sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

academia de vampiros - beijo das sombras (capitulo 12)


Doze
O sono veio relutantemente aquela noite e eu me agitei e me mexi durante um longo tempo
antes de finalmente adormecer.
Mais ou menos uma hora depois, eu me sentei na cama, tentando relaxar e absorver as
emoções vindo para mim. Lissa. Com medo e chateada. Desestabilizada. Os eventos da noite
de repente vieram correndo de volta pra mim enquanto eu pansava sobre o que poderia estar
incomodado ela. A rainha havia humilhado ela. Mia. Talvez até o Christian – ele poderia ter
encontrado ela até onde eu sabia.
No entanto... nenhum desses era um problema no momento. Enterrado nela, havia algo mais.
Algo terrivelmente errado.
Eu sai da cama, me vesti apressadamente, e considerei minhas opções. Eu tinha um quarto no
terceiro andar agora – muito alto para descer, particularmente agora que eu não tinha a Sr.
Karp para me concertar desta vez. Eu nunca seria capaz de escapulir para fora do hall principal.
Então só restava os canais “apropriados”.
“Onde você acha que está indo?”
Uma das matronas que supervisionavam o hall olhou para cima da sua cadeira. Ela estava
sentada estacionada no fim do hall, perto das escadas que iam para baixo. Durante o dia, as
escadas não tinham supervisão. A noite, nós podíamos muito bem estar na prisão.
Eu cruzei meus braços. “Eu preciso ver Dim – O guardão Belikov.”
“É tarde.”
“É uma emergência.”
Ela me olhou de cima abaixo. “Você me parece estar bem.”
“Você vai estar com tantos problemas amanhã quando todo mundo descobrir que você me
impediu de reportar o que eu sei.”
“Me diga.”
“É uma coisa privada dos Guardiões.”
Eu encarei ela o máximo que eu consegui. Deve ter funcionado, porque ela finalmente
levantou e pegou um telefone celular. Ela chamou alguém – Dimitri, eu esperava – mas
murmurou muito baixo para que eu pudesse ouvir. Nós esperamos vários minutos, e então a
porta que levava as escadas abriu. Dimitri apareceu, totalmente vestido e alerta, embora eu
tivesse certeza que nós o tínhamos tirado da cama.
Ele me olhou uma vez. “Lissa.”
Eu acenei.
Sem qualquer outra palavra, nós demos a volta e começamos a descer as escadas. Eu o segui.
Nós andamos através da quadra em silencia, até o imponente dormitório dos Moroi. Era
‘noite’ para os vampiros, o que significa que era dia para o resto do mundo. O sol do meio-dia
brilhava com luzes douradas e frias em nós.
Os genes humanos em mim deram boas vindas aquilo e sempre meio que lamentavam como
os Moroi eram sensíveis a luz, forçando a gente a viver na escuridão na maior parte do tempo.
A matrona do Hall de Lissa pasmou quando nós aparecemos, mas Dimitri era muito
intimidante para se opor. “Ela está no banheiro,” eu disse a eles. Quando a enfermeira
começou a me seguir para dentro, eu não a impedi. “Ela está muito chateada. Me deixe falar
com ela sozinha, primeiro.”
Dimitri considerou. “Sim. Dê a elas um minuto.”
Eu abri a porta.
“Liss?”
Um som suave, como um soluço, veio de dentro. Eu andei 5 e encontrei o que estava fechado.
Eu bati delicadamente.
“Me deixe entrar,” eu disse, esperando que eu soasse calma e forte.
Eu ouvi uma fungada, e alguns momentos depois, a porta se abriu. Eu não estava preparada
para o que eu vi. Lissa estava na minha frente...
... coberta de sangue.
Horrorizada, eu deu um guincho e quase gritei por ajuda. Olhando mais de perto, eu vi que
muito daquele sangue não estava realmente vindo dela. Estava untado nela, como se tivesse
estado em sua mão e ela tivesse esfregado seu rosto. Ela se afundou no chão, e eu me ajoelhei
diante dela.
“Você está bem?” eu sussurrei. “O que aconteceu?”
Ela apenas balançou sua cabeça, mas eu vi seu rosto se enrugar quando ela derramou mais
lagrimas. Eu peguei as mãos dela.
“Vem. Vamos limpar você – “
Eu parei. Ela estava sangrando afinal de contas. Linhas perfeitas atravessavam seus pulsos,
nem perto de nenhuma veia crucial, mas o suficiente pra deixar traços molhados e vermelhos
pela sua pele. Ela não tinha atingido nenhuma veia quando ela fez isso; a morte não era seu
objetivo. Ela encontrou meus olhos.
“Eu sinto muito... eu não queria... por favor não deixe eles saberem...” disse soluçando.
“Quando eu vi aquilo, eu me apavorei.”
Ela acenou com a cabeça para os seus pulsos. “Isso aconteceu antes que eu pudesse impedir.
Eu estava chateada...”
“Está tudo bem,” eu disse automaticamente, imaginando o que “aquilo” era. “Vamos.”
Eu ouvi uma batida na porta. “Rose?”
“Só um segundo,” eu respondi.
Eu a levei até a pia,e limpei o sangue dos seus pulsos. Pegando o primeiro kit de primeiros
socorros, eu pus alguns Band-Aids nos cortes. O sangramento já tinha diminuído.
“Nós estamos entrando,” falou a matrona.
Eu tirei meu casaco e rapidamente entreguei pra Lissa. Ela tinha acabado de colocar quando
Dimitri e a matrona entraram. Ele correu para o nosso lado em um instante, e eu percebi que
ao esconder o sangue dos pulsos de Lissa, eu esqueci do sangue no seu rosto.
“Não é meu,” ela disse rapidamente, vendo a expressão dele. “É... é do coelho...”
Dimitri avaliou ela, e eu esperei que ele não olhasse para os pulsos dela. Quando ele estar
satisfeito em ver que ela não tinha ferimentos, ele perguntou, “Que coelhos?” Eu estava
imaginando a mesma coisa.
Com as mãos tremendo, ela apontou para a lata de lixo. “Eu limpei. Para que a Natalie não
visse.”
Dimitri e eu ambos andamos e espiamos dentro da lata. Eu me puxei para longe
imediatamente, engolindo a necessidade do meu estomago de vomitar. Eu não sei como Lissa
sabia que era um coelho. Tudo o que eu podia ver era sangue. Sangue e toalhas de papel
encharcadas de sangue. O cheiro era horrível.
Dimitri foi para mais perto de Lissa, se abaixando até que eles estivessem no mesmo nível de
contato visual. “Me diga o que aconteceu.” Ele entregou a ela vários lenços.
“Eu voltei a mais ou menos uma hora. E estava aqui. Bem ali no meio do chão. Destruido. Foi
como se ele tivesse...explodido,” Ela fungou. “Eu não queria que a Natalie o encontrasse, não
queria assustá-la... então eu – eu limpei tudo. Então eu simplesmente não podia... não podia
voltar...”Ela começou a chorar, e os ombros dela tremeram.
Eu podia adivinhar o resto, a parte que ela não contou a Dimitri. Ela encontrou o coelho,
limpou tudo, e enlouqueceu. Então ela se cortou, esse era o jeito esquisito que ela lidava com
as coisas que a deixavam chateada.
“Ninguém deveria ser capaz de entrar nesses dormitórios!” – exclamou a matrona. “Como isso
está acontecendo?”
“Você sabe quem fez isso?” A voz de Dimitri era gentil.
Lissa pos a mão dentro dos bolsos do seu pijama e puxou um pedaço de papel amassado.
Tinha tanto sangue encharcado naquilo, eu mal podia ler quando ele o segurou desamassou.
Eu sei o que você é. Você não vai sobreviver estando aqui. Eu vou me certificar disso. Vá
embora agora. É o único jeito que você talvez possa sobreviver a isso.
O choque da matrona se transformou em algo mais determinado, e ela caminhou para a porta.
“Eu vou buscar Ellen.” Levou um segundo para mim lembrar que esse era o primeiro nome da
Kirova.
“Diga a ela que estaremos na clinica,” disse DImitri. Quando ela saiu, ele se virou pra Lissa.
“Você deveria se deitar.”
Quando ela não se moveu, eu liguei os meus braços nos dela. “Vem, Liss. Vamos sair daqui.”
Devagar, ela colocou um pé na frente do outro, e nós deixou guia-la até a clinica medica da
Academia. Ela estava normalmente dirigida por alguns doutores, mas a essa hora da noite,
apenas uma enfermeira estava atendendo. Ela se ofereceu para acordar um dos doutores, mas
Dimitri recusou. “Ela só precisa descansar.”
Lissa tinha acabado de se esticar na estreita cama, quando Kirova e alguns outros apareceram
e começaram a fazer perguntas.
Eu me meti na frente deles, bloqueando ela. “Deixei ela em paz! Vocês não podem ver que ela
não quer falar sobre isso? Deixem ela dormir um pouco primeiro!”
“Srta Hathaway,” recusou Kirova, “você está fora da linha como sempre. Eu nem sei o que você
está fazendo aqui.”
Dimitri perguntou se ele podia falar com ela em particular e a levou para o Hall. Eu ouvi
sussurros irritados dela, calmos e firmes vindo dele. Quando eles voltaram, ela disse
duramente, “Você pode ficar com ela por algum tempo. Nós vamos fazer com que os zeladores
limpem e uma investigação no banheiro e na sala, Srta. Dragomir, e então discutiremos a
situação com detalhes pela manhã.”
“Não acordem a Natalie,” sussurrou Lissa. “Eu não quero assustá-la. Eu limpei tudo no quarto
de qualquer forma.”
Kirova parecia duvidar. O grupo recuou mas não antes da enfermeira perguntar se Lissa queria
algo pra comer ou beber. Ela recusou. Quando nós finalmente estávamos sozinhas, eu deitei
junto dela e coloquei meu braço ao redor dela.
“Eu não vou deixar eles descobrirem,’ eu disse a ela, sentindo a preocupação dela por causa
dos pulsos.”Mas eu esperava que você tivesse me dito antes deu sair da recepção. Você disse
que sempre viria a mim primeiro.”
“Eu não ia fazer naquela hora,” ela disse, os olhos dela encarando o nada.” Eu juro, eu não ia.
Quer dizer, eu estava chateada...mas eu pensei... eu pensei que eu podia lidar com aquilo. Eu
estava tentando tanto... de verdade, Rose. Eu estava. Mas então eu voltei pro meu quarto, e
eu vi aquilo, e eu... simplesmente perdi a cabeça. Foi como a última gota, sabe? E eu sabia que
eu tinha que limpar. Tinha que limpar antes que eles vissem, antes que eles descobrissem, mas
tinha tanto sangue... e depois, depois que tudo estava feito, foi demais, e eu senti como se eu
fosse... eu não sei...explodir, e era simplesmente demais, eu tinha que deixar sair, entende? Eu
tinha –“
Eu interrompi a histeria dela. “Está tudo bem, eu entendo.”
Aquilo era uma mentira. Eu não entendia porque ela se cortava. Ela fazia aquilo
esporadicamente, desde o acidente, e me assustava toda vez. Ela tentou explicar pra mim,
como ela não queria morrer – ela só precisava tirar aquilo fora de algum jeito. Ela se sentia tão
emocional, que ela dizia que era uma saída – dor física - era a única coisa que a fazia a dor
interna ir embora. Era o único jeito que ela podia controlar aquilo.
“Porque isso está acontecendo?” ela chorou no seu travesseiro. “Porque eu sou uma
aberração?”
‘Você não é uma aberração.”
“Mas ninguém tem isso acontecendo com eles. Mais ninguém faz mágica do jeito que eu faço.”
‘Você tentou fazer mágica?” Sem resposta. “Liss? Você tentou curar o coelho?”
]
“Eu o segurei, só para ver se talvez eu poderia curá-lo, mas tinha muito sangue ... eu não
consegui.”
Quanto mais ela usava, pior ela ficava. Pare ela, Rose.
“Lissa estava certa. A mágica Moroi podia conjurar água e fogo, mover pedras e outros
pedaços de terra. Mas ninguém podia curar ou trazer de volta a vida animais mortos. Ninguem
exceto a Sra. Karp.
Pare ela antes que eles notem, antes que eles notem e a levem embora também. Leve ela
embora daqui.
Eu odiava carregar esse segredo, principalmente porque eu não sabia o que fazer sobre isso.
Eu não gostava de me sentir impotente. Eu precisava proteger ela disso – e dela mesma. E
ainda sim, ao mesmo tempo, eu precisa proteger ela deles, também.
“Nós deveríamos ir,” eu disse de repente. “Nós vamos embora.”
“Rose-“
“Está acontecendo de novo. E está pior. Pior que da última vez.“
“Você está com medo do bilhete.”
“Eu não estou com medo de bilhete nenhum. Mas esse lugar não é seguro.”
Eu de repente desejei por Portland novamente. Pode ser mais sujo e mais lotado que a
acidentada paisagem de Montana, mas pelo menos você sabe o que esperar – diferentemente
do que acontece aqui. Aqui na Academia, passado e presente se juntavam. Pode ter esses
lindos jardins e paredes antigas, mas por dentro, coisas modernas estão entrando sem ser
notadas. As pessoas não sabiam como lidar com isso. Era igual aos próprios Moroi. As famílias
reais ainda mantinham o poder na superfície, mas as pessoas estavam ficando descontentes.
Dharmpirs que queriam mais das suas vidas. Moroi como Christian que queriam lutar contra os
Strigoi. A realeza ainda se apoiava em suas tradições, ainda angariando poder sobre todos,
assim como os portões de ferro da Academia eram uma demonstração de tradição e
invencibilidade.
E, oh, as mentiras e os segredos. Eles correm por esses halls e se escondem nos cantos.
Alguém aqui, odiava Lissa, alguém que provavelmente sorria pra ela e fingia ser sua amiga. Eu
não podia deixar eles a destruírem.
“Você precisa dormir um pouco,” eu disse a ela.
“Eu não posso dormir.”
“Sim, você pode. Eu estou bem aqui.Você não estará sozinha.”
Ansiedade e medo e outras emoções problemáticas percorreram através dela. Mas no final, as
necessidades do corpo dela ganharam. Depois de um tempo, eu vi os olhos dela se fecharem.
A respiração dela ficou igual, e a ligação cresceu silenciosa.
Eu a vi dormir, muito cheia de adrenalina pra me permitir algum descanso. Eu acho que talvez
uma hora tinha passado quando a enfermeira voltou e me disse que eu tinha que sair.
“Eu não posso ir,” eu disse. “Eu prometi a ela que ela não ficaria sozinha.”
A enfermeira era alta, mesmo para uma Moroi, com olhos gentis e marrons. “Ela não ficará. Eu
vou ficar com ela.”
Eu considerei o discurso dela.
‘Eu prometo.”
De volta ao meu quarto, eu tive meu próprio surto. O medo e a excitação tinham me exaurido,
e por um instante, eu desejei poder ter uma vida normal e uma melhor amiga normal.
Imediatamente, eu lancei esse pensamento pra fora. Ninguém era normal, não de verdade. E
eu nunca teria uma amiga melhor que a Lissa... mas cara, era tão difícil as vezes.
Eu dormi pesado até a manhã. Eu fui para minha primeira aula timidamente, nervosa que o
que tinha acontecido noite passada pudesse ter se espalhado. E como não podia deixar de ser,
as pessoas estavam falando sobre ontem a noite, mas as atenções dela ainda estavam sobre a
rainha e a recepção. Eles não sabiam nada sobre o coelho. Ainda que fosse difícil de acreditar,
eu quase tinha esquecido sobre aquelas outras coisas. Mesmo assim, de repente parecia como
uma coisa pequena comparada a alguém causando uma explosão sangrenta no quarto de
Lissa.
Ainda sim, conforme o dia passava, eu notei algo estranho. As pessoas pararam de olhar pra
Lissa tanto. Eles começaram a olhar pra mim. Tanto faz. Ignorando eles, eu procurei e
encontrei Lissa acabando com alimentador. Aquele sentimento engraçado que eu sempre
tinha tomou conta de mim quando eu vi a boca dela trabalhar contra o pescoço do
alimentador, bebendo o sangue dele. Um pingo derramava por sua garganta, se destacando
contra sua pele pálida. O alimentador, embora fosse humano, estava quase tão pálido quanto
um Moroi, devido a perda de sangue. Ele não parecia notar; ele estava alto por causa da
mordida.Afogada em inveja, em decidi que eu precisava de terapia.
“Você está bem?” Eu perguntei pra ela depois, quando estávamos indo pra aula. Ela estava
usando longas mangas, propositalmente escondendo seus pulsos.
“Sim... eu ainda não consigo parar de pensar naquele coelho... foi tão horrível. Eu fico vendo
ele na minha cabeça. E então o que eu fiz.” Ela espremeu seus olhos até fechar, apenar por um
momento, e então o abriu de novo. “As pessoas estão falando sobre nós.”
“Eu sei. Ignore-os.”
“Eu odeio isso,” ela disse irritada. Súbitas trevas apareceram nela e por entre nossa ligação.
Fez com que eu encolhesse. Minha melhor amiga era alegre e gentil. Ela não tinha esse tipo de
sentimentos. “Eu odeio toda essa fofoca. É tão estúpida. Como eles podem ser tão
superficiais?”
“Ignore eles,” repeti calmamente. “Você foi esperta de não andar mais com eles.”
No entanto, ignorar eles foi mais e mais difícil. Os sussurros e olhares aumentaram. Em
‘Comportamento Animal”, eu não conseguia nem mesmo me concentrar no meu tópico
favorito.
A Sra. Meissner tinha começado a falar sobre evolução e sobrevivência do mais adequado e
como os animais buscam companheiros de bons genes. Me fascinou, mas até mesmo ela tinha
dificuldades em ficar com uma tarefa, já que ela tinha que ficar gritando com as pessoas para
que elas ficasse quietas e prestassem atenção.
“Alguma coisa está acontecendo,” eu disse a Lissa entre as classes. “Eu não sei o que, mas
todos eles ouviram algo novo.’
“Alguma outra coisa? Fora o fato de que a rainha me odeia? O que mais poderia ser?”
“Eu gostaria de saber.”
As coisas finalmente chegaram num ponto crucial na nossa ultima aula do dia, Arte Eslava.
Começou quando um cara que eu mal conhecia fez uma explicito e quase obscena sugestão
para mim enquanto estávamos trabalhando em projetos individuais. Eu respondi gentilmente,
informando-o exatamente o que ele podia fazer com o seu pedido.
Ele apenas riu. “Ora vamos, Rose. Eu sangro por você.”
Risadinhas barulhentas seguiram, e Mia nos cortou com um olhar de insulto.”Espera, é a Rose
que sangra, certo?”
Mais risadas. O entendimento me atingiu no rosto. Eu empurrei Lissa pra longe. “Eles sabem.”
“Sabem o que?”
“Sobre nós. Sobre como... você sabe, como eu alimentei você enquanto estamos longe.”
Ela ficou boquiaberta. “Como?”
“Como você acha? Seu “amigo” Christian.”
“Não,” ela disse inflexível. “Ele não poderia.”
“Quem mais sabia?”
A confiança que ela tinha em Christian passou pelos olhos dela e pela nossa ligação. Mas ela
não sabia o que eu sabia. Ela não sabia como eu tinha sido uma vaca com ele noite passada,
como eu tinha o feito pensar que ela o odiava. Aquele cara era instável. Espalhar nosso maior
segredo – bom, um deles - seria uma vingança adequada. Talvez ele tenha matado o coelho
também. Afinal de contas, ele tinha morrido apenas algumas horas depois que eu contei pra
ele.
Sem esperar pra ouvir os últimos protestos dela, eu fui até o outro lado da sala onde Christian
estava trabalhando sozinho, como sempre. Lissa me seguiu de perto. Sem me importar se as
pessoas nos vissem, eu me inclinei na mesa para perto dele, colocando meu rosto a
centímetros da dele.
“Eu vou matar você.”
Os olhos dele se encontrando com o de Lissa, com um vislumbre fraco de desejo neles, e em
seguida surgiu uma expressão carrancuda em seu rosto.
“Porque? É tipo, um crédito extra pra guardiões?”
“Pare com a atitude,” eu avise, falando baixo. “Você contou. Você contou como Lissa tinha que
se alimentar de mim.”
“Conte a ela,” disse Lissa desesperada. “Diga a ela que ela está enganada.”
Christian arrastou seus olhos de mim para ela, e enquanto eles consideravam um ao outro, eu
senti uma onda tão poderosa de atração, foi uma sorte que não me derrubou. O coração dela
estava nos olhos. Era obvio pra mim que ele sentia a mesmo sobre ela, mas ela não conseguia
ver, particularmente já que ele esta flagrando ela.
“Você pode parar, sabe,“ ele disse. “Você não tem que fingir mais.“
A atração vertiginosa de Lissa sumiu, substituída por dor e choque devido ao tom de voz dele.
“Eu... o que? Fingir o que? ...”
“Você sabe o que. Só pare. Pare com a atuação.”
Lissa o encarou, os olhos dela largos e feridos. Ela não tinha idéia sobre o que tinha acontecido
ontem a noite. Ela não tinha idéia que ele acreditava, que ela o odiava.
“Supere o fato de você sentir pena de si mesmo, e nos diga o que está acontecendo,” eu surtei
com ele. “Você contou ou não pra eles?”
Ele me olhou desafiante. “Não. Eu não contei.”
“Eu não acredito em você.”
“Eu acredito,” disse Lissa.
“Eu sei que é impossível acreditar que uma aberração como eu poderia manter sua boca
fechada – especialmente já que nenhum de vocês pode – mas eu tenho coisas melhores a
fazer do que espalhar rumores estúpidos. Você quer alguém pra culpar? Culpe seu garoto de
ouro ali.”
Eu segui o seu olhar para onde Jesse estava rindo sobre algo com aquele idiota do Ralf.
“Jesse não sabe,” disse Lissa desafiante.
“Os olhos de Christian colaram em mim. “Ele sabe, no entanto, Não sabe, Rose? Ele sabe.”
Meu estomago afundou. Sim. Jesse sabia. Ele tinha descoberto aquela noite no lounge. “Eu
não pensei... eu não pensei que ele fosse contar. Ele estava com muito medo do Dimitri.”
“Você contou pra ele?” Exclamou Lissa.
“Não, ele adivinhou.”Eu estava começando a me sentir doente.
“Ele aparentemente fez mais do que adivinhar,” murmurou Christian.
Eu me virei pra ele. “O que isso quer dizer?”
“Oh. Você não sabe.”
“Eu juro por Deus Christian, eu vou quebrar teu pescoço depois da aula.”
“Cara, você realmente é instável.” Ele disse quase feliz, mas suas próximas palavras eram mais
sérias. Ele ainda usou aquela zombaria, ainda cheio de raiva, mas quando ele falou, eu pude
ouvir uma fraca preocupação em sua voz. “Ele meio que elaborou sobre o que tinha em sua
nota. Entrou em alguns detalhes.”
“Oh, entendi. Ele disse que nós transamos.” Eu não precisava cuidar com as palavras. Christian
concordou. Então. Jesse estava tentando aumentar sua reputação. Ok. Eu podia lidar com isso.
Não era como se a minha reputação fosse incrível pra começo de conversa. Todo mundo já
acreditava que eu fazia sexo o tempo todo.
“E uh, Ralf também. Que você e ele –“
Ralf? Nenhuma quantidade de álcool ou substancias ilegais iam fazer com que eu tocasse nele.
“Eu – o que?Que eu transei com o Ralf também?”
Christian concordou.
‘Aquele filho da puta! Eu vou –“
“Tem mais.”
“Como? Eu dormi com todo o time de basquete?”
“Ele disse – ambos disseram – que você deixou... bem, você deixou eles beberem teu sangue.”
Isso parou até mesmo eu. Beber sangue durante sexo. A coisa mais suja das sujas. Era além de
ser fácil ou vadia. Um milhão de vezes pior do que Lissa bebendo de mim para sobreviver. Era
o território de uma meretriz de sangue.
“Isso é loucura!” Lissa choramingou. “Rose nunca – Rose?”
Mas eu não estava mais ouvindo. Eu estava no meu próprio mundo, um mundo que me levou
através da sala de aula onde Jesse e Ralf sentavam. Os dois olharam pra cima, faces meio
presunçosas e meio... nervosas, se eu tivesse que adivinhar. Não era inesperado, já que os dois
estavam mentindo.
A classe inteira ficou paralisada. Aparentemente eles estavam esperando por algum tipo de
show. Minha instável reputação em ação.
“O que diabos vocês acham que está fazendo?” Eu perguntei numa baixa, e perigosa voz.
O olhar nervoso de Jesse se transformou em terror. Ele podia ser mais alto que eu, mas nós
dois sabíamos quem iria ganhar se nos recorrêssemos a violência. Ralf, no entanto, me deu um
sorriso arrogante.
“Nós não fizemos nada que você não queria que nós fizéssemos.” O sorriso dele se tornou
cruel. “E nem pense em por uma mão na gente. Se você começar a brigar, Kirova vai expulsar
você e vai viver com as meretrizes de sangue.”
O resto dos estudantes estava segurando suas respirações, esperando pra ver o que nós
iríamos fazer. Eu não sei como o Sr. Nagy não viu o drama que estava ocorrendo na aula.
Eu queria socar os dois, acertá-los com tanta força que faria com que a briga de Dimitri com
Jesse parecesse um tapinha nas costas. Eu queria arrancar aquele sorriso do rosto de Ralf.
Mas filho da puta, ou não, ele estava certo. Se eu tocasse neles, Kirova iria me expulsar num
piscar de olhos. E se eu fosse expulsa, Lissa estaria sozinha. Respirando fundo, eu tomei uma
das decisões mais difíceis da minha vida.
Eu caminhei pra longe.
O resto do dia foi miserável. Ter desistido da luta, me abriu pra zombaria de todos os outros.
Os rumores e sussurros aumentaram. As pessoas me encaravam abertamente. Pessoas riam.
Lissa ficava tentando falar comigo, me consolar, mas ignorei até mesmo ela. Eu passei pelo
resto das minhas aulas como um zumbi, e então eu me dirigi pra praticar com Dimitri o mais
rápido que eu pude. Ele me deu um olhar perplexo mas não fez perguntas.
Sozinha no meu quarto mais tarde, eu chorei pela primeira vez em anos.
Depois que eu tirei aquilo do meu sistema, eu estava pronta pra colocar meu pijama quando
ouvi uma batida na porta. Dimitri. Ele estudou meu rosto e depois olhou pra longe,
obviamente consciente de que eu tinha estado chorando. Eu podia saber, também, que os
rumores finalmente tinham chegado até ele. Ele sabia.
“Você está bem?”
“Não importa se eu estou, lembra?” Eu olhei pra ele. “Lissa está bem?Isso vai ser difícil pra
ela.”
Um olhar engraçado passou pelo rosto dele. Eu acho que ele se assombrou pelo fato de que eu
ainda estava preocupada com ela ao invés de mim. Ele me chamou com um sinal pedindo para
que eu o seguisse e me levou até uma volta na escada, onde normalmente ficava trancada
para os estudantes. Mas estava aberta hoje, e ele fez um gesto de fora. “5 minutos,” ele me
avisou.
Mais curiosa do que tudo, eu entrei. Lissa estava lá. Eu deveria ter sentido que ela estava
perto, mas meus próprios sentimentos descontrolados tinham obstruído os dela. Sem uma
palavra, ela pos seus braços ao meu redor e me segurou por vários segundos. Eu tive que
segurar mais lágrimas. Quando nos separamos, ela me olhou com olhos calmos.
“Eu sinto muito,” ela disse.
“Não é sua culpa. Vai passar.”
Ela claramente duvidava disso. Eu também.
“É minha culpa,” ela disse. “Ela fez isso pra se vingar de mim.”
“Ela?”
“Mia. Jesse e Ralf não são espertos o suficiente pra pensar em algo assim sozinhos. Você
mesmo disse: Jesse estava com muito medo de Dimitri pra falar muito sobre o que tinha
acontecido. E porque esperar até agora? Aconteceu faz um tempo já. Se ele quisesse espalhar
por aí, ele teria feito quando aconteceu.Mia está fazendo isso como uma retaliação por você
ter falado sobre os parentes dela. Eu não sei como ela conseguiu, mas foi ela que arranjou pra
que eles falassem aquelas coisas.”
No meu interior, eu percebi que Lissa estava certa. Jesse e Ralf eram as ferramentas; Mia tinha
sido a mandante.
“Nada pra ser feito agora,” eu suspirei.
“Rose – “
“Esqueça, Lissa. Está feito, ok?”
Ela me estudou quieta por alguns segundos. “Eu não vejo você chorar já faz um longo tempo.”
“Eu não estava chorando.”
Um sentimento de angustia e simpatia atingiu nossa ligação.
“Ela não pode fazer isso com você,” ela argumentou.
Eu ri amargamente, meio surpresa com minha própria desesperança. “Ela já fez. Ela disse que
ia se vingar de mim, que eu não seria capaz de proteger você. Ela o fez. Quando eu voltar pras
aulas...” Um sensação de angustia se ajustou no meu estomago. Eu pensei nos amigos e no
respeito que eu tinha conseguido, apesar de manter uma descrição. Isso iria sumir. Você não
podia se recuperar de algo assim. Não entre os Moroi. Uma vez uma meretriz de sangue,
sempre uma meretriz de sangue. O que era pior era que alguma secreta parte negra de mim,
gostava de ser mordida.
“Você não deveria ter que ficar me protegendo,” ela disse.
Eu ri. “Esse é o meu trabalho. Eu vou ser sua guardiã.”
“Eu sei, mas eu quis dizer desse jeito. Você não deveria sofrer por minha causa. Você não
deveria ter que sempre cuidar de mim. E ainda sim você sempre cuida. Você me tirou daqui.
Você cuidou de tudo quando estamos por conta própria. Mesmo depois que nós voltamos...
você sempre foi aquela que faz todo o serviço. Toda vez que eu perco controle – como ontem
a noite – você está sempre lá. Eu, eu sou fraca. Eu não sou como você.”
Eu balancei minha cabeça. “Isso não importa. É o que eu faço. Eu não ligo.”
“É mas veja o que aconteceu. Sou eu quem ela tem algo contra – em pensar que eu ainda não
sei porque. Tanto faz. Eu vou parar isso. Eu vou proteger você de agora em diante.”
Havia uma determinação na expressão dela, uma maravilhosa confiança saindo dela que me
lembrou de como Lissa era antes do acidente. Ao mesmo tempo, eu podia sentir algo mais
nela – algo negro, um senso de uma profunda raiva. Eu tinha visto isso antes, e eu não gostei.
Eu não queria ela participando disso. Eu só a queria segura.
“Lissa, você não pode me proteger.”
“Eu posso,” ela disse ferozmente. “ Tem uma coisa que a Mia quer mais que você e eu. Ela
quer ser aceita. Ela quer sair com todos da realeza e sentir que ela é uma delas. Eu posso tirar
isso dela.” Ela sorriu. “Eu posso fazer com que eles se virem contra ela.”
“Como?”
“Contando pra eles.” Seus olhos acessos.
Minha mente estava se movendo muito devagar essa noite. Eu demorei um tempo pra
entender. “Liss – não. Você não pode usar compulsão. Não por aqui.”
“Eu posso muito bem arranjar um uso pra esses poderes estúpidos.”
Quanto mais ela usa, pior vai ficar. Pare ela, Rose. Pare ela antes que eles notem, antes que
eles notem e levem ela embora também. Tire ela daqui.
“Liss, se você for pega – “
Dimitri pos sua cabeça pra fora. “Você tem que entrar, Rose, antes que alguém encontre
você.”
Eu dei um olhar em apavorado pra Lissa, mas ela já estava se afastando. “Eu vou cuidar de
tudo dessa vez, Rose. Tudo.”

academia de vampiros - beijo das sombras (capitulo 11)


ONZE
“VOCÊ PRECISA DE ALGUMA COISA PARA VESTIR?” Lissa perguntou.
“Hmn?”
Eu olhei de relance para ela. Nós estávamos esperando a aula de artes do Mr. Nagy Slavic
começar, e eu estava preocupada em ouvir Mia negar os rumores sobre seus pais para os
amigos dela.
“Não é como se eles fossem serviçais ou coisa parecida.” Ela exclamava,claramente frustrada.
Endireitando sua expressão, ela optou por arrogância. “Eles são conselheiros praticamente. Os
Drozovs não decidem nada sem eles.”
Eu estrangulei um riso e Lissa balançou sua cabeça.
“Você está aproveitando muito esse momento.”
“Porque ele é impressionante. O que você acabou de me perguntar?” Eu remexia na minha
mochila ,a procura do meu brilho labial. Eu fiz uma careta quando eu o encontrei. Estava quase
vazio; Eu não sabia aonde estava ia arranjar mais.
“Eu perguntei se você vai precisar de alguma cosia para vestir hoje à noite,” ela disse.
“Bem,sim, lógico que quero. Mas nenhuma de suas coisas cabem em mim.”
“O que você vai fazer?”
Eu dei de ombros. “Improvisar,como sempre. De qualquer jeito eu não me importo. Eu apenas
estou feliz porque Kirova me deixou ir.
Nós tínhamos uma assembléia hoje a noite. Era dia 1 de Novembro, Dia de todos os santos –
também significava que fazia um mês que voltamos. Um grupo da realeza estava visitando a
escola, inclusive a rainha Tatiana em pessoa. Honestamente, não era isso que me empolgava.
Ela já tinha visitado a academia antes. Isso era muito comum e muito menos legal do que
soava. Além de, após viver entre os humanos e seus lideres eleitos, eu não pensava muito na
realeza. Mesmo assim, consegui permissão para ir pois todos estariam lá. Essa era uma chance
de dar uma volta com pessoas reais para variar em vez de ficar trancada no meu quarto. Por
um pouco de liberdade, definitivamente valia a dor de sentar e escutar um discurso tedioso.
Eu não fiquei conversando com Lissa depois da aula como eu geralmente fazia. Dimitri estava
mantendo a sua promessa de treinamentos e eu estava tentando manter a minha. Eu agora
tinha duas horas adicionais de treinamento com ele, uma antes e outra depois das aulas.
Quanto mais eu o assistia em ação, mais em compreendia a sua fama de fodão. Ele claramente
sabia muito – suas seis marcas molnija provavam isso – e eu ansiava por ele me ensinar o que
sabia.
Quando eu cheguei no ginásio, eu observei que ele estava com uma camiseta e largas calças de
corrida, que era o oposto do seu usual jeans. Era um bom visual para ele. Muito bom. Pare de
olhar ,eu imediatamente avisei a mim mesma.
Ele me posicionou para que nós pudéssemos nos encarar sobre o colchonete então ele cruzou
seus braços. “Qual é o primeiro problema que você vai encontrar quando confrontar um
Strigoi?”
“Eles são imortais?”
“Pense em alguma coisa mais básica.”
Mais básico que isso? Eu considerei. “Eles podem ser maiores que eu. E mais fortes.”
A maioria dos Strigois- ao menos que tenham sido humanos antes- tinham a mesma altura que
seus primos Moroi. Strigoi também tinham mais força,reflexos, e sentidos que dhampir. Esse
era o porquê os guardiões treinavam tão duro; nós tínhamos uma “curva de aprendizagem”
para compensar.
Dimitri concordou. “O que torna isso difícil mas não impossível. Você pode usar a altura e peso
extra de uma pessoa contra elas.”
Ele se virou e demonstrou várias manobras,salientando onde se mover e como derrubar
alguém. Passando os movimentos com ele, eu ganhei um pouco de conhecimento em porque
eu levava, regularmente, tantas surras na prática em grupo. Eu absorvi suas técnicas
rapidamente e não podia esperar para poder usá-las. Perto do final do nosso tempo junto,ele
me deixou tentar.
“Vá em frente.” Ele disse “Tente me bater”
Não precisava pedir duas vezes. Indo em frente,eu tentei dar um golpe e fui prontamente
bloqueada e derrubada no tapete. Dor surgiu pelo meu corpo,mas eu me recusei a ceder a ela.
Eu pulei novamente, esperando pegar ele fora de guarda. Eu não peguei.
Depois de muitas tentativas fracassadas, eu me levantei e gesticulei com as mãos um sinal de
trégua. “Ok,o que eu estou fazendo de errado?”
“Nada”
Eu não estava convencida. “Se eu não estivesse fazendo nada errado, eu já teria deixado você
inconsciente.”
“Improvável. Seu movimentos estão certos,mas é a primeira vez que você tenta. Eu faço isso
há anos.”
Eu balancei minha cabeça e rolei meus olhos para as velhas-e-sábias formas. Uma vez ele me
disse que tinha vinte e quatro anos. “Tanto faz o que você diz,vovô. Podemos tentar de novo?”
“Nós não temos tempos. Você não quer ir se arrumar?”
Eu olhei para o relógio empoeirado pendurado na parede e me animei. Era quase a hora do
banquete. Esse pensamento me fez sentir tonta e me senti como a cinderela, mas sem as
roupas.
“Diabos, yeah, eu quero.”
Ele andou na minha frente. Eu o estudei com cuidado, percebi que não podia deixar a
oportunidade passar. Eu pulei atrás dele,me posicionando exatamente como ele me ensinou.
Eu tinha o elemento surpresa. Tudo estava perfeito,e ele nem me veria chegando.
Antes de eu fazer contato,ele girou em uma ridiculamente alta velocidade. Em um movimento,
ele me agarrou como se eu não pesasse nada e me jogou no chão,me deixando lá.
Eu gemi. “Eu não fiz nada errado!”
Os olhos dele estavam no mesmo nível que os meus enquanto ele segurava meus pulsos, mas
ele não estava tão sério como ele estava durante a aula. Ele parecia achar isso engraçado. “O
grito de guerra meio que te entregou. Tente não gritar da próxima vez.”
“Faria diferença se eu tivesse ficado quieta?”
Ele pensou sobre isso. “Não. Provavelmente não”
Eu suspirei ruidosamente, eu ainda estava de muito bom humor para deixar que aquele
desapontamento me entristecesse. Tinha algumas vantagens em ter um mentor tão bom – um
que era quase uma cabeça mais alto que eu e me superava no peso consideravelmente. E isso
sem considerar sua força. Ele não era todo musculoso mas seu corpo tinha muitos músculos
duros e esbeltos. Se eu pudesse vencer ele , eu venceria qualquer um.
De repente,me ocorreu que ele ainda estava me segurando. A pele de seus dedos estava
quente enquanto ele agarrava meus pulsos. Seu rosto se encontrava a centímetros do meu,e
suas pernas e tronco estavam se pressionando contra mim. Alguns de seus longos cabelo
castanhos caíam sobre seu rosto,e ele parecia estar reparando em mim também,como aquela
noite na sala. E oh Deus ,ele tinha um cheiro tão bom. Respirar se tornou difícil para mim,e não
tinha nada a ver com o meu treino ou com meus pulmões sendo esmagados.
Eu seria capaz de dar qualquer coisa para ler a mente dele naquela hora. Desde aquela noite
na sala,eu percebo ele me olhando com aquela mesma expressão estudiosa. Ele nunca
realmente faz isto durante os treinos – aqueles eram apenas negócios. Mas antes e depois, ele
às vezes aliviava um pouco,e eu via ele olhando para mim de um jeito que era quase
admiração. E às vezes, se eu fosse muito,muito sortuda, ele sorria para mim. Um sorriso de
verdade,também – não um seco como o que acompanhava o sarcasmo que usávamos com
freqüência. Eu não queria admitir isto a ninguém – não a Lissa, nem para mim mesma – mas
alguns dias,eu vivia por aqueles sorrisos. Eles iluminavam o rosto dele. “Maravilhoso” nem de
longe era adequado para descrever ele.
Esperando parecer calma,eu tentei pensar em algo profissional e relacionado a guardiões para
dizer. Em vez disso eu disse: “Então hm... você tem algum outro movimento para me
mostrar?”
Seus lábios se torceram,e por um momento,eu pensei que iria obter um daqueles sorrisos.
Meu coração pulou. Então, com um visível esforço,ele retirou tirou o sorriso e mais uma vez se
tornou meu mentor durão-gentil. Ele saiu de cima de mim,inclinando-se nos calcanhares e
levantou. “Venha. Precisamos ir.”
Eu tropecei em meus próprios pés e o segui para fora do ginásio. Ele não olhou para trás
enquanto andava,e eu mentalmente me chutei no caminho até meu quarto.
Eu estava tendo uma queda pelo meu mentor. Tendo uma queda pelo meu mentor mais velho.
Eu tinha que estar fora de mim. Ele era sete anos mais velho que eu. Velho o suficiente para
ser meu... bem, ok, nada. Mas ainda mais velho que eu. Sete anos era muito. Ele estava
aprendendo a escrever quando eu nasci. Eu estava aprendendo a escrever e jogar livros em
meus professores, ele provavelmente estava beijando garotas, considerando a sua aparência.
Então eu não precisava de mais uma complicação na minha vida agora.
Eu achei um suéter passável lá no meu quarto e depois de um banho rápido, eu me dirigi até o
campus para a recepção.
Apesar da iminência das paredes de pedra,estátuas caras,e torres do lado de fora do prédio, o
interior da academia era bastante moderno. Nós tínhamos Wi-fi, luzes florescentes,e qualquer
coisa tecnológica que você possa imaginar. Os áreas comuns, em particular, se pareciam muito
o restaurante no qual eu comia em Portland e Chicago, com mesas retangulares simples,
paredes aconchegantes, e uma pequena sala larga ao lado onde nossas duvidosas refeições
eram servidas. Alguém tinha pelo menos pendurado fotos em preto-e-branco ao longo da
parede, em um esforço para decorá-la, mas eu não considero fotos de vasos e árvores “arte”.
Esta noite, no entanto, alguém tinha conseguido transformar as áreas comuns chatos em uma
boa sala de jantar. Vasos transbordando com rosas vermelhas e delicados lírios brancos. Velas
brilhantes. Toalhas de mesa feitas de – esperem isso - linho vermelho sangue. O efeito foi
deslumbrante. Era difícil acreditar que era o mesmo lugar que eu normalmente comia
sanduíches com pedaços de galinha. Parecia feito para, bem, uma rainha.
As mesas tinham sido arrumadas em linha reta,criando um corredor no meio da sala. Tivemos
os lugares marcados, e naturalmente, eu não pude sentar nem perto de Lissa. Ela sentou na
frente com um outro Moroi; e eu sentei nos fundos com os aprendizes. Mas ela trocou um
olhar comigo quando entrei e ela me mandou um sorriso. Ela tinha pegado um vestido de
Natalie emprestado – tomara-que-caia azul de cetim – que ficava lindo com suas
características pálidas. Quem diria que Natalie tinha uma coisa tão boa? Isso fez meu suéter
perder alguns bons pontos.
Eles sempre conduziam esses banquetes da forma. Uma mesa principal ficava na frente do
estrado, onde nós podíamos fazer os “ohh” e “ahh” e assistir a rainha Tatiana e os outros
nobres comiam o jantar. Os guardiões alinharam-se nas paredes,tão duros e formais como
estátuas. Dimitri estava entre eles, e uma sensação estranha se retorceu meu estomago
quando eu recordei o que aconteceu no ginásio. Os olhos deles estavam fixados diretamente
para frente, como se estivesse se concentrando em nada e em tudo na sala em uma só vez.
Quando a hora da entrada da realeza chegou, todos nós nos levantamos em respeito e
prestamos atenção enquanto andavam pelo corredor. Eu reconheci alguns, a maioria que
tinham filhos freqüentando a academia. Victor Dashkov estava entre eles, caminhando
devagar e com uma bengala. Enquanto eu estava feliz por ver ele, eu me encolhi por ver cada
agonizante passo que ele dava até a frente da sala.
Uma vez que o grupo tinha passado,quatro guardiões solenes com casacos listrados vermelhos
e pretos entraram no cômodo. Todos menos os guardiões ao longo da parede ficaram de
joelhos para uma idiota demonstração de lealdade.
Quanta cerimônias e pose, eu pensava cansadamente. Monarcas Moroi eram escolhidos pelo
monarca precedente de dentro das famílias reais. O rei ou a rainha não podiam escolher entre
seu ou sua própria descendência, e um conselho de nobres e famílias reais poderiam escolher
com um motivo suficiente. O que nunca aconteceu, no entanto.
Rainha Tatiana seguiu seus guardas,vestindo um vestido de seda vermelha com um casaco
combinando. Ela estava no início dos seus sessenta anos e tinha cabelos cinza escuro cortado
na altura do queixo e coroada com uma tiara no estilo Miss America. Ela andava lentamente,
como se estivesse dando um passeio, com mais quatro guardiões às suas costas.
Ela se moveu através da sessão dos aprendizes bastante rapidamente, apesar de ter acenado e
sorrido aqui e ali. Dhampirs podia ser meio humano, filhos ilegítimos dos Moroi, mas nós
treinávamos e dedicávamos nossas vidas para servi-los e protegê-los. A probabilidade de que
muitos de nós aqui morreria jovem era alta, e a rainha tinha que mostrar respeito por isso.
Quando ela chegou na sessão dos Moroi,ela fez uma longa pausa e até falou com alguns
estudantes. Era um grande negócio ser reconhecido, sobretudo um sinal de que os pais de
alguém estava nas graças dela. Naturalmente, a realeza tinha mais atenção. Ela não disse
muito a eles que fosse realmente interessante, na maioria dos casos foram só algumas
palavras bonitas.
“Vasilisa Dragomir”
Minha cabeça levantou. Alarme fluindo através da ligação ao som do nome dela. Quebrando o
protocolo, eu saí de minha posição e me ajustei para ter uma visão melhor, sabendo que
ninguém iria me notar quando a rainha em pessoa chamava a última dos Dragomir. Todo
mundo estava ansioso para ver o que a monarca iria dizer para Lissa, a princesa fugitiva.
“Nós ouvimos falar que você retornou. Nós estamos felizes em ter os Dragomirs de
volta,embora só reste um. Lamentamos profundamente a perda de seus pais e seu irmão, eles
estavam entre os melhores dos Moroi, sua morte foi uma verdadeira tragédia."
Eu nunca realmente entendi a realeza,a coisa do “nós”, mas fora isso, tudo soou bem.
“Você tem um nome interessante,” ela continuou. “Muitas heroínas de contos de fadas na
Rússia se chamavam Vasilisa. Vasilia a Corajosa, Vasilisa a Bonita. Elas eram mulheres
diferentes,todas tendo o mesmo nome e as mesmas excelentes qualidades:
força,inteligência,disciplina e virtude. Todas realizaram grandes coisas,triunfando sobre seus
adversários.”
“Da mesma forma,o nome Dragomir comanda o mesmo respeito. Reis e rainhas Dragomir tem
governado sabiamente e justamente em nossa história. Eles tem usado seus poderes para fins
miraculosos. Eles tem matado Strigois, lutando ao lado de seus guardiões. Eles eram da realeza
por um motivo"
Ela esperou um momento, deixando o peso de suas palavras fazerem efeito. Eu podia sentir o
humor mudar na sala,bem como a surpresa e um tímido prazer crescia em Lissa. Isso iria
mexer na balança social. Nós provavelmente poderíamos esperar alguns tietes tentando cair
nas graças de Lissa amanhã.
“Sim” Tatiana continuou, “você provavelmente tem um nome com poder. Seus nomes
representam as melhores qualidades que uma pessoa pode oferecer e olhando para o passado
esperar por atos de grandeza e valor.” Ela parou um momento. “Mas, como você teve
demonstrando, nomes não não fazem uma pessoa. Nem tem qualquer relação no que essa
pessoa se transforma.”
E com esse tapa verbal na cara,ela virou de costas e continuou sua procissão.
Um choque coletivo encheu a sala. Eu brevemente contemplei, e em seguida, desisti de
qualquer tentativa de pular no corredor e atacar a rainha. Meia dúzia de guardiões iriam me
derrubar no chão antes de eu tivesse dado cinco passos. Então me sentei impaciente durante o
jantar, todo o tempo sentindo a absoluta mortificação de Lissa.
Quando a recepção pós-jantar começou, Lissa fez uma linha reta em direção aos pátios. Eu
segui, mas me retardei tendo de acenar por aí e evitando me misturar, socializar com as
pessoas.
Ela vagava num pátio adjacente, um que combinava com o estilo externo da academia. Um
teto entalhado com torções de madeira cobria o jardim, com alguns buracos aqui e ali para
permitir a entrada de alguma luz, mas não o suficiente para causar danos aos Moroi. Árvores,
folhas agora caídas por causa do inverno, alinhavam a área e os caminhos levando para fora os
outros jardins, pátios, e um pátio central. Um lago, também esvaziada para o inverno, ficava
num canto, e de pé sobre ela uma estátua imponente do próprio São Vladimir. Esculpida em
pedra cinza, ele usava vestes longas e tinha uma barba e um bigode.
Rodeando uma esquina, eu parei quando vi que Natalie tinha me batido em relação à Lissa. Eu
considerei interromper, mas voltei antes de me verem. Espionar poderia ser ruim, mas eu
estava repentinamente curiosa para ouvir o que Natalie tinha a dizer para Lissa.
“Ela não deveria ter dito aquilo” Natalie disse. Ela usava um vestido amarelo semelhante ao
corte de Lissa, mas de alguma maneira estava faltando a graça e o porte para fazê-lo parecer
bonito. Amarelo também era uma cor horrível para ela. Colidia com seu cabelo preto, que ela
quis colocar num coque central. “Isso não foi certo” ela continuou. “Não deixe isso incomodar
você”
“Um pouco tarde para isso” os olhos de Lissa estavam fixados numa pedra distante.
“Ela estava errada”
“Ela esta certa ,” Lissa exclamou. “Meus pais...e Andre... eles iriam me odiar pelo que eu fiz.”
“Não,eles não iriam” Natalie disse com uma voz gentil.
“Fo estúpido fugir. Irresponsável.”
“Então o quê? Você cometeu um erro. Eu cometo erros o tempo todo. Outro dia, eu estava
fazendo um trabalho de ciências, e era sobre o capitulo dez, mas eu li o capitulo onz –” Natalie
parou,e em uma amostra notável de comedimento, ela voltou aos trilhos. “As pessoas mudam.
Nós estamos sempre mudando, certo? Você não é a mesma de quando era naquela época. Eu
não sou a mesma daquela época.”
Na verdade, Natalie parece exatamentea mesma para mim, mas isso não me incomoda mais.
Eu tinha me afeiçoado a ela.
“Além do mais,” ela adicionou, “fugir foi mesmo um erro? Você deve ter feito isso por uma
razão. Você deve ter obtido algo com isso, certo? Havia um monte de coisas ruins acontecendo
com você, não é? Com seus pais e seu irmão. Quero dizer, talvez era a coisa certa a fazer.”
Lissa escondeu um sorriso. Ambas de nós tínhamos certeza de que Natalie estava tentando
descobrir porque nós tínhamos ido embora – assim como todo mundo na escola. Ela meio que
era péssima em ser discreta.
“Eu não sei se isso foi, não,” Lissa respondeu. “Eu era fraca. Andre não teria fugido. Ele era tão
bom. Bom em tudo. Bom em ficar junto das pessoas e toda essa porcaria de realeza.”
“Você é boa nisso também.”
“Eu acho. Mas eu não gosto disso. Eu quero dizer, eu gosto de pessoas... mas a maioria das
coisas que elas fazem é tão falsa. É disso que eu não gosto.”
“Então não se sinta mal por não se envolver.” Natalie disse. “Eu não ando com todas aquelas
pessoas, e olhando para mim . Eu estou bem. Papai dizia que ele não se importava se eu andar
com a realeza ou não. Ele só quer me ver feliz.”
“E isso,” eu disse,finalmente me fez aparecer, “é porque ele deveria estar governando em vez
daquela rainha vadia. Ele foi roubado.”
Natalie pulou quase dez passos. Eu tinha quase a absoluta certeza de que o vocabulário de
xingamentos dela consistiam basicamente de “deus do céu” e “maldição”.
“Estava me perguntando por onde você andava,” Lissa disse.
Natalie olhou para frente e para trás entre nós, de repente parecendo um pouco
envergonhada de estar entre um grupo de melhores amigas. Ela se mexeu
desconfortavelmente e enfiou um pouco do seu desorganizado cabelo atrás de sua orelha.
“Bem... Eu deveria encontrar meu papai. Te vejo lá no quarto.”
“Até logo,” Lissa disse. “E obrigada.”
Natalie saiu apressadamente.
“Ela chama mesmo ele de ‘papai’?”
Lissa me cortou com um olhar. “Deixe ela em paz. Ela é legal.”
“Ela é, de verdade. Eu ouvi o que ela falou, e por mais que eu odeie admitir, não tinha nada do
que fazer graça. Era tudo verdade.” Eu parei. “Eu vou matar ela,você sabe. A rainha,não
Natalie. Se ferrem os guardiões. Eu faço isso. Ela não pode se safar dessa.”
“Deus, Rose! Não diga isso. Eles vão te prender por traição. Deixe disso.”
“Deixar isso? Depois do que ela disse para você? Na frente de todo mundo?”
Ela não respondeu e nem olhou para mim. Ao invés disso,brincou distraidamente com os
ramos de um desordenado arbusto, que tinha ficado adormecido pelo inverno. Havia um olhar
vulnerável nela que eu pude reconhecer – e temia.
“Hey” Eu abaixei minha voz. “Não fique assim. Ela não sabe do que ela estava falando, ok? Não
deixe isso te deixar triste. Não faça nada que você não deva.”
Ela olhou de relance para mim. “Vai acontecer de novo, não é?” ela sussurrou. A mão dela,
ainda agarrando a árvore,começou a tremer.
“Não se você não deixar.” Eu tentei olhar para seus pulsos sem ser muito óbvia. “Você não
teve?...”
“Não” Ela sacudiu a cabeça e piscou para reprimir as lágrimas. “Eu não queria. Eu estava
chateada por causa da raposa, mas está tudo bem. Eu gosto da coisa de andar na correnteza.
Eu sinto falta de ver você, mas tudo vai ficar bem. Eu gosto...” Ela pausou.
Eu pude ouvir as palavras se formando na mente dela.
“Christian”
“Eu desejo que você não pudesse fazer isso. Ou nãofizesse.”
“Desculpe. Eu preciso te dar a conversa sobre o Christian é um psicopata perdedor de novo?”
“Eu acho que tenho isso memorizado depois das dez últimas vezes.” Ela murmurou.
Eu estava começado a de número onze quando eu ouvi o som de risos e o barulho de saltos
altos nas pedras. Mia andou com alguns amigos a reboque, mas sem Aron. Imediatamente,
meus instintos de defesa se ligaram.
Internamente, Lissa ainda estava abalada com os comentários da rainha. Tristeza e humilhação
estavam serpenteando dentro dela. Ela se sentia envergonhada pelo que os outros iriam
pensar dela agora e continuava pensando sobre como a família dela a teria odiado por fugir.
Eu não acreditava nisso, mas parecia real para ela, e suas emoções obscuras se agitavam e
agitavam. Ela nãoestava bem, não importando o quanto casual ela estava tentando agir, e eu
estava preocupada que ela fosse fazer algo imprudente. Mia era a ultima pessoa que ela
precisava ver agora.
“O que você quer?” Eu exigi.
Mia sorriu arrogantemente para Lissa e me ignorou, dando alguns passos a frente. “Só quero
saber como é se sentir tão importante e tão nobre. Você deve ter ficado tão empolgada de
que a rainha falou com você.” Risinhos vieram a tona a partir do grupo reunido.
“Você está muito perto.” Eu me pus de pé entre elas, e Mia recuou um pouco, provavelmente
ainda preocupada com que eu pudesse quebrar o braço dela. “E hey, pelo menos, a rainha
sabia o nome dela, que é mais do que eu posso dizer sobre você e o seu presunçoso ato real.
Ou de seus pais."
Eu pude ver a dor que isso causou a ela. Cara, ela queria tanto ser da realeza. “Ao menos eu
vejo meus pais,” ela retrucou.
“Ao menos eu sei quem são ambos. Só Deus sabe quem é o seu pai. E sua mãe é a guardiã mais
famosa por aqui, mas ela também não dá a mínima para você. Todos sabem que ela nunca te
visita. Provavelmente ficou feliz quando você foi embora. Se ela ao menos notou isso."
Essa doeu. Eu trinquei meus dentes. “Yeah, bem, pelo menos ela é famosa. Ela realmente
aconselha a realeza e os nobres. Ela não faz a limpeza depois disso.”
Eu ouvi um de seus amigos abafar uma risadinha atrás dela. Mia abriu a boca, sem dúvidas
para soltar várias de suas réplicas que ela deve ter acumulado desde que a história começou,
quando uma lâmpada subitamente apagou em cima de sua cabeça.
“Foi você,"ela disse abrindo os olhos. “Alguém me contou que foi Jesse que começou com isso,
mas ele não podia saber nada sobre mim. Ele pegou isso de você, quando você dormiu com
ele."
Agora ela estava realmente começando a me aborrecer. “Eu não dormi com ele.”
Mia apontou para Lissa e voltou a mim. “Então é isso, huh? Você fez o trabalho sujo dela
porque ela é patética demais para fazer por ela mesma. Você não poderá sempre protegê-la”
Ela avisou. "Você também não está segura.”
Ameaças vazias. Eu me inclinei para frente, fazendo minha voz parecer a mais ameaçadora
possível. E no meu humor atual, não era difícil. “É? Experimente e me toque agora e
descubra.”
Eu esperava que o fizesse. Eu queria. Nós não precisávamos de uma vingança suja nas nossas
vidas exatamente agora. Ela era uma distração – uma que eu queria muito socar agora.
Olhando atrás dela, eu vi Dimitri se movendo no jardim, os olhos procurando alguma coisa –
ou alguém. Eu tinha uma idéia muito boa de quem era. Quando ele me viu, ele seguiu adiante,
mudando a sua atenção quando ele percebeu a multidão em torno de nós. Guardiões
conseguem sentir cheiro de luta a uma milha de distancia. É claro, uma criança de seis anos
poderia sentir o cheiro dessa luta.
Dimitri ficou ao meu lado e cruzou seus braços. “Está tudo bem?”
“Certamente, Guardião Belikov.” Eu sorri enquanto disse isso, mas eu estava furiosa.
Enraivecida, até. Todo esse confronto com Mia só fez Lissa se sentir pior. “Nós estamos apenas
trocando histórias familiares. Já ouviu a de Mia? É fascinante."
“Vamos” ela disse a seus seguidores. Ela os levou embora, mas não sem antes me dar um
último olhar frio. Eu não precisava ler a mente dela para saber o que ela dizia. Não estava
acabado. Ela ia tentar pegar uma de nós ou as duas novamente. Legal. Pode vir, Mia.
“Eu deveria levá-la de volta ao seu dormitório,” Dimitri me disse secamente. “Você não estava
prestes a começar uma luta, estava?”
“Claro que não,” eu disse, ainda olhando fixamente para a entrada vazia pela qual Mia tinha
desaparecido. “Eu não começo lutas onde as pessoas possam ver elas”
“Rose,” Lissa gemeu.
“Vamos. Boa noite, princesa.”
Ele se virou, mas eu não me movi. “Você vai ficar bem, Liss?”
Ela acenou com a cabeça. “Eu estou bem.”
Isso era uma mentira, eu não pude acreditar que ela teve a coragem de tentar passar essa em
mim. Eu não precisava da ligação para ver lágrimas brilhando em seus olhos. Nós nunca
deveríamos ter voltado a este lugar, eu percebi desolada.
“Liss...”
Ela me deu um pequeno, e triste sorriso e acenou na direção de Dimitri. “Eu disse a você, eu
estou bem. Você tem que ir.”
Relutante,eu segui ele. Ele me levou para fora, na direção do outro lado do jardim. “Nós
deveríamos acrescentar um treinamento extra de auto controle.” Ele observou.
“Eu tenho um abundante auto contr– hey!”
Eu parei de falar quando vi Christian passar por nós, se movendo pelo trajeto que nós
tínhamos vindo. Eu não o tinha visto na recepção, mas se Kirova tinha me permitido vir esta
noite, eu suponho que ela tenha feito o mesmo com ele.
“Você esta indo ver Lissa?” Eu exigi, deslocando minha raiva de Mia para ele.
Ele colocou suas mãos dentro dos bolsos e me deu um olhar de bad-boy indiferente. “E se eu
estivesse?”
“Rose, essa não é a hora,” Dimitri disse.
Mas era a hora. Lissa tinha ignorado meus avisos sobre Christian há semanas. Essa era a hora
de ir em frente e parar com aquele ridículo flerte entre os dois de uma vez por todas.
“Por que você não deixa ela em paz? Você está tão ferrado e desesperado por atenção que
você não pode dizer quando alguém não gosta de você?” Ele olhou com raiva. “Você é um tipo
de assediador louco, e ela sabe disso. Ela me contou tudo sobre sua estranha obsessão – como
vocês estão sempre no sótão juntos, como você ateou fogo em Ralf para impressioná-la. Ela
acha que você um esquisito, mas ela é muito boazinha para dizer alguma coisa.”
Seu rosto ficou pálido,e alguma coisa obscura se agitava nos olhos dele. “Mas você não é
muito boazinha?”
“Não. Não quando eu sinto pena de alguém.”
“Chega” Dimitri disse, me dirigindo para longe.
“Obrigado pela ‘ajuda’ então.” Christian repreendeu, a voz dele transbordando animosidade.
“Sem problemas,” eu disse por cima dos meus ombros.
Quando fomos um pouco mais para frente, eu relancei um olhar para trás de mim e vi
Christian logo além do jardim. Ele parou de andar e agora se estava olhando o caminho que
levava até Lissa no pátio. Sombras cobriam seu rosto enquanto ele pensava e, em seguida, ele
se virou voltando para o dormitório Moroi.

academia de vampiros - beijo das sombras (capitulo 10)


DEZ
“COM LICENÇA, SR NAGY? EU NÃO POSSO realmente me concentrar com Lissa e Rose
passando bilhetinhos logo ali.”
Mia estava tentando distrair a atenção de si mesma – como também a sua incapacidade de
responder a pergunta do Sr. Nagy – e estava arruinando o que estava prometendo ser um bom
dia. Alguns dos rumores da raposa ainda circulavam, mas a maioria das pessoas queriam
conversar sobre Christian atacando Ralf. Eu ainda não havia absolvido Christian do incidente
com a raposa – eu tinha absoluta certeza que ele era psicopata o suficiente para ter feito
aquilo como um sinal doentio de afeição por Lissa – mas quaisquer que fossem seus motivos,
ele havia deslocado a atenção dela, assim como ele havia dito.
Sr. Nagy era lendário por sua habilidade de humilhar estudantes ao ler os bilhetes em voz alta,
se dirigindo a nós como um míssil. Ele agarrou o bilhete, e a classe excitada se ajeitou par uma
leitura completa. Eu engoli um gemido, tentando aparentar o mais impassível e indiferente
possível. Ao meu lado, Lissa parecia que queria morrer.
“Ora, ora,” ele disse, olhando o bilhete. “Se ao menos os estudantes escrevessem esse tanto
nos seus ensaios. Uma de vocês tem, consideravelmente, a escrita pior que a outra, portanto
me perdoem se eu ler alguma coisa errada aqui.” Ele limpou a garganta. “’Então, eu vi J ontem
à noite’ começa a pessoa com a escrita ruim, no qual a resposta é, ‘O quê aconteceu,’ seguidos
pelo mínimo de cinco sinais de interrogação. Compreensível, sendo que às vezes uma – quem
dirá quatro – não passa a mensagem necessária, eh?” A classe riu, e eu notei Mia me lançando
um sorriso especialmente malvado. “O primeiro locutor responde: ‘O quê você acha que
aconteceu? Nós ficamos em uma das salas vazias.’”
Sr. Nagy deu uma olhada de relance depois de escutar uns risinhos na sala. Seu sotaque
britânico só aumentava a hilaridade.
“Posso presumir por essa reação que o uso da palavra ‘ficar’ pertence à mais recente, digamos,
aplicação carnal do que o termo discreto que usávamos quando eu crescia?”
Mais risinhos abafados se seguiram. Endireitando-me, eu disse corajosamente, “Sim, senhor,
Sr. Nagy. Isso estaria correto, senhor.” Um grande número de pessoas riram de forma
abertamente.
“Obrigado pela confirmação, Srtª Hathaway. Agora, onde eu estava? Ah sim, a outra locutora
então pergunta, ‘Como é que foi?’ A resposta foi, ‘Bom,’ pontuado com uma carinha feliz para
confirmar o dito adjetivo. Bem. Eu suponho que o crédito é para o misterioso J, hmmm?
‘Então, tipo assim, até onde vocês foram?’ Uh, senhoritas,” Sr. Nagy disse, “Eu espero que isso
não ultrapasse a censura livre. ‘Não muito. Nós fomos pegos.’ E novamente, nos foi mostrado a
severidade da situação, dessa vez pelo uso de uma carinha infeliz. ‘O quê aconteceu?’ ‘Dimitri
apareceu. Ele expulsou Jesse e me deu um puta sermão.’"
A classe emudeceu, tanto por escutar o Sr. Nagy falar “puta sermão” e por finalmente saber os
nomes dos participantes.
“Por quê, Sr. Zeklos, você é o supracitado J? Aquele que conseguiu uma carinha feliz da
medíocre escritora?” O rosto de Jesse ficou vermelho-beterraba, mas ele não aparentou
inteiramente descontente por ter tido sua façanha conhecida por todos os seus amigos. Ele
havia mantido o que aconteceu em segredo até agora – incluindo a conversa sobre sangue –
porque eu suspeitava que Dimitri o tinha matado de susto. “Bem, por mais que eu aprecie uma
boa desgraça tanto quanto o próximo professor cujo tempo está sendo desperdiçado
completamente, lembre aos seus ‘amigos’ no futuro que aqui não é uma sala de bate-papo.”
Ele atirou o bilhete de volta à mesa de Lissa. “ Srtª Hathaway, parece que não há uma maneira
possível de puni-la sendo que você já está no limite máximo de penalidades por aqui. Por
conseguinte, você, Srtª Dragomir, vai cumprir duas detenções em vez de uma em nome de sua
amiga. Fique aqui quando o sinal tocar, por favor.”
Depois da aula, Jesse me encontrou, com uma aparência desconfortável em seu rosto. “Hey,
um, sobre o bilhete... você sabe eu não tive nada a ver com isto. Se Belikov descobrir sobre
isso... você diria a ele? Quero dizer, você diria a ele que eu não – “
“Yeah, yeah,” eu o interrompi. “Não se preocupe, você está a salvo.”
Ao meu lado, Lissa observou ele sair da sala. Pensando em como havia sido fácil para Dimitri
enxotá-lo – e a sua aparente covardia – eu não pude deixar de notar, “Sabe, de repente Jesse
não parece ser tão gostoso como pensei que fosse.”
Ela somente riu. “É melhor você ir. Eu tenho carteiras para lavar.”
Eu a deixei, me dirigindo para o meu dormitório. Enquanto o fazia, passei por um número de
estudantes reunidos em pequenos grupos do lado de fora do prédio. Eu os observei
saudosamente, desejando que eu tivesse tempo livre para socializar.
“Não, é verdade,” eu ouvi uma voz confiante dizer. Camille Conta. Bonita e popular, de uma
das mais prestigiosas famílias no clã Conta. Ela e Lissa haviam sido meio que amigas antes de
irmos embora, numa maneira desconfortável onde dois grandes poderosos ficam de olho um
no outro. “Eles, tipo, limpam banheiros ou algo do tipo.”
“Oh meu Deus,” a amiga dela disse. “Eu morreria se fosse Mia.”
Eu sorri. Aparentemente Jesse espalhou algumas das histórias que eu havia contado ontem à
noite. Infelizmente, o próximo pedaço de conversa que ouvi arruinou a minha vitória.
“– escutei que ainda estava viva. Tipo, se retorcendo na cama dela.”
“Eu não sei. Por quê matar em primeiro lugar?”
“Você acha que Ralf estava certo? Que ela e Rose fizeram isso para serem expulsas –“
Eles me viram e calaram a boca.
Olhando de cara feia, eu escapei pelo pátio. Ainda viva. Ainda viva.
Eu havia recusado a Lissa falar sobre as similaridades entre a raposa e o que havia acontecido
há dois anos atrás. Eu não queria acreditar que eles estavam conectados, e eu certamente não
queria que ela achasse isso também.
Mas eu não fui capaz de parar de pensar nesse incidente, não só porque era assustador, mas
porque isso realmente tinha me lembrado do que tinha acontecido no quarto dela.
Nós estávamos na floresta perto do campus numa noite, tendo matado a nossa última aula. Eu
havia trocado um par de lindas sandálias incrustada de pedrinhas da Abby Badica por uma
garrafa de schnapps* de pêssego – desesperado, sim, mas você fazia o que tinha de fazer em
Montana – no qual, de alguma forma, ela ficou segurando. Lissa havia balançando a cabeça em
desaprovação quando eu sugeri matar aula para pegarmos uma garrafa e pôr um fim na nossa
desgraça, mas ela veio de qualquer jeito. Como sempre.
Nós encontramos um velho pedaço de lenha para sentar perto imundo pântano verde. Uma
meia-lua lançava tênue luz prateada sobre nós, mas era mais que suficiente para vampiros e
meio-vampiros poderem enxergar. Passando a garrafa de lá para cá, eu a questionei sobre
Aaron. Ela confessou que os dois haviam feito sexo no fim-de-semana passado, e eu senti uma
explosão de ciúmes por ela ter sido a primeira a fazer sexo.
“Então, como é que é?”
Ela se encolheu e tomou outro gole. “Eu não sei. Não foi nada.”
“O quê você quer dizer com não foi nada? A terra não tremeu ou os planetas se alinharam ou
qualquer coisa?”
“Não,” ela disse abafando uma risada. “Lógico que não.”
Eu realmente não havia entendido porque aquilo deveria ser engraçado, mas eu podia notar
que ela não queria falar sobre isso. Isso foi pela época que nossa ligação havia começado a se
formar, e suas emoções estavam começando a deslizar em mim de vez em quando. Eu segurei
a garrafa e olhei-a curiosamente.
“Eu acho que essa coisa não está funcionando.”
“Isso é porque quase não há álcool no –“
O som de alguma coisa se mexendo nos arbustos veio de perto. Eu imediatamente me
levantei, colocando meu corpo entre ela e o barulho.
“É algum animal,” ela disse quando se passou um minuto em silêncio.
Isso não queria dizer que não era perigoso. Os vigias do colégio mantinham os Strigoi longe,
mas animais selvagens sempre perambularam pelas margens do campus, levantando suas
próprias ameaças. Ursos. Pumas.
“Venha,” eu disse a ela. “Vamos voltar.”
Nós não tínhamos ido muito longe quando eu ouvi alguma coisa se mexendo novamente, e
alguém se colocou no nosso caminho. “Senhoritas”
Sra. Karp.
Nós congelamos, e qualquer rápida reação que eu havia demonstrado lá no pântano
desapareceu quando eu atrasei alguns instantes para esconder a garrafa atrás das minhas
costas.
Um meio-sorriso apareceu no seu rosto, e ela estendeu sua mão.
Envergonhadamente, eu entrei a garrafa a ela, e ela enfiou-a debaixo do braço. Ela virou-se
sem dar uma palavra, e nós seguimos, sabendo que haveriam conseqüências para com que
lidarmos.
“Vocês acham que ninguém nota quando metade da classe some?” ela perguntou depois de
algum tempo.
“Metade da classe?”
“Alguns de vocês, aparentemente, escolheram hoje para matar aula. Deve ser o tempo bom.
Primavera, calor.”
Lissa e eu andamos com dificuldade. Eu nunca ficava confortável perto da Sra. Karp desde
àquela época que ela curou minhas mãos. Seu comportamento esquisito e paranóico tinha
uma estranha propriedade sobre mim – muito mais estranho que antes. Assustador, até. E
ultimamente eu não podia olhar para ela sem ver aquelas marcas em sua testa. Seu cabelo
vermelho-escuro geralmente os cobria, as nem sempre. Algumas vezes haviam novas marcas;
algumas vezes as velhas desapareciam do nada.
Uma estranha agitação ressoou à minha direita. Nós todas paramos.
“Um de seus colegas de classe, eu imagino,” murmurou Sra. Karp, se virando para a direção do
som.
Mas quando nós chegamos ao local, encontramos uma grande ave preta deitada no chão. Aves
– e a maioria dos animais – não significavam nada para mim, mas até eu tive de admirar suas
penas lustrosas e o bico feroz. Ele poderia, provavelmente, bicar os olhos de uma pessoa em
trinta segundos – se ele não estivesse obviamente morrendo. Com uma última, desanimada
sacudida, a ave finalmente ficou imóvel.
“O quê é isso? É uma gralha?” Eu perguntei.
“Muito grande,” disse Sra. Karp. “É um corvo.”
“Está morto?” Lissa perguntou.
Eu dei uma olhada nele. “Yeah. Definitivamente morto. Não toque.”
“Provavelmente foi atacado por outra ave,” observou Sra. Karp. “Eles lutam acerca de
território e suprimentos às vezes.”
Lissa se ajoelhou, compaixão em sua face. Eu não fiquei surpresa, sendo que ela sempre teve
uma queda por animais. Ela me deu um sermão por dias depois de eu ter instigado a infame
luta hamster-carangueijo-ermitão. Eu tinha visto a luta como um teste de oponentes dignos.
Ela havia visto como crueldade com os animais.
Petrificada, ela se esticou até o corvo.
“Liss!” Eu exclamei, horrorizada. “Provavelmente tem alguma doença.”
Mas a sua mão se moveu como se ela não tivesse me escutado. Sra. Karp ficou parada lá como
uma estátua, seu rosto pálido parecendo com a de um fantasma. Os dedos de Lissa
acariciaram as asas do corvo.
“Liss,” eu repeti, começando a me mexer em sua direção, para puxá-la de volta. De repente,
uma estranha sensação inundou a minha cabeça, a doçura do que era bonito e cheio de vida.
O sentimento era tão intenso que eu parei no meu caminho.
Então o corvo se moveu.
O corvo bateu as asas, lentamente tentando se endireitar e ficar de pé. Quando ele conseguiu
fazer isso, ele se virou para nós, se fixando em Lissa com um olhar que parecia ser muito
inteligente para uma ave, seus olhos se prenderam nos dela, e eu não pude ler sua reação
através da ligação. Finalmente, o corvo quebrou o contato e se elevou ao ar, suas asas fortes o
levando para longe.
O vento balançando as folhas era o único som que restava.
“Oh meu Deus,” Lissa sussurrou. “O quê acabou de acontecer?”
“Como se eu soubesse,” eu disse, escondendo meu completo pavor.
Sra. Karp caminhou para frente e agarrou o braço de Lissa, fazendo ela se virar forçosamente
para que pudessem se encarar. Eu estava lá num instante, pronta para reagir se a Maluca Karp
tentasse alguma coisa, apesar de até eu ter certos escrúpulos sobre nocautear uma
professora.
“Não aconteceu nada,” disse Sra. Karp numa voz urgente, com olhos selvagens. “Você me
escutou? Nada. E você não pode contar a ninguém – ninguém – sobre o que você viu. As duas.
Prometam-me. Prometam-me que vocês nunca mais vão falar sobre isso novamente.”
Lissa e eu trocamos olhares desconfortáveis. “Okay,” ela grasnou.
O aperto da Sra. Karp relaxou um pouco. “E nunca mais faça isso novamente. Nunca mais.”
No pátio, do lado de fora do meu dormitório, alguém estava chamando o meu nome.
“Hey, Rose? Eu te chamei, tipo, umas cem vezes.”
Eu esqueci acerca da Sra Karp e do corvo e espiei Mason, que aparentemente havia começado
a andar comigo para o dormitório enquanto eu estava viajando na terra la-la.
“Desculpe,” eu murmurei. “Eu estava viajando. Só... um, cansada.”
“Muita excitação ontem à noite?”
Eu o olhei estreitando os olhos. “Nada com o que eu não pudesse agüentar.”
“Acho que sim,” ele riu, apesar dele não soar exatamente entretido. “Parece que Jesse foi
quem não pôde agüentar.”
“Ele foi okay.”
“Se você diz. Mas pessoalmente, eu acho que você tem mau gosto.”
Eu parei de andar. “E eu acho que isso não é da sua conta.”
Ele olhou para longe furiosamente. “Você fez com que fosse da conta de toda a classe.”
“Hey, eu não fiz isso de propósito.”
“Aconteceria de qualquer forma. Jesse tem uma boca grande.”
“Ele não diria.”
“Yeah,” Mason disse. “Porque ele é tão fofo e tem uma família tão importante.”
“Deixe de ser idiota,” eu o interrompi. “E por que você se importa? Com ciúmes porque eu não
estou fazendo isso com você?”
Seu rubor cresceu, percorrendo todo o rosto até as raízes de seu cabelo vermelho. “Eu só não
gosto de escutar as pessoas falando merdas sobre você, só isso. Há várias piadinhas indecentes
por aí. Eles a estão chamando de vagabunda.”
“Eu não ligo do quê eles me chamem.”
“Oh, yeah. Você é realmente durona. Você não precisa de ninguém.”
Eu parei. “Não preciso. Eu sou uma das melhores aprendizes desse maldito lugar. Eu não
preciso de você agindo todo galante e vindo em minha defesa. Não me trate como uma garota
indefesa.”
Eu me virei e continuei andando, mas ele me alcançou facilmente. A desgraça de ter 1,67 cm.
“Olhe... eu não queria te aborrecer. Eu só estava preocupado com você.”
Eu dei um riso áspero.
“Estou falando sério. Espere...” ele começou. “Eu, uh, fiz algo por você. Mais ou menos. Eu fui
ontem a noite à biblioteca e tentei pesquisar sobre St. Vlademir.”
Eu parei novamente. “Você fez isso?”
“Yeah, mas não havia muito coisa sobre Anna. Todos os livros eram meio genéricos. Só falavam
sobre ele curando as pessoas, trazendo eles de volta do leito de morte.”
A última parte me sensibilizou.
“Havia... havia mais alguma coisa?” eu gaguejei.
Ele balançou a cabeça. “Não. Você provavelmente vai precisar de um documento primário,
mas nós não temos nenhum aqui.”
“Documento o quê?”
Ele zombou, um sorriso surgindo em seu rosto. “Você faz alguma coisa além de passar
bilhetinhos? Nós acabamos de falar sobre isso noutro dia na aula de Andrew. Existem livros em
tempo real do período que você quer estudar. Os secundários são os que são escritos por
pessoas nos dias atuais. Você vai achar uma informação melhor se você achar alguma coisa
escrita pelo próprio cara. Ou por alguém que realmente não o conhecia.”
“Huh. Okay. O quê é você, algum tipo de garoto gênio agora?”
Mason me deu um leve murro no braço. “Eu presto atenção, só isso. Você é tão distraída. Você
perde todos os tipos de coisas.” Ele sorriu nervosamente. “E olhe... eu realmente sinto muito
sobre o que disse. Eu só queria – “
Ciúmes, eu percebi. Eu podia ver em seus olhos. Como foi que eu nunca havia notado isso
antes? Ele era louco por mim. Eu acho que eu realmente era distraída.
“Está tudo bem, Mase. Esquece isso.” Eu sorri. “E obrigada por pesquisar aquelas coisas.”
Ele sorriu de volta, e eu entrei, triste por não sentir a mesma coisa por ele.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

house of night - marcada (capitulo 1)


UM
Bem quando eu achei que meu dia não podia ficar pior eu vi o cara morto parado
perto do meu armário. Kayla estava falando besteira sem parar na sua tagarelice usual, e
ela nem notou ele. No inicio. Na verdade, agora que eu penso sobre isso, ninguém o
notou até que ele falou, o que é, tragicamente, mas uma evidencia da minha incapacidade
de me ajustar.
“Não, mas Zoey, eu juro por Deus Heath não ficou tão bêbedo depois do jogo. Você
não deveria ser tão dura com ele.”
“É,” eu disse distraída. “Claro.” Então eu tossi. De novo. Eu me sentia como lixo. Eu
devo estar pegando aquilo que o Sr. Wise, meu meio insano professor de biologia chama
de Praga Adolescente.
Se eu morrer, eu escapo do meu teste de geometria amanha? Uma pessoa pode
sonhar.
“Zoey, por favor. Você está ouvindo? Eu acho que ele só tomou tipo quatro – eu não
sei – talvez seis cervejas, e talvez tipo três doses. Mas isso é completamente fora de
questão. Ele provavelmente nem teria tomado nada daquilo se seus pais idiotas não
tivessem feito você ir pra casa logo depois do jogo.”
Nós partilhamos um sofrido e longo olhar, em total concordância sobre a última
injustiça cometida contra mim por minha mãe e o meu padrasto perdedor com quem ela
se casou a três longos anos atrás. Então, depois de meio suspiro, K estava de volta a sua
tagarelice.
“E mais, ele estava celebrando. Eu quero dizer nós vencemos o Union!” K balançou
meus ombros e pôs seu rosto perto do meu. “Olá! Seu namorado-“
“Meu quase namorado,” eu corrigi ela, tentando não tossir nela.
“Tanto faz. Heath é nosso zagueiro então é claro que ele vai celebrar. Já fazia tipo
um milhão de anos desde que a Broken Arrow derrotou o Union.”
“Dezesseis anos.” Eu sou péssima em matemática, mas a matemática de K faz a
minha parecer genial.
“De novo, tanto faz. O ponto é, ele estava feliz. Você deveria dar a ele um tempo.”
“O ponto é que ele estava bêbado pela quinta vez essa semana. Eu sinto muito, mas
eu não quero sair com um cara cuja maior preocupação na vida mudou de tentar jogar
futebol na faculdade a tentar beber um pacote de cerveja sem vomitar.” Eu tive que
pausar para tossir. Eu estava me sentindo um pouco tonta e me forcei a respirar devagar
quando o ataque de tosse parou. Não que a tagarela da K tenha notado.
“Eww! Heath, gordo! Não é um visual que eu queira.”
Eu consegui ignorar mais uma vontade de tossir. “E beijar ele é como beijar um pé
ensopado de álcool.”
K levantou seu rosto. “Ok, nojento. Pena que ele é tão gostoso.” Eu virei os olhos,
sem me incomodar em tentar esconder meu aborrecimento com a típica superficialidade
dela.
“Você é tão mau humorada quando está doente. De qualquer forma, você não tem
idéia do quão cachorro perdido o Heath parecia depois que você o ignorou no almoço. Ele
não podia nem mesmo...”
Então eu o vi. O cara morto. Ok, eu percebi bem rápido que ele não estava
tecnicamente “morto.” Ele estava morto vivo. Ou não humano. Tanto faz. Cientistas dizem
uma coisa, pessoas dizem outra, mas o resultado final é o mesmo. Não tinha erro sobre o
que ele era e mesmo que eu não tivesse sentido o poder e as trevas que irradiavam dele,
não tinha jeito que eu podia ignorar a Marca, a safira em forma de lua crescente em sua
testa e a tatuagem adicional que emoldurava seus olhos igualmente azuis.
Diabos, que merda! Ele estava perto do meu armário.
“Zoey, você não está me ouvindo!”
Então o vampiro falou e suas palavras cerimônias cruzaram o espaço entre nós,
perigosas e sedutoras, como sangue misturado com chocolate derretido.
‘Zoey Montgomery! A noite escolheu-te; tua morte será teu nascimento. A noite
chama-te; Escuta a doce voz Dela. Teu destino te aguarda na Casa da noite!*” (* House
of Night)
Ele levantou um longo, e branco dedo e apontou para mim. Enquanto minha testa
explodia de dor Kayla abriu sua boca e gritou.
Quando os pontos brancos finalmente saíram dos meus olhos eu olhei pra cima e vi o
rosto sem cor de K me olhar. Como sempre, eu disse a primeira coisa ridícula que veio na
minha mente. “K, seus olhos estão saltados para fora da sua cabeça como um peixe.”
“Ele Marcou você. Oh,Zoey! Você tem o contorno daquela coisa na sua testa!” Então
ela pressionou uma mão tremula contra seus lábios brancos, falhando em segurar o choro.
Eu sentei e tossi. Eu tinha uma dor de cabeça que estava me matando, e eu
esfreguei o ponto bem entre minhas sobrancelhas. Ela estava pinicando como se uma
vespa tivesse me mordido e irradiava dor para os meus olhos, até as minhas bochechas.
Eu senti que talvez fosse vomitar.
“Zoey!” K estava realmente chorando agora e tinha que falar entre soluços.
“Oh.Meu.Deus. Aquele cara era um rastreador – um vampiro Rastreador!”
“K.” Eu pisquei com força, tentando limpar a dor da minha cabeça. “Pare de chorar.
Você sabe que eu odeio quando você chora.” Eu me ergui tentando dar uma palmada
reconfortante nos ombros dela. E ela automaticamente contraiu os músculos, e se afastou
de mim.
Eu não podia acreditar. Ela tinha mesmo se contraído, como se ela tivesse medo de
mim. Ela deve ter visto a magoa nos meus olhos porque ela instantaneamente começou a
tagarelar.
“Oh,Deus, Zoey! O que você vai fazer? Você não pode ir para aquele lugar. Você não
pode ser uma daquelas coisas. Isso não pode estar acontecendo! Com quem eu devo ir a
todos aqueles jogos de futebol?”
Eu notei que durante todo seu discurso ela nem uma vez se aproximou de mim. Eu
me senti doente, e magoada ameaçava começar a chorar. Meus olhos secaram
imediatamente. Eu era boa em esconder lagrimas. Eu deveria ser; eu tive três anos pra
ficar boa nisso.
“Está tudo bem. Eu vou descobrir o que fazer. Provavelmente é algum... algum erro
bizarro,” eu menti. Eu não estava realmente falando; eu estava só fazendo palavras
saírem da minha boca. Ainda fazendo careta por causa da dor em minha cabeça, eu
levantei. Olhando ao redor eu senti um pouco de alivio que K e eu eram as únicas no
corredor, então eu tive que segurar o que eu sabia que era uma risada histérica. Se eu
não tivesse completamente enlouquecida por causa da prova de geometria dos infernos
de amanhã, e não tivesse voltado para o meu armário para pegar meus livros para que eu
pudesse tentar obsessivamente (e sem conseguir) estudar hoje a noite, o Rastreador teria
me encontrado parada no lado de fora da escola com mais ou menos 1,300 adolescentes
que iam para o colégio Broken Arrows esperando pelo o que a minha irmã estupidamente
parecia com a Barbie gostava de chamar de “as grandes e amarelas limusines.” Eu tenho
um carro, mas ficar com os menos afortunados que tem que andar de ônibus é uma
tradição honrada, sem mencionar que é um jeito excelente de ver quem está dando em
cima de quem. Como era, só tinha mais um garoto parado no corredor – um idiota alto
com dentes problemáticos, que eu não pude, infelizmente, ver muito porque ele estava
parado lá com sua boca aberta me encarando como se eu tivesse dado a luz a porcos
voadores.
Eu tossi de novo, dessa vez realmente forte, tosse nojenta. O idiota fez um som
agudo e correu pelo corredor até a sala da Sra. Day agarrado a uma tabua que ele pôs no
peito. Parece que o clube de xadrez tinha mudado suas reuniões para segundas depois da
aula.
Vampiros jogam xadrez? Teria vampiros CDF’s? E que tal lideres de torcida parecidas
com a Barbie? Vampiros tocavam numa banda? Existiam vampiros Emos com aquela
esquisitice de caras usando calças para garotas e aquelas franjas horríveis para cobrir
metade do rosto deles? Ou eles são todos aqueles góticos esquisitos que não gostavam de
tomar muito banho? Eu iria me transformar numa Gótica? Ou pior, num Emo? Eu não
gostava muito de usar preto, pelo menos não exclusivamente, e eu estava não estava
sentindo uma repentina aversão a sabonete ou água, e também não tinha um desejo
obsessivo de mudar meu corte de cabelo e usar muito delineador.
Tudo isso girava na minha mente enquanto eu sentia outra histérica risada tentando
escapar da minha garganta, e eu fiquei quase agradecida quando saiu como uma tosse.
“Zoey? Você está bem?” A voz de Kayla parecia muito alta, como se alguém estivesse
aumentando ela, e ela deu outro passo para longe de mim.
Eu suspirei e senti raiva. Não era como se eu tivesse pedido por isso. K e eu éramos
amigas desde a 3º série, e agora ela estava olhando para mim como se eu tivesse me
transformado em um monstro.
“Kayla, sou só eu. A mesma que eu era dois segundos atrás e duas horas atrás e dois
dias atrás.” Eu fiz um gesto frustrante para a minha cabeça dolorida. “Isso não muda
quem eu sou!”
Os olhos de K se encheram de lagrimas de novo, mas, graças a Deus, o telefone dela
começou a cantar “Material Girl” da Madonna. Automaticamente, ela olhou para o
identificador de chamada. Eu podia notar pelo seu olhar que era o seu namorado, Jared.
“Vai nessa,” eu disse numa voz chata e cansada. “Vá pra casa com ele.” Seu olhar de
alivio foi como um tapa na minha cara.
“Me liga depois?” Ela saiu correndo pelo corredor.
Eu observei ela se apressar até o estacionamento. Eu podia ver que ela tinha seu
telefone amassado em seu ouvido e ela estava falando animada com Jared. Eu tenho
certeza que ela já estava contando pra ele que eu tinha virado um monstro.
O problema, é claro, de me transformar em um monstro era o brilho das minhas
duas opções. Opção numero 1: Eu viro um vampiro, o que é igual a um monstro na mente
humana. Opção número 2: Meu corpo rejeita a Mudança e eu morro. Pra sempre.
Veja a boa noticia é que eu não ia ter que fazer o teste de geometria amanhã. A má
noticia é que eu tinha que me mudar para a House Of Night, um internato em Tulsa,
conhecido pelos meus amigos como a Escola Particular dos Vampiros, onde eu passaria os
próximos 4 anos passando por mudanças físicas bizarras, assim como uma mudança total
e permanente na minha vida. E isso apenas se todo o processo não me matasse.
Ótimo. Eu não queria isso também. Eu só queria tentar ser normal, apesar dos pais
mega conservadores, meu irmão mais novo parecido com um troll, e minha tão perfeita
irmã mais velha. Eu queria passar em geometria. Eu queria manter minhas notas altas
para que eu pudesse ser aceita na faculdade veterinária da OSU e queria sair de Broken
Arrow, Oklahoma.
Mas o principal, eu queria me encaixar – pelo menos na escola. Minha casa era sem
esperança, então tudo que eu tinha eram meus amigos e minha vida longe da minha
família. Agora tudo estava sendo tirado de mim, também. Eu esfreguei minha testa e
então mexi no meu cabeço até que ele cobrisse meus olhos em parte, e, com alguma
sorte, a marca que aparecia em cima deles. Mantendo minha cabeça abaixada, como se
eu estivesse fascinada pela meleca que grudou na minha boca, eu corri em direção a
porta que levava para o estacionamento.
Mas eu parei assim que cheguei lá fora. Pelas janelas lado a lado do eu pude ver
Heath. As garotas se amontoavam perto dele, fazendo pose e virando seus cabelos,
enquanto os caras colocavam em movimentos picapes ridiculamente enormes e tentavam
(e quase falhavam) parecer legais. E eu escolhi aquilo para me sentir atraída? Não, para
ser honesta comigo mesma eu deveria lembrar que Heath costumava ser incrivelmente
doce, e mesmo agora ele tinha seus momentos. Principalmente quando ele estava sóbrio.
Garotas afetadas se viraram pra mim no estacionamento. Ótimo. Kathy Richter, a
maior vadia da escola, estava fingindo beijar Heath. Mesmo de onde eu estava parada era
obvio que ela pensava que dar em cima dele era algum timo de ritual de acasalamento.
Como sempre, sem notar Heath estava só parado lá rindo. Bem, diabos, não iria ficar
melhor. E meu Bug azul VW 1966 estava bem no meio deles. Não. Eu não podia ir até lá.
Eu não podia andar até o meio deles com aquela coisa na minha testa. Eu nunca seria
capaz de ser parte deles de novo. Eu já sabia muito bem o que eu tinha que fazer. Eu
lembrava do último garoto que um Rastreador tinha escolhido na escola.
Começou no inicio do ano escolar ano passado. O Rastreador tinha vindo antes da
aula começar e tinha apontado para o garoto enquanto ele estava andando para seu
primeiro período. Eu não vi o Rastreador, mas eu vi o garoto depois, por só um segundo,
depois que ele derrubou seus livros e saiu correndo do prédio, sua nova Marca brilhado na
sua testa pálida e lagrimas correndo por suas bochechas. Eu nunca esqueci o quão lotados
os corredores estavam aquela manhã, e como todos se afastaram dele como se ele tivesse
a peste negra enquanto ele corria para escapar da escola. Eu tinha sido um dos que se
afastaram dele e o encararam, apesar deu sentir pena dele. Eu só não queria ser rotulada
como a única garota que era amiga daquelas aberrações. Meio irônico agora, não é?
Ao invés de ir para o meu carro eu fui para o restaurante mais próximo, que estava,
graças a Deus, vazio. Havia três bancos – sim, eu chequei cada um duas vezes. Na parede
havia duas pias, e que em cima estavam perdurados dois espelhos de tamanho médio. Do
outro lado da pia o lado oposto da parede era coberto com um grande espelho que tinha
uma prateleira abaixo para colocar maquiagem ou qualquer coisa assim. Eu coloquei
minha bolsa e meu livro de geometria na prateleira, respirei fundo, e em um movimento
levantei minha cabeça e tirei o cabelo do rosto.
Era como olhar para o rosto de um estranho familiar. Sabe, aquela pessoa que você
vê numa multidão e jura que conhece, mas na verdade não conhece? Agora ela era eu – a
estranha familiar.
Ela tinha meus olhos. Tinha aquela mesma cor que nunca consegue decidir se é
verde ou marrom, mas meus olhos nunca foram grandes e redondos. Ou eles eram? Ela
tinha meu cabelo – comprido e reto e quase tão escuro quanto o da minha vó tinha sido
antes dele começar a ficar branco. A estranha tinha minhas bochechas, um longo e forte
nariz, e uma boca larga – mais características da minha vó e dos seus ancestrais
Cherokee. Mas meu rosto nunca foi tão pálido. Ele sempre foi meio azeitonado, uma cor
muita mais escura que qualquer um na minha família. Mas talvez não fosse minha pele
que de repente estava tão branca... talvez só parecesse mais pálida em comparação com
as linhas azul escuro que desenhavam uma lua crescente que estava perfeitamente
posicionada no meio da minha testa. Ou talvez fosse aquela terrível luz fluorescente. Eu
esperava que fosse a luz.
Eu encarei aquela exótica tatuagem. Misturada com minhas feições fortes dos
Cherokee parecia me dar um toque de selvagem... como se eu pertencesse a um tempos
antigos quando o mundo era maior... mais bárbaro.
Desse dia em diante minha vida nunca seria a mesma. E por um momento – só um
instante – eu esqueci do horror de não pertencer a lugar nenhum e senti uma chocante
explosão de prazer, enquanto profundamente dentro de mim o sangue do povo da minha
avó se alegrava.


academia de vampiros - beijo das sombras (capitulo 9)


NOVE
EU ENTREI NA MENTE DELA, mais uma vez vendo e diretamente experimentando o que se
passava ao seu redor.
Ela estava entrando no sótão da capela novamente, confirmando meus piores receios. Tal
como da última vez, ela não encontrou resistência. Bom Deus,eu pensei,aquele padre poderia
ser pior quanto a garantir a segurança em sua capela?
O pôr do sol iluminou a janela de vidro colorido, e a silhueta de Christian foi moldada sobre
ele: ele estava sentado no assento da janela.
“Você está atrasada,”ele disse a ela. “Fiquei esperando um tempão.”
Lissa puxou uma instável cadeira, tirando o pó dela. “Eu achei que você estaria preso com a
Diretora Kirova.”
Ele sacudiu a cabeça. "Não chegou a isso. Eles me suspenderam por uma semana, isso é tudo.
Não que fosse difícil escapar." Ele acenou sua mão ao redor. “Como você pode ver.”
“Eu estou surpresa que você não tenha pegado mais tempo de detenção.”
Um raio de luz iluminou seus olhos azul-cristal. “Decepcionada?”
Ela olhou em choque. “Você botou fogo em alguém!”
“Não, eu não botei. Você viu alguma queimadura nele?”
“Ele estava coberto de chamas.”
“Eu as tinha sob controle. Eu as mantive longe dele.”
Ela suspirou. “Você não devia ter feito aquilo.”
Deixando sua posição relaxada, ele se sentou e inclinou-se na direção dela. “Eu fiz isso por
você.”
“Você atacou alguém por mim?”
“Claro, ele estava implicando com você e a Rose. Ela estava fazendo um bom trabalho contra
ele, eu acho, mas eu achei que ela podia usar o apoio. Além do mais, isso vai calar a boca de
qualquer outra pessoa quanto à coisa da raposa, também.”
"Você não deveria ter feito isso,” ela repetiu, afastando o olhar. Ela não sabia como se sentir
acerca dessa “generosidade”. “E não aja como se fosse tudo por mim. Você gostou de fazê-lo.
Parte de você queria – só isso.”
A expressão de orgulho de Christian caiu, sendo substituída por uma surpresa não
característica. Lissa poderia não ser adivinha, mas tinha a incrível capacidade de ler as pessoas.
Vendo-o com a guarda baixa, ela continuou. "Atacar alguém com magia é proibido – e esse é
exatamente o motivo pelo qual você queria fazê-lo. Você se sentiu excitado com isso.”
“Aquelas regras são estúpidas. Se nós usarmos mágica como uma arma em vez de somente
para coisas idiotas, os Strigois não iriam matar tantos de nós.”
"É errado,” disse ela firmemente. "Magia é um dom. É pacífica.”
"Só porque eles dizem que é. Você está repetindo a mesma linha de pensamento com a qual
nós temos sido alimentados por toda a vida.” Ele se levantou e passeou pelo pequeno espaço
do sótão. "Não foi sempre assim, sabe. Nós costumávamos lutar bem do lado dos guardiões –
séculos atrás. De repente as pessoas começaram a ficar assustadas e pararam. Achando que
era mais seguro apenas se esconder. Eles esqueceram os feitiços de ataque.”
“Então como você sabe disso?”
Ele deu um sorrido torto para ela. “Nem todos esqueceram.”
“Como a sua família? Como seus pais?”
O sorriso desapareceu. “Você não sabe nada sobre os meus pais.”
Seu rosto ficou mais obscuro, seu olhar mais duro. Para a maioria das pessoas, ele poderia ter
aparentado assustador e intimidador, mas assim que Lissa estudou e admirou suas feições, ele
de repente pareceu muito, muito vulnerável.
"Tem razão," ela admitiu suavemente, depois de um momento. "Eu não sei. Me desculpe."
Pela segunda vez neste encontro, Christian parecia espantado. Provavelmente, ninguém se
desculpava com ele com tanta freqüência. Que inferno, ninguém nem falava com ele com
freqüência. Certamente, ninguém nem escutava. Como sempre, ele logo retomou ao seu jeito
arrogante.
“Esquece.” Abruptamente, ele parou de andar e se ajoelhou na frente dela para que pudessem
se olhar nos olhos. Senti-lo tão perto fez com que ela prendesse a respiração. Um sorriso
perigoso surgiu em seu rosto. “E realmente, eu não sei porque você, de todas as pessoas,
deveria estar tão indignada por eu ter usado magia ‘proibida’.”
“Eu entre todas as pessoas? O que você quer dizer?”
“Você pode se fazer de inocente o quanto quiser – e você faz um trabalho muito bom – mas eu
sei a verdade.”
“Que verdade é essa?” Ela não podia esconder seu constrangimento de mim ou de Christian.
Ele chegou ainda mais perto. “Que você usa compulsão. O tempo todo.”
“Não, eu não uso.” Ela disse imediatamente.
“É claro que você usa. Eu tenho ficado acordado à noite tentando descobrir como que vocês
duas foram capazes de alugar um lugar e ir para a escola secundária sem que ninguém ao
menos quisesse conhecer seus pais. Então eu adivinhei. Você estava usando compulsão. Esse é
provavelmente o modo como vocês saíram daqui, em primeiro lugar.”
“Ah sim. Você apenas adivinhou. Sem qualquer prova.”
"Eu tenho toda a prova de que necessito, apenas observando você."
“Você ficou me observando – me espionando – para provar que eu estou usando compulsão?”
Ele se encolheu. "Não. Na verdade, eu estive observando você só porque eu gosto disso. A
compulsão foi um bônus. Eu vi você usá-la no outro dia para estender o prazo de entrega da
tarefa de matemática. E você a utilizou em Sra. Carmack quando ela quis que você fizesse mais
provas.”
“Então você presumiu que é compulsão? Talvez eu seja apenas muito boa em convencer as
pessoas.” Havia um tom desafiante em sua voz: compreensível, considerando o seu medo e a
sua raiva. Mas, ela entregou a mensagem com uma sacudida de cabelo, que – se eu não
soubesse – poderia ter sido considerado um flerte. E eu sabia... certo? De repente, eu não
tinha certeza.
Ele continuou, mas algo em seus olhos me disse que ele reparou no cabelo, que ele sempre
reparava em tudo sobre ela. “Pessoas ficam com esse olhar pateta quando você fala com elas.
E não é qualquer pessoa – você é capaz de fazer isso com Moroi. Provavelmente dhampirs,
também. Agora,isso é loucura. Eu nem sabia que isso era possível. Você é algum tipo de
celebridade. Algum tipo maligno de celebridade usuária de compulsão.” Isso era uma
acusação, mas seu tom e sua presença irradiava a mesma linha de flerte dela.
Lissa não sabia o que dizer. Ele estava certo. Tudo o que ele disse estava certo. Sua compulsão
era aquilo que tinha nos permitido driblar as autoridades e viver mundo afora sem ajuda de
adultos. Era o que tinha nos permitido convencer o banco a deixá-la tocar em sua herança.
E era considerado tão errado quanto usar magia como uma arma. Porque não? Isto era uma
arma. Uma poderosa, uma que poderia ser utilizada abusivamente com muita facilidade.
Crianças Moroi aprendiam desde cedo que compulsão era algo muito, muito errado. Ninguém
era ensinado a usá-la, apesar de que todo Moroi, tecnicamente, tinha essa habilidade. Lissa
apenas meio que se envolveu com ela – profundamente – e, como Christian tinha salientado,
ela podia fazer isso em Morois, bem como em humanos e Dhampirs.
“E o que você vai fazer, então?” ela perguntou.“Você vai me dedurar?”
Ele sacudiu a cabeça e sorriu. "Não. Eu acho que é atraente.”
Ela o encarou, com o olhar bem aberto e coração acelerado. Algo sobre o formato de seus
lábios a intrigava. “Rose acha que você é perigoso,” ela soltou por causa do nervosismo. “Ela
pensa que você pode ter matado a raposa.”
Eu não sabia como me sentir por ter sido envolvida nessa conversa bizarra. Algumas pessoas
tinham medo de mim. Talvez ele também tivesse.
A julgar pela diversão em sua voz quando ele falou, parecia que ele não tinha. "As pessoas
pensam que sou instável, mas devo dizer-lhe, Rose é dez vezes pior. Claro, isso torna mais
difícil para as pessoas ferrarem com você, então por mim está tudo bem.” Inclinando sobre
seus calcanhares, ele finalmente quebrou o espaço íntimo entre eles. "E eu com certeza não fiz
aquilo. Descubrir quem fez, no entanto… e o que eu fiz com Ralf nem vai se comparar.”
Sua galante oferta de vingança assustadora não exatamente tranqüilizou Lissa... mas a deixou
um pouco emocionada. “ Eu não quero você fazendo nada disso. E eu ainda não sei quem fez
aquilo.”
Ele se inclinou de volta na direção dela e pegou os pulsos delas em suas mãos. Ele começou a
dizer alguma coisa, depois parou e olhou para baixo surpreso, passando seus dedos sobre
leves, quase apagadas cicatrizes. Olhando novamente para ela, ele tinha uma estranha – para
ele – bondade em seu rosto.
"Você pode não saber quem fez. Mas você sabe alguma coisa. Algo que você não está
contando."
Ela o encarou, uma espiral de emoções brincando em seu peito. "Você não pode saber todos
os meus segredos,” ela murmurou.
Ele olhou novamente para os pulsos dela e os liberou, retomando aquele seu seco sorriso.
“Não, eu acho que não.”
Um sentimento da paz estabeleceu-se sobre ela, um sentimento que eu pensei que somente
eu poderia trazer. Retornando à minha própria cabeça e a meu quarto, eu sentei no chão
encarando meu livro de matemática. Então, por razões que não sabia ao certo, eu o fechei
com tudo e o joguei contra a parede.
Eu passei o resto da noite pensando até que a hora do meu suposto encontro com Jesse
chegou. Descendo as escadas, eu fui para a cozinha – um lugar que eu podia visitar livremente
contanto que não me demorasse – e encontrei seus olhos enquanto atravessava a área dos
visitantes.
Passando por ele, eu parei e sussurrei. “Existe uma sala no quarto andar que ninguém utiliza.
Pegue as escadas do outro lado dos banheiros e me encontre lá em cinco minutos. A fechadura
da porta está quebrada.”
Ele obedeceu no mesmo segundo, e nós encontramos o salão escuro, empoeirado e deserto. A
queda no número de guardiões ao longo dos anos implicou em um monte de dormitórios
completamente vazios, um triste sinal para a sociedade Moroi, mas terrivelmente conveniente
agora.
Ele se sentou no sofá, e eu deitei ali, colocando meus pés em seu colo. Eu ainda estava irritada
com o bizarro romance de Lissa e Christian no sótão, e não queria nada mais do que esquecer
tudo aquilo por um tempo.
“Você está aqui realmente para estudar ou foi só uma desculpa?” Eu perguntei.
“Não. Era verdade. Tinha que fazer um trabalho com Meredith” O tom em sua voz indicou que
ele não estava muito feliz com a idéia.
“Oooh,” eu provoquei. “Fazer um trabalho com uma dhampir apesar de seu sangue real? Eu
deveria ficar ofendida?”
Ele sorriu, mostrando uma boca com perfeitos dentes e presas. “Você é muito mais atraente
que ela.”
“Ainda bem que eu passei no teste.” Havia um tipo de calor em seus olhos que estava me
excitando, assim como a mão dele que deslizava na minha perna. Mas eu precisava fazer algo
primeiro. Era hora de ter alguma vingança. “Mia também, já que a deixam andar com vocês.
Ela não é da realeza.”
Seus dedos cutucaram divertidamente minha panturrilha. “Ela está com Aaron. E eu tenho
muitos amigos que não são da realeza. E amigos que são dhampir. Eu não sou um total idiota.”
"Sim, mas você sabia que seus pais são praticamente serventes dos Drozdovs?"
A mão sobre a minha perna parou. Eu tinha exagerado, mas ele era louco por fofocas – e era
conhecido por espalhá-las.
“Sério?”
“Yeah. Lavando o chão e coisas do tipo.”
“Huh.”
Eu podia ver as engrenagens girando em seus olhos azul-escuro, e tive que esconder um
sorriso. A semente tinha sido plantada.
Sentando-me, eu me movi para perto dele e coloquei uma perna em cima de seu colo. Eu pus
meus braços em volta dele, e sem mais delongas, os pensamentos de Mia desapareceram
enquanto a sua testosterona tomava conta. Ele me beijou ansiosamente – até meio negligente
– empurrando-me contra a parte de trás do sofá, e eu relaxei no que seria a primeira atividade
física agradável que eu fazia em semanas.
Nós nos beijamos daquela forma por muito tempo, e eu não o parei quando ele tirou minha
blusa.
"Eu não vou fazer sexo," Eu avisei entre beijos. Eu não tinha qualquer intenção de perder
minha virgindade em um sofá de uma sala.
Ele parou, pensando sobre isso, e finalmente decidiu não forçar. “Okay.”
Mas ele me empurrou no sofá, deitando sobre mim, ainda beijando com a mesma ferocidade.
Seus lábios foram para a minha nuca, e quando as pontas afiadas de seus caninos roçaram
minha pele, eu não pude evitar um suspiro excitado.
Ele se levantou um pouco, olhando para mim com uma enorme surpresa. Por um momento eu
mal pude respirar, recordando aquele fluxo de prazer que uma mordida de vampiro poderia
me fazer sentir, perguntando como seria sentir isso enquanto dava uns amassos. Então os
velhos tabus vieram. Mesmo se nós não fizéssemos sexo, dar sangue enquanto fazíamos isto
ainda era sujo, era errado.
“Não.” Eu avisei.
“Você quer.” A voz dele transparecia uma animada admiração. “Eu posso ver.”
“Não, eu não quero.”
Seus olhos se acenderam. “Você quer. Como – Hey, você já fez isso antes?”
“Não” Eu zombei. “É claro que não.”
Aqueles lindos olhos azuis me olhavam, e eu podia ver as engrenagens girando através deles.
Jesse podia flertar muito e ter uma boca grande, mas ele não era estúpido.
“Você age como se tivesse feito. Você ficou excitada quando encostei em seu pescoço.”
“Você beija bem,” eu contrariei, apesar de não ser inteiramente verdade. Ele babava um
pouco mais do que eu preferiria. “Você não acha que todo mundo saberia se eu estivesse
dando sangue?"
A compreensão o atingiu. "A menos que você não estivesse fazendo antes de partir. Você fez
isso enquanto estava longe, não é? Você alimentou Lissa."
"Claro que não," Eu repeti.
Mas ele estava na pista certa e ele sabia disso. "Era o único jeito. Vocês não tinham
alimentadores. Oh, cara."
"Ela encontrou alguns," Eu menti. Era mesma linha de pensamento com a qual tínhamos dado
a Natalie, a que ela tinha espalhado e ninguém – exceto Christian – tinha questionado. “Muitos
humanos topam fazer isso.”
“Claro” Ele disse sorrindo. Ele levou sua boca de volta para o meu pescoço.
“Eu não sou uma Meretriz de sangue.” Eu rebati, me afastando dele.
“Mas você quer. Você gosta. Todas as garotas dhampirs gostam.” Seus dentes estavam em
minha pele novamente. Afiados. Maravilhoso.
Eu senti que hostilidade só pioraria as coisas, então eu contornei a situação com provocação.
"Pare," eu disse gentilmente, colocando um dedo sobre seus lábios. "Eu lhe disse, eu não sou
assim. Mas se você quiser fazer alguma coisa com sua boca, eu posso te dar algumas idéias."
Aquilo despertou seu interesse. "Yeah? Como o qu—?"
E foi quando a porta abriu.
Nós nos separamos rapidamente. Eu estava pronta para lidar com um colega estudante ou
mesmo possivelmente um inspetor. Com quem eu não estava pronta para lidar era Dimitri.
Ele arrebentou a porta como se esperasse nos encontrar, e naquele terrível momento, com ele
feroz como uma tempestade, eu compreendi por que razão Mason o tinha chamado de ‘deus’.
Num piscar de olhos, ele atravessou o quarto e pegou Jesse por sua camisa, quase levantando
o Moroi do chão.
“Qual é seu nome?" gritou Dimitri.
"J-Jesse, senhor. Jesse Zeklos, senhor."
"Sr. Zeklos, você tem permissão para estar nesta parte do dormitório?"
“Não, senhor.”
"Você conhece as regras sobre as interações entre os sexos masculino e feminino por aqui?"
"Sim, senhor."
"Então eu sugiro que você saia daqui o mais rápido que puder antes que eu lhe entregue para
alguém que irá lhe punir de acordo. Se eu te ver mais alguma vez desse jeito”—Dimitri
apontou para onde eu me encolhia, semi-vestida, no sofá –"Eu vou ser quem irá punir você. E
irá doer. Muito.Você entendeu?"
Jesse engoliu, olhos bem abertos. Nada de sua usual bravata estava sendo mostrada agora. Eu
acho que havia um "normalmente" e, então, havia o ser segurado pela gola por um cara russo
muito violento, muito alto, e muito irritado. “Sim,senhor!”
"Então vá." Dimitri o liberou e, se possível, Jesse saiu de lá mais rápido ainda do que Dimitri
havia passado pela porta. O meu mentor, em seguida, virou-se para mim, um perigoso brilho
em seus olhos. Ele não disse nada, mas a furiosa mensagem de desaprovação foi passada em
alto e bom som.
E de repente houve uma mudança.
Era quase como se ele tivesse sido pego de surpresa, como se nunca tivesse me notado antes.
Se fosse qualquer outro cara, eu teria dito que ele estava me secando. Fosse o que fosse, ele
estava definitivamente me estudando. Estudando meu rosto, meu corpo. Então eu
repentinamente percebi que eu estava apenas de jeans e sutiã - um sutiã preto. Eu sabia
perfeitamente que não tinham muitas garotas nessa escola que ficariam bem em um sutiã
como eu. Mesmo um cara como Dimitri, que parecia tão focado no dever e no treinamento e
em tudo isso, tinha que apreciar isto.
E, finalmente, constatei que um jorro de calor estava se espalhando sobre mim, e que o seu
olhar estava causando mais em mim do que os beijos de Jesse. Dimitri era quieto e distante às
vezes, mas ele também tinha uma dedicação e uma intensidade que eu nunca vi em nenhuma
outra pessoa. Eu me perguntei como esse tipo de poder e força se traduzia em… bem, sexo.
Imaginei como seria se ele me tocasse e—Droga!
O que eu estava pensando? Eu estava louca? Envergonhada, eu escondi meus sentimentos
com atitude.
“Você vê alguma coisa de que gosta?” Eu perguntei.
“Se vista.”
A forma de sua boca endureceu, e qualquer coisa que ele tivesse sentido estava terminada.
Sua fúria me deixou mais sóbria e me fez esquecer de minha perturbada reação. Eu
imediatamente botei minha blusa de volta, apreensiva por ver seu lado agressivo.
“Como você me achou? Você está me seguindo para ter certeza que eu não fugi?”
“Fique quieta,” ele repreendeu, se inclinando para baixo de modo que nos encaramos no
mesmo nível. “Um zelador viu você e relatou isso. Você tem alguma idéia do quão estúpido
isso foi?”
“Eu sei, eu sei, toda essa coisa de condicional, né?”
“Não só isso. Eu estou falando da estupidez de ficar nesse tipo de situação em primeiro lugar.”
“Eu fico nesse tipo de situação todo o tempo, camarada. Não é grande coisa.” Raiva substituiu
meu medo. Eu não gostava de ser tratada como criança.
“Pare de me chamar disso. Você nem sabe do que você está falando.”
“Claro que eu sei. Eu tive que fazer um relatório sobre a Rússia e a R.S.S.R no ano passado.”
“U.R.S.S. E é uma grande coisa para um Moroi estar com uma garota dhampir. Eles gostam de
se gabar.”
“E daí?”
“E daí?” Ele me olhou com desgosto. “Você não tem nenhum respeito? Pense em Lissa. Você
faz você mesma parecer fácil. Você vive de acordo com o que muita gente já pensa sobre
garotas dhampirs, e isso reflete nela. E em mim.”
“Oh, entendi. É sobre isso que estamos falando? Eu estou ferindo seu grande e malvado
orgulho masculino? Você está com medo de que eu arruíne a sua reputação?”
“Minha reputação já esta formada, Rose. Eu defini minhas metas e batalhei por elas há muito
tempo. O que será da sua ainda está para ser visto.” A voz dele endureceu novamente. “Agora
volte para o seu quarto – se você conseguir fazer isso sem se atirar em outra pessoa.”
“Este é o seu jeito sutil de me chamar de vadia?”
“Eu ouço as histórias que vocês contam. Eu ouvi histórias sobre você.”
Ouch. Eu queria gritar que não era da conta dele o que eu fazia com o meu corpo, mas algo
sobre a raiva e o desapontamento em seu rosto me fez hesitar. E eu não sabia o que era.
“Desapontar” alguém como Kirova não era grande coisa, mas Dimitri?... Eu me lembrei de
como me senti orgulhosa quando ele me elogiou nas últimas vezes em que praticamos. Vendo
isso desaparecer dele...bem, repentinamente me fez sentir como se eu fosse tão fácil quanto
ele supôs que eu era.
Alguma coisa se quebrou em mim. Piscando para afastar as lágrimas, eu disse, “ Por quê é tão
errado... não sei, se divertir? Eu tenho dezessete anos, sabe. Eu deveria poder aproveitar isto.”
“Você tem dezessete, e em menos de um ano, a vida e a morte de alguém vai estar em suas
mãos.” A voz dele continuava firme mas havia uma delicadeza também. “Se você fosse
humana ou Moroi, poderia se divertir. Você poderia fazer coisas que as outras garotas
podem.”
“Mas você está dizendo que eu não posso.”
Ele se distanciou, e seus olhos negros ficaram sem foco. Ele estava pensando em alguma coisa
bem longe daqui. “Quando eu tinha dezessete anos eu conheci Ivan Zeklos. Nós não éramos
como você e Lissa, mas nos tornamos amigos, e ele me requisitou como seu guardião quando
eu me formei. Eu era o melhor estudante da escola. Eu prestava atenção em tudo nas minhas
aulas, mas no fim, não foi o suficiente. É assim que é nessa vida. Um deslize, uma distração...”
Ele suspirou. “E é tarde demais”.
Um caroço se formou na minha garganta quando pensei em um deslize ou uma distração
custando a vida de Lissa.
“Jesse é um Zeklos,” Eu disse repentinamente percebendo que Dimitri tinha expulsado um
parente de seu antigo amigo e encarregado.
“Eu sei.”
“Isso incomoda você? Ele te faz lembrar de Ivan?”
“Não importa como eu me sinto. Não importa como nenhum de nós nos sentimos.”
“Mas isso incomoda você.” Isso repentinamente ficou óbvio para mim. Eu podia ler sua dor,
embora ele trabalhasse duramente para escondê-la. “Você sofre. Todos os dia. Não é? Você
sente falta dele.”
Dimitri olhou surpreso, como se não quisesse que eu soubesse disto, como se eu tivesse
exposto alguma parte secreta dele. Eu estive pensando que ele era um cara durão, alienado e
anti-social, mas talvez ele estivesse se mantendo afastado das pessoas para não se machucar
se as perdesse. A morte de Ivan tinha claramente deixado uma marca permanente.
Eu me perguntava se Dimitri era solitário.
O olhar surpreso desapareceu, e seu olhar sério de sempre voltou. “Não importa como eu me
sinto. Eles vêm antes. Protegê-los.”
Eu pensei em Lissa novamente. “Sim, eles vêm.”
Um longo silêncio pairou até ele falar de novo.
“Você me falou que quer lutar,realmente lutar. Isto ainda é verdade?”
“Sim. Absolutamente.”
“Rose... eu posso te ensinar, mas eu tenho que acreditar que você vai se dedicar. Se dedicar
realmente. Eu não posso ter você distraída com coisas como esta.” Ele gesticulou ao redor da
sala. “Eu posso confiar em você?”
Mais uma vez, senti vontade de chorar sob aquele olhar, sobre a seriedade do que ele
perguntou. Eu não entendia como ele tinha todo esse poderoso efeito sobre mim. Eu nunca
me importei tanto com o que alguém pensava. “Sim, eu prometo.”
“Então bem, eu vou te ensinar, mas preciso que você seja forte. Eu sei que você odeia a
corrida, mas é realmente necessário. Você não tem idéia de como são os Strigois. A escola
tenta preparar vocês, mas até você ver o quão forte e rápido eles são...
bem, você não pode nem imaginar. Então eu não posso parar com a corrida e o
condicionamento. Se você quiser aprender mais sobre luta, precisamos adicionar mais
treinamentos. Eu vou tomar mais do seu tempo. Você não vai ter muito tempo de sobra para
os deveres ou para qualquer outra coisa. Você ficará cansada. Muito cansada.”
Eu pensei sobre isso, sobre ele e sobre Lissa. “Isso não importa, o que você disser para fazer,
eu farei.”
Ele me estudou longamente, como se estivesse decidindo se iria acreditar em mim. Finalmente
satisfeito, ele assentiu. “Começaremos amanhã.”
DEZ

house of night 9 : destinada (uma previa)

Hoje pesquisando na web achei o livro house of night 9 destinada e resolvi postar o prologo para vocês. só que o livro esta em inglês e eu ainda estou traduzindo, 

em breve irei postar o livro completo e toda a saga.
beijos luli



PROLOGUE
Zoey
Acho que minha mãe está morta.
Eu testei as palavras em silêncio. Sentiam-se errado,
natural, como se eu estivesse tentando compreender o mundo
virando de cabeça para baixo ou o nascer do sol no oeste.
Eu desenhei uma respiração profunda, soluçando e rolou para o meu
lado, atingindo por outro tecido na caixa que foi
no chão ao lado da cama.
Stark murmurou e franziu a testa e mudou-se sem descanso.
Devagar e com cuidado, eu saí da cama, agarrou
Camisola gigante Stark, de onde ele jogou,
puxou-o, e se enrolou na cadeira beanbag que
sentou-se perto da parede da nossa sala de pequeno túnel.
O pufe feito aquele barulho smushy que sempre
me lembra das bolas no partido aqueles garoto inflável
casas, e Stark franziu a testa e murmurou algo
novamente. Eu estraguei o meu nariz. Tranquilamente. Pare de chorar parada
chorando choro parar! Não vai ajudar. Não vai trazer minha mãe
de volta. Pisquei um monte de vezes, e limpou o nariz
novamente. Talvez tivesse sido apenas um sonho. Mas assim como eu
pensamento as palavras do meu coração sabia a verdade. Nyx tinha
puxou-me dos meus sonhos para me mostrar uma visão de
Mãe de entrar no Outro Mundo. Significava que a mãe tinha
morreu. A mãe disse Nyx que estava triste por deixar-me
para baixo, eu me lembrei de como as lágrimas que vazou no meu
bochechas novamente.
"Ela disse que me amava", eu sussurrei.
Eu mal tinha feito qualquer ruído, mas Stark lançado e
virou inquieta e murmurou, "Pare!"
Eu fixada meus lábios juntos, mesmo sabendo que o meu
sussurro não era o que estava mexendo com o sono.
Stark era o meu Warrior, meu Guardian, e meu
namorado. Não, namorado é muito simples uma palavra. Não há
um vínculo entre Stark e eu que vai além do
namoro e sexo e todas as coisas que vem e vai
com as relações normais. É por isso que ele estava tão
inquietos. Ele podia sentir a minha tristeza, mesmo em sua
sonhos que ele sabia que eu estava chorando e magoada e assustada e
-
Stark empurrou o cobertor de cima de seu peito e eu podia
ver que a mão foi apertada em um punho. O meu olhar
foi para o seu rosto. Ele ainda estava dormindo, mas sua testa
foi novamente sulcada e testa franzida.
Fechei os olhos e fez uma profunda, centrando
respiração. "Espírito", eu sussurrei. "Por favor, venha para mim."
Imediatamente senti o elemento escova contra a minha pele. "Ajuda
me. Não, na verdade, ajudar Stark, protegendo a minha tristeza
dele. "E talvez, eu adicionei em silêncio, você poderia
ajudar a proteger um pouco da minha tristeza de mim, também. Mesmo
se é apenas por pouco tempo. Eu desenhei outra respiração profunda
como espírito movido dentro e em torno de mim, girando sobre a
a cama. Abrindo os olhos que eu poderia realmente ver uma ondulação
no ar circundante Stark. Sua pele parecia
brilho como o elemento resolvida contra ele como um
cobertor diáfano. Eu me senti quente e olhou para
meus braços e viu que o mesmo brilho suave estava descansando
contra a minha pele. Stark exalou um longo suspiro comigo como
espírito trabalhou um pouco suave magia, e para o primeiro
tempo em horas que eu me senti um pouco pequena, minúscula da minha tristeza elevador.
"Obrigado, o espírito", eu sussurrei e passou pela minha
braços, abraçando-me apertado. Envolvido no reconfortante
toque do elemento senti mais próximo, eu era realmente um
pouco sonolento. Foi então que um tipo diferente de calor
penetrou minha consciência. Lentamente, não querendo
perturbar o feitiço reconfortante o elemento estava trabalhando, eu
desembrulhou meus braços em torno de mim e tocou
meu peito.
Por que o meu quente pedra de vidente? O redondo, pequeno
pedra foi pendurado em sua corrente de prata, descansando
entre os meus seios. Eu não tinha levado o fora desde Sgiach
havia presenteado a mim antes que eu tinha deixado o belo,
mágica Ilha de Skye.
Admiração, eu puxei a pedra debaixo do
camisola, correndo os dedos sobre o seu mármore liso,
superfície. Ele ainda me fez lembrar de uma vida com sabor de coco
Saver, mas o mármore Skye brilhavam com um sobrenatural
luz, como se o elemento que eu tinha invocado tinha feito vivo
-Como se o calor que eu sentia era porque pulsado com
vida. Rainha Sgiach voz ecoou pela minha memória:
"Uma pedra vidente está em sintonia com apenas o mais antigo de
magicks: o tipo que eu proteger a minha ilha. Estou presenteando
você com ele de modo que você pode, na verdade, reconhecer o
Antigos se é que ainda existem no mundo exterior ... "
Como suas palavras repetido em minha mente a pedra virou
lentamente, quase preguiçosa. O furo no seu centro era como um
mini-telescópio. Como se deslocado ao redor pude ver Stark
iluminado por ela, e meu mundo mudou, também,
estreitaram, então tudo mudou.
Talvez tenha sido porque o espírito estava tão perto de mim,
naquele momento, mas o que eu vi não senti nada como
o tempo alucinante primeiro eu olhei através da
pedra em Skye e acabara de desmaiar.
Mas isso não significa que ele era menos inquietante.
Stark estava lá, deitado de costas, a maioria de sua
peito nu. O brilho de espírito foi embora. Em seu lugar eu
vi outra imagem. Foi indistinta, embora, e I
não poderia fazer as suas características. Era como se alguém
sombra. Braço de Stark se contorceu e sua mão aberta.
Mão da sombra aberta. Enquanto eu observava o
Guardião-espada à espada enorme tempo que teve
vir a Stark na forma Outro-levou em Stark
mão. Eu engasguei de surpresa e fantasmagórica
Guerreiro voltou a cabeça na minha direção e fechou sua
mão em torno da espada.
Instantaneamente, a espada da Guarda mudou, mudou, e
tornou-se um longo e negro lança-perigosa, letal,
derrubado no sangue que parecia demasiado familiar para mim.
Medo enriquecida através de mim.
"Não!" Eu chorei. "Espírito, fortalecer Stark! Fazer o que
coisa vá embora! "Com um ruído como as asas batendo de
um pássaro gigante, a aparição desapareceu, o vidente
pedra foi frio, e Stark se levantou, franzindo a testa para
me.
"O que você está fazendo aí?" Ele esfregou o
olhos. "Por que você está fazendo tanto barulho?"
Eu abri minha boca para tentar explicar a coisa bizarra
Eu tinha acabado de ver quando ele suspirou pesadamente e deitou
para baixo, abrindo as tampas e apontando sonolenta
para mim. "Venha aqui. Eu não consigo dormir menos que você esteja
aninhou-se comigo. E eu realmente preciso para obter algum
dormir. "
"Ok, sim, eu também," eu disse, e com as pernas trêmulas eu
correu para ele e enrolado contra seu lado, minha cabeça
descansando em seu ombro. "Hey, uh, algo estranho apenas
aconteceu ", comecei, mas quando eu inclinado a minha cabeça para que eu
podia ver em seus olhos, lábios Stark encontraram os meus. O
surpresa não durou muito, e eu deslizou para o beijo. Senti-me
bom tão bom estar perto dele. Seus braços foram
em torno de mim. Eu apertei-me contra ele, enquanto seus lábios
seguiu a curva do meu pescoço. "Eu pensei que você disse que
precisava dormir. "Minha voz soou sem fôlego.
"Eu preciso de você mais", disse ele.
"Sim", eu disse. "Eu também".
Nós nos perdemos um no outro, então. Toque de Stark
afugentado morte e desespero e medo. Juntos
que lembraram um ao outro de vida e amor e
felicidade. Depois, finalmente, dormiu e, o vidente
pedra posta frio e esquecido no meu peito entre