segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

house of night - marcada (capitulo 17)


DEZESSETE
Tremendo, eu limpei minha boca com as costas da minha mão e me afastei do
vomito (eu me recusei a sequer considerar o que eu vomitei e como deveria estar
parecendo) até que eu cheguei a um carvalho gigante que cresceu tão perto da parede
que metade dos galhos dele estavam do outro lado dele. Eu me inclinei contra a árvore,
me concentrando em não ficar enjoada de novo.
O que eu fiz? O que estava acontecendo comigo?
Então em algum lugar nos galhos do carvalho eu ouvi um miado. Ok, não era o
normal e comum miado de gato. Era mais como um irritado “me-eeh-uf-me-eef-uf-ronco.”
Eu olhei para cima. Empoleirado no galho que estava batendo contra a parede estava
um pequeno gato laranja. Ela estava me olhando com enormes olhos e definitivamente
parecia decepcionada.
“Como você chegou aqui?”
“Me-uf,” ela disse, espirrando, e caminhando pelo galho, claramente tentando se
aproximar de mim.
“Bem, vem aqui gatinho- gatinho- gatinho,” eu persuadi.
“Me-eeh-of-ow,” ela disse, chegando um pouco mais pra frente com suas pequenas
patinhas.
“Isso aí, vem aqui, garotinha. Mova suas pequenas patinhas pra cá.” Sim, eu estava
substituindo eu surtando para me canalizar em salvar o gato, mas a verdade é que eu não
podia pensar sobre o que tinha acontecido. Agora não. Era muito cedo. Muito recente.
Então o gato era uma excelente distração. Além do mais, ela parecia familiar. “Vem aqui
garotinha, anda...” eu continuei a conversa com ela enquanto eu forçava o dedo no duro
tijolo da parede e dava um jeito de me erguer alto o bastante para agarrar a parte mais
baixa do galho em que o gato estava. Então eu fui capaz de usar o galho como um tipo de
corda para subir mais, o tempo todo falando com o gato, enquanto ela continuava a
reclamar para mim.
Finalmente eu cheguei até o alcance dela. Nos olhamos por um longo tempo, e eu
comecei a me perguntar se ela sabia sobre mim. Ela podia perceber que eu provei (e
gostei) sangue? Eu tinha bafo de vomito de sangue? Eu parecia diferente? Eu tinha
ganhado presas? (Ok, a ultima pergunta era ridícula. Vampiros adultos não tem presas,
mas ainda sim.)
Ela “me-eeh-uf-oewd” pra mim de novo, e se moveu um pouco para mais perto. Eu a
alcancei e acariciei o topo da cabeça dela e então as orelhas dela baixaram e ela fechou
os olhos, ronronando.
“Você parece uma leoazinha,” eu disse a ela. “Vê como você é muito melhor quando
não está reclamando?” Então eu pisquei surpresa, quando percebi porque ela parecia tão
familiar. “Você estava no meu sonho.” E um pouco de felicidade passou pela parede de
enjôo e medo dentro de mim. “Você é minha gata!”
A gata abriu os olhos, bocejou, e espirrou de novo, como se fosse para comentar
porque eu tinha levado tanto tempo para descobrir. Com um grunhido de esforço subi
para sentar na parte larga do topo da parede junto ao galho onde o gato estava. Com um
suspiro de gatinho, ela pulou delicadamente no galho, para o topo da parede, e andou
com suas pequenas patas brancas até mim para pular em meu colo. Não parecia ter nada
para mim fazer a não ser acariciar a cabeça dela um pouco mais. Ela fechou os olhos e
ronronou alto. Eu acariciei o gato e tentei parar o tumulto na minha mente. O ar cheirava
como se pudesse chover, mas a noite estava extraordinariamente quente para o fim de
outubro, e eu coloquei minha cabeça para trás, respirando profundamente e deixando a
luz da lua que aparecia entre as nuvens me acalmar.
Eu olhei para a gata. “Bem, Neferet disse que deveríamos sentar na luz da lua.” Eu
olhei para o céu de novo. “Seria melhor se essas estúpidas nuvens fossem embora, mas
ainda sim...”
Eu mal falei as palavras quando um vento repentino passou por mim, de repente
mandando as nuvens embora.
“Bem, obrigado.” Eu falei em voz alta para nada em particular. “Esse foi um vento
muito conveniente.” A gata resmungou, me lembrando que eu tive a coragem de parar de
coçar as orelhas dela. “Eu acho que vou chamar você de Nala porque você é uma
leozinha.” Eu disse a ela, voltando a coçá-la. “Você sabe, garotinha, estou tão feliz por ter
te encontrado hoje; eu realmente precisava que algo bom acontecesse para mim depois
da noite que eu tive. Você não iria acredita-“
Um estranho cheiro passou por mim. Era tão estranho que fez eu parar com o que eu
estava dizendo. O que era isso? Eu cheirei e enruguei o nariz. Era um cheiro seco e velho.
Como uma casa que está fechada por tempo demais, ou algum velho porão assustador.
Não era um cheiro bom, mas também não era nojento a ponto de me deixar enjoada. Era
só errado. Como se não pertencesse ali a noite aberta.
Então eu vi algo pelo canto dos olhos. Eu olhei para baixo da longa parede feita de
tijolos. Parada ali, meio virada para mim como se não tivesse certeza em que lugar ela
queria ir, estava uma garota. A luz do luar, e meus sentidos melhorados para ver no
escuro, me permitiram ver ela embora não houvesse nenhuma luz perto da parede. Eu me
senti ficar tensa. Havia uma daquelas odiosas Filhas da Noite me seguido? De jeito
nenhum eu me sentia a vontade para lidar com mais da merda delas hoje a noite.
Eu devo ter feito o frustrado gemido que estava na minha mente, porque a garota
olhou para cima onde eu estava sentada no topo da parede.
Eu arfei chocada e senti o medo passar por mim.
Era Elizabeth! A Elizabeth Sem Sobrenome que deveria estar morta. Quando ela me
viu, os olhos dela, que eram de um estranho vermelho brilhante, se alargaram e ela fez
um estranho som antes de desaparecer com uma velocidade nada humana pela noite.
No mesmo instante, Nala arqueou as contas e assoviou com tanta ferocidade que o
pequeno corpo dela tremeu.
“Está tudo bem! Está tudo bem!” eu disse de novo e de novo, tentando acalmar a
gata e eu. Nós duas estávamos tremendo e Nala ainda estava ronronando baixo com a
garganta. “Não poderia ser um fantasmas. Não poderia ser. Era só... só... uma estranha
garota. Eu provavelmente a assustei e ela-“
“Zoey! Zoey! É você?”
Eu dei um pulo e quase cai da parede. Foi demais para Nala. Ela deu outro tremendo
assovio e pulou do meu colo para o chão. Completa e absolutamente apavorada, eu
agarrei o galho para me segurar e dar uma olhada na noite.
“Quem-quem é?” Eu chamei pela alta batida do meu coração. E então eu estava cega
pela luz de duas lanternas apontadas para mim.
“É claro que é ela! Como se eu não pudesse reconhecer a voz da minha melhor
amiga? Droga, ela não foi embora a tanto tempo!”
“Kayla?” eu disse, tentando proteger meus olhos do brilho das lanternas com a mão,
que estava tremendo feito louca.
“Bem, eu disse a você que iríamos encontrar ela,” a voz de um cara disse. “Você
sempre quer desistir cedo demais.”
“Heath?” Talvez eu estivesse sonhando.
“Sim! Whoo-hoo! Te encontramos, baby!” Heath gritou, e mesmo com o horrível
brilho eu podia ver ele se atirando na parede e então começando a subir como um alto,
loiro jogador de futebol macaco.
Inacreditavelmente aliviada por ser ele e não o bicho papão, eu falei para ele,
“Heath! Tenha cuidado. Se você cair você vai quebrar algo.” Bem, a não ser que ele caísse
de cabeça – daí ele provavelmente ficaria bem.
“Eu não!” ele disse, se puxando para cima para que ficasse sentado ao meu lado,
sentado na parede. “Hey, Zoey, olha só – olha para mim; eu sou o rei do mundo!” Ele
gritou, jogando os braços, rindo como um bobo, e jogando o cheiro de álcool em mim.
Não era de se admirar que eu me recusei a sair com ele.
“Ok, não a necessidade de para sempre gozar da minha cara pela minha infeliz exqueda
pelo Leonardo!” eu olhei para ele, me sentindo mais como eu mesma em horas.
“Na verdade, é como a minha ex-queda por você. Só que essa não durou tanto, e você
não fez um bando de filmes piegas, mas legais.”
“Hey, você ainda não está irritada com Dustin e Drew está? Esqueça eles! Eles são
retardados.” Heath disse, me dando o seu olhar de cachorrinho perdido, que costumava
ser bem fofo quando ele estava na oitava série. Pena que a fofura terminou de funcionar
para ele dois anos atrás. “E, de qualquer forma, viemos até aqui para te salvar.”
“O que?” eu balancei a cabeça e ri para ele. “Espera. Desligue essa lanterna. Elas
estão matando meus olhos.”
“Se eu desligar não vamos conseguir nos ver,” Heath disse.
“Ótimo. Então vire ela para o outro lado. Uh, aponte ela para lá ou algo assim,” Eu fiz
um gesto para longe da escola (e de mim). Heath virou a luz que ele estava apontado que
estava apontado pela noite, e Kayla também. Eu fui capaz de soltar minha mão, eu fiquei
feliz por ver que ela parou de tremer, e parei de olhar para os lados. Os olhos de Heath se
alargaram quando ele viu minha Marca.
“Olha só! Está colorida agora! Wow! É como... como... na TV ou algo assim.”
Bem, era bom ver que algumas coisas nunca mudam. Heath ainda era o Heath –fofo,
mas não o cara mais brilhante.
“Hey! E quanto a mim? Eu estou aqui também sabe!” Kayla disse. “Alguém me ajude
a chegar até aí, mas tenham cuidado. Deixe eu colocar minha bolsa no chão. Oh, e é
melhor eu tirar esses sapatos. Zoey, você não iria acreditar na promoção que você perdeu
ontem na Bakers. Todos os sapatos de verão deles totalmente em liquidação. Eu quero
dizer, seriamente em liquidação. 70% de desconto. Eu peguei 5 pares para...”
“Ajude ela a subir,” eu disse a Heath. “Agora. É o único jeito dela parar de falar.”
Sim. Algumas coisas não mudam.
Heath se mexeu até ficar de barriga, e então se inclinou para baixo para oferecer
uma mão para Kayla. Rindo, ela a agarrou e deixou ela a puxar para cima, para o topo da
parede conosco. E foi enquanto ela estava rindo e ele estava erguendo ela que eu vi – o
inconfundível jeito que Kayla ria e olhava e ficava corada com Heath. Eu conhecia tão bem
quanto sabia que nunca seria uma matemática. Kayla gostava de Heath. Ok, não gostava.
Ela gostava de Heath.
De repente o comentário culpado sobre me trair na festa que eu perdi fez perfeito
sentido.
“Então como vai Jared?” eu perguntei bruscamente, parando as risadinhas de K.
“Ok, eu acho,” ela disse sem me olhar nos olhos.
“Você acha?”
Ela mexeu os ombros e eu vi que por baixo da jaqueta de couro muito fofa dela eu vi
que ela estava usando a camiseta sem mangas e com rendas que costumávamos chamar
de Camiseta Boob, porque não só mostrava muito a clavícula, mas também era cor de
pele, então parecia que eu estava mostrando mais do que realmente estava.
“Eu não sei. Não conversamos muito nos últimos dias.”
Ela ainda não olhava para mim, mas ela olhou para Heath, que parecia sem noção –
mas esse era realmente o único olhar dele. Então minha melhor amiga estava dando em
cima do meu namorado. Agora isso me irritava, e de repente eu desejei que não fosse
uma noite tão agradável e quentinha. Eu queria que estivesse frio e Kayla congelasse seu
super desenvolvidos peitos.
Do norte o vento nos envolveu de repente, viciosamente, trazendo o maior frio.
Tentando não parecer obvia, Kayla puxou a jaqueta mais para perto e riu de novo,
dessa vez de nervosa ao invés de flertando, e eu senti o cheiro de cerveja e algo mais.
Algo que tão recentemente está impresso nos meus sentidos que eu estava surpresa por
não o sentir imediatamente.
“Kayla você andou bebendo e fumando?”
Ela tremeu e piscou para mim como um coelho bem devagar. “Só um pouco. De
cerveja, eu quero dizer. E, bem, um, Heath fumou um baseado pequeno e eu estava
muito, muito assustada para vir aqui, então eu experimentei um pouco.”
“Ela precisava de um incentivo,” Heath disse, mas ele nunca foi bom com palavras
maiores que duas silabas, então pareceu in-centi-vum.
“Desde quando você começou a fumar maconha?” eu perguntei a Heath.
Ele riu. “Não tem nada demais, Zo. Eu só fumo um baseado de vez enquando. São
mais seguros que cigarros.”
Eu realmente odiava quando ele me chamava de Zo.
“Heath,” eu tentei soar paciente. “Eles não são mais seguros que cigarros, e mesmo
que sejam isso não diz muito. Cigarros são nojentos e eles matam você. E, seriamente, os
maiores perdedores da escola fumam maconha. Fora o fato que você realmente não pode
se dar ao luxo de perder mais células cerebrais.” Eu quase adicionei “ou esperma,” mas eu
não queria entrar nesse caminho. Heath definitivamente iria ter a idéia errado se eu
fizesse um comentário referente as partes masculinas dele.
“Nu uh,” Kayla disse.
“O que Kayla?”
Ela ainda estava agarrada na jaqueta se protegendo do frio. Os olhos dela mudaram
de coelho devagar demais, para gato puxado pela causa. Eu reconheci a mudança. Ela
fazia isso constantemente com pessoas que ela não considerava parte do seu grupo de
amigos. Costumava me deixar louca e eu iria gritar com ela e dizer que ela não deveria
ser tão má. Agora ela estava fazendo essa merda comigo?
“Eu disse nu uh porque não são só perdedores que fumam – pelo menos não só de
vez enquando. Você conhece aqueles jogadores gostosos que jogam para a Union, Chris
Ford e Brad Higeons? Eu os vi na festa da Katie noite passada. Eles fumam.”
“Hey, eles não são tão gostosos,” Heath disse.
Kayla o ignorou e continuou falando. “E Morgan fuma às vezes.”
“Morgan, a Morgi de Metal?” Sim, eu estava irritada com K, mas fofoca é fofoca.
“Sim. Ela também acabou de fazer um piercing na língua e no” – K parou e falou
baixo “clit.” “Você pode imaginar o quanto deve ter doido?”
“O que? Onde ela fez o piercing?” Heath disse.
“Nada,” K e eu falamos juntas, por um segundo soando como a melhor amiga
costumava ser.
“Kayla, você está mudando de assunto. De novo. Os jogadores do Union sempre
foram afim de drogas. Olá! Por favor lembre que eles usam esteróides, que é motivo para
ter levado 16 anos para a gente derrotar eles.”
“Vai, Tigres! Yeah, chutamos a bunda do Union!” Heath disse. Eu virei meus olhos.
“E Morgan claramente começou a perder a cabeça, que é por isso que ela colocou
um piercing no...” eu olhei para Heath e reconsiderei. “Corpo dela e está fumando. Me
diga alguém normal que está fumando.” K pensou por um segundo. “Eu!”
Eu suspirei. “Olha, eu só acho que isso não é muito inteligente.”
“Bem, você nem sempre sabe tudo.” O olhar odioso voltou no rosto dela.
Eu olhei dela para Heath, e então de volta para ela. “Claramente, você está certa. Eu
não sei tudo.”
O olhar maldoso dela virou assustado e depois mudou para maldoso de novo, e de
repente não pude me impedir de comparar ela com Stevie Rae, que, apesar deu conhecer
a apenas alguns dias, eu tinha absoluta, e completa certeza que ela não iria atrás do meu
namorado, sendo ele meu quase ex ou não. Eu também não achava que ela iria fugir de
mim e me tratar como se eu fosse um monstro quando eu mais precisava dela.
“Eu acho que você deveria ir embora,” eu disse para Kayla.
“Ótimo,” ela disse.
“Provavelmente não é uma boa idéia você voltar, também.”
Ela deu empurrou sua jaqueta para que ela abrisse e eu podia ver o fino tecido da
camiseta dela deslizar do ombro dela, deixando claro que ela não estava usando sutiã.
“Tanto faz,” ela disse.
“Ajude ela a descer, Heath.”
Heath normalmente era muito bom em seguir instruções simples, então ele desceu
Kayla. Ela agarrou a lanterna e olhou para nós.
“Anda, Heath. Estou ficando com frio.” Então ela virou e começou a andar em
direção a rua.
“Bem...” Heath disse um pouco constrangido. “Ficou frio de repente.”
“Yeah, pode parar agora,” eu disse distraída, e não prestei muito atenção quando o
vento parou de repente.
“Hey, uh, Zo. Eu realmente vim aqui salvar você.”
“Não.”
“Huh?” Heath disse.
“Heath, olhe para minha testa.“
“Sim, você tem esse negocio de lua crescente. E está colorido, o que é estranho
porque não estava colorido antes.”
“Bem, agora está. Ok, Heath, se concentre. Eu fui Marcada. Isso significa que meu
corpo está passando pela Mudança de se tornar uma vampira.”
Os olhos de Heath foram para Marca e viajaram pelo meu corpo. Eu vi que ele
hesitou nos meus seios e então nas minhas pernas, o que me fez perceber que ela estava
descoberta até quase a minha virilha porque minha saia tinha subido quando eu subi no
topo da parede.
“Zo, o que quer que aconteça com seu corpo está bem para mim. Você é seriamente
gostosa. Você sempre foi linda, mas agora você parece uma deusa.” Ele sorriu para mim e
tocou minha bochecha gentilmente, me lembrando do porque eu gostei tanto dele por um
longo tempo. Apesar das falhas, Heath podia ser muito doce, e ele sempre me fazia sentir
completamente linda.
“Heath,” eu disse suavemente. “Eu sinto muito, mas as coisas mudaram.”
“Não comigo.” Me pegando completamente de surpresa ele se inclinou para frente,
deslizando a mão por cima do meu joelho e me beijou.
Eu me afastei e agarrei o pulso dele. “Pare Heath! Estou tentado falar com você.”
“Que tal você falar e eu beijar?” ele sussurrou.
Eu comecei a dizer não de novo.
E então eu senti.
O pulso dele debaixo dos meus dedos.
Estava batendo com força e rapidamente. Eu juro que eu podia ouvir ele também. E
quando ele se inclinou para me beijar de novo eu pude ver a veia que passava pelo
pescoço dele. Se movia, batendo forte enquanto o sangue era bombeado pelo seu corpo.
Sangue... os lábios dele tocaram o meu e eu lembrei do gosto do sangue na taça. O
sangue estava frio e misturado com vinho, e era de um garoto fraco e perdedor. O sangue
de Heath poderia ser quente e rico... doce... mais doce que o de Elliott o refrigerador...
“Ow! Droga, Zoey. Você me arranhou!” Ele tirou o pulso da minha mão. “Merda, Zo,
você me fez sangrar. Se você não queria que eu beijasse você, você só tinha que dizer.”
Ele levou o seu pulso sangrento para a boca e sugou a gota de sangue que estava
ali. Então ele levantou os olhos para os meus, e congelou. Ele tinha sangue nos lábios. Eu
podia sentir o cheiro – era como o vinho, mas melhor, muito melhor. O cheiro me
envolveu e fez o cabelo dos meu braços se arrepiar.
Eu queria provar. Eu queria provar mais do que qualquer coisa na minha vida.
“Eu quero...” eu me ouvi sussurrar numa voz que eu não conhecia. “Sim...,” Heath
me respondeu como se estivesse em transe. “Sim... o que você quiser. Eu vou fazer o que
você quiser.”
Dessa vez eu me inclinei até ele e toquei minha língua nos lábios dele, tomando a
gota de sangue na minha boca onde explodiu – calor, sensação, e uma onda de prazer
que eu nunca senti.
“Mais,” eu disse.
Como se ele tivesse perdido a capacidade de falar e só pudesse acenar, Heath
levantou seu pulso para mim. Mal estava sangrando, e quando eu lambi a pequena linha
escarlate Heath gemeu. O toque da minha língua pareceu fazer algo com o arranhão,
porque instantaneamente começou a derramar sangue, cada vez mais rápido... Minhas
mãos estavam tremendo quando levei o pulso dele para minha boca e pressionei meus
lábios contra a pele quente. Eu tremi e gemi em prazer e-
“Oh meu Deus! O que você está fazendo com ele!” A voz de Kayla foi um grito que
perfurou a nevoa escarlate no meu cérebro. Eu soltei o pulso de Heath como se tivesse
me queimado.
“Se afaste dele!” Kayla estava tremendo. “Deixe ele em paz!” Heath não se moveu.
“Vá,” eu disse a ele. “Vá e não volte.”
“Não,” ele disse, parecendo e soando estranhamente sóbrio.
“Sim, saia daqui.”
“Deixe ele ir!” Kayla gritou.
“Kayla, se você não calar a boca eu vou descer aí e chupar até a ultima gota do seu
estúpido corpo de vaca traidora!” Eu falei para ela.
Ela gritou e saiu correndo. Eu me virei para Heath, que ainda estava me olhando.
“Eu não tenho medo de você, Zo.”
““Heath, eu tenho medo o suficiente para nós dois.”
“Mas eu não me importo com o que você fez. Eu amo você, Zoey. Mas agora do que
nunca.”
“Pare!” Eu não queria gritar, mas eu fiz com que ele se encolhesse com o poder que
encheu minhas palavras. Eu engoli com força e acalmei mina força. “Apenas vá. Por favor.
Então, procurando um jeito de fazer ele ir embora eu acrescentei, “Kayla provavelmente
vai chamar a policia agora. Nenhum de nós precisa disso.”
“Ok, eu vou. Mas não vou ficar longe.” Ele me beijou rapidamente e com força. Eu
senti uma facada de prazer quando senti o gosto de sangue que ainda estava na boca
dele. Então ele desceu pela parede e desapareceu até que tudo que eu pude ver na
escuridão foi o pequeno ponto de luz vindo da lanterna dele, e então, finalmente, nem
isso.
Eu não me permiti pensar. Não ainda. Me movendo metodicamente, como um robô,
eu usei o galho para me segurar e descer. Meus joelhos estavam tremendo tanto que eu
fui capaz de dar apenas alguns passos e afundei no chão, pressionando minhas costas na
antiga casca da árvore. Nala se materializou, pulando em meu colo como se fosse minha
gata a anos ao invés de minutos, e quando meu choro começou ela pulou do meu colo
para o meu peito e pressionou seu rosto quente contra minhas bochechas.
Depois do que pareceu um longo tempo meu choro se tornou um soluço e eu desejei
não ter saído da sala de recreação sem minha bolsa. Eu poderia realmente usar um lenço.
“Hey, parece que você precisa disso.”
Nala reclamou e pulei surpresa com a voz, e eu pisquei através das lagrimas para ver
alguém me entregando um lenço. “O-obrigado,” eu disse, pegando o lenço e assoando o
nariz.
“Sem problemas,” Erik Night disse.

house of night - marcada (capitulo 16)


DEZESSEIS
“É isso.” Stevie Rae parou, parecendo desconfortável e apoplética enfrente aos
degraus que levavam um prédio de tijolos situado em uma pequena encosta que aparecia
na parte oriental dos arredores da escola. Enormes carvalhos estavam envoltos na
escuridão dentro da escuridão, então eu mal podia ver os pontos de luz de velas da
entrada. Nenhum fio de luz estava vindo das escuras janelas que eram longas e
arqueadas e pareciam ser feitas de vidro chateado.
“Ok, bem, obrigado pelas pastilhas.” Eu tentei parecer brava. “E guarde um lugar
para mim. Isso realmente não pode levar muito tempo. Eu devo terminar isso e me juntar
a vocês para o jantar.”
“Não se apresse. Verdade. Você pode encontrar alguém que você gosta e ficar com
ele. Não se preocupe se você encontrar. Eu não vou ficar braba e só vou dizer a Damien e
as Gêmeas que você está fazendo reconhecimento do inimigo.”
“Eu não vou me tornar um deles, Stevie Rae.”
“Eu acredito em você,” ela disse, mas os olhos dela pareciam suspeitosamente
grandes e redondos.
“Eu vejo você logo.”
“Ok. Vejo você logo,” ela disse, e começou a seguir a calçada em direção ao prédio
principal.
Eu não queria ver ela se afastar – ela parecia toda miserável e um filhotinho abatido.
Ao invés disso eu subi os degraus e disse a mim mesma que isso não seria grande coisa –
nada pior que a vez que a minha irmã Barbie me convenceu a ir campo das lideres de
torcida com ela (eu não sei o que diabos eu tava pensando). Pelo menos esse fiasco não
duraria uma semana. Elas provavelmente fariam outro circulo, o que era bem legal, fariam
alguma reza diferente como Neferet fez, e então jantaríamos. Esse seria minha
oportunidade de sorrir e escapar. Fácil – fácil.
As tochas dos lados da porta de madeira estava acessas por gás e não pelos
candelabros igual era no templo de Nyx. Eu levantei minha mão em direção a pesada
aldrava, mas, com um som que era perturbamente parecido a um suspiro, ela abriu com
meu toque.
“Merry meet, Zoey.”
Oh. Meu. Deus. Era Erik. Ele estava vestido todo de preto, e seu cabelo preto e seu
insanamente olhos azuis me lembravam de Clark Kent – bem, ok, sem os óculos nerd e o
cabelo arrumado para trás... então... eu suponho que isso significa que ele na verdade me
lembra (de novo) do Superman – bem, sem a capa ou o colante ou o grande S...
Então a falação na minha cabeça parou quando o dedo dele cheio de olho deslizou
pela minha testa, traçando um pentagrama.
“Abençoado seja,” ele disse.
“Abençoado seja,” eu respondi, e ficaria eternamente grata por minha voz não ter
grasnado ou ficado grossa ou fina. Ah, cara, ele cheirava tão bem, mas eu não conseguia
identificar qual era esse cheiro. Não era o cheiro de nenhuma das colônias usadas demais
que os caras aplicam galões. Ele cheirava a... ele cheirava a... a floresta a noite logo
depois de chover... algo terreno e limpo e...
“Você pode entrar,” ele estava dizendo.
“Oh, uh, obrigado,” eu disse brilhantemente. Eu entrei. E então parei. No interior
estava uma enorme sala. As paredes de forma circular estavam envolvidas em veludo
preto, bloqueando totalmente as janelas e a luz do luar. Eu podia ver que por baixo das
pesadas cortinhas haviam estranhas formas, o que começou a me assustar até que eu
percebi que – oláá – essa era uma sala de recreação. Eles devem ter empurrado as TVs e
os games para os lados da sala e os coberto para que tudo parecesse, bem, assustador.
Então minha atenção foi capturada pelo circulo. Estava situado no meio da sala e feito
inteiramente de velas em altos recipientes vermelhos, como as velas de reza que você
pode comprar nas sessões de comida mexicana de uma mercearia que cheiram a rosas e
a senhoras. Deveria ter mais de 100 delas acessas e os garotos estavam parados em um
circulo solto atrás delas conversando e rindo com a luz fantasmática que era manchada
em de vermelho. Todos estavam usando preto e eu notei imediatamente que nenhum
deles estava usando algo bordado com as insígnias correspondente as séries, mas cada
um deles usava uma corrente prateada que brilhava ao redor do pescoço deles com um
estranho símbolo. Parecia duas luas crescentes posicionadas de costas uma pra outra
contra uma lua cheia.
“Aí está você, Zoey!”
A voz de Afrodite passou pela sala logo a frente do corpo dela. Ela estava usando um
longo vestido preto que brilhava devido as contas de onyx, o que estranhamente me
lembrou a versão negra da beleza brilhante de Neferet. Ela usava o mesmo colar que as
outras, mas o dela era maior e tracejado com jóias vermelhas que poderiam ser granada.
O cabelo loiro dela estava preso e caia ao redor dela como um véu dourado. Ela era
totalmente bonita demais.
“Erik, obrigada por fazer a Zoey se sentir bem vinda. Eu assumo daqui.” Ela soava
normal, e ela até colocou a ponta do dedo no braço do Erik por um segundo em que os
desenformados poderiam pensar ser um gesto amigável, mas o rosto dela era uma
história totalmente diferente. Era duro e frio, e os olhos dela pareciam tão afiados quanto
os dele. Erik mal olhou para ela, e ele definitivamente se afastou do toque dela. Então ele
me deu um rápido sorriso, sem olhar para Afrodite de novo, e se afastou.
Ótimo. Exatamente o que eu não precisava era me meter no meio de uma horrível
separação. Mas eu não consegui impedir o fato de que meus olhos seguiram os dele pela
sala.
Eu sou idiota. De novo. Eu suspirei.
Afrodite limpou a garganta, e eu tentei (sem sucesso) não parecer que tinha sido
pega fazendo algo que eu não devia. O sorriso maldoso dela disse que havia
absolutamente nenhuma duvida que ela notou meu interesse em Erik (e o interesse dele
em mim). E, de novo, eu me perguntei se ela sabia que tinha sido eu no corredor no dia
anterior.
Bem, não era como se eu pudesse perguntar a ela.
“Você precisa se apressar, mas eu trouxe algo para você se trocar.” Afrodite estava
falando rápido enquanto ela fez menção para mim seguir ela para o banheiro feminino.
Ela me jogou um olhar de nojo por cima dos ombros. “Não é como se você pudesse vir a
um ritual das Filhas Negras vestida desse jeito.” Quando estávamos no banheiro ela
bruscamente me deu um vestido que estava pendurado em uma divisão e meio que me
empurrou para dentro. “Você pode colocar suas roupas no cabide e carregar eles de volta
com você para o dormitório desse jeito.”
Não parecia haver nenhuma discussão com ela e, de qualquer forma, eu já me sentia
como uma estranha mesmo. Estar vestida diferente me fez sentir como se eu tivesse
aparecido para a festa vestida como um pato, mas ninguém me disse que não era uma
festa a fantasia então todo o resto estava usando jeans.
Eu rapidamente tirei as minhas roupas e pus o vestido preto por cima da minha
cabeça, suspirando de alivio quando ele serviu. Ele era simples, mas lisonjeiro. O material
era suave e não marcava. Tinha mangas longas e um busto redondo que mostrava a
maior parte dos meus ombros (que bom que estava usando um sutiã preto). Ao redor do
busto, a ponta da longa manga, e nas borda, que era bem acima do meu joelho, haviam
contas pequenas de um vermelho brilhante. Era bem bonito. Eu coloquei meus sapatos de
volta, pensando, feliz, que um bom par de rasteirinha vai com quase qualquer roupa, e sai
do banheiro.
“Bem, pelo menos serve.” Eu disse.
Mas eu notei que Afrodite não estava olhando para o vestido. Ela estava olhando
para a minha Marca, o que me incomodou muito. Ok, minha Marca era colorida – supere
de uma vez! Mas eu não disse nada. Eu quero dizer, isso era a “festa” dela e eu era uma
convidada. Tradução: eu estava totalmente sem ajuda, então é melhor eu ser boazinha.
“Eu vou liderar o ritual, é claro, então eu vou estar muito ocupada para segurar sua
mão.”
Ok, eu deveria só manter a boca fechada, mas ela estava me irritando. “Olha,
Afrodite, eu não preciso que você segure minha mão.”
Os olhos dela se estreitaram e eu me segurei para outra cena da garota psicopata.
Ao invés disso ela sorriu um sorriso totalmente nada legal que a fez parecer um cão
rabugento. Não que eu estivesse chamando ela de cadela, mas a analogia parece
assustadoramente certa.
“É claro que você não precisa que segurem sua mão. Você só vai passar pelo
pequeno ritual como você passa por tudo o resto. Eu quero dizer, afinal de conta, você é a
nova favorita da Neferet.”
Maravilha. Fora dos problemas com Erik e a estranheza da minha Marca, ela estava
com ciúmes por Neferet ser minha mentora.
“Afrodite, eu não acho que sou a favorita de Neferet. Eu sou apenas nova.” Eu tentei
soar razoável, e até sorri.
“Tanto faz. Então, está pronta?”
Eu desisti de tentar ser razoável com ela e acenei, desejando que todo esse ritual
fosse rápido e acabasse de uma vez.
“Ótimo. Vamos.” Ela me levou para fora do banheiro e para o circulo. Eu reconheci as
duas garotas para qual andamos como as duas “bruxas do inferno” que tinham seguido
ela na cafeteria. Só que ao invés de estar usando uma cara de eu-acabei-de-comer-umlimão,
elas estavam sorrindo amigavelmente para mim.
Não. Eu não iria ser enganada. Mas eu sorri também. Quando em território inimigo é
melhor se misturar e parecer sem noção e/ou idiota.
“Olá, eu sou Enyo,” disse a mais alta das duas. Ela era, é claro, loira, mas seu longo,
era mais cor de praia do que dourado. Embora com a luz do candelabro fosse difícil ter
certeza qual clichê tinha uma descrição mais apropriada. E eu ainda não acreditava que
ela fosse uma loira natural.
“Oi,” eu disse.
“Eu sou Deino,” disse a outra garota. Ela era obviamente uma mistura e tinha uma
linda combinação de uma realmente bonita, café-com-creme pele e um excelente cabelo
encaracolado, que provavelmente nunca teve a coragem de frizzar, não importando a
umidade.
As duas eram estranhamente perfeitas.
“Olá,” eu disse de novo. Me sentindo mais do que um pouco claustrofóbica, e me
movi para o espaço que elas criaram.
“Vocês três aproveitem o ritual,” Afrodite disse.
“Oh, nós vamos!” Enyo e Deino falaram juntas. Eu virei minha atenção para longe
delas antes do meu melhor julgamento ganhar do meu orgulho e eu me prendi a sala.
Eu tinha uma boa visão da área interna do circulo, e de novo era similar ao templo
de Nyx, mas esse tinha uma cadeira perto a mesa e tinha alguém sentado nela. Bem,
meio que sentado. Na verdade, ele estava atirado na cadeira com um capuz cobrindo a
cabeça.
Bem... hmmm...
De qualquer jeito, a mesa estava envolvida com o mesmo veludo preto das paredes,
e tinha uma estátua da deusa nela, uma tigela de frutas e pão, várias taças, e um jarro. E
uma faca. Eu olhei de novo para ter certeza que estava vendo certo. Sim. Era uma faca –
tinha um cabo e uma longa e curvada lamina que parecia totalmente afiada demais para
ser usada para cortar fruta ou pão. Uma garota que eu pensei ter reconhecido do
dormitório estava acendendo vários incensos que estava no ornamentado suporte para
incenso, na mesa, e totalmente ignorado quem quer que fosse que estava na cadeira.
Droga, o garoto estava dormindo?
Imediatamente o ar começou a se encher de fumaça e eu juro estava meio
esverdeado, meio fantasmagórico, ao redor da sala. Eu esperei que cheirasse doce, como
o incenso no templo de Nyx, mas quando a fumaça chegou até mim e eu respirei era
surpreendentemente amarga. Era meio familiar e eu franzi a testa, tentando descobrir o
que aquilo me lembrava... merda, o que era? Era quase como folha de louro, com um
pouco de cravo da índia. (eu tinha que lembrar de agradecer a Vovó Redbird mais tarde
por me ensinar sobre temperos e seu cheiro.)
Eu cheirei de novo, intrigada, e minha cabeça ficou um pouco tonta. Estranho. Ok, o
incenso era estranho. Pareceu mudar enquanto enchia a sala, como um perfume caro que
muda dependendo da pessoa que o usa. Eu respirei de novo. Sim. Cravo da índia e folha
de louro, mas tinha algo mais; algo que fazia o cheiro terminar parecendo amargo e
diferente... escuro e místico e sedutor e... travesso.
Travesso? Então eu soube.
Bem, diabos! Eles estavam enchendo a sala com maconha misturada com temperos.
Incrível, eu agüentei a pressão por anos e disse não para até as ofertas mais educadas
para experimentar um daquelas coisas nojentas feitas em casa passada ao redor pelas
festas. (Eu quero dizer, por favor. Sequer é sanitário? E porque exatamente eu iria querer
uma droga que iria me fazer querer começar obsessivamente salgadinhos?) E agora ali
estava eu, imersa em maconha. Suspirei. Kayla nunca iria acreditar.
Então, me sentindo paranóica (provavelmente outro efeito colateral da maconha) eu
olhei ao redor do circulo, certa de ter visto um professor que estava pronto para nos atrair
para longe para... para... eu não sei, algo horrível, como os acampamentos que a Maury
envia todos os seus adolescentes problemáticos.
Mas, graças a Deus, diferente do circulo no templo de Nyx, não havia vampiros
adultos aqui, e apenas cerca de 20 adolescentes. Eles estavam falando baixo e agindo
como se o totalmente ilegal incenso de machona não fosse nada demais. (Cabeças de
Maconha.) Tentando respirar devagar, eu virei para a garota a minha direita. Quando em
duvida (pânico), converse bobagens.
“Então... Deino é um, bem, nome diferente. Significa algo especial?”
“Deino significa terrível;” ela disse, sorrindo docemente.
Do meu outro lado a loira alta se animou, “E Enyo significa pronto para a luta.”
“Huh,” eu disse, tentando ser educada.
“Yeah, Pemphredo, que significa arfar, é quem está acendendo o incenso,” explicou
Enyo. “Pegamos os nomes da mitologia grega. Elas eram as três irmãs de Gordon e Scylla.
Diz o mito que elas nasceram como bruxas que dividiam um olho, mas decidimos que era
provavelmente só bobagem propaganda devido a dominação dos homens escrita por
homens humanos que queriam manter as mulheres fortes controladas.”
“Verdade?” eu não sabia o que mais dizer. Verdade.
“Sim,” Deino disse. “Os homens humanos são uma droga.”
“Todos deveriam morrer,” Enyo disse.
Com essa idéia amorosa a musica de repente começou, fazendo impossível (graças a
Deus) falar.
Ok, a musica era perturbadora. Tinha uma profunda, e pulsante batida que era
antiga e moderna. Como se alguém tivesse misturado uma daquelas horríveis musicas de
sexo de um tribal ritual de acasalamento. E então, muito mais chocante, Afrodite começou
a dançar pelo circulo. Sim, eu suponho que daria para dizer que ela era gostosa. Eu quero
dizer, ela tinha um bom corpo e se movia como Catherine Zeta Jones em Chicago. Mas de
alguma forma não funcionou para mim. E eu não quero dizer por que eu não sou gay
(embora eu não seja gay). Não funcionou porque pareceu uma imitação pobre da dança
de Neferet “Ela anda em beleza.” Se essa musica fosse um poema seria mais como
“Alguma vadia da a bunda.”
Durante a dancinha de Afrodite todos estavam, naturalmente, olhando para ela,
então eu olhei ao redor do circulo, fingindo que eu não estava procurando por Erik, até...
oh, merda... eu o encontrei na direção quase oposta a minha. E ele era o único que na
sala que não estava olhando para Afrodite. Ele estava olhando para mim. Antes de
descobrir se eu deveria olhar para o outro lado, sorrir para ele ou acenar ou algo assim
(Damien tinha dito para sorrir para ele, e Damien era um auto proclamado expert em
caras), a musica parou e eu olhei do Erik para Afrodite. Ela estava parada no meio do
circulo na frente da mesa. De propósito, ela pegou uma grande vela púrpura em uma
mão, e a faca na outra. A vela estava acessa, e ela a carregou, segurando na frente dela
como um farol, para o lado do circulo onde eu agora notei estava uma vela amarela entre
as vermelhas. Eu não precisei de nenhum aviso da Terrível ou da Pronta para guerra (eca)
para me virar para o leste. Enquanto o vento passou pelo meu cabelo, pelo canto do olho
eu pude ver que ela tinha acendido a luz amarela e agora ela levantou a faca, desenhando
um pentagrama pelo ar enquanto falou:
Oh ventos de tempestade,
Em nome de Nyx eu chamo a ti para frente,
Lance a benção, eu peço,
Pela mágica que está acontecendo aqui!
Eu admito ela é boa. Embora não tão poderosa quanto Neferet, era obvio que ela
praticou o controle de voz e o som sedoso das palavras dela carregaram fácil. Viramos
para o sul e ela se aproximou de uma grande vela vermelha entre as outras vermelhas, e
eu pude sentir o que eu já estava reconhecendo como o poder do fogo e a mágica passou
pela minha pele.
Oh fogo do trovão, em nome da Nyx eu chamo a ti para frente, traga tempestades e
poder da mágica, eu peço a sua ajuda no feitiço que faço aqui!
Viramos de novo e, junto com Afrodite, eu me senti inesperadamente atraída pela
vela azul que estava entre as vermelhas. Embora tenha me assustado, eu tive que me
impedir de sair do circulo e me juntar a evocação dela pela água.
O correntes de chuva,
em nome de Nyx eu chamo a ti para frente.
Se junte a mim com sua inunda força,
em fazer desse o mais poderoso dos rituais!
O que diabos estava errado comigo? Eu estava suando e invés de me sentir só um
pouco quente, como durante o ritual de mais cedo, a Marca na minha testa estava quente
– muito quente – e eu juro que eu podia ouvir o rugido do mar nos ouvidos. Atordoada,
eu me virei para a direita.
O terra, profunda e úmida,
em nome de Nyx eu chamo a ti para frente,
que eu sinta a própria terra se mover no rugido da tempestade de poder que veio
quando você me ajudou nesse ritual!
Afrodite cortou o ar de novo, e eu pude sentir a palma da minha mão direita
formigar, como se eu sentisse a faca que cortava o ar.
Eu sentia o cheiro de grama cortada e eu ouvi o choro de um curiango, como se
estivesse enrolado invisível no ar ao meu redor. Afrodite se moveu de volta para o centro
do circulo. Colocando a vela púrpura ainda acessa no meio da mesa ela completou o
feitiço.
O espírito, selvagem e livre,
em nome de Nyx eu chamo a ti para frente!
Me responda!
Fique comigo durante esse ritual e me conceda teu poder de deusa!
E de alguma forma eu sabia o que ela ia fazer a seguir. Eu podia ouvir as palavras
dentro da minha mente – dentro do meu espírito. Quando ela ergueu a taça e começou a
andar pelo circulo eu senti as palavras dela, e embora ela não tivesse a pose ou o poder
de Neferet o que ela disse entrou em mim, como se eu estivesse de dentro para fora.
“Esse é o tempo da grandeza da nossa deusa lua. Existe gloria nessa noite. Os
antigos sabiam dos mistérios da noite, e o usavam para ficar mais fortes... e para cortar o
véu entre os mundos e tinham aventuras que hoje apenas sonhamos. Segredo...
mistério... mágica... verdadeira beleza e poder em forma vampirica – sem ser manchada
pelas regras ou leis humanas. Não somos humanos!” Com isso, a voz dela tocou contra as
paredes, como a de Neferet tinha feito antes. “E todos vocês Filhas e Filhos Negros
perguntam hoje a noite se esse rito é o que temos pedido a cada lua cheia desde o ano
passado. Liberte o poder em nós para que, como os felinos selvagens, saibamos a
flexibilidade do nosso animal interior e não sejamos ligados pelas correntes ou jaulas
humanas da ignorância e fraqueza deles.”
Afrodite parou bem na minha frente. Eu sabia que eu estava vermelha e respirando
com força, assim como ela. Ela levantou a taça e a ofereceu para mim.
“Beba, Zoey Redbird, e se junte a nós em pedir a Nyx pelo que é nosso por direito de
sangue e corpo e a Marca da nossa grande Mudança – A Marca com a qual ela já te
tocou.”
Sim, eu sei. Eu provavelmente deveria dizer não. Mas como? E de repente eu não
queria. Eu definitivamente não gostava ou confiava em Afrodite, mas o que ela estava
dizendo não era basicamente verdade? A reação da minha mãe e padrasto a Marca voltou
com força e claramente na minha memória, junto com o olhar de medo de Kayla e a
repulsão de Drew e Dustin. E como ninguém tinha me chamado, ou nem mesmo me
mandado uma mensagem, desde que eu tinha partido. Eles só me deixaram ser jogada
aqui para lidar com minha nova vida sozinha.
Me deixou triste, mas também me deixava irritada.
Eu peguei a taça de Afrodite e dei um gole grande. Era vinho, mas não tinha o gosto
do vinho do outro ritual. Esse era doce, também, mas tinha um tempero nele que não
tinha o gosto de nada que eu já experimentei antes. Causou uma explosão de sensações
na minha boca que viajaram com um quente e amargo traço pela minha garganta e me
encheu com um desejo tonto de beber mais e mais e mais.
“Abençoada seja,” Afrodite disse enquanto pegava a taça de mim, derramando um
pouco do liquido vermelho nos meus dedos. Então ela me deu um apertado e triunfante
sorriso.
“Abençoada seja,” eu respondi automaticamente. Ela se dirigiu até Enyo, oferecendo
a taça e eu não consegui me impedir de lamber os dedos para sentir um pouco mais do
gosto do vinho que tinha sido derramado ali. Era muito mais que delicioso. E o cheiro...
era um cheiro familiar... mas pela tontura na minha cabeça eu não consegui me
concentrar o bastante para descobrir o que eu tinha cheirado com esse incrível cheiro
antes.
Quase não levou tempo para Afrodite passar por todo o circulo, dando a cada um,
um gole da taça. Eu a observei de perto, desejando poder ter mais quando ela voltou para
a mesa. Ela levantou a taça de novo.
“Grandiosa e mágica deusa da Noite e da lua cheia, ela que cavalga entre o trovão e
a tempestade, guiando o espírito e os Anciões, linda e incrível, que até os mais antigos
devem obedecer, nos conceda o que é pedido. Nos encha com seu poder e mágica e
força!”
Então ela botou a boca na taça, e eu observei com inveja, enquanto ela bebia até a
ultima gota. Quando ela terminou de beber, a musica começou de novo. Sincronizada com
isso ela voltou para o circulo, dançando e rindo enquanto apagava cada vela e dava adeus
para cada elemento. E de alguma forma, enquanto ela se movia ao redor do circulo,
minha visão ficou toda errada porque o corpo dela piscou e mudou e foi como se eu
estivesse olhando para Neferet de novo – só que ela era mais nova, uma versão crua da
Alta Sacerdotisa.
"Merry meet and merry part e merry meet de novo!" ela finalmente disse. Todos
respondemos enquanto eu pisquei para minha visão clarear e a imagem estranha da
Afrodite-como-Neferet desapareceu, assim como a queimação na minha Marca. Mas eu
ainda sentia o gosto do vinho na língua. Era tão estranho. Eu não gostava de álcool. Sério.
Eu não gosto do gosto. Mas tinha algo nesse vinho que era delicioso além... bem, alem do
melhor chocolate de mundo (eu sei, é difícil acreditar). E eu ainda não consegui descobrir
porque parecia tão familiar.
Então todos começaram a andar e a falar e o circulo se desfez. A iluminação
aumentou o que nos fez piscar devido a luz. Eu olhei para o outro lado do circulo,
tentando ver se Erik ainda estava me olhando, e um movimento na mesa chamou minha
atenção. A pessoa que estava encapuzada e parada durante o ritual estava finalmente se
mexendo. Ele meio que se moveu, estranhamente colocando a si numa posição melhor
para sentar. O capuz da capa preta caiu, e eu estava chocada por ver aquele cabelo
alaranjado e nada atraente e um rosto sardento e branco demais.
Era aquele irritante garoto Elliott! Muito, muito estranho ele estar aqui. Poderia ser
que as Filhas e Filhos Negros o quisessem? Eu olhei ao redor da sala de novo. Sim, como
eu suspeitava, não havia ninguém feio ou parecendo nerd. Todos, e eu digo todos, com
exceção de Elliott eram atraentes. Ele definitivamente não se encaixava.
Ele estava piscando e bocejando e parecia que ele tinha cheirado muito incenso. Ele
levantou a mão para limpar algo no nariz (provavelmente uma meleca que ele gostava de
olhar depois) e eu vi a branca e grossa bandagem que estava envolvendo o pulso dele. O
que...?
Um terrível sentimento se arrastou pela minha espinha. Enyo e Deino estavam
paradas não muito longe de mim, conversando animadamente com a garota chamada
Pemphredo. Eu fui até elas e esperei até haver uma brecha na conversa. Fingindo que
meu estomago não estava tentando se apertar até morrer, eu sorri e acenei na direção de
Elliott.
“O que aquele garoto está fazendo aqui?”
Enyo olhou para Elliott enquanto virava os olhos. “Ele não é nada. Só o refrigerador
que usamos hoje a noite.”
“Que perdedor,” Deino disse, liberando Elliott com uma cara feia. “Ele é praticamente
humano,” Pempheredo disse enojada. “Não é de se admirar que tudo que ela seja bom é
ser um lanchinho.”
Meu estomago parecia que ia virar do avesso. “Espera, eu não entendo.
Refrigerador? Lanchinho?”
Deino a Terrível virou seu arrogante olhar para mim. “É assim que chamamos os
humanos – refrigeradores e lanchinhos. Você sabe – café da manha, almoço, e jantar.”
“Ou qualquer refeição entre isso,” a alegre Enyo praticamente ronronou.
“Eu ainda não-“ eu comecei, mas Deino me interrompeu.
“Oh, qualê! Não finja que você não soube dizer o que tinha no vinho, e que você não
amou o gosto.”
“Sim, admita, Zoey. Era obvio. Você teria tomado tudo – você queria até mais do que
nós. Vimos você lambendo os dedos,” Enyo disse, se inclinando e invadindo meu espaço
pessoal enquanto encarava minha Marca. “Isso deve fazer de você algum tipo de
aberração, não é? De algum jeito você é uma caloura e uma vampira, tudo em um, e você
queria mais do que só uma prova do sangue daquele garoto.”
“Sangue?” eu não reconheci minha própria voz. A palavra “aberração” continuou
ecoando na minha cabeça.
“Sim, sangue,” Terrível disse.
Eu senti calor e frio ao mesmo tempo e olhei para longe dos rostos conhecidos, para
os olhos de Afrodite. Ela estava parada do outro lado da sala falando com Erik. Nossos
olhos se encontraram e devagar, propositalmente, ela sorriu. Ela estava segurando a taça
de novo, e ela a levantou no mais imperceptível brinde para mim antes de tomar um gole
e virar de costas rindo de algo que Erik disse.
Me mantendo firme, eu dei uma desculpa idiota para a Pronta para Guerra, Terrível,
e Arfar, e andei calmamente para fora da sala. No segundo que eu fechei a porta de
madeira atrás de mim eu corri feito uma maluca cega. Eu não sabia onde estava indo, só
que eu queria ir embora.
Eu bebi sangue – sangue daquele horrível garoto Elliott – e eu gostei! E pior, o
delicioso cheiro tinha sido familiar porque eu tinha sentido ele antes quando as mãos de
Heath estavam sangrando. Não era uma colônia nova que eu tinha me sentido atraída;
tinha sido o sangue dele. E eu senti o cheiro de novo no corredor quando Afrodite tinha
cortado a coxa Erik e eu queria lamber o sangue dele também.
Eu era uma aberração.
Finalmente, eu não consegui respirar e cai na fria pedra da parede da protetora da
escola, procurando por ar e vomitando as tripas para fora.

house of night - marcada (capitulo 15)


QUINZE
Na metade do caminho para o templo de Nyx eu percebi que Stevie Rae estava
quieta além do normal. Eu dava olhares laterais para ela. Ela também estava parecendo
pálida? Eu tive um sentimento bizarro sobre você-está-andando-para-o-seu-túmulo.
“Stevie Rae, algo errado?”
“Yeah, bem, é triste e meio assustador.”
“O que? O Ritual da Lua Cheia?” Meu estomago começou a doer.
“Não, você vai gostar disso – ou pelo menos vai gostar desse.” Eu sabia o que ela
queria dizer, versos o ritual das Filhas Negras que eu tinha que ir depois, mas eu não
queria falar sobre isso. As próximas palavras de Stevie Rae fizeram todo o negocio das
Filhas Negras parecer pequeno, um problema secundário. “Uma garota morreu faz uma
hora.”
“O que? Como?”
“Como todos morrem. Ela não conseguiu passar pela Mudança, e o corpo dela só...”
Stevie Rae pausou, tremendo. “Aconteceu perto do final da aula de Tae Kwan Do. Ela
estava tossindo, como se estivesse sem ar no começo do aquecimento. Eu achei que não
fosse nada. Ou talvez eu achei, mas eu tirei da cabeça.”
Stevie Rae me deu um pequeno e triste sorriso, e ela parecia envergonhada de si.
“Tem algum jeito de salvar eles? Depois que, você sabe, eles começam –“ eu parei e
fiz um vago e desconfortável gesto.
“Não. Não tem jeito de você ser salvo depois que seu corpo começa a rejeitar a
Mudança.”
“Então não se sinta mal por não querer pensar na garota que estava tossindo. Você
não poderia ter feito nada.”
“Eu sei. É só que... foi horrível. E Elizabeth era tão querida.”
Eu senti um choque em algum lugar no meio do meu corpo. “Elizabeth Sem
Sobrenome? Ela é a garota que morreu?”
Stevie Rae acenou, piscando com força obviamente tentando não morrer.
“Isso é horrível,” eu disse, minha voz fraca era quase um sussurro. Eu lembrei o
quão considerável ela tinha sido em relação a minha Marca, e como ela notou que Erik
estava olhando para mim.
“Mas eu acabei de ver ela na aula de Teatro. Ela estava bem.”
“É assim que aconteceu. Num segundo o garoto está sentado do teu lado parecendo
perfeitamente normal. No outro...” Stevie Rae tremeu de novo.
“E tudo vai continuar normal? Mesmo que alguém na escola tenha acabado de
morrer?” eu lembrei do ano passado, quando um grupo de calouros da SIHS tinha estado
num acidente de carro num final de semana, e dois deles tinham morrido, conselheiros
extras foram chamados a escola na segunda e todos os eventos atléticos foram
cancelados naquela semana.
“Tudo vai continuar normal. Devemos nos acostumar com a idéia de que isso pode
acontecer com qualquer um. Você vai ver. Todos vão agir como se nada tivesse
acontecido, especialmente os mais velhos. É só os terceiranistas e os amigos de Elizabeth,
como a colega dela, que vão mostrar alguma reação a tudo. Os terceiranistas – somos nós
– devem agir direito e superar. A colega de quarto de Elizabeth e sua melhor amiga
provavelmente vai se isolar por alguns dias, mas então eles esperam que ela supere.” Ela
baixou a voz. “Na verdade, eu não acho que os vampiros pensam que nenhum de nós é
real enquanto não fizermos a Mudança.”

Eu pensei nisso. Neferet não pareceu me tratar como se eu fosse temporária – ela
até disse que era um excelente sinal minha Marca estar colorida, não que eu estivesse tão
confiante quanto ela em relação ao meu futuro. Mas eu absolutamente não iria dizer nada
que fizesse parecer que Neferet estava me dando tratamento especial. Eu não queria ser a
“esquisita.” Eu só queria ser amiga de Stevie Rae e me ajustar no meu novo grupo.
“Isso é realmente horrível,” foi tudo o que eu disse.
“É, mas pelo menos se acontece, acontece rápido.”
Parte de mim queria saber os detalhes, e parte de mim estava assustada demais
para fazer a pergunta.
Graças a Deus, Shaunee interrompeu antes de eu me fazer perguntar o que eu
estava assustada demais para querer saber.
“Porque vocês demoraram tanto,” Shaunee chamou na frente dos degraus do
templo. “Erin e Damien já estão lá dentro guardando um lugar no circulo para nós, mas
você sabe que quando o ritual começa eles não deixam mais ninguém entrar. Depressa!”
Nós nos apressamos, e com Shaunee liderando, entramos no templo. Doce e
esfumaçado incenso me engolfou enquanto entrei na escuridão do Templo de Nyx.
Automaticamente, eu hesitei. Stevie Rae e Shaunee se viraram para mim.
“Está tudo bem. Não tem porque estar nervosa ou com medo.” Stevie Rae encontrou
meus olhos e acrescentou, “pelo menos nada lá dentro.”
“O Ritual da Lua Cheia é ótimo. Você vai gostar. Oh, quando a vampira traçar o
pentagrama na sua testa e dizem “seja abençoada” você tem que responder “seja
abençoada,” Shaunee explicou. “Então nos siga para o seu lugar no circulo.” Ela sorriu
segura para mim e correu para entrar no aposento.
“Espera.” Eu agarrei a manga de Stevie Rae. “Eu não quero parecer idiota, mas um
pentagrama não é um sinal de maldade ou algo assim?”
“Foi o que eu pensei também, até eu chegar aqui. Mas esse negocio de maldade é o
que as Pessoas de Fé querem que você acredite para que... droga,” ela disse dando nos
ombros, “eu nem tenho certeza porque eles querem que as pessoas – bem, humanos
quero dizer – acreditem que é um sinal de maldade. A verdade é que a um zilhão de anos
atrás o pentagrama era um sinal de sabedoria, proteção, perfeição. Coisas boas. É só uma
estrela de cinco pontas. Quatro dessas pontas significam os 4 elementos. A quinta, a que
aponta para cima, é um sinal de espírito. Só isso. Não tem bicho papão aqui.”
“Controle.” Eu murmurei, feliz por termos uma razão para parar de falar da morte de
Elizabeth.
“Huh?”
“As Pessoas de Fé querem controlar tudo, e parte desse controle é que todos tem
que acreditar na mesma coisa. É por isso que eles querem que as pessoas acreditem que
um pentagrama é um sinal de mal.” Eu balancei a cabeça enojada. “Esqueça. Vamos.
Estou mais pronta do que achava. Vamos entrar.”
Entramos mais profundamente no salão e eu ouvi água corrente. Passamos por uma
linda fonte, e então a entrada fez uma curva para a esquerda. Em uma entrada de pedra
arqueada estava parada uma vampira que eu não reconheci. Ela estava vestida totalmente
de preto – uma longa saia e uma blusa de manga. A única decoração que ela tinha nela
era a bordado da figura da deusa no peito. O cabelo dela era longo e cor de trigo. Espirais
azul safira irradiavam da lua crescente pelo rosto perfeito dela.
“Essa é Anastasia. Ela ensina a matéria de Feitiços e Rituais. Ela também é a esposa
do Dragon,” Stevie Rae sussurrou rapidamente antes dela ir em direção da vampira e
respeitosamente colocar o punho por cima do coração.
Anastasia sorriu e mergulhou o dedo numa tigela de pedra que ela estava segurando.
Então ela tracejou a estrela de cinco pontas na testa de Stevie Rae.
“Abençoada seja, Stevie Rae,” ela disse.
“Abençoado seja,” Stevie Rae respondeu. Ela me deu um olhar encorajador antes de
desaparecer no salão esfumaçado mais a frente.
Eu respirei fundo e fiz uma decisão consciente te tirar meus pensamentos em relação
a Elizabeth, e dos “e se” da cabeça – pelo menos durante o ritual. Eu me movi
propositalmente no espaço vazio na frente de Anastasia. Imitando Stevie Rae, eu coloquei
meu punho no coração.
A vampira mergulhou o dedo no que agora eu pude ver que era óleo. “Merry meet*
(*alegre encontro), Zoey Redbird, bem vinda a House of Night e a sua nova vida,” ela
disse enquanto tracejava o pentagrama na minha testa em cima da minha Marca. “E
abençoada seja.”
“Abençoada seja,” eu murmurei, surpresa pelo elétrico calafrio que passou pelo meu
corpo quando a estrela foi desenhada na minha testa.
“Entre e junte-se a seus amigos,” ela disse gentilmente. “Não tem porque estar
nervosa, eu acredito que a deusa já está cuidando de você.”
“O-obrigado,” eu disse, me apressando para entrar. Tinha velas em todo lugar.
Enormes e grandes presas do teto em lustres de ferro. Várias velas estavam alinhadas nas
paredes. No templo, os castiçais não tinha luz de lanternas, como no resto da escola. Aqui
eles eram de verdade. Eu sabia que esse lugar costumava ser uma igreja das Pessoas de
Fé dedicada ao St. Augustine, mas não parecia como nenhuma igreja que eu já tinha
visto. Além de ser iluminada apenas por luz de velas, não havia bancos. (E, por sinal, eu
realmente não gosto dos bancos – eles poderiam ser mais desconfortáveis?) Na verdade,
o único móvel no grande salão era uma antiga mesa de madeira situada no centro do que
era parecido com o que tinha no salão de jantar - mas esse não estava cheio de comida e
vinho nem nada disso. Também tinha uma estátua de mármore da deusa, os braços
abertos e parecendo muito com o desenho que os vampiros usavam no peito. Tinha um
enorme candelabro na mesa, com gordas e brancas velas queimando, assim como vários
incensos.
Então meus olhos foram pegos pela chama queimando de um intervalo do chão de
pedra. Ela queimava selvagemente, suas chamas amarelas altas. Era lindo, de um jeito
controlado e perigoso, e eu lembrei do desenho na minha testa. Graças a Deus, Stevie
Rae balançou as mãos chamando minha atenção, antes deu seguir meu impulso de me
aproximar da chama, e então eu notei, me perguntando como eu não tinha visto desde o
inicio, que havia um enorme circulo de pessoas – estudantes e vampiros adultos – se
esticando ao redor das pontas do salão. Me sentindo nervosa e apavorada ao mesmo
tempo, eu fiz meus pés se moverem para tomar meu lugar no circulo ao lado de Stevie
Rae.
“Finalmente,” Damien disse baixinho.
“Desculpe o atraso,” eu disse.
“Deixe ela em paz. Ela já está nervosa o suficiente,” Stevie Rae disse a ele.
“Shhh! Está começando,” Shaunee sussurrou.
Quartanistas pareceram se materializar dos cantos escuros do salão para se tornar
uma mulher que fez seu caminho para quatro pontos dentro do circulo, como as quatro
direções de uma bússola. Mais duas pessoas entraram pela porta que eu tinha acabado de
passar. Um deles era um homem alto – bem, risque isso – era um vampiro (todos os
adultos eram vampiros), e, oh meu Deus, ele era quente. Agora, aqui estava um excelente
exemplo de um estereótipo do vampiro lindo, perto e pessoal. Ele tinha mais de 1,80m e
parecia pertencer ao cinema.
“E aí está a única razão do porque estou fazendo a aula de poesia,” Shaunee
sussurrou.
“Estou com você nessa, Gêmea,” Erin respondeu de forma sonhadora.
“Quem é ele?” eu perguntei a Stevie Rae.
“Loren Blake, o Vampiro Poeta Laureate. Ele é o primeiro poeta masculino em 200
anos. Literalmente,” ela sussurrou. “E ele é único com vinte e poucos anos, em anos
verdadeiros, não só na aparência.”
Antes deu falar qualquer outra coisa, ele começou a falar a minha boca estava muito
ocupada estando aberta devido ao som da voz dele para mim fazer qualquer coisa a não
ser escutar.
Ela anda na beleza, como a noite
De climas tempestuosos e céus estrelados
Enquanto ele falou ele se moveu devagar em direção ao circulo. Como se a voz dele
fosse musica, a mulher que entrou no salão com ele começou a se balançar, e então ela
dançou graciosamente envolta do circulo vivo.
E o melhor da escuridão e da claridade
Se encontra nela e nos olhos dela...
A mulher que dançava tinha a atenção de todos. Com um choque eu percebi que era
Neferet. Ela estava usando um longo vestido de seda e tinha pequenos cristais em toda
volta, para que a luz das velas pegasse cada um dos movimentos que ela fazia brilhar
como as estrelas que enchiam o céu. Os movimentos dela pareciam trazer a vida as
palavras do velho poema (pelo menos minha mente estava funcionando bem o suficiente
para mim reconhecer o “Ela anda em beleza” do Lord Byron).
Assim dessa forma suave para essa luz gentil
Que o paraíso muitos dias negou.
De algum jeito Neferet e Loren conseguiram terminar no centro do circulo enquanto
ele terminou de recitar. Então Neferet pegou uma taça da mesa e levantou, como se
estivesse oferecendo um brinde ao circulo.
“Bem vindos crianças de Nyx para a celebração da deusa para a lua cheia!”
Os vampiros adultos falaram em coro, “Merry meet.”
Neferet sorriu e pôs a taça de volta a na mesa e pegou uma longa e branca vela que
já estava acessa e parada no castiçal. Então ela andou pelo circulo para olhar para uma
vampira que eu não conhecia que estava parada no que deveria ser a ponta do circulo. A
vampira a saudou, a mão em cima do peito, antes de virar para que suas costas estivesse
na frente de Neferet.
“Psst!” Stevie Rae sussurrou. “Todos olhamos para as 4 direções enquanto Neferet
evoca os quatro elementos e lança o circulo de Nyx. Leste e vento vem primeiro.”
Então todos, incluindo eu embora eu tenha sido meio devagar, se virou para leste.
Pelo canto do olho eu pude ver que Neferet ergueu os braços por cima da cabeça
enquanto a voz dela passou pelas paredes de pedra do templo.
“Do leste eu invoco o ar e peço que você carregue para esse circulo o dom do
conhecimento que o nosso ritual será preenchido por aprendizado.”
No segundo que Neferet começou a invocar eu senti o ar mudar. Se movia ao meu
redor, esvoaçando meu cabelo e enchendo meus ouvidos com o som do vento suspirando
pelas folhas. Eu olhei ao redor, esperando ver que todo mundo tivesse sido pego num
pequeno vendaval, mas não notei o cabelo de mais ninguém se bagunçar. Estranho.
A vampira que estava parada no leste puxou uma vela amarela das dobras do
vestido, e então Neferet a acendeu. A vampira a levantou no ar, e então a colocou, nos
seus pés.
“Vire a direita, pelo fogo,” Stevie Rae sussurrou de novo.
Nós viramos e Neferet continuou. “Do sul eu invoco o fogo e peço que a sua luz
nesse círculo dê o dom da força e vontade, para que nosso ritual seja ligado e poderoso.”
O vento que estava soprando suavemente contra mim foi substituído pela sensação
de calor. Não era exatamente desconfortável; era mais como a sensação de quando você
mergulha na banheira quente, mas era quente o bastante para me fazer suar um pouco.
Eu olhei para Stevie Rae. A cabeça dela estava levemente erguida e seus olhos estavam
fechados. Não havia sinal de suor no rosto dela. A intensidade do calor de repente
aumentou um pouco, e eu olhei para Neferet. Ela tinha acesso uma enorme vela vermelha
que Penthesilea estava segurando. Então, assim como a vampira do vento tinha feito,
Penthesilea a levantou em oferenda antes de colocar em seus pés.
Dessa vez eu não precisei do aviso de Stevie Rae para virar de novo para o oeste. De
algum jeito, eu sabia para onde eu precisava virar, e que o próximo elemento a ser
invocado seria a água.
“Do oeste eu invoco a água e peço que você limpe esse circulo em compaixão, que a
luz da lua cheia possa ser usada para conceder a cura para nosso grupo assim como
entendimento.”
Neferet acendeu a vela azul da vampira que estava virada para oeste. A vampira a
levantou, e a colocou nos pés enquanto o som das ondas enchiam meus ouvidos e o
cheiro salgado de mar enchia meu nariz. Ansiosa, eu completei o circulo virando para o
norte, e sabia que estaria abraçando a terra.
“Do norte eu invoco a terra e peço que você cresça neste circulo o dom da
manifestação, que os desejos e rezas dessa noite sejam frutíferos.”
De repente eu podia sentir a suavidade de um gramado nos meus pés, e eu senti o
cheiro da relva e ouvi pássaros cantando. Uma vela verde foi acessa e colocado nos pés
da “terra.”
Eu provavelmente deveria ter ficado com medo das estranhas sensações que
passaram por mim, mas elas me encheram com a mais incrível leveza – eu me sentia
bem! Tão bem que quando Neferet olhou para a chama que queimava no centro do salão
e o resto de nós virou para o interior do circulo eu tive que pressionar meus lábios com
força para não rir em voz alta. O poeta lindo de cair morta estava parado perto do fogo e
Neferet e eu podíamos ver que ele estava segurando uma enorme vela púrpura na mão.
“E finalmente, eu invoco o espírito para completar nosso circulo e pedir que você nos
encha de conexão, para que, como seus filhos, possamos prosperar juntos.”
Incrivelmente, eu senti meu próprio espírito se levantar, como se houvesse aves de
pássaro flutuando dentro do meu peito, enquanto o poeta acendia a vela pela enorme
chama e então a colocou na mesa. Então Neferet começou a se mover pelo circulo,
falando conosco, encontrando nossos olhos, nos incluindo nas palavras dela.
“Essa é a hora da lua cheia. Todas as coisas se encerram e recomeçam, até mesmo
os filhos de Nyx, os vampiros dela. Mas nessa noite os poderes da vida, da mágica, e da
criação são mais forte – assim como nossa deusa lua. Essa é a hora de construir... de
fazer.”
Meu coração estava batendo tão rápido enquanto eu observava Neferet falar, e eu
percebi que ela estava dando um sermão. Esse não era um sermão de adoração, mas ao
fazer isso no circulo fez com que as palavras de Neferet me tocassem como nenhum outro
sermão que eu já tinha visto. Eu olhei ao redor. Talvez fosse o lugar. O salão estava cheio
de incenso e mágica e luzes de velas. Neferet era tudo que uma Alta Sacerdotisa deveria
ser. A beleza dela era uma chama própria, e a voz dela era mágica ao ponto de chamar a
atenção de todos. Ninguém estava deitado dormindo ou escondido jogando joguinhos.
“Essa é a hora quando o véu em que o mundano e a força a beleza do reino da
deusa se juntam. Nessa noite um ira transcender as fronteiras do mundo com facilidade, e
conhecer a beleza e encantamento de Nyx.”
Eu podia sentir as palavras dela contra a minha pele e perto da minha garganta. Eu
tremi e a Marca na minha testa de repente pareceu esquentar e formigar. Então o poeta
começou a falar em sua profunda e poderosa voz.
“Essa é a hora de traçar o celestial ser, de virar as cordas do espaço e do tempo para
trazer a Criação. Porque a vida é um circulo assim como é um mistério. Nossa deusa
entende isso, assim como o marido dela, Erebus.”
Quando ele falou me senti melhor em relação a morte de Elizabeth. De repente não
parecia tão assustador, tão horrível. Parecia mais parte do mundo natural, um mundo
onde todos temos um lugar.
“Luz... escuridão... dia... noite... vida... está tudo ligado junto pelo espírito e o toque
da deusa. Se mantivermos o balanço e olharmos para a deusa como se pudéssemos a
lançar um feitiço da lua e o adaptar com um tecido de pura substancia mágica para
manter conosco todos os dias das nossas vidas.”
“Fechem seus olhos, Crianças de Nyx,” Neferet disse “e mandem um secreto desejo
para nossa deusa. Hoje a noite, quando o véu entre os mundos se afinar – quando mágica
estiver no mundano – talvez Nyx faça seu desejo se realizar e te encher com a felicidade
de um sonho realizado.”
Mágica! Eles realmente estão rezando por mágica! Iria funcionar – poderia funcionar?
Há realmente mágica no mundo? Eu lembrei do jeito como meu espírito foi capaz de ver
palavras e como a deusa me chamou com a sua voz visível pela caverna e então me
beijou na testa e mudou minha vida para sempre. E como, a apenas alguns momentos
atrás, eu senti o poder de Neferet chamando os elementos. Eu não tinha imaginado – eu
não podia ter imaginado.
Eu fechei os olhos e pensei sobre a mágica que parecia estar me cercando, e então
enviei meu desejo pela noite. Meu desejo secreto é fazer parte... que eu finalmente tenha
encontrado um lar que ninguém poderá tirar de mim.
Apesar do estranho calor na minha Marca, minha cabeça estava leve e eu estava
muito feliz enquanto Neferet pediu para nós abrirmos nossos olhos e, com uma voz que
era poderosa e suave – mulher e guerreira combinados – ela continuou o ritual.
“Essa é a hora da viagem não vista na lua cheia. A hora para ouvir a música não
modificada pelas mãos humanas ou vampiras. É o tempo para união com o vento que nos
carrega” – Neferet curvou sua cabeça levemente para o leste – “e do choque do travam
que imita as fagulhas da primeira vida.” Ela virou a cabeça para o sul. “É o tempo para
revelar no eterno mar e na quente chuva que nos acalma, assim como a verde terra que
nos envolve e nos mantém.” Ela reconheceu o oeste e o norte virando.
Cada vez que Neferet nomeou um elemento pareceu que um toque de uma doce
eletricidade passou pelo meu corpo.
E então as 4 mulheres que personificaram os elementos moveram-se em direção a
mesa. Com Neferet e Loren, cada um deles levantou uma taça.
“Todos saúdem, a deusa da Noite e a lua cheia!” Neferet disse. “Todos saúdem a
Noite, de quem as nossas bênçãos vem. Nesta noite agradecemos a ti!”
Ainda segurando as taças, as quatro mulher voltaram para seus lugares no circulo.
“No poderoso nome de Nyx,” Neferet disse.
“E de Erebus,” o poeta acrescentou.
“Nós pedimos do seu sagrado circulo que você nos dê o conhecimento para falar a
linguagem da floresta, para voar com a liberdade de um pássaro, para viver com o poder
e a graça de um felino, e para encontrar êxtase e alegria na vida que mexe com cada
parte de nosso ser. Abençoado seja!”
Eu não conseguia parar de rir. Eu nunca ouvi esse tipo de coisa na igreja antes, e eu
com certeza nunca me senti tão energizada lá também!
Neferet bebeu da taça que ela segurava, e então ela a ofereceu para Loren, que
bebeu e disse “abençoada seja.” Imitando a ação deles, as 4 mulheres se moveram
rapidamente pelo circulo, permitindo que cada pessoa, calouro ou adulto, bebesse da
taça. Quando foi minha vez eu estava feliz por ver o rosto familiar de Penthesilea me
oferecer um gole e uma benção. O vinho era vermelho e eu achei que ele fosse amargo,
como o gole que eu tomei do Cabernet da minha mãe uma vez (e definitivamente não
gostei), mas não era. Era doce e apimentado e fez minha cabeça ficar ainda mais leve.
Quando todos tinham tomado um gole, as taças retornaram a mesa.
“Hoje a noite eu quero que cada um de nós passe pelo menos um momento ou dois
sozinho na luz da lua cheia. Deixe a luz refrescar você e te ajudar a lembrar o quão
extraordinário você é... ou que você está se tornando.” Ela sorriu para alguns calouros,
incluindo eu. “Se aqueça com sua raridade. Revele sua força. Ficamos separados do
mundo por causa de nossos dons. Nunca esqueçam disso, porque vocês podem ter
certeza que o mundo não esquecera. Agora vamos fechar o circulo e abraçar a noite.”
Em ordem reversa, Neferet agradeceu cada elemento e os mandou embora conforme
cada vela era apagada, e quando ela fez isso em senti um pouco de tristeza, como se eu
estivesse dando tchau para um amigo. Então ela completou o ritual dizendo, “esse ritual
terminou. Merry meet e merry part* (*feliz caminhos separados) e merry meet de novo!”
A multidão respondeu: Merry meet e merry part e merry meet de novo!”
E foi isso. Meu primeiro ritual da deusa terminou.
O circulo se separou rapidamente – mais rapidamente do que eu gostaria. Eu queria
ficar ali e pensar sobre as coisas incríveis que eu tinha sentido, especialmente quando os
elementos foram chamados, mas isso era impossível. Eu fui carregada para fora do templo
em uma confusão de conversa. Eu estava feliz por todos estarem tão ocupados
conversando que ninguém notou o quão quieta eu estava; eu não achei que eu podia
explicar para eles o que tinha acabado de acontecer comigo. Diabos! Eu não podia
explicar para mim mesma.
“Hey, você acha que vamos ter comida chinesa de novo hoje a noite? Eu adoraria
que na lua cheia eles servisse aquele gostoso moo goo depois,” Shaunee disse. “Sem
mencionar que meu biscoito da sorte disse “você vai fazer um nome para si,” o que é bem
legal.”
“Eu estou tão faminta que não me importa com o que eles nos alimentem desde que
nos alimentem,” Erin disse.
“Eu também,” Stevie Rae disse.
“Pela primeira vez concordo totalmente,” Damien disse, ligando seus braços com
Stevie Rae e eu. “Vamos comer.”
E de repente eu me lembrei. “Uh, gente.” Aquele sentimento de formigamento bom
que o ritual tinha me dado sumiu. “Eu não posso ir. Eu tenho que-“
“Somos idiotas.” Stevie Rae bateu na própria cabeça forte o bastante para fazer um
som de batida. “Esquecemos totalmente.”
“Ah, merda!” Shaunee disse.
“As bruxas do inferno,” Erin disse.
“Quer que eu guarde um prato para você ou algo?” Damien perguntou docemente.
“Não. Afrodite disse que vai me alimentar.”
“Provavelmente carne crua,” Shaunee disse.
“Yeah, de algum pobre garoto que ela pegou na nojenta teia de aranha dela,” Erin
disse.
“Com isso ela quer dizer aquela entre as pernas dela,” Shaunee explicou.
“Pare, você está assustando Zoey,” Stevie Rae disse enquanto ela começava a me
levar em direção a porta. “Eu vou mostrar para ela o caminho, encontro vocês na mesa.”
Lá fora eu disse, “Ok, me diga que eles estavam brincando sobre a carne crua.”
“Elas estavam brincando?” Stevie Rae disse nada convincente.
“Ótimo. Eu nem gosto quando o bife está mal passado. O que eu vou fazer se eles
realmente tentarem me alimentar com carne crua?” eu recusei a pensar sobre que tipo de
carne crua poderia ter.
“Eu acho que eu tenho uma pastilha em algum lugar na minha bolsa. Você quer?”
Stevie Rae perguntou.
“Sim,” eu disse, já me sentindo nauseada.

house of night - marcada (capitulo 14)


QUATORZE
Esgrima foi totalmente legal, o que foi uma surpresa. A aula foi feito numa enorme
sala no ginásio que totalmente parecia um estúdio de dança, complete com paredes e teto
cheio de espelhos. Pendurados do telhado de um lado estavam manequins estranhos que
me lembravam um alvo de tiro tri dimensional. Todos chamavam o professor de Lankford
Dragon Lankford, ou apenas de Dragon. Não levei muito tempo para descobrir por que. A
tatuagem dele representava dois dragões cujos corpos de serpente, se embrulhavam na
linha da mandíbula dele. A cabeça deles estava acima das sobrancelhas e a boca deles
estavam abertas, cuspindo fogo na lua crescente. Era incrível e difícil não encarar. Além
do mais, Dragon era o primeiro vampiro adulto que eu via de perto. A principio ele me
confundiu. Eu acho que se você tivesse me perguntado o que eu acharia que era um
vampiro eu teria dito que era o oposto dele. Honestamente, eu tinha o estereótipo do
vampiro estrela de cinema na mente – alto, lindo, perigoso. Você sabe, como Vin Diesel.
De qualquer forma, Dragon é baixo, tem longos cabelos aloirados que ficam presos para
trás em um rabo de cavalo, e (a não ser pelo estilo poderoso da tatuagem de dragão) tem
um rosto fofo com um quente sorriso e só foi quando ele começou a mandar a turma a
fazer os aquecimentos que eu comecei a perceber o poder dele. No segundo que ele
pegou a espada (que eu descobri mais tarde que se chama florete) na tradicional
saudação ele pareceu se tornar outra pessoa – alguém que se movia extremamente
rápido e com graça. Ele fintava e se arremessava e sem esforço fez o resto da turma –
mesmo o pessoal que era bom, como Damien – parecer bonecos. Quando ele terminou de
liderar o aquecimento, o Dragon colocou todos em pares e os fez trabalhar no que ele
chamava de “movimentos padrões.” Eu fiquei aliviada quando ele fez Damien e eu sermos
parceiros.
“Zoey, é bom que você tenha se juntado a nós na House of Night,” Dragon disse,
apertando minha mão no jeito tradicional das vampiras amazonas. “Damien pode explicar
as diferentes partes do uniforme de esgrima para você, e vou te conseguir um uniforme
para você estudar nos próximos dias. Eu assumo que você nunca praticou esse esporte
antes?”
“Não, eu não estudei,” eu disse, e então adicionei nervosa, “mas gosto de aprender.
Eu quero dizer, a idéia de usar uma espada é legal.”
Dragon sorriu. “Florete,” ele corrigiu, “você estará aprendendo como usar um florete.
É a mais leve dos três tipos de armas que temos aqui, e uma excelente escolha para uma
mulher. Você sabia que esgrima é um dos únicos esportes onde homens e mulheres
podem competir em pé de igualdade?”
“Não,” eu disse, instantaneamente intrigada. Que legal não seria chutar a bunda de
um cara nesse esporte?!
“Isso é porque um esgrimista inteligente e concentrado pode com sucesso
compensar por qualquer deficiente que ele ou ela pode ter, e pode ser capaz até de
transformar essa deficiente – como força ou alcance – em uma vantagem. Em outras
palavras, você pode não ser tão forte ou rápida quanto o seu oponente, mas você pode
ser mais esperta ou ser capaz de se concentrar melhor, o que muda a moeda para o seu
favor. Certo, Damien?”
Damien sorriu. “Certo.”
“Damien é um dos esgrimistas mais concentrados que eu tive o privilegio de treinar
em décadas, o que faz dele um perigoso oponente.”
Eu dei um olhar pelo canto do olho para Damien, que corou com orgulho e prazer.
“Nas próximas semanas eu vou fazer Damien mostrar a você as manobras. Sempre
lembre, esgrima requer habilidade seqüencial e hierárquica por natureza. Se uma dessas
habilidades não é adquirida, outras habilidades serão difíceis para aprender e o esgrimista
estará em permanente e seria desvantagem.”
“Ok, eu vou lembrar,” eu disse. Dragon deu um sorriso quente de novo antes de sair
para ir trabalhar com os outros alunos.
“O que ele quis dizer é não fique desencorajada ou entediada por ter que fazer os
mesmos exercícios repetidamente.”
“Então o que você está dizendo é que você vai ser chato, mas tem um propósito
nisso?”
“Sim. E parte desse propósito será ajudar a levantar essa sua bunda fofa,” ele disse
alegre, me dando um tapinha com o lado do florete dele.
Eu bati nele e virei os olhos, mas depois de 20 minutos de ataques e defesas na
posição inicial e me arremessando – de novo e de novo – eu sabia que ele estava certo.
Minha bunda estaria me matando amanha.
Tomamos um rápido banho depois da aula (graças a Deus, havia chuveiros
separados para cada uma das garotas nos vestiários e não tivemos que barbaramente e
tragicamente tomar banho em uma enorme área aberta como se estivéssemos na prisão
ou algo assim) e então me apressei com o resto da multidão para ir ao salão de almoço –
mais conhecido como sala de jantar. E eu falo sério quando disse que me apressei. Eu
estava faminta.
O almoço foi um enorme Buffet de sala sirva-você-mesmo, que inclui tudo desde
salada de atum (eca) até aqueles mini milhos estranhos que são tão confusos, e nem tem
gosto de milho. (O que eles são exatamente? Milho bebê? Milho anão? Milho mutante?) Eu
enchi meu prato e peguei um enorme pedaço do que parecia e cheirava como pão recém
assado, e fui para o lado de Stevie Rae, com Damien logo atrás de mim. Erin e Shaunee já
estavam discutindo sobre o que fazer para a nota do trabalho para a aula de literatura
delas melhorar de nota, embora as duas tivessem recebido 96 como nota.
“Então, Zoey, manda. E quanto a Erik Night?” Stevie Rae perguntou no instante que
deu uma enorme mordida na salada. As palavras de Stevie Rae imediatamente fizeram as
Gêmeas calarem a boca e a atenção da mesa toda estava em mim.
Eu pensei sobre o que eu iria dizer sobre Erik, e decidi que não estava pronta para
contar a todos sobre a cena infeliz do boquete. Então eu apenas disse,” ele ficava olhando
para mim.” Quando eles franziram a testa para mim eu percebi que com a boca cheia de
salada o que eu realmente disse foi “Ele ficabu olando para mim.” Eu engoli e tentei de
novo. “Ele ficava olhando para mim. Na aula de teatro. Foi, sei lá, confuso.”
“Defina “olhando para mim,” Damien disse.
“Bem, aconteceu no segundo que ele entrou na aula, mas deu pra notar mais
quando ele estava nos dando um exemplo de um monologo. Ele fez aquele negocio de
Otelo, e quando ele disse a fala sobre amor e tal, ele olhou diretamente para mim. Eu
pensei que você só um acidente ou qualquer coisa assim, mas ele olhou para mim antes
de começar o monologo, e depois de novo quando estava saindo da sala.” Eu suspirei e
me remexi um pouco, inconfortável com o jeito que eles estavam me olhando. “Esqueça.
Provavelmente foi só parte da atuação.”
“Erik Night é o cara mais gostoso da escola toda,” Shaunee disse.
“Esqueça isso – ele é o cara mais gostoso desse planeta.” Erin disse.
“Ele não é mais gostoso que Kenny Chesney,” disse rapidamente Stevie Rae.
“Ok, por favor, da pra parar com a obsessão por country!” Shaunne franziu a testa
para Stevie Rae antes de virar sua atenção de volta para mim. “Não deixe essa
oportunidade passar por você.”
“É,” Erin disse. “Não deixe.”
“Passar por mim? O que eu deveria fazer? Ele nem disse nada para mim.”
“Uh, Zoey querida, você sorriu de volta para o rapaz?” Damien perguntou.
Eu pesquise. Eu tinha sorrido de volta? Ah, merda. Eu aposto que não sorri. Eu
aposto que fiquei só sentada ali e o encarei como uma retardada e talvez até tenha
babado. Ok, bem, eu posso não ter babado, mas ainda sim. “Eu não sei,” eu disse
percebendo a triste verdade, o que não enganou Damien nem um pouco.
Ele bufou. “Da próxima vez sorria para ele.”
“E talvez diga oi,” Stevie Rae disse.
“Eu pensei que Erik fosse só um rosto bonito,” Shaunee disse.
“E corpo,” Erin acrescentou.
“Até que ele chutou Afrodite,” Shaunee continuou. “Quando ele fez isso eu percebi
que o garoto pode ter algo na cabeça.”
“Nós já sabemos que ele tem algo funcionando embaixo!” Erin disse, levantando as
sobrancelhas.
“Uh-huh!” Shaunee disse, lambendo os lábios como se ela estivesse vendo um
enorme pedaço de chocolate.
“Vocês duas são nojentas,” Damien disse.
“Só estamos querendo dizer que ele tem a bunda mais fofa da cidade, Senhor
Padre,” Shaunee disse.
“Como se você não tivesse notado,” Erin disse.
“Se você começar a falar com Erik isso vai realmente irritar Afrodite.” Stevie Rae
disse.
Todos viraram e encararam Stevie Rae como se ela tivesse acabado de abrir o mar
vermelho ou algo assim.
“É verdade,” Damien disse.
“Muito verdade,” Shaunee disse enquanto Erin acenava.
“Então o rumor é que ele costumava sair com Afrodite,” eu disse.
“Sim,” Erin disse.
“O rumor é grotesco, mas verdadeiro,” Shaunee disse. “O que faz ainda melhor o
fato dele gostar de você!”
“Gente, ele provavelmente só estava olhando para a minha Marca estranha,” eu
disse.
“Talvez não. Você é bem fofa, Zoey,” Stevie Rae disse com um doce sorriso.
“Ou talvez sua Marca fez ele olhar, e então ele pensou que você era bem fofa e
então ele continuou olhando,” Damien disse.
“De qualquer jeito, ele olhando definitivamente vai irritar Afrodite,” Shaunee disse.
“O que é uma boa coisa,” Erin disse.
Stevie Rae ignorou o comentário delas. “Só esqueça sobre Afrodite e sua Marca e
todas essas coisas. Da próxima vez que ele sorrir para você, diga oi. Só isso.”
“Fácil,” Shaunee disse.
“Fácil,” Erin disse.
“Ok,” eu murmurei e voltei para minha salada, desejando desesperadamente que
todo o negocio de Erik Night fosse tão fácil-fácil como elas pensaram que eram.
Uma coisa sobre o almoço na House of Night que era igual ao almoço em SIHS e em
qualquer outra escola era – que acaba rápido demais. E então a aula de espanhol foi um
borrão. A professora Garmy era uma espanhola inquieta. Eu gostei dela imediatamente (as
tatuagens dela pareciam estranhamente como penas, então ela me lembrava um pequeno
pássaro espanhol), mas ela deu a aula toda falando espanhol. A aula toda. Eu
provavelmente deveria mencionar que eu não tenho aula de espanhol desde a 8º serie, e
eu admito que nunca prestei muita atenção nela. Então eu estava bem perdida, mas eu
escrevi o dever e prometi a mim mesma que eu iria estudar o vocabulário. Eu odeio ficar
perdida.
Introdução a equitação foi feita na casa de campo. Era um longo prédio construído
de tijolos perto da parte sul, e que havia junto uma enorme área para cavalgar. O lugar
todo tinha aquele cheiro de cavalo, que misturado com couro formava algo agradável,
embora tu soubesse que parte do “agradável” cheiro era cocô – cocô de cavalo.
Eu fiquei parada nervosa com um pequeno grupo de garotos dentro do curral, onde
uma veterana alta e com rosto duro disse para esperarmos. Só havia cerca de 10 de nós,
e éramos todos terceiranistas. Oh, (ótimo) aquele irritante cabeça de vento do Elliott
estava encostado contra a parede chutando um pouco de serragem no chão. Ele levantou
pó suficiente para fazer a garota parada perto espirrar. Ela deu a ele um olhar irritado e se
afastou. Deus, ele irritava todo mundo? E porque ele não podia usar algum produto (ou
talvez vários produtos) naquele cabelo feio?
O som de cascos tiraram a minha atenção de Elliott e eu olhei para cima em tempo
de ver uma magnífica égua andando no curral galopando total. Ela parou alguns a alguns
centímetros de distancia. Enquanto todos nós observávamos feito idiotas, a cavaleira
desmontou graciosamente. Ela tinha um cabelo grosso que ia até a cintura e era tão loiro
que era quase branco, e olhos que eram de um estranho tom de verde. O corpo dela era
pequeno, e o jeito que ela ficava parada me lembrava aquelas garotas que tomam aulas
de dança obsessivamente para que mesmo quando não estão em bale elas fiquem
paradas como se tivessem algo preso em suas bundas. A tatuagem dela era uma
intrincada série de nós que se entrelaçavam no rosto dela – e na lua crescente eu tinha
certeza que eu podia ver alguns cavalos.
“Boa tarde. Eu sou Lenobia, e esse,” ela apontou para a égua e deu ao nosso grupo
um olhar contemplativo antes de terminar a frase, “é um cavalo.” A voz dele ecoou contra
as paredes. A égua preta soprou pelo nariz como se estivesse enfatizando as palavras
dela. “E vocês são meu novo grupo de terceiranistas. Cada um de vocês foi escolhido para
minha aula porque acreditamos que vocês podem ter uma aptidão para cavalgar. A
verdade é que menos da metade de vocês vai durar o semestre, e metade dos que
sobrarem vão realmente se desenvolver em um equitador descente. Alguma pergunta?”
Ela fez uma pausa longa o bastante para alguém perguntar algo. “Ótimo. Então me sigam
e vamos começar.” Ela se virou e marchou de volta para o estábulo. Nós a seguimos.
Eu queria perguntar quem eram o “nós” que falaram que eu talvez tivesse aptidão
para cavalgar, mas eu estava com medo então não disse nada e apenas segui atrás dela
como todo mundo. Ela parou na frente de uma cocheira vazia onde havia um forcado e
um carrinho de mão. Lenobia se virou para nos olhar.
“Cavalos não são cachorros grandes. E não são o romântico sonho de uma garotinha
que os imagina como seu melhor amigo que sempre estará ao seu lado.”
Duas garotas paradas perto de mim se olharam com culpa e Lenobia as encarou com
seus olhos verdes.
“Cavalos são trabalho. Cavalos são dedicação, inteligência, e tempo. Vamos começar
com a parte do trabalho. No final desse corredor vocês vão encontrar botas de borracha.
Escolham um par rapidamente, enquanto pegamos as luvas. Então cada um de vocês vai
pegar uma cocheira e vamos começar a trabalhar.”
“Professora Lenobia?” disse uma garota gordinha com um rosto fofo, que levantou a
mão nervosamente.
“Lenobia serve. O nome que eu escolhi em honra da antiga vampira rainha não
precisa de outro titulo.”
Eu não fazia idéia de quem era Lenobia, e fiz uma nota mental para pesquisar.
“Continue. Você tem uma pergunta, Amanda?”
“Yeah, uh, sim.“
Lenobia levantou uma sobrancelha para a garota.
Amanda engoliu audivelmente. “Vamos trabalhar fazendo o que, profes – eu quero
dizer, Lenobia, senhora?”
“Limpar a cocheira, é claro. O estrume vai no carrinho de mão. Quando ele estiver
cheio vocês podem descarregar o composto área perto do estábulo. Tem serragem fresca
no armário ali perto. Vocês tem 15 minutos. Eu volto em 45 minutos para inspecionar as
cocheiras!”
Todos piscamos para ela.
“Vocês podem começar. Agora.”
Nós começamos.
Ok. Verdade. Eu sei que vai parecer estranho, mas eu não me importei de limpar a
cocheira. Eu quero dizer, cocô de cavalo não é tão nojento. Especialmente porque era
obvio que esses estábulos eram limpos a toda hora. Eu peguei as botas de borracha (que
eram grandes galochas de borracha – totalmente feias, mas elas cobriram meu jeans até
os joelhos) e um par de luvas e comecei a trabalhar. Tinha musica tocando por uma
excelente caixa de som – algo que eu tinha certeza que era o ultimo CD da Enya (antes
dela casar com John, mas então ele decidiu que aquilo poderia ser musica de bruxa então
ela desistiu, e é por isso que eu sempre gostei da Enya). Então eu ouvi a música galesa e
juntei o cocô. Não pareceu que muito tempo tinha passado enquanto eu estava jogando
aquilo no carrinho e então enchendo com serragem. Eu estava passando pelo estábulo
quando tive aquele sentimento estranho que alguém estava me observando.
“Bom trabalho, Zoey.”
Eu dei um pulo e olhei ao redor para ver Lenobia perto do estábulo. Em uma mão ela
estava segurando uma grande, e macia escova. Na outra ela segurava a corda que guia a
égua.
“Você já fez isso antes,” Lenobia disse.
“Minha avó costumava ter um garanhão que eu nomeei de Bunny.” Eu disse antes de
perceber o quão estúpido soava. Com as bochechas quente, eu me apressei, “Bem, eu
tinha 10 anos, e a cor dele me lembrava do Pernalonga, então eu comecei a chamar ele
desse jeito e ficou.”
Os lábios de Lenobia se curvaram numa pista de um sorriso. “Era a cocheira do
Bunny que você limpava?”
“Sim. Eu gostava de montar nele, e vovó disse que ninguém deveria montar um
cavalo sem antes limpar seu cocheiro.” Eu dei nos ombros. “Então eu limpava.”
“Sua avó é uma mulher sábia.”
Eu acenei.
“E você não se importava de limpar?”
“Não, na verdade não.”
“Ótimo. Conheça Persephome,” Lenobia acenou com a cabeça para a égua ao lado
dela. “Você acabou de limpar a cocheira dela.”
A égua andou na minha direção, colocando o nariz no meu rosto e soprando
gentilmente, o que fez cócegas e me fez rir. Eu acariciei o nariz dela e automaticamente
beikei o quente focinho dela.
“Olá, Persephone, garota linda.”
Lenobia acenou em aprovação enquanto a égua e eu nos conhecíamos.
“Só tem mais 5 minutos antes do final da aula, então não é necessário que você
fique mais, mas se você quiser, eu acredito que você ganhou o privilegio de escovar
Persephone.”
Surpresa, eu tirei meus olhos do carinho que eu estava fazendo no pescoço do
cavalo.
“Sem problemas, eu fico,” eu me ouvi falar.
“Excelente. Você pode devolver a escova no final do corredor quando terminar. Vejo
você amanha, Zoey.” Lenobia me deu a escova, deu um tapinha na égua, e nos deixou
sozinhas no estábulo.
Persephone colocou a cabeça no cocho de metal que tinha feno fresco, e começou a
mastigar, enquanto eu a escovava. Eu esqueci do quão relaxante era escovar um cavalo.
Bunny morreu de um repentino e assustador ataque cardíaco dois anos atrás, e vovó ficou
chateada demais para comprar outro cavalo. Ela disse que o “coelho” (que era como ela o
chamava) não podia ser substituído. Então fazia dois anos desde que eu não me
aproximava de um cavalo, mas voltou para mim instantaneamente – tudo. O cheiro, o
calor, o som dos cavalos comendo, e a gentil barulho que a escova fazia quando eu
deslizava pelo pêlo da égua.
Com a ponta da minha atenção em vagamente ouvi a voz de Lenobia, afiada e
irritada, enquanto ele xingava um estudante que eu achei que fosse aquele irritante
cabeça de vento. Eu olhei por cima de Persephone e espiei rapidamente. Certa, o cabeça
de vento estava parado na frente da cocheira dele. Lenobia estava parada ao lado dele,
com as mãos nos lábios. Mesmo de lado eu pude perceber que ela estava furiosa. Aquele
garoto estava numa missão para irritar todos os professores aqui? E o mentor dele era
Dragon? Ok, o cara parecia legal, até ele pegar a espada – eu quero dizer, florete – então
ele mudou de cara legal para mortalmente-perigoso-vampiro-guerreiro.
“Esse cabeça de vento deve estar querendo morrer,” eu disse a Persephone quando
voltei a escovar ela. A égua mexeu as orelhas para mim e soprou pelo nariz.
“Sim, eu sabia que você ia concordar. Quer ouvir minha teoria sobre como minha
geração sozinha pode limpar a America de idiotas e vadias?” Ela pareceu receptiva, então
eu comecei meu discurso de não procriação com perdedores...
“Zoey! Você está aí!”
“Oh meu Deus! Stevie Rae! Você quase me matou de susto!” Eu dei um tapinha em
Persephone, que tinha se mexido inquieta.
“Que no mundo você está fazendo?”
Eu mostrei a escova para ela. “O que parece que eu estou fazendo, Stevie Rae,
fazendo as unhas?”
“Pare de brincar. O Ritual da Lua Cheia vai começar em tipo, dois minutos?”
“Ah, diabos!” Eu dei mais um tapinha em Persephone e me apressei para sair do
estábulo.
“Você esqueceu, não foi?” Stevie Rae disse, segurando minha mão e me ajudando a
manter o equilibro enquanto tirava minha botas de borracha e colocava meus sapato
rasteirinha.
“Não,” eu menti.
Então eu percebi que eu também tinha esquecido sobre o Ritual das Filhas Negras
depois.
“Ah, diabos!”

house of night - marcada (capitulo 13)


TREZE
Eu achei o caminho para a aula de Literatura sozinha. Ok, era do lado da aula de
Neferet, mas ainda sim eu me sentia um pouco mais confiante quando não tive que pedir
para ser levada até lá como a idiota garota nova.
“Zoey! Guardamos uma mesa para você!” Stevie Rae gritou no instante que cheguei
na aula. Ela estava sentada ao lado de Damien, e praticamente pulando de excitação. Ela
parecia muito feliz e fofinha de novo, o que me fez sorrir. Eu estava muito feliz por ver
ela. “Então, então, então! Me conte tudo! Como foi a aula de Teatro? Você gostou? Você
gostou da professora Nolan? A tatuagem dela não é legal? Me lembra uma mascara – de
algum tipo.”
Damien pegou o braço de Stevie Rae. “Respire e deixe a garota responder.”
“Desculpe,” ela disse alegre.
“Eu acho que a tatuagem da Nolan é legal,” eu disse.
“Você acha?”
“Bem, eu estava distraída.”
“O que?” ela disse. Então os olhos dela se estreitaram. “Alguém embaraçou você por
causa da sua Marca? Eu juro que as pessoas são simplesmente grossas.”
“Não, não foi isso. Na verdade aquela Elizabeth Sem sobrenome disse que ela achava
legal. Eu estava distraída porque, bem...” eu estava sentindo meu rosto ficar vermelho de
novo, eu decidi que eu ia contar a eles sobre Erik, mas agora que eu comecei a falar eu
me perguntei se deveria dizer algo. Eu deveria contar a elas sobre o corredor?
Damien se animou. “Eu sinto um comentário quente vindo. Anda, Zoey. Você estava
distraída porqueeeeee?” Ele arrastou a palavra numa pergunta.
“Ok, ok. Eu posso resumir em duas palavras: Erik Night.”
A boca de Stevie Rae abriu e Damien fez um pequeno desmaio de mentirinha, que
ele teve que disfarçar muito bem porque bem nesse momento o sino tocou e a professora
Pehthesilea entrou.
“Depois!” Stevie Rae sussurrou.
“Absolutamente!” Damien falou.
Eu sorri inocentemente. Eu estava certa que eu ia adorar o fato de que ter
mencionado Erik iam enlouquecer eles por uma hora inteira.
A aula de literatura foi uma experiência. Pra começar, a sala era totalmente diferente
do que eu já vi. Tinha pôsteres bizarramente interessantes e quadros que pareciam ser
originais enchendo cada centímetro da parede. E pendurados do teto haviam sinos de
vento e cristais – muitos deles. A professora Penthesilea (cujo nome eu reconhecia da
Sociologia Vamp como pertencendo a maior guerreira amazona, e a quem todos
chamavam de prof. P) era como algo vinda de um filme (bem, aqueles do canal Sci-Fi).
Ela tinha um cabelo loiro enorme, olhos grandes, e um corpo cheio de curvas que
provavelmente fazia todos os caras babarem (não que seja muito difícil fazer os
adolescentes babarem.) As tatuagens dela eram finas, bonitas com amarras célticas
traçadas pelo rosto dela e pelas bochechas, fazendo elas parecerem altas e dramáticas.
Ela estava usando uma calça de aparência cara e um suéter de cardican da cor musgo que
tinha a mesma figura da deusa bordada por cima do peito dela que Neferet tinha. E, e
agora que eu pensei sobre isso (e não no Erik), eu percebi que a blusa da professora
Nolan, tinha o mesmo desenho da deusa na blusa que ela estava usando também.
Hmmmm...
“Eu nasci em Abril de 1902,” a professora Penthesilea disse, instantaneamente
chamando minha atenção. Eu quero dizer, por favor, ela mal parecia ter 30 anos. “Então
eu tinha 10 anos em abril de 1912, e eu lembro da tragédia muito bem. Sobre o que eu
estou falando? Algum de vocês tem alguma idéia?”
Ok, eu sabia exatamente do que ela estava falando, mas não era porque eu era uma
nerd louca por história. Era porque quando eu era mais nova eu achei que estava
apaixonada por Leonardo DiCaprio, e minha mãe comprou a coleção de DVDs inteira dos
filmes dele para meu aniversário de 12 anos. Esse filme em particular eu assisti tantas
vezes que eu ainda tinha memorizado ele (e eu não posso contar quantas vezes eu chorei
quando ele saiu do navio e flutuou para longe como um adorável picolé).
Eu olhei ao redor. Mas ninguém parecia ter idéia, então eu suspirei e levantei a mão.
A Prof. P sorriu e chamou meu nome. “Sim, Srta Redbird.”
“O Titanic afundou em abril de 1912. Foi atingido por um iceberg tarde da noite em
um domingo, dia 14, e afundou algumas horas depois no dia 15.”
Eu ouvi Damien chupar o ar no meu lado, e o pequeno huh de Stevie Rae. Droga, eu
realmente estava parecendo tão idiota que eles estavam chocados por ouvir eu responder
algo corretamente?
“Eu realmente adoro quando um calouro novo sabe algo?” A professora Penthesilea
disse. “Absolutamente correto, Srta. Redbird. Eu estava vivendo em Chicago na época da
tragédia, e nunca vou esquecer dos anúncios dos jornais com a tragédia. Foi um evento
horrível, especialmente porque a vida de vidas podia ter sido evitada. Também assinalou o
fim de uma época e o começo de outra, assim como também trouxe muitas mudanças
necessárias as leis de navegação. Vamos estudar tudo isso, além os deliciosamente
melodramáticos eventos da noite, na nossa próxima peça em literatura, Uma noite para
Recordar de Walter Lord. Embora Lord não fosse um vampiro – e é realmente uma pena
que ele não fosse,” ela acrescentou, “Eu ainda acho o jeito que ele escreveu e como ele
descreveu interessante e muito fácil de ler. Ok, vamos começar! A ultima pessoa em cada
fileira, pegue livros para as pessoas da sua própria fileira a sua do gabinete no fundo da
sala.”
Bem, legal! Isso com certeza era mais interessante do que ler Grandes Expectativas
(obs, Estella, quem se importa?!). Eu sentei com Uma noite para Recordar e meu caderno
aberto para fazer, hum, anotações. A professora P começou a ler o capitulo um em voz
alta, e ela era uma boa leitora. Três aulas já tinham quase acabado e eu tinha gostado de
todas. Era possível que uma escola vampira seria mais do que o lugar chato que eu ia
todo dia porque eu precisava e, além disso, onde todos os meus amigos estavam? Não
que todas as aulas de SIHS fossem chatas, mas não estudávamos as Amazonas e Titanic
(com uma professora que estava viva quando ele afundou!).
Eu olhei ao redor para os outros garotos enquanto a professora P lia. Havia cerca de
15 de nós, o que parecia ser a media nas minhas outras aulas também. Todos tinham
seus livros abertos e estavam prestando atenção.
E então meu olho viu algo vermelho e especo do outro lado da sala perto da parte de
trás da sala. Eu falei muito rápido – nem todos os garotos estavam prestando atenção.
Esse tinha a cabeça baixa nos braços e parecia estar dormindo, o que eu sabia por que
seu rosto gordinho e branco-demais estava virado na minha direção. A boca dele estava
aberta, e eu acho que ele estava babando um pouco. Eu me perguntei o que a Prof. P
faria com ele. Ela não parecia o tipo de professora que ficaria tranqüila com alguém
dormindo no fundo da sala, mas ela apenas continuou lendo, intercalando com fatos
interessantes dados de primeira mão sobre o inicio do século XX, o que eu gostei bastante
(eu adorava ouvir sobre as garotas metidas – eu definitivamente teria sido uma garota
metida se eu tivesse vivido nos anos 1920). Não foi até quando estava prestes a tocar que
a Prof. P que a professora deu o próximo capitulo com tarefa, e então nos disse que
podíamos conversar baixo entre nós, que ela agiu como se tivesse acabado de perceber o
garoto que estava dormindo. Ele começou a se mexer, finalmente levantado a cabeça
para mostrar os círculos vermelhos que estava do lado da testa dele e parecia
bizarramente deslocada ao lado da Marca dele.
“Elliott, eu preciso ver você logo,” Prof P disse atrás da mesa dela. O garoto demorou
para levantar e então arrastando os pés, arrastando os cadarços desatados, foi até a mesa
dela.
“Sim?”
“Elliott, você está, é claro, reprovando em literatura. Mas o que é mais importante,
você está falhando na vida. Vampiros homens são fortes, honráveis, e únicos. Eles são
nossos guerreiros e protetores a incontáveis gerações. Como você espera passar pela
Mudança e ser um grande guerreiro se você não praticar disciplina necessária até para
ficar em aula?”
Ele deu nos ombros.
A expressão dela endureceu. “Eu vou te dar uma oportunidade de se redimir pelo
zero em participação de aula que você recebeu hoje, você terá que escrever uma redação
sobre o que era importante na America no inicio do século XX. Esse trabalho é para
amanhã.”
Sem dizer nada, ele começou a se afastar.
“Elliott,” a voz da Prof. P tinha abaixado e, estava cheia de irritação, o que a fez
parecer mais assustadora do que ela pareceu enquanto estava dando aula e lendo. Eu
podia sentir o poder irradiando dela, o que me fez perguntar por que ela precisaria de um
homem protegendo ela. O garoto parou e virou o rosto para ela.
“Eu não liberei você. Qual é sua decisão sobre fazer o trabalho para se redimir pelo
zero?”
O garoto só ficou parado ali sem dizer nada.
“Essa pergunta pede uma resposta, Elliott. Agora!” O ar ao redor dela estalou com o
comando dela, fazendo a pele do meu braço formigar.
Parecendo não ter sido afetado, ele deu nos ombros de novo. “Eu provavelmente não
vou fazer.”
“Isso diz algo sobre o seu caráter, Elliott, e isso não é algo bom. Você não está
apenas falhando consigo, mas você está falhando com seu mentor também.”
Ele deu nos ombros de novo e sem pensar cutucou o nariz. “O Dragon já sabe quem
eu sou.”
O sino tocou e a Prof. P, com um olhar de nojo no rosto, apontou para Elliott sair da
sala. Damien, Stevie Rae, e eu só ficamos levantamos e estávamos começando a ir
embora quando Elliott andou desengonçado por nós, se movendo mais rapidamente do
que eu acreditei ser possível para alguém que parecia tão preguiçoso. Ele deu um
encontrão em Damien, que estava na nossa frente. Damien fez um oops e cambaleou um
pouco.
“Bicha nojenta, sai do caminho,” o garoto perdedor disse, empurrando Damien com
seu ombro para poder sair da porta antes dele.
“Eu deveria quebrar a cara desse idiota!” Stevie Rae disse, se apressando para
chegar até Damien, que estava esperando por nós.
Ele balançou a cabeça. “Não se preocupe. Esse garoto Elliott tem sérios problemas.”
“Sim, como ter coco no cérebro,” eu disse, olhando pelo corredor para as costas do
preguiçoso. O cabelo dele certamente não era atraente.
“Coco no cérebro?” Damien riu e ligou o braço no meu e o outro em Stevie Rae, nos
levando pelo corredor no estilo Mágico de Oz. “É isso que eu gosto na nossa Zoey,” ele
disse. “ela tem jeito com a linguagem vulgar.”
“Coco não é vulgar,” eu disse de forma defensiva.
“Eu acho que esse é o ponto, querida,” Stevie Rae riu.
“Oh.” Eu ri também, e eu realmente, realmente, gostei como soou quando ele disse
“nossa” Zoey. Como se eu pertencesse... como se eu estivesse em