundo contato, na mesma área, entre as nádegas— Doooiiis! —exclamou cravando os pés na grama para manter a postura. Os golpes cada vez eram mais fortes, mas iam mudando de lugar para não fazer muito dano. O três e o quatro alcançaram a área traseira das coxas. O cinco e o seis golpearam a parte baixa das costas. A pele do traseiro doía e ao mesmo tempo picava. Não sabia se queria se coçar, esfregar ou que continuasse a golpeando. O sete e o oito caíram de novo sobre as nádegas. Não. Não queria que continuasse batendo nela. Ou sim? Aquilo era muito confuso. — Nove! Dez!

Lion sabia que Cleo aguentaria com isso e com mais. Era a mulher mais forte, obstinada, valente e entregue que jamais conheceu. Mas devia aprender a suportar isso com ele, pois seria ele quem jogaria com ela no torneio. A jovem tremia e se apoiava no saco, quase se abraçando a ele.

—Doze! Treze!

As exalações e os ruidinhos indefesos de Cleo percorreram a alma de Lion.

Era por ela que estava ali.

Era por ela que cuidava de Leslie.

Não o contrário.

Entenderia isso algum dia? Como ia saber se nunca disse nada a ela?

—Dois mais, gatinha!

—Dezenoooveee! —gritou grunhindo.

As extremidades da última chicotada a pegaram de repente nas bochechas avermelhadas das nádegas e a agente caiu, cansada de seu próprio exercício. — Vinte… vinte… Deus… — soluçou — Vinte! — deixou-se cair no chão, mantendo-se abraçada ao saco, completamente abandonada.

Lion atirou o chicote no chão e pegou Cleo nos braços, embalando-a contra ele, consolando-a com seu corpo e sua pele.

Cleo nem sequer se atreveu a fugir.

Aquilo era um castigo de BDSM; e sabia que ardia seu corpo, era consciente da reação de sua psique pela representação da flagelação, mas não entendia a outra sensação que se estendia sob sua pele.

—Venha aqui, querida. Fez isso tão bem… — a felicitou. — Agora me deixe cuidar de você.

—Não… Deixe-me em paz.

—Chist, Cleo. —Olhou-a nos olhos e caminhou com a jovem nos braços até sentar na poltrona de vime, com ela montada sobre suas pernas. —Sei que agora não sabe como se sente. Mas também sei que, na realidade, de verdade, não foi dor que sentiu. —Seus peitos nus se colaram um no outro. Lion a beijou na cabeça e na têmpora, depois pelas bochechas… Também passou as mãos pelas costas e nádegas para consolar sua aflição e sua ardência. Cleo se abraçou a ele, sem pedir permissão nem chamá-lo de senhor. Apoiou sua cabeça sobre seu peito e permitiu que lhe desse o calor que precisava. Carinho. Só queria carinho.

“Console-me, por favor”, dizia em seu interior.

—Sinto muito. Sinto o que te disse — gemeu sobre ele. — Não acho que teve culpa de nada… Fui horrível. Fui uma vadia má. Perdoe-me. Você perdeu seu melhor amigo no caso e eu…

—Chist. Está bem, querida…

—Não, Lion —o chamou por seu nome, mas nem se importou. Segurando-o pelo rosto, disse: — diga que me perdoa, por favor…

—Sim. Claro que sim —Seus olhos azuis se impregnaram por tão bonita e viva que estava.

—Perdão —soluçou, abraçando-o.

Lion a acalmou e mimou, feliz por tê-la assim. Era a primeira vez que Cleo não o olhava mal, nem lançava uma palavra venenosa, nem ria dele…

Agora era acessível. E terna.

—No começo —explicou ele, — quando sente que gosta do que te fazem, sente-se desorientada. Mas, na verdade não é dor, não de verdade — explicou ele beijando-a no ombro e massageando suas carnes doloridas. — É uma dor prazerosa. —Segurou seu rosto entre as mãos e o ergueu um pouco para que ambos ficassem cara a cara. —A gente chora e se limpa. É como uma catarse. E há outros que acabam destruídos depois de uma sessão de BDSM, que ficam deprimidos por alguns dias. Tiram tanta merda e se esvaziam tanto que não sabem dar nome à paz interior que sentem.

—Estou bem. Só… Só dolorida. —Secou as lágrimas com o dorso das mãos. Dolorida prazerosamente. Sentia-se ardida, mas também muito, muito sensual e acesa para qualquer coisa.

—Estou bem

—Ouça… Antes me beijou. Me deu um beijo. —O recriminou. — Podemos nos beijar quando bancamos os personagens de amo e submissa? Isso está bem? —perguntou insegura.

Lion sorriu ao ver que ela voltava a ter lágrimas nos olhos; mas eram lágrimas purificadoras. As limpou sorvendo-as com os lábios.

E ela ficou estática ao se dar conta que Lion cumpria suas promessas:

“Quando chorar, beberei suas lágrimas”.

—Para mim sim. Se preciso fazer, faço —explicou ele. — Queria te beijar, Cleo.

—Precisava me beijar?

—É uma submissa muito especial, e muito sexy —murmurou sobre sua bochecha. — Entregou-se a mim, Cleo. É óbvio que queria te beijar. E a beijarei sempre que me agradar.

—Porque você diz?

—Porque eu digo.

Ela deixou cair os olhos e voltou a se apoiar sobre seu peito. Não ia falar disso com ele; os beijos sempre eram algo mais. Se tinham que se beijar, se beijariam de novo, mas dessa vez ela tomaria o controle, não a pegaria de surpresa.

—Foi tão intenso… —murmurou sobre sua pele— Minha pele arde, arde em mim lá embaixo, e meu traseiro… Meu pobre traseiro — choramingou entre risadas. — O deixou como um tomate, selvagem.

Lion começou a rir.

—Ontem me ofendeu. Como submissa no jogo, deverá acatar os castigos, e lembre que haverá gente nos observando. Não poderá me ofender e permanecer impune. Tem que aprender a agir como se requer no torneio.

—Sei. — gemeu ao sentir que a pele da virilha se ressentia ao roçar contra… OH, certo!— Ups…

—Oh! —Lion sorriu abertamente e olhou abaixo—Está acordado desde que chegou ao jardim.

Cleo engoliu saliva. Sim, já tinha se dado conta que Lion quase sempre estava preparado.

—Dói? —perguntou ele.

—Onde? —perguntou ela.

—Aqui. —Lion deslizou a mão entre seus corpos e cobriu seu sexo com a mão.

A jovem se sobressaltou, mas ele a manteve em seu lugar.

— Sabe o que acontece aos homens depois de uma situação de risco?

—O que?

—A adrenalina e as endorfinas se aglomeram em nossos órgãos sexuais e nos deixa duros.

—Como agora. —Arqueou uma sobrancelha vermelha e gostou de sentir a mão de Lion acalmando seu lugar mais íntimo.

—É o mesmo que acontece com as mulheres. Mas vocês incham e umedecem. —Lion deslizou um dedo por sua fatia ardente e inflamada e se encontrou com a suavidade e a excitação de Cleo. — Como agora.

—Isto também é instrução ou pode se considerar apalpar discretamente?

—Isto faz parte da sua disciplina. Vamos fazer tudo que nos compete representar em Dragões e Masmorras DS.

Cleo estava hipnotizada pela expressão de Lion. Parecia que estava tocando um pedacinho do céu.

—E o que vai fazer a respeito, senhor? —Ela fechou os olhos e se agarrou aos seus ombros.

—Depois do açoite, vem os carinhos, querida.

Lion a elevou e a sentou sobre a mesa de vime, com cuidado de não roçar muito a pele flagelada.

—Se abra e me mostre como é aí, Cleo.

—Saiba que não faço isso com todos. Só estou fazendo porque o FBI me ordenou.

Lion lhe deu uma bofetada no interior da coxa esquerda.

—Sou o único a quem deve obedecer, descarada. Agora, se abra.

Ela não estava em situação de contrariar ninguém, e desejava como uma louca que ele a acariciasse. A tinha estimulado de um modo muito selvagem, e agora não havia nada que pudesse acalmá-la a não ser que a levasse ao êxtase. Jamais imaginou que as surras sexuais podiam excitá-la até esse ponto. Mas seu corpo saltava com desejo de começar.

E se eram amo e submissa, deviam representar o papel à perfeição.

Ia se jogar em Lion.

Ou seria ele quem se jogaria sobre ela?

Que importância tinha? Queria uma maldita gratificação por suportar o castigo.

Abriu as pernas e apoiou os pés, com fibras de grama, na mesa escura de vime.

—Está… —Lion ficou sem voz e aproximou a cadeira da mesa, de modo que o sexo de Cleo permanecia aberto diante de seu rosto. Estava vermelho e, também, inchado.

Mas o que mais estava era úmida. Sua vagina tinha fome e resultava que ele também. Com as mãos, manteve suas pernas abertas e a obrigou a se estirar em cima da mesa.

—O que deseja? Minha língua ou meu pênis? Decide, porque agora só terá um deles.

O que disse? Cleo fechou os olhos e colocou o antebraço sobre eles. Com a outra mão se ergueu um pouco para segurar sua cabeça e a guiar até a área que chorava pelo castigo e por ele.

Ele riu e com um grunhido disse:

—Sim, eu também. Quero te comer. — Abrindo a boca abrangeu todo seu sexo de cima abaixo e começou a lambê-la como se fosse um doce.

Foi muito rápido e fulminante. Sentia-o muito intenso.

Notou sua língua e boom!, Cleo se elevou ao sétimo céu, gozando numa velocidade vertiginosa.

Lion assentiu orgulhoso dela e satisfeito por sua resposta, enquanto continuava a beijando e lambendo.

Aparentemente, acreditava que era o fim do mundo, e que ela era um maldito salva-vidas. Capturou suas pernas com força e começou a sugá-la de cima abaixo. Golpeou o clitóris com sua suave língua e depois a penetrou em sua cavidade.

As paredes de Cleo se estreitavam e tremiam, sob sua inspeção.

—É muito gostosa… —murmurou sobre sua entrada.

Cleo sentiu a voz do amo entrar por seu útero e chegar ao estômago, reverberando como um eco em seu interior. Gozou uma vez e gozaria outra mais.

Balançou os quadris para cima e para baixo e deixou cair o pescoço atrás. Nunca se sentiu assim. Teve sexo oral outras vezes, mas Lion era…, era… Não tinha palavras para descrevê-lo. Talvez os açoites a houvessem hipersensibilizado, mas, depois da surra, notar algo tão suave como sua língua, tão flexível e elástica, e com essa textura tão especial, a deixou louca.

Agarrou-o pela cabeça com as duas mãos e o manteve no lugar que ela precisava.

Lion não se moveu dali. Fustigava-a com sua língua e os lábios e depois a mordia carinhosamente com os dentes; absorveu seus lábios exteriores, primeiro o direito e depois o esquerdo e, em seguida, começou a fazer o mesmo percurso desde o início.

Tinha tudo estudado. Queria a martirizar.

Foi numa das profundas imersões de sua língua que Cleo voltou a gozar em sua boca; enquanto ele continuava a mimando como somente um amo podia fazer depois de um castigo.

Se essa era a recompensa por sofrer sua disciplina, esse mesmo dia lhe diria que era feio, vesgo e um nazista pelo menos vinte vezes.

Mas seus cuidados não acabaram aí.

Depois de gozar uma vez mais, Lion pegou o que restava dela e colocou ambos na jacuzzi. A água estava fria, assim ativou as borbulhas e colocou Cleo entre suas pernas para lhe dar uma massagem cheia de sabão sobre os ombros doloridos e as costas irritadas.

Permaneceram em silêncio enquanto ele cuidava dela.

—Obrigada, senhor — disse realmente agradecida.

Lion a beijou na nuca e passou as mãos pela parte baixa de suas costas para logo percorrer as nádegas com os dedos.

—Como está seu traseiro?

—Melhor. A água me acalma.

—Acrescentei sais de banho calmantes. Depois, quando sairmos daqui, farei uma massagem com uma loção especial para que sua pele se restabeleça. É feita de folhas de carvalho.

—É um detalhista —sussurrou fechando os olhos. — Também sabe fazer massagens, senhor?

—Sei fazer de tudo —murmurou brincalhão. — Já sei como está seu bumbum... E você, Cleo, como está?

—Mmm… Incrivelmente bem. É como se tivesse corrido uma maratona. Agora me sinto tão cansada e maleável… —suspirou. — Mas feliz. Isto de ter um amo não é má ideia — brincou com a água entre seus dedos. — Poderia deixar que me castigassem, se depois tenho tudo isto.

Um pensamento cruzou a mente de Lion.

Cleo estaria com ele como amo enquanto durasse a missão. Os supervisores concordavam que o modo de finalizar o caso era no torneio, uma vez que entrassem no círculo dos Vilões; mas isso implicava que ficariam juntos só até a conclusão do caso. Não gostou do comentário de Cleo. Sugeria que ela pudesse escolher outro amo depois que tudo acabasse.

Com amargura disse:

—Há castigos que não têm recompensa. Há castigos disciplinadores que não acabam em orgasmos. Mas prefiro que acabem assim. É muito melhor para ambos.

Cleo se apoiou sobre seu peito. Estava bem e era correto estar assim com ele.

Ambos tinham uma missão a cumprir e iam se conhecer melhor que ninguém; assim intimidade a esses níveis não era inadequado.

—Acredito que ficaria arrasada se alguém me castigasse como você fez e depois não me consolasse.

—Há amos muito cruéis, Cleo. Mas as submissas que procuram são muito submissas, e aceitam o que façam porque é o que necessitam.

—Sim. Sim…, já sei.

—Ninguém está com um amo por obrigação.

—Exceto… Exceto as mulheres que possam traficar utilizando o torneio de BDSM. Talvez não todas, mas as estão obrigando a ficar lá, e algumas perderam inclusive a vida.

—Exato. Faltam quatro dias, Cleo — moldou suas nádegas e as abriu para que as borbulhas batessem justo nessa área. — E restam coisas para aprender.

—Ouça… — se esticou divertida. — Isso faz cócegas. Sabe? É a primeira vez que utilizo a jacuzzi com outra pessoa.

—Sério?

Ele soltou uma gargalhada enquanto a colocava sobre um jorro de água.

—Vamos para o quarto, querida.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Um pequeno pedacinho de Amos e Masmorras


  • Um novo livro para vocês (se quiserem eu posto)Andei lendo esse livro e me apaixonei e fascinante, exótico e erótico
    um dos melhores livros que já li apesar de ser erótico que um tema que todos tem certo preconceito, ele mostra de uma forma suave e nada vulgar
    simplesmente perfeito


     




    Resumo:
    Cleo Connelly sempre quis ser como sua irmã Leslie.
    Por isso, quando decidiu trabalhar para a lei, Cleo a seguiu e se esforçou sempre para chegar ao seu nível. Mas só Leslie foi aceita no FBI, enquanto Cleo teve que se conformar em patrulhar sua cidade natal: Nova Orleans.
    Agora, Leslie desapareceu. O subdiretor do departamento do FBI visitou Cleo para pedir que os ajude e colabore em sua missão resgate, já que necessitam de um perfil parecido ao de sua irmã. A jovem policial, levada pelo medo e desespero, aceitará fazê-lo antes de entender em que tipo de missão estava Leslie envolvida: Um jogo chamado Dragões e masmorras DS? Drogas sintéticas afordisíacas? BDSM? Rede de tráfico de pessoas? BDSM?!!
    Se antes explicassem que teriam que instrui-la para fazê-la passar por submissa, talvez a resposta fosse outra… Submissa? Ela?! Mas se sua resistência à dor era nula e até as manicures a machucavam! Como se passaria por…? Maldição. É óbvio que sim. Por sua irmã faria qualquer coisa. Um momento… O inspetor disse que seu “master” seria Lion? Lion Romano??!! Vamos voltar atrás!
    O atrativo e arisco Lion Romano está devastado pela morte de seu melhor amigo Clint, encontrado morto enquanto trabalhava disfarçado na missão de tráfico de mulheres em que se achava envolvido junto com Leslie Connelly, uma das melhores agentes do FBI, cujo paradeiro se achava desconhecido. Lion fará o possível para recuperar Leslie, e se para isso precisar se infiltrar no jogo de BDSM com sua sexy, impetuosa e descarada irmã Cleo, o sacrifício valerá a pena. O que ninguém sabia era que submeter e instruir Cleo na arte da dominação e da submissão era algo que desejava fazer desde que a jovem completou sua maioridade.
    Ambos se engajarão numa aventura cheia de perigo e sensualidade, inclemência e crueldade, em que os chicotes e castigos marcam a realidade e o dia a dia.
    Uma policial com vocação de agente especial que não se acha submissa está a ponto de conhecer o amo que está destinado a submetê-la.
    Conseguirão salvar Leslie antes que se matem entre eles?
    O trabalho pode se misturar com o prazer?
    Os jogos terão início: os dragões saem de suas masmorras.
    Esta história se divide em duas partes. A Domesticação de Cleo pelas mãos de Lion, que se localiza na grande e escura Nova Orleans e em que descobrem um ao outro em seus papéis, e depois, o intenso e apaixonante torneio de dominação e submissão de Dragões e Masmorras DS.
    Não há margem para o aborrecimento. Nunca leu nada igual.
    Preparados? Prontos? JÁ!




    Resumo 


    Inicie-se
    Faça a domesticação
    Prepare-se






    Cleo não queria nem imaginar o que acontecia entre essas paredes.
    Uma vez, na universidade, sua amiga Marisa, que trabalhava em Nova Orleans como assistente jurídica, disse que as mulheres deviam ter em seu interior um anjo e um demônio, uma Santa e uma vadia.
    Pois bem, diante daquela situação, a Santa Cleo fazia cruzes. Mas “a vadia” Cleo arqueava uma sobrancelha espectadora e curiosa.
    —O que fazemos aqui? —embora soubesse muito bem.
    —Vai fazer uma escolha. É sua vez.
    Três homens entraram na sala.
    Vestiam-se com calças de couro e estavam descalços. Um deles era calvo e robusto, de olhos claros; o outro era alto, muito musculoso, bonito, com longo cabelo negro e olhos escuros, mas de aspecto um tanto gótico; e o terceiro era… um homem mais velho, muito atrativo, mas lembrava seu pai.
    Ela ficou na defensiva quando os três invadiram seu espaço e, inconscientemente, deu um passo para se aproximar de Lion. Ele a olhou analisando sua reação, mas continuou com o gesto impassível.
    —Estes são Brutus, Prince e Amadeo.
    —E ela é? —perguntou o de cabelo comprido e liso.
    —Pussycat —respondeu Lion olhando-a de soslaioCleo revirou os olhos por baixo da boina. Bichana? Ela? Ela não era uma bichana!
    —Pussycat procura um amo. Quem quer pô-la a prova?
    Os três sorriram espectadores e caminharam ao seu redor, como hienas desejosas de tirar seu pedaço.
    Cleo não podia se imaginar trabalhando com um deles. Não poderia nunca. Eles... A assustavam. Ela não… Esses homens exudavam hormônios dominantes por todos os poros.
    Brutus, que era o calvo robusto parecido com um fisiculturista, ficou diante dela e com voz doce disse:
    —Dispa-se para mim, Pussycat. Me deixe vê-la. —Estendeu a mão decidido a afastar seu capuz, mas Lion o agarrou pelo pulso.
    —Não se toca até que ela dê permissão —ordenou com voz fria


  • Brutus grunhiu e obedeceu ao Rei Leão.
    Amadeo, que se parecia com seu pai, se inclinou sobre seu ouvido.
    —Que cheiro bom.
    Pessoal eu andei lendo esse livro AMOS E MASMORRAS
    e me apaixonei
    deixarei uma parte do livro só para deixar o gostinho para vocês
    se quiserem eu  posto o livro aqui no blog



    Lion apertou os dentes quando viu que Cleo tremia pela proximidade desses homens.
    —Usa muita roupa. Tire-as. — ordenou Amadeo passando a mão pelo traseiro dela.
    —Amadeo, não a toque se ela não pediu isso ainda—grunhiu Lion entre dentes.
    Cleo se sentiu humilhada. Lion a estava pressionando e deixava que esses três amos a provocassem, acreditando que era submissa e que obedeceria. Mas não o faria.
    Não com eles. Sentiu-se como um pedaço de carne com olhos, mas no fundo compreendeu o que Lion oferecia. Não a machucaria, era alguém em quem podia confiar…
    Não era um homem completamente desconhecido quem a despiria e pressionaria até seus limites… Era Lion. E queria instrui-la.
    Haveria alguém melhor que ele? Não para ela. Se pedirem para escolher entre quatro demônios; o feio, o mau, o bom e o cara bom, a quem escolheria? No final agarraria o cara bom. Não? Pois decidiu que devia ser o mesmo com os amos.
    —Não vemos seu rosto, não vemos seu corpo… Não sabemos nada dela —enumerou Brutus. — Não nos dá uma puta atenção, Rei. Está seguro que é uma submissa?
    Prince sorriu diabolicamente e observou o queixo trêmulo de Cleo.
    —Tem a pele pálida e está assustada —murmurou. — Por que tem medo? Não faremos nada que não esteja disposta a aceitar. Bom — se corrigiu, — Brutus sim. Eu não. — disse petulante.
    Lion apertou os punhos para não arrebentar a cabeça do convencido Príncipe. Todas as submissas se apaixonavam por ele, mas ele… nunca se apaixonava por nenhuma.
    Brutus grunhiu e tocou a virilha.
    —Já tenho o pau duro, Pussycat. Tire sua fodida roupa. Vamos te dar uma lição de boas maneiras.
    Cleo negou com a cabeça e cravou seus olhos verdes em Lion, dizendo:
    “Pensa continuar esta merda muito mais?”
    Lena Valenti Amos e Masmorras 1
    78 | PRT
    —Isso é um não? —inquiriu Brutus se aproximando perigosamente de Cleo. Ultrapassava por duas cabeças a jovem agente— Tão rápido procura castigo, gracinha? Já entendi… Quer que eu a tire?
    Brutus era, sem dúvida, o amo cruel.
    Lion a observou, e seus olhares colidiram.
    Se Lion permitisse que um desses três homens a tocasse, não ia perdoá-lo jamais.
    Ele se sentia aborrecido pelo mau momento que a estava fazendo passar; mas era necessário que visse que não era nada simples trabalhar com um amo de quem não conhecia nada. Outras mulheres submissas que já tivessem praticado o BDSM, certamente não teriam problema em obedecer as instruções que deram a Cleo. Mas para ela tudo era novo e sombrio. Era normal que se negasse.
    Precisaria se acostumar com isso. E tinham poucos dias para conseguir. Mas contavam com sua paciência, a dele, e com o entusiasmo que a jovem poria para não ficar atrás e o seguir, tão somente para que não pudesse a recriminar por nada e não a comparasse mais com Leslie.
    —Gatinha? —perguntou Lion de modo tentativo— Você decide, neném. A que amo quer escolher?
    Ela estava tensa como uma vara.
    Baixou a cabeça e engoliu saliva.
    —Você —respondeu com voz trêmula.
    Lion recebeu sua rendição como uma bênção, embora escutar as lágrimas em sua resposta não lhe desse nenhum orgulho.
    Podia ser muito baixo se havia algo com que se importava em jogo. Ela devia conhecer seus defeitos. Nesses dias se conheceriam perfeitamente, na intimidade e fora do quarto.
    E Cleo não só importava para a missão. Cleo era importante desde o dia em que a conheceu. De formas que nem ele compreendia, mas assim era.
    —Como disse? —perguntou para deixar claro perante aos outros amos e também perante eles mesmos.
    —Disse que escolho você —replicou elevando um pouco mais a voz, magoada pela situação.
    —Perfeito —Lion se despediu dos três amos com um movimento de cabeça e uma simples palavra: — Cavalheiros, obrigado por seus serviços.
    Os três amos se despediram dele e analisaram Cleo pela última vez.
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    79 | PRT
    —Talvez em outro momento, macacada. —disse Prince piscando um olho.
    —Talvez não —assegurou Lion o ameaçando só com a voz.
    Prince elevou as mãos e encolheu os ombros.
    —Claro, Rei.
    A porta fechou e os deixaram sozinhos.
    Cleo estava tremendo, com o olhar embaçado e cravado em seus tênis Adidas de tecido azul e branco. Não sabia o que acontecia com ela. Como policial fez coisas imensamente mais perigosas que se meter nesse buraco com quatro amos.
    Mas se sentia mal… um deles passou a mão em seu traseiro. Porra.
    Além disso, uma mulher tinha que ser muito valente para ficar ali e se entregar a eles desse modo. A submissão era, ou um ato de coragem incontestável, ou um ato de loucura atroz. Não sabia.
    Escutou os passos de Lion e viu a ponta de seus tênis.
    —Se fosse uma submissa, teria se excitado somente por ouvi-los falar. Não sei que tipo de inclinações sexuais tem, Cleo, mas está dentro desta missão e vou te ensinar a agir como uma submissa com seu amo. Dentro da cama —especificou. — Vou testar em você todos os joguinhos que utilizaremos no torneio. —Parou para escolher as palavras adequadas, mas não lhe veio nada à mente que pudesse suavizá-lo. — Teremos sexo. Entende, Cleo? Diga-me que entende… —Apertou os punhos, assustado.
    Ela afirmou com a cabeça, mas continuava sem olhá-lo nos olhos.
    —Sei que pode ser incômodo no princípio, mas, se relaxar, pode gostar das lições. Faremos isto juntos. Aprenderá tudo sobre este mundo, e talvez inclusive a agrade. Não saberá até provar. Minha missão é conseguir que goste, para que faça o melhor papel de sua vida no jogo. Está de acordo? Desta vez me diga a verdade porque não vou perder mais tempo.
    Cleo assentiu com movimentos mecânicos de sua cabeça.
    “Merda, Cleo, me olhe…”.
    Lion levantou seu queixo com doçura.
    Ela tinha as pupilas um pouco dilatadas pelo estresse. Maldita seja; Cleo acreditou que ele ia permitir que os amos jogassem com ela. Acreditou nisso de verdade. O que pouco que o conhecia…
    —Ei, me olhe, bruxinha —ordenou com ternura. — Está bem?
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    80 | PRT
    Cleo lambeu os lábios e seus olhos lançaram labaredas verdes de raiva e confusão enquanto o olhava de frente.
    —É um sacana, filho da…
    —Chist —sorriu com suavidade. — Sei. Não era minha intenção te assustar. Mas queria que soubesse com que tipo de perfis de amos podia se encontrar. Os três são excelentes caras, sério. Mas não é o mesmo tratá-los como dominantes.
    —De verdade? Não me dei conta.
    —Agora me encarregarei de você, agente. Diga que aceita ser minha submissa para testar. Até o torneio, até o fim do caso Amos e Masmorras. Preciso estar seguro com você e com nosso papel. Diga.
    —Sim.
    —Não. Diga: sim, aceito ser sua submissa até a finalização do caso. Isso implica começar o jogo a partir de agora.
    Cleo fechou os olhos e se lançou ao abismo. “Por Deus… vou deixar que Lion me apalpe e que me faça gozar como uma louca. Vou entregar meu corpo para que faça e desfaça a seu desejo”.
    —Sim, aceito ser sua submissa até a finalização do caso.
    —Prometa isso.
    —Prometo. E você me prometa que não fará nada que me fira ou me cause dor —exigiu em troca
  • —Prometo isso, Cleo. Sua segurança e seu bem-estar vêm em primeiro. Em sua casa te mostrarei o tipo de Amo que sou; mas prometo que comigo não tem que temer nada.
    Ela assentiu um pouco mais tranquila e olhou nervosa ao redor.
    —Podemos sair daqui já?
    —Claro. Te trouxe para o clube das mulheres Latiffe só para que pare de me sacanear dizendo que ia procurar outro amo — a puxou pela mão e a tirou da sala de castigo. — Se entrar nesta sala com a pessoa adequada a verá de outro modo… Lamento ter te assustado.
    —Certamente… conseguiu o que queria, assim não pode lamentar muito