domingo, 26 de fevereiro de 2012
A.Vampiro - beijo das sombras (capitulo 17)
DEZESSETE
Alguns dias depois, Lissa me encontrou longe do pessoal e me deu a melhor noticia do mundo.
“O tio Victor vai pegar a Natalie e a levar ela esse final de semana para o ir ao shopping em
Missoula. Para o baile. Eles disseram que eu podia ir junto.”
Eu não disse nada. Ela parecia surpresa com o meu silencio.
“Isso não é legal?”
“Pra você, eu acho. Não vejo nenhum shopping ou baile no meu futuro.”
Ela sorriu excitada. “Ele disse Natalie que ela podia levar duas pessoas além de mim. Eu a
convenci em levar você e Camille.”
Eu ergui minhas mãos. “Bom, valeu, mas eu não posso nem ir na biblioteca depois da aula.
Ninguem vai me deixar ir até Missoula.”
“O tio Victor acho que ele pode convencer a diretora Kirova em deixar você ir. Dimitri também
está tentando.”
“Dimitri?”
“Eh. Ele tem que ir comigo se eu sair do campus.” Ela sorriu, pegando meu interesse em
Dimitri tanto quanto no shopping. “Eles descobriram minhas finanças finalmente – eu tenho
minha mesada de volta. Então nós podemos comprar outras coisas além do vestido. E você
sabe, se eles deixarem você ir ao shopping, eles vão deixar você ir no baile.”
“Nós vamos a bailes agora?” Eu disse. Nós nunca tínhamos ido antes. Eventos patrocinados
pela escola? De jeito nenhum.
“É claro que não. Mas você sabe que vai haver todo tipo de festa secreta. Nós vamos no inicio
da baile e depois saímos de fininho.” Ela disse feliz. “Mia está com tanto ciúmes que ela mal
consegue agüentar.”
Ela continuou falando sobre todas as lojas onde a gente iria, e todas as coisas que podíamos
comprar.Eu admito, eu estava meio ansiosa sobre a perspectiva de comprar roupas novas, mas
eu duvidava que eu pudesse pegar os novos lançamentos míticos.
“Oh ei,” ela disse excitada. “Você deveria ver os sapatos que a Camille me emprestou. Eu
nunca soube que a gente usava o mesmo tamanho. Guenta aí.” Ela abriu sua mochila e
começou a remexer.
De repente, La gritou e jogou pra longe. Livros e sapatos caíram. E também uma pomba morta.
Era uma das pombas marrom pálido que ficavam em fios na estrada e sob as arvores no
campus. Tinha tanto sangue que eu pude imaginar qual eram os ferimentos. Quem ia saber
que algo tão pequeno ia ter tanto sangue assim? Independentemente, o pássaro
definitivamente estava morto.
Cobrindo sua boca, Lissa encarou sem palavras, com os olhos arregalados.
“Filho da mãe,” eu xinguei. Sem hesitar, eu peguei um graveto e tirei o corpo da pequena ave.
Quando estava fora do caminho, eu comecei a colocar as coisas dela de volta na mochila,
tentando não pensar em germes de aves mortas. “Porque diabos isso continua- Liss!”
Eu me abaixei e peguei ela, puxando-a para longe. Ela estava ajoelhada no chão, com suas
mãos esticadas para o pombo. Eu não acho que ela nem se deu conta do que ela estava
prestes a fazer. O instinto nela era tão forte, que agiu sozinho.
“Lissa,” eu disse, endurecendo minhas mãos ao redor dela. Ela ainda estava se inclinando em
direção ao pássaro.”Não. Não faça isso.”
“Eu posso salva-lo.”
“Não, você não pode. Você prometeu,lembra? Algumas coisas tem que permanecer mortas.
Deixa isso pra lá.” Ainda sentindo sua tenção, eu implorei. “Por favor, Liss. Você prometeu.
Nada mais de curas. Você disse que não faria. Você me prometeu.”
Depois de mais alguns minutos, eu senti sua mão relaxar e o seu corpo tropeçar no meu. “Eu
odeio isso, Rose. Eu odeio tudo isso.”
Natalie apareceu, inconsciente da vista horrível que a esperava.
“Hey,vocês – oh meu Deus!” Ela gritou, vendo o pombo.”O que é isso?”
Eu ajudei Lissa a se levantar. “Outra, hum, brincadeira.”
“Isso...tá morto?” Ela fez um careta de nojo.
“Sim”, eu disse com firmemente.
Natalie, absorvendo nossa tensão, olhou pra nós. “O que mais está errado?”
“Nada.” Eu entreguei pra Lissa sua mochila.”Isso é só uma estúpida e doente piada, e eu vou
contar pra Kirova para que eles limpem isso.”
Natalie se virou, parecendo um pouco verde. “Porque as pessoas continuam fazendo isso com
você? É horrível.”
Lissa e eu trocamos olhares.
“Eu não faço idéia,” eu disse. E no entanto enquanto eu andava para o escritório de Kirova, eu
comecei a me perguntar.
Quando nós encontramos a raposa, Lissa tinha achado que alguém deveria saber sobre o
corvo. Eu não tinha acreditado nisso. Nós estávamos sozinhas na floresta aquela noite, e a Sra.
Karp não teria contado pra ninguém. Mas e sem alguém realmente tivesse visto? E se alguém
ficava fazendo isso, não para assustar ela, mas fazer se ela podia fazer de novo? O que a nota
que estava junto com o coelho dizia? Eu sei o que você é.
Eu não comentei nada disso com Lissa; Eu acho que só existe um certo numero das minhas
teorias de conspiração que ela pode agüentar. Além do mais, quando eu a vi no outro dia, ela
tinha praticamente esquecido sobre o pombo devido as outras noticias: Kirova tinha me dado
permissão para ir na viagem do fim de semana. A perspectiva de um shopping pode fazer com
que muitas situações negras se iluminem – mesmo assassinato de animais – e eu pus minhas
preocupações em espera.
Mas, quando veio a hora, eu descobri que eu fui liberada com algumas condições.
“A diretora Kirova acha que você tem se saído bem desde que voltou,” Dimitri me disse.
“Fora o fato de ter começado uma briga na aula do Sr. Nagy?”
“Ela não culpa você por isso. Não inteiramente. Eu a convenci de que você precisa de um
tempo... e que você poderia usar isso como um exercicio de treinamento.”
‘Exercício de treinamento?”
Ele me deu uma explicação breve enquanto nós andávamos para nos encontrar com os outros
que iam conosco. Victor Dashkov, mais doente que nunca, estava lá com seus guardiões, e
Natalie praticamente grudada a ele. Ele sorriu e deu a ela um cuidadoso abraço, que terminou
quando uma tosse tomou conta. Os olhos da Natalie se alargaram de preocupação enquanto
ela esperava a tosse passar.
Ele alegou que estava bem para nós acompanhar, e enquanto admirava sua determinação, eu
pensei que ele estava passando por bastante coisa só sair as compras com um bando de
garotas adolescentes.
Nós fizemos uma viagem de duas horas até Missoula numa van escolar grande, partindo logo
depois do sol nascer. Muitos Moroi viviam separados dos humanos, mas muitos também
viviam junto com eles, e para fazer compras no shopping, você tinha que ir no horário deles. A
janela de trás da van tinha cobertura para filtrar a luz e manter o pior longe dos vampiros.
Nós tínhamos nove pessoas no grupo: Lissa, Victor, Natalie, Camille, Dimitri,eu e mais três
outros guardiões. Dois dos guardiões, Bem e Spiridon, sempre viajavam com Victor. O terceiro
era um guardião da escola: Stan, o idiota que tinha me humilhado no primeiro dia de volta.
“Camille e Natalie não tem guardiões pessoais ainda,” Dimitri me explicou. “Ambas estão sob
proteção dos guardiões de sua família. Já que elas são estudantes da academia saindo do
campus, um guardião da escola tem que acompanha-las – Stan. Eu vou porque eu sou o
guardião responsável por Lissa. A maioria das garotas da idade dela não teria um guardião
responsável ainda, mas as circunstancias a faz especial.”
Eu sentei no fundo da van com ele e Spiridon, para que eles pudessem me mandar mais da
sabedoria dos guardiões como parte do “exercício de trainamento.” Bem e Stan sentaram na
frente, enquanto os outros sentaram no meio. Lissa e Victor conversam entre si bastante,
botando a fofoca em dia. Camille, criada para ser educada entre outros da realeza, sorria e
concordava. Natalie, por outro lado, parecia deslocada e ficava tentando tirar a atenção do seu
pai de Lissa. Não funcionou. Ele aparentemente tinha aprendido a se desligar da conversa dela.
Eu me virei de volta pra Dimitri. “Ela supostamente deveria ter dois guardiões. Príncipes e
princesas sempre tem.”
Spiridon era da idade de Dimitri, com cabelos loiros pontudos e uma atitude mais casual.
Apesar do seu nome grego, ele tinha um sotaque sulista. “Não se preocupe, ela terá vários
quando a hora chegar. Dimitri já é um deles. As chances são de que você será a outra.E é por
isso que você está aqui hoje.”
“A parte do treinamento,” eu chutei.”
“Sim. Você será a parceira do Dimitri.”
Houve um momento de silencio esquisito, provavelmente ninguém notaria a não ser eu e
Dimitri. Nossos olhos se encontraram.
“Parceira guardiã,” Dimitri especificou sem necessidade, como se talvez ele também estivesse
pensando em outro tipo de parceria.
‘É,” concordou Spiridon.
Sem perceber a tensão envolta dele, ele continuou explicando como as duplas de guardiões
funcionavam. Eram coisas padrão, tiradas direto dos meus livros, mas significa mais agora que
estávamos fazendo no mundo real. Guardiões eram enviados ao Moroi baseados na
importância. Dois era o mais comum, um provavelmente trabalharia com Lissa. Um guardião
ficaria perto do alvo; o outro ficava atrás e ficava de olho nos arredores.
De forma maçante, aqueles que ficavam suas posições eram chamados de guardiões de perto
e de longe.
“Você provavelmente sempre será a guardiã de perto,” Dimitri me disse. “Você é mulher e da
mesma idade que a princesa. Você pode ficar perto dela sem chamar muita atenção.”
“E eu não posso nunca tirar meus olhos dela,” eu acenei. “Ou você.”
Spiridon riu de novo e levantou uma sobrancelha para Dimitri. “Você tem uma estudante
brilhante aqui. Você deu a ela uma estaca?”
“Não. Ela não está pronta.”
“Eu estaria se alguém me mostrasse como usar uma,” eu discuti. Eu sabia que todo guardião
na van tinha uma estaca e uma arma escondida.
“Tem mais do que simplesmente usar uma estaca,” disse Dimitri do seu jeito velho sábio.
“Você ainda tem que estudá-las. E você tem que ser capaz de matá-los.”
“Porque eu não seria capaz?”
“A maioria dos Strigoi costumavam ser Moroi que se transformaram de propósito. As vezes
eles são Moroi ou dhampirs que foram forçados a mudar. Não importa. Tem uma
probabilidade bem alta de que você conheça algum deles. Você poderia matar alguém que
você costumava conhecer?”
Essa viagem estava ficando cada vez menos divertida a cada minuto.
“Eu acho que sim. Eu teria que fazer isso, certo? Se for eles ou a Lissa...”
“Ainda sim você pode hesitar,” disse Dimitri. “E essa hesitação poderia matar você. E ela.”
“Então como você se certifica de que não vai hesitar?”
“Você tem que ficar repetindo a si mesmo que aquelas não são mais as pessoas que você
costumava conhecer. Eles se transformaram em algo negro e distorcido. Algo que não é
natural. Você tem que abandonar o que te ligava a eles e fazer o que é certo. Se eles tiverem
qualquer vestígio deles mesmos, eles provavelmente ficaram agradecidos.”
“Agradecidos por eu mata-los?”
“Se alguém te transformasse numa Strogoi, o que você gostaria?” ele perguntou.
Eu não sabia como responder isso, então eu não disse nada. Sem nunca tirar seus olhos de
mim, ele continuou pressionando.
‘O que você iria querer se você soubesse que eles iriam te converter em um Strigoi contra a
sua vontade?” Se você soubesse que iria perder todo o senso de moral e entendimento do que
é certo e errado? Se você soubesse que iria viver o resto da sua vida – sua vida imortal –
matando pessoas inocentes? O que você iria querer?”
A van tinha ficado desconfortavelmente silenciosa. Encarando Dimitri, exausta por todas
aquelas perguntas, eu de repente entendi porque eu e ele tínhamos essa atração estranha,
fora a beleza. Eu nunca tinha conhecido ninguém que levava tão serio ser um guardião, que
entendi as consquencias de vida ou morte. Certamente ninguém da minha idade; Mason não
havia sido capaz de entender porque eu não podia relaxar e beber na festa. Dimitri tinha dito
que eu entendia meu trabalho melhor que muitos guardiões mais velhos, e eu não entendi
porque – especialmente quando eles teriam visto tantas mortes e perigo. – Mas eu soube
naquele momento que ele tinha razão, que eu tinha um senso esquisito de como vida ou
morte, bondade e maldade funcionavam entre si. E ele também. Nós podemos nos sentir
sozinhos as vezes.Nós talvez tenhamos que colocar nossa diversão de lado. Nós talvez não
sejamos capazes de viver nossas vidas do jeito que a gente quiser. Mas esse era o jeito que
tinha que ser. Nós nos entendíamos, entendíamos que tínhamos outros pra proteger.Nossas
vidas nunca seriam fáceis.
E tomar decisões dessas era apenas uma parte dela.
“Se eu me transformasse numa Strigoi... eu iria querer que alguém me matasse.”
“Eu também,” ele disse baixo.Eu pude perceber que ele teve os mesmos flash de
entendimento , o mesmo senso de conexão entre nós.
“Me lembrou de Mikhail caçando Sonya,” murmurou Victor que estava pensativo.
“Quem eram Mikhail e Sonya?” Perguntou Lissa?
Victor parecia surpreso. “Bom, eu pensei que você sabia. Sonya Karp.”
“Sonya Kar... você quer dizer a Sra. Karp? O que temela?” Ela olhou pra mim e para o tio dela.
“Ela... se transformou numa Strigoi,” Eu disse, sem olhar para os olhos de Lissa. “Por escolha.”
Eu sabia que Lissa ia descobrir algum dia. Era a peça final da saga da Sra. Karp, um segredo que
eu mantive pra mim mesma. Um segredo que me preocupava constantemente. O rosto de
Lissa e o nosso laço registrou um enorme choque, crescendo intensamente enquanto ela se
dava conta, que eu sabia e nunca tinha contado para ela.
“Mas eu não sei quem é Mikhail,” eu acrescentei.
“Mikhail Tanner,” disse Spiridon.
“Oh. O guardião Tanner. Ele estava lá antes de partimos.” Eu congelei. “Porque ele estava
perseguindo a Sra. Karp?”
“Para matá-la,” disse Dimitri. “Eles eram amantes.”
O negocio todo do Strigoi mudou de foco diretamente pra mim. Se encontrar com um Strigoi
durante a batalha era uma coisa. Caçar propositalmente alguém... alguém que eu havia
amado. Eu não sabia se eu seria capaz de fazer isso, mesmo que fosse tecnicamente a coisa
certa se fazer.
‘Talvez esteja na hora de falar sobre outra coisa,’ disse Victor gentilmente.”Hoje não é um dia
de ficar arrastando tópicos deprimentes.”
Eu acho que todos nós ficamos aliviados ao chegar no shopping. Mudando para o papel de
guarda-costas, eu fiquei ao lado de Lissa enquanto nós íamos de loja a loja, olhando pra todos
os estilos que tinham ali. Era bom estar em publico de novo e fazer algo com ela que era só
divertido e não envolvia nenhuma outra política distorcida da Academia. Era quase como nos
velhos tempos. Eu sentia falta da gente só sair juntas. Eu sentia falta da minha melhor amiga.
Embora recém tinha passado metade de novembro, o shopping estava cheio de enfeites de
natal e decorações. Eu decidi que eu tinha o melhor trabalho do mundo. Eu admito, eu me
senti um pouco excluída quando eu me dei conta que eu não tinha um daqueles aparelhos de
comunicação que os outros guardiões tinham.Quando eu protestei por não ter um, Dimitri
havia me dito que eu aprenderia mais sem usar um. Que se eu pudesse dar conta de proteger
Lissa do jeito antigo, eu podia lidar com qualquer coisa.
Victor e Spiridon ficaram conosco enquanto Dimitri e Ben se espalhavam, de alguma forma
conseguindo não parecer uns perseguidores de garotas adolescentes esquisitos.
“Isso é tão você,” disse Lissa na loja Macy, me entregando uma camisa sem manga enfeitada
com laços.’Eu foi comprar pra você.”
Eu olhava aquilo ansiosa, já me imaginando naquilo. Então, fazendo com que meus olhos se
encontrassem com o de Dimitri eu balancei a cabeça e voltei pra realidade. “O inverno está
chegando. Eu vou ficar com frio.”
“Nunca impediu você antes.”
Dando nos ombros, ela colocou de volta. Ela e Camille experimentaram uma quantidade
imensa de roupas, suas mesadas enormes permitindo que preço não fosse um problema. Lissa
se ofereceu pra comprar qualquer coisa que eu quisesse. Nós tínhamos sido generosas com
nós mesmas nossa vida toda, e eu não hesitei em aceitar a oferta. Minha escolha a
surpreendeu.
“Você tem três camisas térmicas e um canguru.” Ela me informou, revirando uma montanha
de jeans BCBG. “Você agindo como uma chata, comigo.”
“Hey, eu não vejo você comprando tops de vadias.”
“Não sou eu que os uso.”
“Muito obrigado.”
“Você sabe o que eu quero dizer. Você está até mesmo usando o seu cabelo preso.”
Era verdade. Eu tinha aceitado o conselho de Dimitri e tinha prendido meu cabelo em um
coque, ganhando um sorriso quando ele o viu. Se eu tivesse tatuagens molnija, elas estariam
aparecendo. Olhando ao redor, ela se certificou que mais ninguém pudesse nos ouvir. Os
sentimentos na nossa ligação mudando para algo mais problemático.
“Você sabia sobre a Sra. Karp.”
“Sim. Eu ouvi sobre isso mais ou menos um mês depois que ela partiu.”
Lissa jogou um par de calças jeans decoradas por cima do braço, sem olhar pra mim. “Porque
você não me disse?”
“Porque você não precisava saber.”
“Você achou que eu não conseguia dar conta?”
Eu mantive meu rosto em branco. Enquanto eu a encarava, minha mente voltava ao tempo,
dois anos atrás. Já tinham se passado dois dias desde a minha suspensão por supostamente ter
destruído o quarto de Wade quando um da realeza visitou a escola. Eu tinha recebi permissão
pra ir para a recepção mas estava sobre forte guarda para terem certeza que eu não “tentaria
nada.”Dois guardiões me escoltaram pela cafeteria e conversavam baixo entre eles no
caminho.
“Ela matou o doutor que estava cuidando dela e quase pegou metade dos pacientes e
enfermeiras que estavam no caminho.”
“Eles tem alguma idéia de pra onde ela foi”?
“Não, eles a estão perseguindo... mas, bem, você sabe como é.”
“Eu nunca esperei que ela fizesse isso. Ela não parecia o tipo.”
“É, bom, Sonya era maluca. Você viu como ela estava ficando violenta perto do fim?Ela era
capaz de qualquer coisa.”
Eu estava me arrastando miseravelmente quando eu levantei minha cabeça pra cima.
“Sonya?Você quer dizer a Sra. Karp?” Eu perguntei. “Ela matou alguém?”
Os dois guardiões trocaram olhares. Finalmente, um disse seriamente. “Ela se tornou uma
Strigoi, Rose.”
Eu parei de andar e o encarei. “A Sra. Karp? No... ela não faria...”
“Eu temo que sim,” o outro respondeu. “Mas... você deve manter isso pra você mesma. É uma
tragédia. Não faça fofoca disso pela escola.”
Eu passei o resto da noite confusa. A Sra. Karp. Karp Louca. Ela tinha matado alguém para se
tornar uma Strigoi. Eu não podia acreditar.
Quando a recepção acabou, eu consegui escapar dos meus guardiões e consegui alguns
minutos precisos com Lissa. A ligação já estava forte, e eu não precisei ver seu rosto pra saber
o qual miserável ela estava se sentindo.
“Qual o problema?”Eu perguntei pra ela. Nós estávamos no canto do corredor, perto da
cafeteria. Seus olhos estavam vazios. Eu podia sentir que ela estava com dor de cabeça; a dor
se transferiu pra mim. “Eu... eu não sei.Eu me sinto esquisita. Eu sinto como se estivesse sendo
seguida, como se eu tivesse que ter cuidado, sabe?”
Eu não sabia o que dizer. Eu não achei que ela estava sendo seguida, mas a Sra. Karp
costumava dizer a mesma coisa. Sempre paranóica. “Provavelmente não é nada.” Eu disse
rapidamente.
“Provavelmente,” ela concordou. Seus olhos de repente se estreitaram. “Mas Wade não é. Ele
não para de falar sobre o que aconteceu. Você não pode acreditar nas coisas que estão
dizendo sobre você.”
Eu podia, mas eu não estava nem ai.”Esqueça ele. Ele não é nada.”
“Eu odeio ele,” ela disse. Sua voz estava afiada de maneira não característica. “Eu estou no
comitê para angariar fundos com ele, e eu odeio ouvir ele falar com a sua boca gorda todo dia
vendo ele fletar com qualquer garota que passa.Você não deveria ter sido punida pelo que ele
fez. Ele precisa pagar.”
Minha boca ficou seca. “Está tudo bem... eu não ligo. Se acalme, Liss.”
“Eu me importo,” ela surto, virando sua raiva pra mim. “Eu queria que tivesse um jeito de fazer
ele fazer ele pagar. Algum jeito de machucar ele como ele machucou você.” Ela colocou suas
mãos nas costas e se remexeu pra frente e pra trás furiosa, seus passos fortes e decididos. O
ódio e a raiva estavam fervendo dentro dela. Eu podia sentir através da ligação. Parecia uma
tempestade, e me assustou pra caramba. Ao redor de tudo estava uma incerteza, uma
instabilidade que fazia com que Lissa não soubesse o que fazer, mas ela queria
desesperadamente fazer algo.Qualquer coisa. Minha mente voltou para a noite com o taco de
baseball. E então em pensei na Sra. Karp. Ela se tornou uma Strigoi, Rose. Foi o momento mais
assustador da minha vida. Mais assustador que vê-la no quarto de Wade. Mais assustador que
vê-la curar o corvo. Mais assustador que os guardiões me pegarem. Porque naquele momento,
eu não conhecia minha melhor amiga. Eu não sabia do que ela era capaz. Um ano antes, eu
teria rido de qualquer um que dissesse que ela queria ser uma Strigoi. Mas a um ano, eu
também teria rido de qualquer um que me dissesse que ela queria cortar seus pulsos ou fazer
alguém “pagar.”Naquele momento, eu de repente acreditava que ela poderia fazer o
impossível. E eu tinha que ter certeza que ela não o faria.
Salve ela. Salve ela de si mesma.
“Nós estamos indo embora,” eu disse, pegando o braço dela e a guiando pelo corredor. “Agora
mesmo.” Confusão substituiu a raiva momentaneamente. “O que você quer dizer?Você quer ir
pra floresta ou algo assim?”
Eu não respondi. Algo em minha atitude ou palavras deve ter assustado ela, porque ela não fez
perguntas enquanto eu a levava para fora da cafeteria, passando pelo campus em direção ao
estacionamento onde os visitantes chegavam.Estava cheio de carros, que pertenciam aos
convidados da festa. Um deles era um carro Lincoln Town grande, e eu observei quando o
motorista o ligou.
“Alguem está indo embora cedo,” eu disse, olhando pra ele por um amontoado de arbustos.Eu
olhei para trás de nós e não vi nada. “Eles provavelmente estarão aqui em um minuto.”
Lissa entendeu. “Quando você disse, “Nós estamos indo embora.” Você quis dizer... não.Rose,
nós não podemos sair da Academia. Nós nunca iríamos passar pelos pontos de checagem.”
“Nós não precisamos,” eu disse firme. “Ele passa.”
“Mas como ele vai nos ajudar?”
Eu respirei fundo, me arrependendo do que eu tinha que dizer mas vendo que era o menor
dos males. “Você sabe como você fez Wade fazer aquelas coisas?”
Ela hesitou e acenou.
“Eu preciso que você faça a mesma coisa. Vá até aquela cara e diga a ele que ele precisa nós
esconder no carro.”
Choque e medo se apoderaram dela. Ela não entendeu, e ela estava assustada. Extremamente
assustada. Ela tinha estado assustada a semanas agora, desde ter curado o corvo e o humor e
Wade. Ela estava frágil e a beira de algo que nenhuma de nós ia entender. Mas apesar de tudo
isso, ela confiava em mim. Ela acreditava que eu a manteria segura.
“Ok,” ela disse. Ela deu alguns passos em direção a ele, e então olhou de volta pra mim.
“Porque? Porque nós estamos fazendo isso?”
Eu pensei na raiva de Lissa, seu desespero, seu desejo de fazer qualquer coisa para se vingar
de Wade. E eu pensei na Sra. Karp – na bonita e instável Sra. Karp – se tornando uma Strigoi.
“Eu vou cuidar de você,” eu disse. “Você não precisa saber de mais nada.”
No shopping de Missoula, parada entre cabides de roupas desejáveis, Lissa perguntou de novo,
“Porque você não me disse?”
“Você não precisava saber,” eu repeti.
Ela foi em direção ao provador, ainda sussurrando pra mim.”Você estava preocupada que eu
fosse perder a cabeça. Você está preocupada que eu me torne uma Strigoi também?”
“Não. De jeito nenhum. Isso foi só ela.Você nunca faria isso.”
“Mesmo se eu fosse louca?”
“Não,” eu disse, tentando fazer uma piada. “Você apenas rasparia a cabeça e viveria com 30
gatos.”
Os sentimentos de Lissa ficaram mais obscuros, mas ela não disse mais nada. Parando fora do
provador, ela puxou um vestido preto do cabide. Ela o lustrou um pouquinho.
“Esse é o vestido para o qual você nasceu. Eu estou me lixando pro quão pratica você é agora.”
Feito de um sedoso material preto, o vestido não tinha alças nem mangas, caindo até os
joelhos. Embora tivesse uma leve barra de saia, o resto parecia que definitivamente seria
capaz de arranjar seria ação. Super sexy. Talvez até desafiando-o-código-de-vestimenta-daescola
sexy.
“Esse é o meu vestido,” eu admiti. Eu continuei olhando pra ele, o querendo tanto que eu senti
uma coceira no peito. Esse era o tipo de vestido que podia mudar o mundo. O tipo de vestido
que começava religiões. Lissa colocou perto de mim. “Experimente.”
Eu balancei minha cabeça e comecei a me afastar. “Eu não posso. Comprometeria você. Um
vestido não vale a sua morte horrenda.”
“Então nós vamos simplesmente comprar sem que você o experimente.” Ela comprou o
vestido.
A tarde continuou, e eu me encontrei ficando cansada. Sempre observando e estando em
guarda de repente se tornou bem menos divertido. Quando nós chegamos na nossa ultima
parada, uma loja de jóias, eu me senti meio feliz.
“Aqui vamos nós,” disse Lissa, apontando para uma nas caixas. “O colar feito para ir com o
vestido.”
Eu olhei. Uma pequena corrente de ouro com dourado e cheio de diamantes pendente rosa.
Ênfase na parte do diamantes.
“Eu odeio coisas rosas.”
Lissa sempre tinha adorado me dar coisas rosas – só para ver minha reação, eu acho. Quando
ela viu o preço do colar, o sorrisou dela desapareceu.
“Oh, veja isso. Até mesmo você tem limites,” eu provoquei. “Seus gastos loucos são parados
finalmente.”
Nós esperamos que Victor e Natalie terminasse. Ele aparentemente estava comprando algo
pra ela, e ela parecia que podia criar asas e voar para longe de tanta felicidade.Eu estava feliz.
Ela estava morrendo pra ter sua atenção. Talvez ele estivesse comprando pra ela algo
extremamente caro para compensar. Nós voltamos pra casa em silencio, nosso horário de
dormir todo invertido por causa da viagem de dia. Sentada perto de Dimitri, eu me reclinei
contra o banco e bocejei, muito ciente que nossos braços estavam se tocando. Aquele
sentimento de proximidade e conexão queimou entre nós. “Então, eu posso algum dia
experimentar roupas de novo?” Eu perguntei baixinho sem querer acordar os outros. Victor e
os guardiões estavam acordados, mas as garotas tinham dormido.
“Quando você está em serviço, você não pode. Você pode fazer quando estiver de folga.”
“Eu nunca vou querer folga. Eu quero sempre cuidar de Lissa.” Eu bocejei de novo. “Você viu
aquele vestido?”
“Eu vi o vestido.”
“Você gostou?”
Ele não respondeu. Eu entendi como um sim.
“Eu vou por em perigo minha reputação se eu o usar no baile?”
Quando ele falou, eu mal pude ouvir ele. “Você vai por em perigo a escola.”
Eu sorri e peguei no sono.
Quando eu acordei, minha cabeça descansava contra os ombros dele. Aquele casaco longo
dele- a capa- me cobria como um cobertor. A van tinha parado; nós estávamos de volta na
escola.Eu tirei a capa e levantei procurando por ele, de repente me sentindo bem acordada e
feliz. Pena que a minha liberdade estava pra acabar.
“De volta a prisão,” eu suspirei, andando ao lado de Lissa nos dirigindo até a cafeteria. “Talvez
se você fingir um ataque cardíaco, eu posso dar uma escapada.”
“Sem as suas roupas?” Ela me entregou minha sacola, e eu a balancei feliz. “Eu não posso
esperar pra ver o vestido.”
“Eu também não. Se eles me deixarem ir.Kirova ainda está decidindo se eu fui boa o
suficiente.”
“Mostre a ela aquelas camisetas sem graça que você comprou. Ela vai entrar em coma.Eu
estou quase entrando.”
Eu ri e saltei num daqueles bancos de madeira, andando junto com ela enquanto eu andava
junt. Eu pulei de volta pro chão quando eu cheguei no fim do banco. “Eles não são tão sem
graça.”
“Eu não sei o que eu penso dessa nova, e responsável Rose.”
Eu pulei em outro banco. “Eu não sou tão responsável.”
“Hey,” chamou Spiridon. Ele e o resto do grupo nos seguiram mais atrás. “Você ainda está em
serviço. Diversão não é permitida aqui.”
“Não tem diversão aqui,” eu respondi, ouvindo uma risada em sua voz. “Eu juro – merda.”
Eu estava no terceiro banco, perto do fim dele. Meus musculos tensos, prontos pra pular pra
baixo. Mas quando eu tentei, meu pé não foi comigo.A madeira que parecia forte e solida,
tinha quebrado sobre os meus pés, quase como papel. Se desintegrou. Meu pé atravessou o
buraco, meu tornozelo ficando preso no buraco enquanto o resto do meu corpo tentava ir em
outra direção. O banco me segurou, empurrando meu corpo pro chão ainda segurando o meu
pé. Meu tornozelo se curvou em uma direção nada natural. Eu cai.Eu ouvi o som de algo
quebrando que não era a madeira. A pior dor da minha vida passou pelo meu corpo. E então
eu desmaiei.
A.Vampiro - beijo das sombras (capitulo 16)
DEZESSEIS
No outro dia, me atingiu em cheio o quanto as coisas tinham mudado desde que os rumores
de Jesse e Ralf haviam começado. Para algumas pessoas, eu permaneci com uma fonte infinita
de fofocas e risadas. Dos convertidos de Lissa, eu recebi amistosas e ocasionais defesas. No
geral, eu percebi, nossos colegas me já davam pouco da atenção deles. Isso se tornou
especialmente real quando algo novo os distraiu.
Lissa e Aaron.
Aparentemente, Mia tinha descoberto sobre a festa e tinha explodido quando ela soube que
Aaron tinha estado lá sem ela. Ela reclamou com ele, e disse a ele que se ele quisesse ficar com
ela ele não podia correr pra ficar com Lissa. Então Aaron havia decidido que ele não queria
ficar com ela. Ele terminou com ela naquela manhã... e seguiu em frente.
Agora ele e Lissa não se largavam. Eles ficaram perto do hall na hora do almoço, com os braços
segurando um ao outro, rindo e conversando. Minha ligação com Lissa mostrou apenas um
pequeno interesse, apesar dos olhares que pareciam achar que ele era a coisa mais fascinante
do planeta. A maior parte disso era pra se mostrar, sem ele saber. Ele parecia como se pudesse
construir um santuário aos pés dela a qualquer momento.
E eu? Eu me sentia doente.
Meus sentimentos, no entanto, não eram nada comparados ao de Mia. No almoço, ela se
sentou o mais longe possível de nós, com os olhos fixos pra frente, ignorando as consolações
dos amigos que estavam perto dela. Ela tinha manchas cor de rosa, em sua pálidas e redondas
bochechas, e os seus olhos estavam vermelhos. Ela não disse nada quando eu passei.
Nenhuma piada. Nenhum olhar de gozação. Lissa a tinha destruído, assim como Mia tinha
jurado fazer conosco.
A única pessoa mais miserável que Mia era Christian. Diferente dela, ele não tinha problemas
em encarar o casal feliz enquanto demonstrava um olhar de ódio em seu rosto. Como de
costume, ninguém nem mesmo notou.
Depois de assistir Lissa e Aaron ficarem pela décima vez, eu sai do almoço mais cedo e fui ver a
Sra. Carmack, a professora que ensinava “Elementos Básicos.” Eu andava querendo falar com
ela fazia um tempo.
“Rose, certo?” Ela parecia surpresa em me ver mas não irritada ou incomodando como metade
dos professores parecia ultimamente.
‘Sim. Eu tenho uma pergunta sobre, hum, mágica.”
Ela levantou uma sobrancelha. Novatos não tinham aula de mágica. “Claro. O que você quer
saber?”
“Eu estava ouvindo o padre falar sobre o Santo Vladimir no outro dia... Você sabe em que
elemento ele era especializado? Vladimir, eu quero dizer. Não o padre.”
Ela amarrou a cara. “Estranho. Famoso como ele é, estou surpresa que isso nunca tenha vindo
a tona. Eu não sou nenhum expert, mas em todas as histórias que eu ouvi, ele nunca fez nada
que se conectasse com ninguém dos elementos. Ou é isso, ou ninguém nunca gravou nada.”
“E quanto aos seus poderes de cura?” Eu fui adiante. “Tem um elemento que permite que
você faça isso?”
“Não, não que eu saiba.” Seus lábios se abrindo num pequeno sorriso. “Pessoas de fé
poderiam dizer que ele curava através dos poderes de Deus, não através de algum elemento
mágico. Afinal de contas, uma coisa certa nas histórias era que ele era “cheio de espírito”.
“É possível que ele não tinha uma especialização em um elemento?”
O sorriso dela sumiu. “Rose, isso realmente é sobre o santo Vladimir? Ou é sobre a Lissa?”
“Não exatamente...” eu murmurei.
“Eu sei que é difícil pra ela- especialmente na frente dos outros colegas- mas ela tem que ser
paciente,” ela explicou gentilmente. “Vai acontecer. Sempre acontece.”
“Mas as vezes não acontece.”
“Raramente.Mas eu não acho que ela vá ser um desses. Ela tem uma apitude maior que o
normal para os quatro elementos, mesmo que ela não tenha se especializado em um. Um
deles vai se destacar a qualquer dia em breve.”
Isso me deu uma idéia. “É possível se especializar em mais de um elemento?”
Ela riu e balançou a cabeça. “Não. Muito poder. Ninguem poderia lidar com tanta mágica, não
sem perder a cabeça.”
Ah. Ótimo.
“Ok. Obrigado.” Eu comecei a ir embora, e então pensei em mais uma coisa. “Hey, você se
lembra da Sra. Karp? No que ela era especializa?
Sra. Carmack deu um olhar desconfortável o mesmo que qualquer professor fazia quando
alguém comentava sobre a Sra. Karp.
“Na verdade-“
“O que?”
“Eu quase esqueci. Eu acho que ela era um dos raros que nunca se especializou. Ela sempre
mantinha um controle bem baixo dos quatro elementos.”
Eu passei o resto das aulas da tarde pensando sobre as palavras da Sra. Carmack, tentando
encaixa-las na minha teoria Kissa-Karp-Vladimir. Eu também espionei Lissa. Tantas pessoas
queriam falar com ela agora que ela mal notou o meu silencio. Mas de vez enquanto eu a via
olhar para mim sem sorrir, com um olhar cansado. Rir e fofocar o dia todo com pessoas que
ela só meio gostava estava cansando-a.
“Missão cumprida,” eu disse a ela depois da aula. “Você pode parar com o Projeto Lavagem
cerebral.”
Nós nos sentamos em bancos no jardim, e ela balançava suas pernas pra frente e pra trás. “O
que você quer dizer?”
“Você conseguiu. Você fez as pessoas pararem de fazer minha vida horrível. Você destruiu Mia.
Você roubou Aaron. Brinque com ele por mais algumas semanas, então largue ele e os outros
da realeza de mão. Você ficará mais feliz.”
“Você não acha que eu estou feliz agora?”
“Eu sei que você não está. Algumas das festas são divertidas, mas você odeia fingir ser amiga
de pessoas que você não gosta – e você não gosta deles. Eu sei o quanto Xander irritou você
aquela noite.”
“Ele é um idiota, mas eu posso lidar com isso. Se eu parar de andar com eles, tudo vai voltar a
ser como era. Mia vai começar de novo. Desse jeito, ela não pode nos incomodar.”
“Não vale apena se tudo o que você está fazendo está te incomodando.”
“Nada está me incomodando.” Ela soava um pouco defensiva.”
“É?” Eu perguntei vilmente. “Porque você ama tanto o Aaron? Porque você não consegue
esperar em transar com ele de novo?”
Ela me encarou. “Eu mencionei que você pode ser uma enorme vaca as vezes?”
Eu ignorei. “Eu estou simplesmente dizendo que você já tem muita merda pra se preocupar.
Você está se cansando com tanta compulsão que você está usando.”
“Rose!” Ela olhou ansiosa ao redor. “Fique quieta!”
“Mas é verdade. Usar todo esse tempo vai mexer com a sua cabeça.De verdade.”
“Você não acha que está exagerando?”
“E quanto a Sra. Karp?”
A expressão de Lissa ficou bem parada. “O que tem ela?”
‘Você. Você é igual a ela.”
‘Não, eu não sou!”Ultraje passou pelos seus olhos verdes.
“Ela tinha o poder de cura também.”
Me ouvindo falar sobre isso a chocou. Esse tópico sempre havia nos cansado, mas nós
praticamente nunca falávamos sobre ele.
“Isso não significa nada.“
“Você não acha que significa? Você conhece mais alguém que consegue fazer isso? Ou que
consegue usar compulsão em dhampirs e Moroi?”
“Ela nunca usou compulsão desse jeito, “ ela argumentou.
“Ela usou.Ela tentou usar em mim na noite que nós partimos. Começou a funcionar, mas então
eles a levaram embora antes que ela tivesse terminado.” Ou será que tinha funcionado? Afinal
de contas, foi apenas um mês depois que eu e Lissa fugimos da Academia. Eu sempre pensei
que tinha sido idéia minha, mas talvez a sugestão da Sra. Karp tenha sido a verdadeira
responsável.
Lissa cruzou os braços. Seu rosto parecia desafiante, mas suas emoções estavam instáveis.
“Otimo. E daí? Então ela é uma aberração como eu. Isso não significa nada. Ela ficou louca
porque... bom, porque esse era o jeito que ela era. Isso não tem nada a ver com
absolutamente nada.”
“Mas não é só ela,” eu disse devagar. “Tem mais alguém como vocês, também. Alguém que eu
descobri.” Eu hesitei. “Você sabe, o Santo Vladimir...”
E foi então que eu finalmente contei tudo. Eu disse a ela sobre como ela, a Sra. Karp, e o santo
Vladimir podiam curar e usar super compulsão. Embora a tivesse feito se contorcer, eu contei
a ela como eles ficavam facilmente chateados e como eles se machucavam.
“Ele tentou se matar,” eu disse, sem encontrar os seus olhos. “E eu costumava notar marcas na
pele da Sra. Karp – como se ela tivesse arranhado seu próprio rosto. Ela tentava esconder com
o seu cabelo, mas eu podia ver os antigos arranhões e então ela fazia novos.”
“Não significa nada,” insistiu Lissa. “É – é tudo coincidência.”
Ela soava como se ela quisesse acreditar nisso, e dentro dela, alguma parte dela realmente
acreditava. Mas tinha outra parte dela, uma parte desesperada que queria a tanto tempo
saber que ela não era uma aberração, que ela não estava sozinha. E mesmo que as noticias
não fossem boas, ao menos ela sabia que tinham outros iguais a ela.
“É uma coincidência que nenhum deles parece ter se especializado em nada?”
Eu contei sobre a minha conversa com a Sra. Carmack e expliquei minha teoria sobre a
especialização em quatro elementos. Eu também repeti o comentário da Sra. Carmack sobre
como ele faria a pessoa enlouquecer.
Lissa esfregou seus olhos quando eu terminei, borrando um pouco da sua maquiagem. Ela me
deu um sorriso fraco. “Eu não sei o que é mais maluco: o que você está me dizendo ou o fato
de que você realmente leu algo pra descobrir tudo isso.“
Eu fiquei aliviada pelo fato de que ela tinha feito uma piada. “Hey, eu sei como ler também.”
“Eu sei que você sabe.Eu também sei que você levou um ano para ler o Código Da Vinci.” Ela
riu.
“Aquilo não foi minha culpa! E não tente mudar de assunto.”
“Eu não estou.” Ela sorriu, então suspirou. “Eu só não sei o que pensar sobre isso.”
“Não tem nada o que pensar. Só não faça as coisas que te deixar triste. Lembra quando você
estava no meio termo? Volte a isso. É muito mais fácil pra você.”
Ela balançou a cabeça.”Eu não posso fazer isso. Ainda não.”
“Porque não? Eu já disse pra você-“ Eu parei, me perguntando porque eu não tinha entendido
antes. “Não é só a Mia. Você está fazendo isso porque você sente que é a sua obrigação. Você
ainda está tentando ser o Andre.”
“Meus pais iriam querer que eu-“
“Seus pais iriam querer que você fosse feliz.”
“Não é tão fácil,Rose.Eu não posso ignorar essas pessoas pra sempre. Eu também sou da
realeza.”
“A maior parte deles são umas merda.”
“E muitos deles vão ajudar a reinar os Moroi. Andre sabia disso. Ele não era como os outros,
mas ele fazia o que ele tinha que fazer porque ele sabia o quão importante era.”
Eu me encostei no banco. “Bom, talvez esse seja o problema. Você está decidindo quem é
‘importante’ baseado apenas na família,então nós acabamos com essas pessoas problemáticas
tomando as decisões. É por isso que os números dos Moroi estão caindo e vacas como a
Tatiana são rainhas. Talvez seja necessário um novo sistema de realeza.”
“Anda, Rose. Isso é do jeito que é; essa é a forma que tem sido por séculos. Nós temos que
viver desse jeito.”Eu discordei. “Ok, e que tal isso?” ela continuou. “Você está preocupada
sobre eu ficar igual a eles – como a Sra. Karp e o Santo Vladimir – certo? Bom, ela disse que eu
não deveria usar meus poderes,que iria fazer as coisas ficarem piores se eu usasse. E seu eu
simplesmente parasse? Compulsão, cura, tudo.”
Eu estreitei meus olhos. “Você poderia fazer isso?” A compulsão conveniente, era tudo o que
eu queria que ela fizesse. A sua depressão tinha começado ao mesmo tempo que seus poderes
emergiram, logo depois do acidente. Eu tinha que acreditar que eles estavam conectados,
particularmente tendo em vista as evidencias e os avisos da Sra. Karp.
‘Sim.”
Sua face estava completamente composta, sua expressão seria e firme. Com o seu cabelo
pálido preso em uma trança francesa e um blazer por cima do seu vestido, ela parecia que
podia tomar o lugar dos seus pais no conselho agora mesmo.
“Você tem que parar com tudo,’ eu a avisei. “Nada de cura, não importa o quão fofinho o
animal seja. E nada mais de compulsão e deslumbrar a realeza.“
Ela concordou seria. “Eu posso fazer isso. Isso vai fazer você se sentir melhor?”
“Sim, mas eu ia me sentir ainda melhor se você parasse com a mágica e voltasse a andar com a
Natalie.”
“Eu sei, eu sei. Mas eu não posso parar, ainda não.”
Eu não consegui fazer ela desistir daquele – ainda – mas saber que ela iria evitar usar seus
poderes já era um alivio para mim.
“Tudo bem,” eu disse, pegando a minha mochila. Eu estava atrasada para o treino. De novo.
“Você pode continuar brincando com o bando de pirralhos, desde que você mantenha as
outras coisas sob controle.” Eu hesitei. “E você sabe, você já fez seu ponto com Aaron e Mia.
Você não tem que o manter por perto pra continuar andando com os outros da realeza.”
“Porque eu sempre tenho a sensação que você não gosta mais dele?”
“Eu acho ele ok – o que é tudo que você acha dele. E eu não acho que você deve ficar quente e
suada com alguém que você só acha ‘ok’”
Lissa escondeu seus olhos num falso espanto. “Isso é Rose Hathaway falando? Você foi
reformada? Ou você tem alguém que gosta “mais que ok’?”
“Hey“ eu disse desconfortável, “Eu só estou cuidando de você. Isso, e eu nunca notei o quão
chato Aaron era antes.”
Ela brincou. “Você acha todo mundo chato.”
“O Christian não é.”
Escapou antes que eu pudesse impedir. Ela parou de sorrir.”Ele é um idiota. Ele simplesmente
parou de falar comigo sem motivo nenhum um dia.”Ela cruzou os braços. “E você não odeia
ele de qualquer forma?”
“Eu ainda posso odiar ele e achar ele interessante.”
Mas eu também estava começando a pensar que eu tinha cometido um erro com Christian. Ele
era esquisito e negro e gostava de colocar as pessoas em chamar, é verdade. Mas por outro
lado, ele era esperto e engraçado – de um jeito maluco – e de algum jeito ele acalmava Lissa.
Mas eu tinha estragado tudo. Eu deixei minha raiva e inveja tomar conta de mim e separei
eles. Se eu tivesse deixado ele ira até o jardim aquela noite, talvez ela não tivesse se cortado.
Talvez eles estivesse juntos agora, longe da política da escola.
O destino devia estar pensando a mesma coisa, porque 5 minutos depois que eu deixei Lissa,
eu passei por Christian andando na quadra. Nossos olhos se encontraram por um momento
antes da gente passar. Eu quase continuei andando. Quase. Respirando fundo, eu parei.
‘Espera... Christian.” Eu o chamei. Droga, eu estava tão atrasada para o treinamento. Dimitri ia
me matar.
Christian se virou para me encarar, as mãos no bolso do seu longo casaco preto, sua postura
relaxada e sem se importar.
“Sim?”
“Obrigado pelos livros. “Ele não disse nada. “Aqueles que você deu para o Mason.”
“Oh, eu pensei que você tinha falado dos outros livros.”
Sabichão.”Você não vai perguntar pra que eles eram?”
“Problema seu. Apenas imaginei que você estava entediada já que está suspensa.”
“Eu teria que estar muito entediada pra ler livros.”
Ele não riu da minha piada.”O que você quer,Rose?Eu tenho lugares pra ir.”
Eu sabia que ele estava mentindo, mas meu sarcasmo não parecia mais engraçado como era.
“Eu quero que você, hum, saia com a Lissa de novo.”
“Você está falando sério?” Ele me estudou de perto, suspeita o enchendo.”Depois do que você
disse pra mim?”
“Sim, bom... O Mason não te disse?...”
Os lábios de Christian zombaram. “Ele me disse algo.”
“E?”
“E eu não quero ouvir do Mason.” Sua zombação aumentou e eu o encarei. “Você o mandou
para se desculpar por você. Faça isso você mesma.”
“Você é um idiota.” Eu o informei.
“Sim. E você é uma mentirosa. Eu quero ver você comer o seu orgulho.”
“Eu tenho comido o meu orgulho a duas semanas,”eu rugi.
Dando nos ombros, ele se virou e começou a ir embora.
“Espere!” Eu chamei, colocando minha mão no ombro dele. Ele parou e me olhou. “Tá bem, ta
bem. Eu menti sobre como ela se sentia. Ela nunca disse nada daquilo,ok? Ela gosta de você.
Eu inventei aquilo, porque eu não gosto de você.”
“E ainda sim você quer que eu fale com ela.”
Quando as próximas palavras saíram da minha boca, eu mal pude acreditar. “Eu acho... que
você pode... ser bom pra ela.”
Nós nos encaramos por alguns momentos.O seu sorriso afetado diminui um pouco. Não tinha
muita coisa que o surpreendia. Isso surpreendeu.
“Eu sinto muito. Eu não ouvi você. Dá pra repetir?” Ele finalmente perguntou.
Eu quase soquei a cara dele. “Dá pra você parar? Eu quero que você saia com ela de novo.”
“Não.”
“Olha, eu disse pra você, eu menti-“
“Não é isso. É ela.Você acha que eu posso falar com ela agora. Ela é a princesa Lissa de novo.”
Veneno derramou de suas palavras. “Eu não posso chegar perto dela, não quando ela está
perto de tantos da realeza.”
“Você é da realeza também,” eu disse, mais pra mim mesma do que pra ele. Eu fico
esquecendo que os Ozera também era uma das doze famílias reais.
“Não significa muita coisa numa família de Strigoi, né?”
“Mas você não é – espera. É por isso que ela se conecta com você. “Eu me dei conta.
“Porque eu vou me tornar um Strigoi?” Ele perguntou falsamente.
“Não...porque você também perdeu seus pais. Vocês dois os viram morrer.”
“Ela viu os dela morrer. Eu vi os meus serem assassinados.”
Eu recuei. “Eu sei. Eu sinto muito, deve ter sido... bom, eu não tenho idéia de como deve ter
sido.”
Aqueles olhos azuis cristais ficaram desfocados. “Era como ver um exercito de invasores da
morte na minha casa.”
“Você quer dizer...seus pais?”
Ele balançou a cabeça. “Os guardiões que vieram para matá-los. Eu quero dizer, meus pais
eram assustadores, sim, mas eles ainda pareciam meus pais – um pouco mais pálidos, eu acho.
Seus olhos estavam vermelhos. Mas eles andavam e falavam do mesmo jeito. Eu não sabia que
tinha alguma coisa errada com eles, mas minha tia sabia. Ela estava tomando conta de mim
quando eles vieram por mim.“
“Eles iam mudar você?” Eu esqueci minha missão original aqui, para saber mais sobre a
história.
“Você era bem pequeno.”
“Eu acho que eles iam cuidar de mim até que eu fosse mais velho, e ainda me transformar.
Minha tia Tasha não deixou eles me levarem. Eles tentaram ser razoáveis com ela, converter
ela também, mas quando ela não os ouvir, eles tentaram pega-la a força. Ela lutou com eles –
foi uma bagunça – e então os guardiões apareceram.” Seus olhos se voltaram pra mim. Ele
sorriu, mas não tinha felicidade ali. “Como eu disse, um exercito da morte. Eu acho que você é
louca, Rose, mas se você ficar igual ao resto deles, você vai ser capaz de fazer um serio dano
algum dia. Mesmo eu não vou mexer com você.”
Eu me senti horrível. Ele tinha uma vida miserável, e eu tinha tirado dele uma das poucas
coisas boas. “Christian, eu sinto muito por estragar as coisas entre você e Lissa.Foi idiota. Ela
quer estar com você. Eu acho que ela ainda quer.Se você pudesse só –“
“Eu disse, eu não posso.”
“Eu estou preocupada com ela. Ela se meteu nessa coisa com a realeza porque ela acha que vai
se vingar da Mia – ela esta fazendo isso por mim.”
“E você não é agradecida?” O sarcasmo retornou.
“Estou preocupada. Ela não agüenta brincar com todos essas jogos políticos. Não é bom pra
ela, mas ela não me escuta. Eu podia... eu podia usar uma ajuda.”
“Ela podia usar uma ajuda. Hey, não fique tão surpresa – eu sabia que tinha algo estranho
acontecendo com ela. E eu não estou nem falando sobre o negocio dos pulsos dela.”
Eu dei um pulo. “Ela contou pra você?...” Porque não? Ela contou a ele todo o resto.
“Ela não precisou, ele disse. “Eu tenho olhos.” Eu devia parecer patética, porque ele suspirou e
colocou a mão no cabelo. “Olha, se eu pegar a Lissa sozinha... eu vou tentar falar com ela. Mas
honestamente... se você quer mesmo ajuda-la...bom, eu sei que eu deveria ser contra as
regras, mas você pode conseguir a ajuda que precisa falando com alguem.Kirova. O seu cara
guardião. Eu não sei. Alguem que saiba algo. Alguem que você confia.”
“Lissa não gostaria disso.” Eu considerei. “E nem eu.”
“Yeah, bom, todos temos que fazer coisas que não gostamos. É a vida.”
Eu me assombrei. “O que você é, um especial de depois da aula?”
Um sorriso fantasmagórico cruzou seu rosto. “Se você não fosse tão psicótica, você seria legal
de andar junto.”
“Engraçado, eu sinto a mesma coisa em relação a você.”
Ele não disse mais nada, mas o seu sorriso aumentou, e ele se afastou.
academia de vampiros - beijo das sombras (capitulo 15)
QUINZE
Mason entregou.
Ele me achou no outro dia antes da aula. Ele estava carregando uma caixa de livros.
“Eu peguei eles,” ele disse. “Pegue eles antes que você tenha problemas por ser vista falando
comigo.”
Ele me entregou os livros, e eu resmunguei. Eles eram pesado. “Christian te deu todos esses?”
“Sim. Eu consegui falar com ele sem ninguém notar. Ele tem uma certa atitude, você notou
isso?”
“Sim, eu notei.” Eu compensei Mason com um sorriso que ele gostou. “Valeu. Isso significa
muito.”
Eu levei os livros até o meu quarto, consciente do qual estranho era que uma pessoa que odeia
estudar tanto quanto eu prestes a ficar enterrada em livros empoeirados do século XIV.
Quando eu abri o primeiro livro, eu vi esses deveriam ser Xerox do Xerox do Xerox,
provavelmente porque algo assim tão velho provavelmente já teria se virando pó.
Xeretando pelos livros, eu descobri que eles caiam em 3 categorias: Livros escritos por pessoas
depois que o Santo Vladimir tinha morrido, livros escritos por outras pessoas enquanto ele
estava vivo, e um diário que foi escrito por ele. O que o Maison tinha dito sobre fontes
primarias e secundarias? Esses eram os grupos de que eu queria.
Seja quem for que tinha reimprimido tinham reformulado os livros bastante para que eu não
tivesse de ler eles em um inglês antigo ou algo assim. Ou talvez, Russo, eu suponha. O Santa
Vladimir tinha vivido no antigo país.
Hoje eu curei a mãe de Sava que já faz tempo estava sofrendo de dores no estomago. Sua
doença agora se foi, mas Deus não me permitiu fazer isso de forma fácil. Eu estou fraco e
tonto, e a loucura está tentando entrar em minha mente. Eu agradeço a Deus todos os dias
pela Shadow-Kissed Anna, pois sem ela, eu certamente não seria capaz de agüentar.
Anna de novo. E “Shadow-Kissed.” Ele falava muito sobre ela, entre outras coisas. Na maior
parte do tempo ele escrevia longos sermões, como se ele estivesse na Igreja. Super chato. Mas
em outras partes, o livro se lia como um diário comum, recapitulando o que ele tinha feito
naquele dia. E se fosse só um monte de merda, então ele curava o tempo todo. Pessoas
doentes. Pessoas feridas. Até mesmo plantas.Ele trouxe colheitas de volta a vida quando as
pessoas estavam famintas. As vezes ele fazia as flores florescerem só por fazer.
Lendo, eu descobri que era uma boa coisa que o velho Vlad tinha Anna por perto, porque ele
era bem perturbado. Quanto mais ele usava o poder dele, mais eles o atingiam. Ele ficava
irracionalmente irritado e triste. Ele culpava os demônios e coisas estúpidas do tipo, mas era
obvio que ele sofria de algum tipo de depressão. Uma vez ele admitiu em seu diário, que ele
havia tentado se matar. Anna o havia impedido.
Mais tarde, passando por um livro que um cara que conhecia Vladimir escreveu, eu li:
E muitas coisas são milagrosas também, o poder de abençoar que Vladimir mostra aos outros.
Moroi e dhampirs se aproximam dele e ouvem suas palavras, felizes só de estar perto dele.
Alguns dizem que é loucura o que toca nele e não o espírito, mas a maioria o adora e fariam
qualquer coisa que ele pedisse. De certa forma Deus o marcou como seu favorito, e se tais
momentos são permitidos por alucinações e desespero, é um pequeno sacrifico pela
quantidade de coisas boas e espírito de liderança que ele mostra para as pessoas.
Soava muito com o que o padre tinha dito, eu senti algo mais que uma simples “boa
personalidade” as pessoas o adoravam, fariam qualquer coisa que ele quissese. Sim, Vladimir
tinha usado compulsão em seus seguidores, isso era certo. Muitos Moroi faziam isso naquele
tempo, antes de ser banido, mas eles não faziam em Moroi ou dharmpir. Eles não podiam.
Apenas Lissa podia.
Eu fechei o livro e me reclinei contra a cama. Vladimir cuidava das plantas e animais. Ele podia
usar compulsão em grande escala. E até onde eu pude notar, usar esses poderes tinham feito
ele enlouquecer e ficar deprimido.
Acrescentando a tudo, e fazendo tudo ficar muito mais estranho, e que todos ficavam
descrevendo sua guardiã como uma “Shadow-Kissed.” A expressão estava me incomodando
desde a primeira vez que eu a ouvi...
“Você é uma Shadow-Kissed!Você tem que cuidar dela!”
Sra. Karp tinha gritado essas palavras pra mim, as mãos delas agarrando minha camiseta e me
trazendo pra perto dela. Tinha acontecido numa noite dois anos atrás quando eu entrei na
parte superior da escola para devolver um livro. Já tinha quase passado o horário de se
recolher, e os corredores estavam vazios.
Eu tinha ouvido uma forte comoção e, em seguida, a Sra.
Karp tinha aparecido lagrimejando virando a esquina, parecendo frenética e abatida.
Ela me empurrou contra a parede, ainda me pressionando. “Você entende?”
Eu sabia o suficiente de defesa pessoal para empurrá-la para longe se eu quisesse, mas o
choque me congelou.
“Não.”
“Eles estão vindo por mim. Eles virão por ela.”
“Quem?”
“Lissa. Você tem que protege-la. Quanto mais ela usa, pior ela vai ficar. Pare ela, Rose. Pare ela
antes que eles notem, antes que eles notem e a levem embora também. Tire ela daqui.“
“Eu... o que você quer dizer? Tirar ela... você quer dizer da Academia?”
“Sim! Você tem que partir. Vocês estão ligadas. Cabe a você. Tire ela desse lugar.”
As palavras dela eram loucas.Ninguem saia da Academia. Mas enquanto ela me segurava lá e
me encarava, eu comecei a me sentir estranha. Um sentimento confuso escureceu minha
mente. O que ela disse de repente pareceu bem razoável, como a coisa mais razoável do
mundo. Sim. Eu precisava levar Lissa embora, levar ela –
Pés fizeram barulho no corredor, e um grupo de guardiões viraram o corredor. Eu não os
reconheci; eles não eram da escola. Eles nos separaram, segurando firme ela. Alguém
perguntou se eu estava bem, eu só podia continuar olhado para a Sra. Karp.
“Não deixe ela usar os poderes!” ela gritou. “Salve ela. Salve ela dela mesma!”
Os guardiões mais tarde explicaram para mim que ela não estava bem e havia sido levada para
um lugar onde ela pudesse se recuperar. Ela estaria segura e receberia cuidados, eles me
asseguraram. Ela iria se recuperar.
Mas ela não se recuperou.
De volta ao presente, eu encarei os livros e tentei montar tudo junto. Lissa. Sra. Karp. Santo
Vladimir.
O que eu deveria fazer?
Alguém bateu na minha porta, e me arrancou das minhas memórias. Ninguém havia me
visitado, nem mesmo os empregados desde a minha suspensão. Quando eu abri a porta, eu vi
o Mason no corredor.
“Duas vezes em um dia?” Eu perguntei. “Como é que você chegou aqui?”
Ele deu um sorriso. “Alguem pos um forforo acesso na lata de lixo do banheiro. Uma pena. Os
empregados estão meio ocupados. Vem eu estou soltando você.”
Eu balancei minha cabeça. Ele colocar fogo era aparentemente um sinal de afeição. Christian
havia feito e agora Mason. “Desculpe, sem salvamentos hoje a noite. Se eu for pega-“
“Ordens da Lissa.”
Eu calei a boca e deixei ele me tirar do prédio. Ele me levou até o dormitório Moroi e
milagrosamente fez com que eu entrasse sem no quarto dela sem que ninguém notasse. Eu
me perguntei se tinha um banheiro pegando fogo no dormitório deles também.
Dentro do quarto dela, eu encontrei uma festa acontecendo. Lissa, Camille, Carly, Aaron e
alguns outros da realeza estavam sentados rindo, ouvindo musica alta, e passando entre si
garrafas de whiskey. Nada de Mia ou Jesse. Natalie, eu notei algum tempo depois, sentada
longe do grupo, claramente sem saber como agir perto deles. Seu desconforto era totalmente
obvio.
Lissa tropeçou nos seus pés, os sentimentos confusos através da nossa ligação indicanvam que
ela estava bebendo fazia algum tempo. “Rose!” Ela se virou para Mason com um sorriso
deslumbrante. “Você a trouxe.”
Ele fez uma reverencia. “Estou as suas ordens.”
Eu esperava que ele tivesse feito aquilo pela emoção e não por causa da compulsão. Lissa
colocou um braço ao redor da minha cintura e me puxou para perto dos outros. “Se junte as
nossas festividades.”
“O que nós estamos celebrando?”
“Eu não sei. Você ter fugido hoje à noite?”
Alguns dos outros nos arranjaram copos de plástico, aplaudindo e me brindando. Xander
Babica serviu mais dois copos, entregando eles para Mason e eu. Eu tomei o meu com um
sorriso, enquanto sentimentos de apreensão surgiam com a virada de eventos dessa noite. A
pouco tempo atrás eu teria dado boas vindas a uma festa como essa e teria virado meu drink
em 30 segundos. Mas muita coisa estava me incomodando dessa vez. Como o fato de que a
realeza estava tratando Lissa como uma deusa. Como se ninguém parecesse se lembrar que
eles haviam me acusado de ser uma meretriz de sangue.
Ou como Lissa estava completamente infeliz apesar dos sorrisos e risadas.
“Onde você conseguiu o whiskey?” Eu perguntei.
“Sr. Nagy,” Aaron disse. Ele estava sentado bem perto de Lissa.
Todo mundo sabia que o Sr. Nagy bebia o tempo todo depois da aula e que ele mantinha um
estoque no campus. Ele usava novos lugares para esconde-los toda hora- e os estudantes
continuavam a encontrá-los.
Lissa se encostou nos ombros de Aaron. “Aaron me ajudou a entrar no quarto dele e a pegar
elas. Ele as tinha escondido no fundo do closet.”
Os outros riram, e Aaron olhou pra ela com completa adoração. Me divertindo, eu me dei
conta que ela não tinha que usar compulsão nele. Ele era simplesmente louco por ela. Ele
sempre tinha sido.
“Porque você não está bebendo?” Mason me perguntou um tempo depois, falando baixo em
meu ouvido.
Eu olhei para o meu copo, meio surpresa por vê-lo cheio. “Eu não sei. Eu acho que talvez os
guardiões não deveriam beber perto dos seus protegidos.”
“Ela não é sua protegida ainda! Você não está em serviço.Você não vai estar em serviço por
um longo tempo. Desde quando você é tão responsável?”
Eu não achava de verdade que eu fosse tão responsável. Mas eu estava pensando no que o
Dimitri tinha dito sobre balancear diversão e obrigação. Parecia errada me deixar relaxar
enquanto Lissa estava num estado tão vulnerável ultimamente. Passando pelo lugar apertado
entre ela e Mason, eu fui sentar perto de Natalie.
“Hey Nat, você está quieta hoje a noite.”
Ela segurava um copo tão cheio quanto o meu. “Você também.”
Eu ri suave. “Eu acho que sim.”
Ela inclinou sua cabeça assistindo Mason e a realeza como se eles estivessem em um tipo de
experimento científico. Eles beberam muito mais whiskey desde que eu havia chegado, e a
bobeira tinha aumentado consideravelmente. “Estranho, huh? Você costumava ser o centro
das atenções. Agora ela é.”
Eu pisquei surpresa. Eu não tinha pensado assim. “Eu acho que sim.”
“Hey, Rose,” disse Xander, quase derrubando o seu drink quando ele andava para perto de
mim. “Como que era?”
“Como que era o que?”
“Deixar alguém se alimentar de você?”
Os outros ficaram quietos, uma antecipação se apoderando deles.
“Ela não fez isso,” disse Lissa com uma voz de aviso. “Eu disse a você.”
“Sim, sim, eu sei que nada aconteceu com o Jesse e o Ralf. Mas vocês duas fizeram, certo?
Enquanto estavam fora?”
“Deixa pra lá,” disse Lissa. Compulsão funcionava melhor com contato visual direto, e a
atenção dele estava em mim, não nela.
“Eu quero dizer, é legal e tudo mais. Vocês fizeram o que precisavam, certo? Não é como você
fosse uma alimentadora. Eu só quero saber como era. Danielle Szelsky me deixou morde-la
uma vez. Ela disse que não parecia como nada.”
Houve um “eca” coletivo entre as garotas. Sexo e sangue com dhampirs era sujo; entre Moroi,
era canibalismo.
“Você é um mentiroso,” disse Camille.
“Não, eu to falando sério. Foi só uma mordida pequena. Ela não ficou alta como os
alimentadores. Você ficou?” Ele colocou seu braço livre em volta do meu ombro. “Você
gostou?”
O rosto de Lissa ficou duro e pálido.O álcool emudeceu a força total dos sentimentos dela, mas
eu podia ler o suficiente pra saber como ela se sentia. Pensamentos negros e assustadores
passaram por mim – juntamente com raiva. Ela normalmente tinha um bom controle do seu
temperamento – diferente de mim – mas eu já tinha visto isso acontecer antes. Antes tinha
acontecido numa festa bem parecida com essa, apenas algumas semanas depois que a Sra.
Karp tinha sido levada embora.
Greg Daskov – um primo distante de Natalie – tinha feito a festa em seu quarto. Os parentes
dele aparentemente conheciam alguem que conheciam alguem, porque ele tinha um dos
maiores quartos do dormitório. Ele tinha sido amigo do irmão de Lissa antes do acidente e
tinha ficado mais que feliz em levar a irmãzinha do Andre no seu circulo social. Greg também
tinha ficado feliz em me levar junto, e nós dois estávamos um em cima do outro aquela noite.
Para uma estudante novata como eu, estar com um Moroi da realeza sênior era algo imenso.
Eu bebi muito aquela noite, mas ainda consegui manter minha atenção em Lissa. Ela sempre
mantinha uma certa ansiedade quando estava perto de tantas pessoas, mas ninguém tinha
notado, porque ela era capaz de interagir com eles tão bem. O fato deu estar bêbada manteve
vários sentimentos longe de mim, mas enquanto ela parecesse bem, eu não me importava.
Greg, que beijava mais ou menos de repente parou e se afastou olhando pra algo por cima do
meu ombro. Nós dois estávamos sentados na mesma cadeira, comigo no colo dele, e eu virei
meu pescoço para ver. “O que foi?”
Ele balançou sua cabeça com uma certa exasperação divertida. “Wade trouxe um
alimentador.”
Eu segui seu olhar para onde Wade Voda mantinha seus braços ao redor de uma garota frágil
da minha idade. Ela era humana e bonita, com cabelos loiros ondulados e uma pele de
porcelana pálida devido a perda de sangue. Alguns outros caras tinham se apoiado nela e
ficado com Wade, rindo e tocando seu rosto e cabelo.
“Ela já alimentou muito hoje,” eu disse, observando seu olhar colorido e cheio de confusão.
Greg deslizou suas mãos no meu pescoço e me virou de volta a ele. “Rose.”
Eu olhei pro rosto de Lissa. Sua expressão ansiosa surpreendeu porque eu não podia sentir as
emoções. Muita cerveja pra mim. Eu sai do colo de Greg.
“Onde você está indo?” ele perguntou.
“Já volto.” Eu puxei Lissa para o lado, de repente desejando estar sóbria. “Qual o problema?”
‘Eles.”
Ela acenou para onde os caras estavam com a alimentadora. Ela ainda tinha um grupo ao redor
dela, e quando ela se virou pra olhar pra um deles eu vi pequenas marcas vermelhar
espalhadas pelo pescoço dela. Eles estavam meio que se alimentando em grupo, se revezando
para morder ela e fazendo sugestões nojentas. Alta e sem noção, ela deixava.
“Ela é uma alimentadora. Ninguém vai pará-los.”
Lissa olhou pra mim com olhos imploradores. Magoa, ultraje e raiva enchendo seus olhos.
“Você vai?”
Eu sempre tinha sido a agressiva, cuidando dela desde que ela era pequena. Ver ela agora, tão
chateada e esperando que eu concertasse as coisas, era mais do que eu podia agüentar. Dando
a ela um aceno, eu fui em direção ao grupo.
“Você está tão desesperado para pegar alguma garota que você tem que drogá-las agora,
Wade?” Eu perguntei.
Ele olhou pra cima de onde ele estava passando seus lábios pelo pescoço da humana.
“Porque? Você terminou com o Greg e está procurando por mais?”
Eu pus minhas mãos nos meus quadris e esperei parecer feroz. A verdade é que eu estava
começando a me sentir um pouco nauseada devido a toda aquela bebida.”Não existem drogas
o suficiente no mundo para me fazer chegar perto de você,” eu disse a ele. Alguns dos amigos
dele riram. “Mas talvez você possa ficar com o aquela lâmpada ali. Parece ser boa o bastante
pra deixar você feliz. Você não precisa dela mais.” Mais alguns riram.
“Isso não é da sua conta,” ele disse. “Ela é só o almoço.” Se referir aos alimentadores como
comida era a única coisa pior do que chamar dhampirs de meretrizes de sangue.
“Isso não é um quarto de alimentação. Ninguém quer ver isso.“
“É,” concordou uma garota sênior. “É nojento.” Alguns outros amigos dela concordaram.
Wade olhou pra todos, me encarando mais. “Otimo. Nenhum de vocês tem que ver. Vem.” Ele
agarrou o braço da alimentadora e a levou pra longe. Tropeçando, ela choramingava baixo.
“Foi o melhor que pude fazer,’ eu disse a Lissa.
Ela me encarou chocada. “Ele só vai leva-la para o quarto dele. Ele vai fazer coisas ainda piores
com ela.”
“Liss, eu também não gosto, mas não é como se eu pudesse sair perseguindo ele nem nada.”
Eu esfreguei minha testa. “Eu poderia ir quebrar a cara dele ou algo assim, mas eu já estou
sentindo que eu vou vomitar.”
O rosto dela ficou negro, e ela mordeu seu lábio. “Ele não pode fazer isso.”
‘Desculpa.”
Eu voltei para a cadeira com Greg me sentindo um pouco mal sobre o que tinha acontecido. Eu
não queria ver eles tirarem vantagem da alimentadora tanto quanto Lissa – me lembrava
demais sobre o que os caras Moroi pensavam que podiam fazer com as garotas dhampir. Mas
eu também não podia ganhar essa luta, não essa noite.
Greg tinha me mexido um pouco para ter uma visão melhor do meu pescoço, quando eu notei
alguns minutos depois que Lissa tinha sumido. Praticamente caindo, eu subi no colo dele e
olhei em volta. “Onde está Lissa?”
Ele me pegou. “Provavelmente no banheiro.”
Eu não consegui sentir nada através da nossa ligação. O alcool tinha a adormecido. Indo até o
corredor, eu soltei um suspiro de alivio quando escapei da música e das vozes altas. Estava
quieto lá fora, exceto por um som de batida a poucos quartos abaixo. A porta estava
entreaberta, e eu a empurrei para dentro,
A alimentadora estava agachada no canto, apavorada. Lissa estava com os braços cruzados,
seu rosto com raiva e terrível. Ela estava encarando Wade intensamente, e ele olhava de volta
encantado. Ele também segurava um taco de baseball, e parecia que ele já o tinha usado,
porque o quarto estava destruído: prateleiras, o som, o espelho...
“Quebre a janela também,” Lissa disse a ele. “Anda logo. Não importa.”
Hipnotizado, ele andou para perto de uma enorme e fina janela. Eu encarei, minha boca quase
atingindo o chão, enquanto ele batia com o taco contra o vidro. Fez enormes cacos, que eram
jogados por todos os lugares deixando entrar a luz da manhã que normalmente era bloqueada.
Ele estremeceu com o brilho em seus olhos, mas ele não se mexeu.
“Lissa,” eu exclamei. “Pare com isso. Faça ele parar.”
“Ele deveria ter parado antes.”
Eu mal reconheci o olhar no rosto dela. Eu nunca a tinha visto tão chateada, e eu certamente
nunca tinha visto ela fazer nada daquilo. Eu sabia o que era, obvio. Eu soube de cara.
Compulsão. Até onde eu sabia, ela estava a segundos de mandar ele bater com o taco em si
mesmo.
“Por favor, Lissa. Não faça mais isso. Por favor.”
Atraves da confusão e da alta do alcool, eu senti um tremor em suas emoções. Elas eram
fortes o suficiente pra quase me derrubar. Negro.Raiva. Impiedade. As sensações estavam
vindo da doce e estabilizam Lissa. “Eu a conhecia desde o jardim de infância, mas naquele
momento, eu mal a reconhecia.”
E eu estava com medo.
“Por favor, Lissa,” eu repeti. “Ele não vale a pena. Deixe ele ir.”
Ela não olhou pra mim. Seus olhos tempestuosos estavam focados inteiramente em Wade.
Devagar e com cuidado, ele levantou o taco, fazendo com que ele se alinhasse com sua própria
cabeça.
‘Liss,” eu implorei. Oh meu Deus. Eu teria que atacar ela ou algo assim pra fazer ela parar.
“Não faça isso.”
“Ele deveria ter parado,” Lissa disse. O taco se moveu rápido. Estava agora na posição exata
para ganhar força e acertar o alvo. “Ele não deveria ter feito isso com ela. As pessoas não
podem tratar outras pessoas desse jeito – até mesmo os alimentadores.”
“Mas você está assustando ela,” eu disse suave. “Olhe pra ela.”
Nada aconteceu a principio, então Lissa voltou seu olhar para a alimentadora. A garota
humana ainda estava no canto, os braços envolvendo ela mesma de forma protetora. Os seus
olhos azuis estavam arregalados, luz refletia em seu suor, e lagrimas caiam no sobre seu rosto.
Ela deu um soluço chocado e apavorado.
Lissa encarava impassiva. Dentro dela, eu podia sentir a batalha que ela estava travando para
recobrar o controle. Alguma parte dela não queria ferir Wade, apesar da raiva cegante que a
encheu. Seu rosto se enrugou e ela apertou seus olhos fechados. Sua mão direita alcançou seu
pulso esquerdo e suas unhas se cravaram fundo em sua pele. Ela recuou com a dor, mas
através da ligação, eu senti o choque da dor a distrair de Wade.
Ela parou com a compulsão, e ele largou o taco, de repente parecendo confuso. Eu respirei
novamente. No corredor, o som de passos. Eu deixei a porta aberta, e quebrar a janela tinha
chamado atenção. Alguns membros da equipe do dormitório entraram no quarto, ficando
paralisados quando eles viram toda aquela destruição.
“O que aconteceu?”
Nos olhamos uns para os outros. Wade parecia complemente perdido. Ele encarava o quarto,
o taco, e então pra Lissa e eu, “Eu não sei... eu não consigo...” Ele voltou toda a sua atenção
pra mim com uma raiva crescente. “O que diabos – foi você! Você não deixou a coisa da
alimentadora em paz.”
O membros que trabalhavam no dormitório me olharam questionando, e em alguns segundos,
eu tomei uma decisão.
Você tem que protegê-la. Quanto mais ela usa, pior vai ser. Pare ela, Rose. Pare ela antes que
eles notem, antes que eles notem e a levem embora também. Tire ela daqui.
Eu podia ver o rosto da Sra. Karp em minha mente, implorando de forma frenética. Eu dei a
Wade um olhar arrogante, sabendo muito bem que ninguém iria questionar uma confissão ou
suspeitar de Lissa.
“É, bom, se você a tivesse deixado ir,” eu disse a ele, “Eu não teria ter que fazer isso.”
Salve ela. Salve ela de si mesma.
Depois daquela noite, eu nunca mais bebi. Eu me recusei a baixar a guarda perto de Lissa. E
dois dias depois, enquanto eu supostamente deveria estar suspensa por “destruição de
propriedade,” eu peguei Lissa e a tirei da Academia.
De volta ao quarto de Lissa, quando os braços de Xander ao meu redor e o olhar raivosa e
magoado dela, eu não sabia se ela faria algo drástico novamente. Mas a situação me lembrava
demais daquela que aconteceu dois anos atrás, e eu sabia que eu tinha que pará-la.
“Só um pouco de sangue,” Xander estava dizendo. “Eu não vou tirar muito. Eu só quero ver
qual o gosto de dhampir.Ninguém aqui se importa.”
“Xander,” rugiu Lissa,”deixe ela em paz.”
Eu sai dos braços dele e sorri, procurando por uma resposta divertido que não começaria uma
briga. “Anda logo,” eu provoquei. “Eu tive que bater no ultimo cara que me pediu isso, e você
é mais bonito que o Jesse. Seria um desperdício.”
“Bonito?” ele perguntou. “Eu sou incrivelmente sexy não bonito.”
Carly riu. “Não, você é bonito. “Todd me disse que você compra algum tipo de gel Frances para
o cabelo.”
Xander, distraído assim como muitas pessoas bêbadas são, se virou para defender sua honra,
me esquecendo. A tensão desaparecendo e ele levou a gozação sobre o seu cabelo bem.
Atraves do quarto, Lissa encontrou meus olhos com alivio. Ela sorriu e deu um breve aceno de
agradecimento enquanto ela virava sua atenção para Aaron.
house of night - marcada (capitulo 12)
mas capítulos livro house of night - marcada
DOZE
“Zoey! Aqui!”
Eu quase chorei de alivio quando ouvi a voz de Damien e vi suas mãos balançando
para uma mesa vazia perto dele.
“Oi.” Eu sentei e sorri agradecida para ele.
“Pronta para o primeiro dia?”
Não.
Eu acenei. “Sim.” Eu queria dizer mais, mas então um sino tocou e o som de
conversa morreu quando Neferet entrou na sala. Ela estava usando uma saia longa preta
dividia no lado para mostrar uma bota linda, e um suéter púrpura. Sobre o seio esquerdo,
bordado em prata, estava a imagem da deusa com os braços levantados, colocados na lua
crescente. O cabelo preto dela estava puxado para trás em uma intricada trança. As várias
e delicadas ondas de tatuagem que emolduravam o rosto dela a faziam parecer uma
antiga princesa guerreira. Ela sorriu para nós eu pude perceber que a turma toda estava
tão presa quanto eu pela atenção poderosa dela.
“Boa noite! Eu estava ansiosa para começar essa unidade. Mergulhar na rica
sociologia das Amazonas é um dos meus tópicos favoritos.” Ela apontou para mim. “É uma
excelente hora para Zoey Redbird se juntar a nós. Eu sou a mentora de Zoey, então
espero que meus alunos dêem boas vindas a ela. Damien, você pode, por favor, pegar um
livro para Zoey? O armário dela é do lado do seu. Enquanto você explica nosso sistema de
armários para ela eu quero que o resto de vocês pensem sobre as noções pré concebidas
que vocês tem sobre as antigas vampiras guerreiras conhecidas como Amazonas.”
O tipo barulho de papel e sussurro de alunos começou quando Damien me levou
para o fim da sala onde estavam os armários. Ele abriu o que tinha o número “12” em
prata. O armário continha prateleiras cheias de livros e suplementos.
“Na House of Night não a armários como os das escolas normais. Aqui, o primeiro
período é nossa sala de preparação e cada um de nós tem um armário. A sala sempre
estará aberta, então se você vier aqui para pegar livros e etc, como se você estivesse indo
para o seu armário. Aqui está o seu livro de sociologia.”
Ele me deu um livro grosso com capa de couro com a silueta da deusa estampada na
capa junto com o titulo, Sociologia Vampira 101. Eu peguei o caderno e algumas canetas.
Quando fechei a porta do armário eu hesitei.
“Não tem uma fechadura ou algo assim?”
“Não,” Damien baixou a voz. “Eles não precisam de fechaduras aqui. Se alguém
roubar algo, os vampiros vão saber. Eu nem quero pensar com o que aconteceria com
alguém estúpido o bastante para fazer isso.”
Nós nos sentamos e eu comecei a escrever sobre a única coisa que eu sabia em
relação as Amazonas – que elas eram mulheres guerreiras que não tinham muita utilidade
para homens – mas minha mente não estava no trabalho. Ao invés disso, eu estava me
perguntando por que Damien, Stevie Rae, e até mesmo Erin e Shaunee surtam sobre se
meter em problemas. Eu quero dizer, eu sou uma boa garota – ok, não perfeita, mas
ainda sim. Eu só tinha ido para detenção uma vez, e não foi minha culpa. Verdade. Algum
garoto idiota me disse para chupar o pau dele. O que eu deveria fazer? Chorar? Rir?
Agüentar? Umm... não... Então ao invés disso eu dei um tapa nele (embora eu prefira a
palavra “esmaguei”), e então fui para a detenção por isso.
De qualquer jeito, detenção não era tão ruim. Eu fiz meu dever de casa e comecei o
novo livro de Gossip Girl. Claramente detenção na House of Night era mais do que ir para
a sala dos professores por 45 minutos de “silencio” depois da aula. Eu tenho que lembrar
de perguntar a Stevie Rae...
“Primeiro, que partes da tradição amazona ainda praticamos na House of Night?”
Neferet perguntou, chamando minha atenção de volta para aula.
Damien levantou a mão. “A reverencia de respeito, com nosso punho por cima do
coração, vem das Amazonas, e também o jeito como apertamos a mão – por segurar o
antebraço.”
“Correto, Damien.”
Huh. Isso explica o estranho aperto de mão.
“Então, que noções pré concebidas temos sobre as guerreiras amazonas?” ela
perguntou para a turma.
Uma loira que sentava do outro lado da sala disse, “As amazonas eram muito
matriarcais, a lenda tende a adicionar uma camada adicional na história.”
“O que você quer dizer com isso?”
“Bem, pessoas – especialmente humanos – pensam que as Amazonas odiavam
homens,” disse Damien.
“Exato. E que aprendemos é que só porque uma sociedade é matriarcal, a nossa é,
não significa automaticamente que ela odeia os homens. Até Nyx tem um parceiro, o deus
Erebus, a quem ela é devotada. As amazonas eram únicas, no entanto, porque elas
escolheram ser uma sociedade de vampiras que resolver proteger e lutar sozinha. Como a
maior parte de vocês já sabe, nossa sociedade hoje ainda é matriarcal mas respeitamos e
apreciamos os Filhos da Noite, e os consideramos nossos protetores e parceiros. Agora,
abram seus livros no Capitulo Três e vamos dar uma olhada sobre a maior guerreira
Amazona, Penthesilea, mas tenham cuidado para manter lenda e historia separados na
mente de vocês.”
E daí Neferet começou uma das aulas mais legais que eu já tive. Eu não tinha idéia
que uma hora tinha passado; quando o sino tocou foi uma surpresa. Eu tinha acabado de
colocar meu livro de sociologia de volta no armário (ok, eu sei que Damien e Neferet os
chamavam de gabinetes, mas por favor – isso totalmente me lembra dos gabinetes que
costumávamos ter no jardim de infância) quando Neferet chamou meu nome. Eu peguei
meu caderno e uma caneta e fui até a mesa dela.
“Como você está?” ela perguntou, sorrido afetuosamente.
“Estou bem. Estou legal.” Eu disse rapidamente.
Ela levantou uma sobrancelha para mim.
“Bem, eu suponho que esteja um pouco nervosa e confusa.”
“É claro que você está. É muita coisa pra absorver e mudar de escola sempre é difícil
– muito mais mudar de escola e vida.” Ela olhou por cima do meu ombro. “Damien, você
levaria Zoey para a aula de teatro?”
“Claro,” Damien disse.
“Zoey, eu vejo você hoje a noite no ritual. Oh, e Afrodite lhe deu um convite oficial
para que você se junte as Filhas Negras na sua cerimônia privada depois?”
“Sim.”
“Eu queria checar de novo com você para ter certeza que você se sinta legal sobre
participar. Eu iria, é claro, entender se você não quisesse participar, mas eu encorajo você
a ir; eu quero que você aproveite cada oportunidade aqui, que as Filhas Negras é uma
excelente organização. É um elogio que elas já estejam interessadas em você como um
possível membro.”
“Estou bem sobre ir.” Eu forcei minha voz e um sorriso indiferente. Obviamente ela
esperava que eu fosse, e a ultima coisa que eu queria era que Neferet ficasse
desapontada comigo. Além do mais, de jeito nenhum eu iria fazer algo que fizesse a
Afrodite pensar que eu tinha medo dela.
“Muito bem.” Neferet disse com entusiasmo. Ela apertou meu braço e eu
automaticamente sorri para ela. “Se você precisar de mim meu escritório é na mesma área
que a enfermaria.” Ela olhou para minha testa. “Eu vejo que os pontos dissolveram quase
que completamente. Isso é excelente. Sua cabeça ainda dói?”
Minha cabeça imediatamente se dirigiu para a minha têmpora. Eu só podia sentir o
calombo de um ponto ou outro hoje quando havia pelo menos 10 ontem. Muito, muito
estranho. E, ainda mais estranho, eu não tinha pensado no corte desde hoje de manhã.
Eu também percebi que eu não pensei sobre minha mãe ou Heath ou mesmo a Vovó
Redbird...
“Não,” eu disse, percebendo que Neferet e Damien estavam esperando minha
resposta. “Não, minha cabeça não dói nem um pouco.”
“Ótimo! Bem, é melhor vocês dois irem. Eu sei que você ama teatro. Eu acho que a
Professora Nolan acabou de começar a trabalhar com monólogos.”
Eu estava na metade do corredor, correndo para acompanhar Damien quando eu
percebi.
“Como ela sabia que eu iria fazer Teatro? Eu decidi só hoje de manha.”
“Vampiros adultos sabem de mais às vezes,” Damien sussurrou. “Risque isso. Adultos
vampiros sabem demais o tempo todo, especialmente quando essa vampira é a Alta
Sacerdotisa.”
Devido ao que eu não estava contando a Neferet eu não queria pensar muito sobre
isso.
“Hey, gente!” Stevie Rae disse se aproximando. “Como foi Sociologia Vamp? Vocês
começaram a ver as Amazonas?”
“Foi legal.” Eu estava feliz por mudar de assunto dos muito misteriosos vampiros. “Eu
não tinha idéia que elas realmente cortavam seu seio direito para tirar eles do caminho.”
“Elas não teriam que fazer isso se fossem tão chatas quanto eu,” disse Stevie Rae,
olhando para seu próprio peito.
“Ou eu,” disse Damien dramaticamente.
Eu ainda estava rindo quando eles me mostraram a sala de teatro.
A professora Nolan não esvaia poder como Neferet. Ao invés disso ela esvaia energia.
Ela tinha um atlético, mas de algum jeito, corpo em forma de pêra. Seu cabelo moreno
era longo e liso. E Stevie Rae estava certa – ela tinha um sotaque texano muito
carregado.
“Zoey, bem vinda! Sente em qualquer lugar.”
Eu disse oi e sentei perto da garota Elizabeth que eu reconheci da aula de Sociologia
Vampira. Ela parecia amigável o suficiente e eu já sabia que ela era esperta. (Nunca é
ruim sentar perto de um garoto esperto.)
“Estávamos para começar a escolher que monologo cada um de vocês vai apresentar
na aula em algum horário semana que vem. Mas primeiro, eu achei que você gostaria de
ver uma demonstração de como um monologo deve ser apresentado, então eu pedi a um
dos nossos talentosos veteranos para passar aqui e recitar um famoso monologo de Otelo,
escrito por antigo escritor de peças vampiro, Shakespeare.” A professora Nolan parou e
olhou para a janela na porta. “Aqui está ele.”
A porta abriu e oh Jesus Maria do céu eu acredito que meu coração parou de bater.
Eu tenho certeza que minha boca abriu como se eu fosse uma retardada. Ele era o cara
mais lindo que eu já tinha visto. Ele era alto e tinha cabelo escuro que fazia aquela coisa
curvadinha com o cabelo igual ao do Superman. Os olhos dele eram de um azul safira
incrível e...
Oh. Inferno! Inferno! Inferno! Era o cara do corredor.
“Entre, Erik. Como sempre, seu timing para entrar é perfeito. Já estamos prontos
para o seu monologo.” Ela virou para a turma. “A maior parte de vocês já conhece o
quintanista, Erik Night, e sabem que ele ganhou a competição mundial de monólogos da
House of Night ano passado, as finais se passaram em Londres. Ele também já está
criando uma confusão em Hollywood assim como na Broadway por sua performance no
semestre passado como Tony na nossa produção de “West Side Story.” A turma é sua,
Erik.” A professora Nolan disse.
Como se meu corpo de repente estivesse funcionando no modo automático, eu bati
palmas com o resto da turma. Sorrindo e confiante, Erik pisou no pequeno palco que
estava situado no centro da sala arejada.
“Olá. Como vocês estão?”
Ele falou diretamente para mim. Eu quero dizer, diretamente para mim. Eu podia
sentir meu rosto ficando mais quente.
“Monólogos podem parecer intimidantes, mas a chave é ter suas falas decoradas, e
então imaginar que você realmente está atuando com um grupo de atores. Se engane a
pensar que não está sozinho, desse jeito...”
E ele começou o monologo de Otelo. Eu não sei muito sobre a peça, a não ser que é
uma das tragédias de Shakespeare, mas a atuação de Erik era incrível. Ele era um cara
alto, provavelmente tinha pelo menos 1,80m, mas foi quando ele começou a falar que ele
pareceu mais velho e alto e mais poderoso. A voz dele era profunda e ele tinha um
sotaque que eu não reconhecia. Os incríveis olhos dele escureceram e se estreitaram, e
quando ele disse o nome de Desdemona era como se ele estivesse rezando. Era obvio que
ele a amava, mesmo antes dele terminar de falar as linhas:
Ela me ama pelos perigos que eu passei, e eu amo que ela não tenha diminuído eles.
Enquanto ele dizia as duas ultimas falar os olhos dele se prenderam nos meus, e
como tinha acontecido no corredor no dia anterior, pareceu que não havia mais ninguém
na sala – mais ninguém no mundo. Eu senti um calafrio profundo, muito parecido com o
que eu tinha sentido nas duas vezes que tinha sentido o cheiro de sangue desde que fui
Marcada, só que nenhum sangue tinha sido derramado na sala. Só havia Erik. E então ele
sorriu, tocou os lábios nos dedos como se estivesse me mandando um beijo, e fez uma
reverencia. A classe toda aplaudiu feito louca, incluindo eu. Verdade. Eu não consegui
impedir.
“Agora, é assim que se faz,” A professora Nolan disse. “Então, tem copias de
monólogos nas prateleiras vermelhas atrás da sala. Cada um de vocês vai pegar vários
livros e começar a procurar por eles. O que vocês estão tentando achar é uma cena que
signifique muito para você – que toque alguma parte da alma de vocês. Eu vou circular e
posso responder qualquer pergunta que vocês tenham sobre os monólogos individuais.
Quando escolherem suas peças, eu vou passar os passos que precisam ser tomados
enquanto vocês se preparam para sua apresentação.” Com um sorriso energético e um
aceno, ela disse a nós para começar a procurar pelos zilhões de livros de monologo.
Eu ainda me sentia corada e sem ar, mas levantei com o resto da turma, embora não
conseguisse parar de espiar para Erik por cima dos ombros. Ele estava (infelizmente)
saindo da sala, mas não antes de virar e me pegar olhando para ele. Eu corei (de novo).
Ele encontrou meus olhos e sorriu diretamente para mim (de novo). E então saiu.
“Ele é tão gostoso,” alguém sussurrou no meu ouvido. Eu virei, e chocantemente, a
Srta. Estudante Perfeita Elizabeth estava olhando Erik sair e ventilando.
“Ele tem namorada?” eu comentei como uma idiota.
“Só nos meus sonhos,” Elizabeth disse. “Na verdade, dizem os rumores que ele e
Afrodite costumavam ficar, mas eu estou aqui a alguns meses e eles já acabaram desde
então. Aqui vamos nós,” ela jogou alguns livros de monologo para mim. “Eu sou Elizabeth,
sem sobrenome.”
Meu rosto era um ponto de interrogação.
Ela suspirou. “Meu sobrenome era Titswoeth. Você consegue imaginar? Quando
cheguei aqui, algumas semanas atrás e meu mentor explicou que eu podia mudar meu
nome para o que eu quisesse, eu sabia que eu iria me livrar do Titswoeth, mas daí tinha
todo o problema de escolher um novo sobrenome que me estressava demais. Então eu
decidi manter meu nome e não ter um sobrenome.” Elizabeth Sem Sobrenome deu nos
ombros.
“Bem, olá,” eu disse. Tem alguns garotos muito estranhos por aqui.
“Hey,” ela disse quando voltamos para nossas mesas. “Erik estava olhando você.”
“Ele estava olhando para todo mundo,” eu disse, embora eu pudesse sentir meu
estúpido rosto ficando cada vez mais quente e vermelho.
“Yeah, mas ele realmente estava olhando para você.” Ela riu e acrescentou, “Oh, eu
acho que a sua Marca colorida é legal.”
“Obrigado.” Provavelmente estava muito estranha com meu rosto vermelho.
“Qualquer pergunta sobre escolher um monologo, Zoey?” A professora Nolan
perguntou, me fazendo dar um pulo.
“Não, professora Nolan. Eu já fiz eles antes na aula de teatro de SIHS.”
“Muito bom. Me diga se tiver que esclarecer personagens para você.” Ela deu um
tapinha no meu braço e continuou se movendo pela sala. Eu abri o primeiro livro e
comecei a virar as paginas, tentando (Sem sucesso) esquecer sobre Erik e me concentrar
no monologo.
Ele estava olhando para mim. Mas por quê? Ele deveria saber que era eu no
corredor. Então que tipo de interesse em mim ele estava mostrando? E eu queria que um
cara gostasse de mim sendo que ele estava sendo chupado por aquela nojenta da
Afrodite? Eu provavelmente não deveria. Eu quero dizer, eu definitivamente não iria
continuar onde ela parou. Ou talvez ele só estivesse curioso pela minha Marca colorida,
como praticamente todos estavam.
Mas não foi isso que pareceu... pareceu que ele estava olhando para mim. E eu
gostei.
Eu olhei para o livro que eu estive ignorando. As paginas estavam abertas no sub
capitulo: Monólogos Dramáticos para Mulheres. O primeiro monologo era “Sempre
Ridícula” por Jose Echegaray.
Bem, diabos. Era provavelmente um sinal.
DOZE
“Zoey! Aqui!”
Eu quase chorei de alivio quando ouvi a voz de Damien e vi suas mãos balançando
para uma mesa vazia perto dele.
“Oi.” Eu sentei e sorri agradecida para ele.
“Pronta para o primeiro dia?”
Não.
Eu acenei. “Sim.” Eu queria dizer mais, mas então um sino tocou e o som de
conversa morreu quando Neferet entrou na sala. Ela estava usando uma saia longa preta
dividia no lado para mostrar uma bota linda, e um suéter púrpura. Sobre o seio esquerdo,
bordado em prata, estava a imagem da deusa com os braços levantados, colocados na lua
crescente. O cabelo preto dela estava puxado para trás em uma intricada trança. As várias
e delicadas ondas de tatuagem que emolduravam o rosto dela a faziam parecer uma
antiga princesa guerreira. Ela sorriu para nós eu pude perceber que a turma toda estava
tão presa quanto eu pela atenção poderosa dela.
“Boa noite! Eu estava ansiosa para começar essa unidade. Mergulhar na rica
sociologia das Amazonas é um dos meus tópicos favoritos.” Ela apontou para mim. “É uma
excelente hora para Zoey Redbird se juntar a nós. Eu sou a mentora de Zoey, então
espero que meus alunos dêem boas vindas a ela. Damien, você pode, por favor, pegar um
livro para Zoey? O armário dela é do lado do seu. Enquanto você explica nosso sistema de
armários para ela eu quero que o resto de vocês pensem sobre as noções pré concebidas
que vocês tem sobre as antigas vampiras guerreiras conhecidas como Amazonas.”
O tipo barulho de papel e sussurro de alunos começou quando Damien me levou
para o fim da sala onde estavam os armários. Ele abriu o que tinha o número “12” em
prata. O armário continha prateleiras cheias de livros e suplementos.
“Na House of Night não a armários como os das escolas normais. Aqui, o primeiro
período é nossa sala de preparação e cada um de nós tem um armário. A sala sempre
estará aberta, então se você vier aqui para pegar livros e etc, como se você estivesse indo
para o seu armário. Aqui está o seu livro de sociologia.”
Ele me deu um livro grosso com capa de couro com a silueta da deusa estampada na
capa junto com o titulo, Sociologia Vampira 101. Eu peguei o caderno e algumas canetas.
Quando fechei a porta do armário eu hesitei.
“Não tem uma fechadura ou algo assim?”
“Não,” Damien baixou a voz. “Eles não precisam de fechaduras aqui. Se alguém
roubar algo, os vampiros vão saber. Eu nem quero pensar com o que aconteceria com
alguém estúpido o bastante para fazer isso.”
Nós nos sentamos e eu comecei a escrever sobre a única coisa que eu sabia em
relação as Amazonas – que elas eram mulheres guerreiras que não tinham muita utilidade
para homens – mas minha mente não estava no trabalho. Ao invés disso, eu estava me
perguntando por que Damien, Stevie Rae, e até mesmo Erin e Shaunee surtam sobre se
meter em problemas. Eu quero dizer, eu sou uma boa garota – ok, não perfeita, mas
ainda sim. Eu só tinha ido para detenção uma vez, e não foi minha culpa. Verdade. Algum
garoto idiota me disse para chupar o pau dele. O que eu deveria fazer? Chorar? Rir?
Agüentar? Umm... não... Então ao invés disso eu dei um tapa nele (embora eu prefira a
palavra “esmaguei”), e então fui para a detenção por isso.
De qualquer jeito, detenção não era tão ruim. Eu fiz meu dever de casa e comecei o
novo livro de Gossip Girl. Claramente detenção na House of Night era mais do que ir para
a sala dos professores por 45 minutos de “silencio” depois da aula. Eu tenho que lembrar
de perguntar a Stevie Rae...
“Primeiro, que partes da tradição amazona ainda praticamos na House of Night?”
Neferet perguntou, chamando minha atenção de volta para aula.
Damien levantou a mão. “A reverencia de respeito, com nosso punho por cima do
coração, vem das Amazonas, e também o jeito como apertamos a mão – por segurar o
antebraço.”
“Correto, Damien.”
Huh. Isso explica o estranho aperto de mão.
“Então, que noções pré concebidas temos sobre as guerreiras amazonas?” ela
perguntou para a turma.
Uma loira que sentava do outro lado da sala disse, “As amazonas eram muito
matriarcais, a lenda tende a adicionar uma camada adicional na história.”
“O que você quer dizer com isso?”
“Bem, pessoas – especialmente humanos – pensam que as Amazonas odiavam
homens,” disse Damien.
“Exato. E que aprendemos é que só porque uma sociedade é matriarcal, a nossa é,
não significa automaticamente que ela odeia os homens. Até Nyx tem um parceiro, o deus
Erebus, a quem ela é devotada. As amazonas eram únicas, no entanto, porque elas
escolheram ser uma sociedade de vampiras que resolver proteger e lutar sozinha. Como a
maior parte de vocês já sabe, nossa sociedade hoje ainda é matriarcal mas respeitamos e
apreciamos os Filhos da Noite, e os consideramos nossos protetores e parceiros. Agora,
abram seus livros no Capitulo Três e vamos dar uma olhada sobre a maior guerreira
Amazona, Penthesilea, mas tenham cuidado para manter lenda e historia separados na
mente de vocês.”
E daí Neferet começou uma das aulas mais legais que eu já tive. Eu não tinha idéia
que uma hora tinha passado; quando o sino tocou foi uma surpresa. Eu tinha acabado de
colocar meu livro de sociologia de volta no armário (ok, eu sei que Damien e Neferet os
chamavam de gabinetes, mas por favor – isso totalmente me lembra dos gabinetes que
costumávamos ter no jardim de infância) quando Neferet chamou meu nome. Eu peguei
meu caderno e uma caneta e fui até a mesa dela.
“Como você está?” ela perguntou, sorrido afetuosamente.
“Estou bem. Estou legal.” Eu disse rapidamente.
Ela levantou uma sobrancelha para mim.
“Bem, eu suponho que esteja um pouco nervosa e confusa.”
“É claro que você está. É muita coisa pra absorver e mudar de escola sempre é difícil
– muito mais mudar de escola e vida.” Ela olhou por cima do meu ombro. “Damien, você
levaria Zoey para a aula de teatro?”
“Claro,” Damien disse.
“Zoey, eu vejo você hoje a noite no ritual. Oh, e Afrodite lhe deu um convite oficial
para que você se junte as Filhas Negras na sua cerimônia privada depois?”
“Sim.”
“Eu queria checar de novo com você para ter certeza que você se sinta legal sobre
participar. Eu iria, é claro, entender se você não quisesse participar, mas eu encorajo você
a ir; eu quero que você aproveite cada oportunidade aqui, que as Filhas Negras é uma
excelente organização. É um elogio que elas já estejam interessadas em você como um
possível membro.”
“Estou bem sobre ir.” Eu forcei minha voz e um sorriso indiferente. Obviamente ela
esperava que eu fosse, e a ultima coisa que eu queria era que Neferet ficasse
desapontada comigo. Além do mais, de jeito nenhum eu iria fazer algo que fizesse a
Afrodite pensar que eu tinha medo dela.
“Muito bem.” Neferet disse com entusiasmo. Ela apertou meu braço e eu
automaticamente sorri para ela. “Se você precisar de mim meu escritório é na mesma área
que a enfermaria.” Ela olhou para minha testa. “Eu vejo que os pontos dissolveram quase
que completamente. Isso é excelente. Sua cabeça ainda dói?”
Minha cabeça imediatamente se dirigiu para a minha têmpora. Eu só podia sentir o
calombo de um ponto ou outro hoje quando havia pelo menos 10 ontem. Muito, muito
estranho. E, ainda mais estranho, eu não tinha pensado no corte desde hoje de manhã.
Eu também percebi que eu não pensei sobre minha mãe ou Heath ou mesmo a Vovó
Redbird...
“Não,” eu disse, percebendo que Neferet e Damien estavam esperando minha
resposta. “Não, minha cabeça não dói nem um pouco.”
“Ótimo! Bem, é melhor vocês dois irem. Eu sei que você ama teatro. Eu acho que a
Professora Nolan acabou de começar a trabalhar com monólogos.”
Eu estava na metade do corredor, correndo para acompanhar Damien quando eu
percebi.
“Como ela sabia que eu iria fazer Teatro? Eu decidi só hoje de manha.”
“Vampiros adultos sabem de mais às vezes,” Damien sussurrou. “Risque isso. Adultos
vampiros sabem demais o tempo todo, especialmente quando essa vampira é a Alta
Sacerdotisa.”
Devido ao que eu não estava contando a Neferet eu não queria pensar muito sobre
isso.
“Hey, gente!” Stevie Rae disse se aproximando. “Como foi Sociologia Vamp? Vocês
começaram a ver as Amazonas?”
“Foi legal.” Eu estava feliz por mudar de assunto dos muito misteriosos vampiros. “Eu
não tinha idéia que elas realmente cortavam seu seio direito para tirar eles do caminho.”
“Elas não teriam que fazer isso se fossem tão chatas quanto eu,” disse Stevie Rae,
olhando para seu próprio peito.
“Ou eu,” disse Damien dramaticamente.
Eu ainda estava rindo quando eles me mostraram a sala de teatro.
A professora Nolan não esvaia poder como Neferet. Ao invés disso ela esvaia energia.
Ela tinha um atlético, mas de algum jeito, corpo em forma de pêra. Seu cabelo moreno
era longo e liso. E Stevie Rae estava certa – ela tinha um sotaque texano muito
carregado.
“Zoey, bem vinda! Sente em qualquer lugar.”
Eu disse oi e sentei perto da garota Elizabeth que eu reconheci da aula de Sociologia
Vampira. Ela parecia amigável o suficiente e eu já sabia que ela era esperta. (Nunca é
ruim sentar perto de um garoto esperto.)
“Estávamos para começar a escolher que monologo cada um de vocês vai apresentar
na aula em algum horário semana que vem. Mas primeiro, eu achei que você gostaria de
ver uma demonstração de como um monologo deve ser apresentado, então eu pedi a um
dos nossos talentosos veteranos para passar aqui e recitar um famoso monologo de Otelo,
escrito por antigo escritor de peças vampiro, Shakespeare.” A professora Nolan parou e
olhou para a janela na porta. “Aqui está ele.”
A porta abriu e oh Jesus Maria do céu eu acredito que meu coração parou de bater.
Eu tenho certeza que minha boca abriu como se eu fosse uma retardada. Ele era o cara
mais lindo que eu já tinha visto. Ele era alto e tinha cabelo escuro que fazia aquela coisa
curvadinha com o cabelo igual ao do Superman. Os olhos dele eram de um azul safira
incrível e...
Oh. Inferno! Inferno! Inferno! Era o cara do corredor.
“Entre, Erik. Como sempre, seu timing para entrar é perfeito. Já estamos prontos
para o seu monologo.” Ela virou para a turma. “A maior parte de vocês já conhece o
quintanista, Erik Night, e sabem que ele ganhou a competição mundial de monólogos da
House of Night ano passado, as finais se passaram em Londres. Ele também já está
criando uma confusão em Hollywood assim como na Broadway por sua performance no
semestre passado como Tony na nossa produção de “West Side Story.” A turma é sua,
Erik.” A professora Nolan disse.
Como se meu corpo de repente estivesse funcionando no modo automático, eu bati
palmas com o resto da turma. Sorrindo e confiante, Erik pisou no pequeno palco que
estava situado no centro da sala arejada.
“Olá. Como vocês estão?”
Ele falou diretamente para mim. Eu quero dizer, diretamente para mim. Eu podia
sentir meu rosto ficando mais quente.
“Monólogos podem parecer intimidantes, mas a chave é ter suas falas decoradas, e
então imaginar que você realmente está atuando com um grupo de atores. Se engane a
pensar que não está sozinho, desse jeito...”
E ele começou o monologo de Otelo. Eu não sei muito sobre a peça, a não ser que é
uma das tragédias de Shakespeare, mas a atuação de Erik era incrível. Ele era um cara
alto, provavelmente tinha pelo menos 1,80m, mas foi quando ele começou a falar que ele
pareceu mais velho e alto e mais poderoso. A voz dele era profunda e ele tinha um
sotaque que eu não reconhecia. Os incríveis olhos dele escureceram e se estreitaram, e
quando ele disse o nome de Desdemona era como se ele estivesse rezando. Era obvio que
ele a amava, mesmo antes dele terminar de falar as linhas:
Ela me ama pelos perigos que eu passei, e eu amo que ela não tenha diminuído eles.
Enquanto ele dizia as duas ultimas falar os olhos dele se prenderam nos meus, e
como tinha acontecido no corredor no dia anterior, pareceu que não havia mais ninguém
na sala – mais ninguém no mundo. Eu senti um calafrio profundo, muito parecido com o
que eu tinha sentido nas duas vezes que tinha sentido o cheiro de sangue desde que fui
Marcada, só que nenhum sangue tinha sido derramado na sala. Só havia Erik. E então ele
sorriu, tocou os lábios nos dedos como se estivesse me mandando um beijo, e fez uma
reverencia. A classe toda aplaudiu feito louca, incluindo eu. Verdade. Eu não consegui
impedir.
“Agora, é assim que se faz,” A professora Nolan disse. “Então, tem copias de
monólogos nas prateleiras vermelhas atrás da sala. Cada um de vocês vai pegar vários
livros e começar a procurar por eles. O que vocês estão tentando achar é uma cena que
signifique muito para você – que toque alguma parte da alma de vocês. Eu vou circular e
posso responder qualquer pergunta que vocês tenham sobre os monólogos individuais.
Quando escolherem suas peças, eu vou passar os passos que precisam ser tomados
enquanto vocês se preparam para sua apresentação.” Com um sorriso energético e um
aceno, ela disse a nós para começar a procurar pelos zilhões de livros de monologo.
Eu ainda me sentia corada e sem ar, mas levantei com o resto da turma, embora não
conseguisse parar de espiar para Erik por cima dos ombros. Ele estava (infelizmente)
saindo da sala, mas não antes de virar e me pegar olhando para ele. Eu corei (de novo).
Ele encontrou meus olhos e sorriu diretamente para mim (de novo). E então saiu.
“Ele é tão gostoso,” alguém sussurrou no meu ouvido. Eu virei, e chocantemente, a
Srta. Estudante Perfeita Elizabeth estava olhando Erik sair e ventilando.
“Ele tem namorada?” eu comentei como uma idiota.
“Só nos meus sonhos,” Elizabeth disse. “Na verdade, dizem os rumores que ele e
Afrodite costumavam ficar, mas eu estou aqui a alguns meses e eles já acabaram desde
então. Aqui vamos nós,” ela jogou alguns livros de monologo para mim. “Eu sou Elizabeth,
sem sobrenome.”
Meu rosto era um ponto de interrogação.
Ela suspirou. “Meu sobrenome era Titswoeth. Você consegue imaginar? Quando
cheguei aqui, algumas semanas atrás e meu mentor explicou que eu podia mudar meu
nome para o que eu quisesse, eu sabia que eu iria me livrar do Titswoeth, mas daí tinha
todo o problema de escolher um novo sobrenome que me estressava demais. Então eu
decidi manter meu nome e não ter um sobrenome.” Elizabeth Sem Sobrenome deu nos
ombros.
“Bem, olá,” eu disse. Tem alguns garotos muito estranhos por aqui.
“Hey,” ela disse quando voltamos para nossas mesas. “Erik estava olhando você.”
“Ele estava olhando para todo mundo,” eu disse, embora eu pudesse sentir meu
estúpido rosto ficando cada vez mais quente e vermelho.
“Yeah, mas ele realmente estava olhando para você.” Ela riu e acrescentou, “Oh, eu
acho que a sua Marca colorida é legal.”
“Obrigado.” Provavelmente estava muito estranha com meu rosto vermelho.
“Qualquer pergunta sobre escolher um monologo, Zoey?” A professora Nolan
perguntou, me fazendo dar um pulo.
“Não, professora Nolan. Eu já fiz eles antes na aula de teatro de SIHS.”
“Muito bom. Me diga se tiver que esclarecer personagens para você.” Ela deu um
tapinha no meu braço e continuou se movendo pela sala. Eu abri o primeiro livro e
comecei a virar as paginas, tentando (Sem sucesso) esquecer sobre Erik e me concentrar
no monologo.
Ele estava olhando para mim. Mas por quê? Ele deveria saber que era eu no
corredor. Então que tipo de interesse em mim ele estava mostrando? E eu queria que um
cara gostasse de mim sendo que ele estava sendo chupado por aquela nojenta da
Afrodite? Eu provavelmente não deveria. Eu quero dizer, eu definitivamente não iria
continuar onde ela parou. Ou talvez ele só estivesse curioso pela minha Marca colorida,
como praticamente todos estavam.
Mas não foi isso que pareceu... pareceu que ele estava olhando para mim. E eu
gostei.
Eu olhei para o livro que eu estive ignorando. As paginas estavam abertas no sub
capitulo: Monólogos Dramáticos para Mulheres. O primeiro monologo era “Sempre
Ridícula” por Jose Echegaray.
Bem, diabos. Era provavelmente um sinal.
house of night - marcada (capitulo 11)
ONZE
Eu não achei que fosse dormir. Achei que apenas ia ficar deitada ali sentindo
saudades de casa e pensando sobre a virada bizarra que a minha vida tinha tomado.
Flashes perturbadores dos olhos do cara no corredor passaram pela minha mente, mas eu
estava tão cansada que eu não conseguia me focar. Até a personalidade odiosa de
Afrodite era outra coisa que parecia estar me mantendo acordada. Na verdade, minhas
ultimas preocupações antes de não conseguir lembrar de mais nada tinha sido minha
testa. Estava dolorida de novo por causa da Marca e do corte na minha têmpora – ou era
porque eu estava ficando com uma enorme espinha? E meu cabelo iria estar bom para o
meu primeiro dia na escola de vampiros amanha? Mas quando me enrolei
confortavelmente e inalei o cheiro familiar do cobertor e de casa, eu me senti
inesperadamente calma e segura... e eu apaguei.
Eu também não tive um pesadelo. Ao invés disso eu sonhei sobre gatos. Vai
entender. Caras gostosos? Não. Novos poderes legais de vampiros? É claro que não.
Apenas gatos. Tinha um em particular – um pequeno e laranja que tinha pequenas patas
e uma barriga gorda com um olhar que parecia meio marsupial. Ela ficava gritando para
mim com a voz de uma moça e me perguntando por que eu tinha levado tanto tempo
para chegar ali. Então a voz de gato dela mudou para um irritante zunido e eu...
“Zoey, anda! Desliga essa porcaria de alarme!”
“O que-, huh?” Oh, diabos. Eu odeio manhãs. Minha mão falhou em tentar encontrar
o botão para desligar meu irritante despertador.
Eu mencionei que eu sou totalmente, e completamente cega sem minhas lentes? Eu
peguei meus olhos nerds e olhei para o relógio. 18:30, e eu recém estava acordando. Em
falar em bizarro.
“Você quer tomar banho primeiro, ou você quer que eu tome?” Stevie Rae perguntou
sonolenta.
“Eu vou, se você não se importa.”
“Eu não...” ela bocejou.
“Ok.”
“Mas devemos nos atrasar, porque eu não sei sobre você, mas tenho que comer café
da manhã ou vou sentir que vou morrer de fome antes do almoço.”
“Cereal?” eu de repente me animei. Eu seriamente amo cereal, e eu tenho uma
camiseta Eu [coração] CEREAL, para provar. Eu especialmente amo Count Chocula – outra
ironia vampiresca.
“Sim, tem várias daquelas pequenas caixas de cereal e bagels e frutas e ovos cozidos
e tudo mais.”
“Vou me apressar.” De repente eu estava faminta. “Hey, Stevie Rae, importa o que
eu usar?”
“Não,” ela bocejou de novo. “Só pegue um dos suéteres ou jaquetas que eu mostre
seu símbolo de terceiranista e você ficará bem.”
Eu não me apressei, embora eu estivesse realmente nervosa sobre parecer descente
e desejei ter horas para fazer e refazer meu cabelo e maquiagem. Eu usei o espelho de
maquiagem de Stevie Rae enquanto ela estava no banho, e decidi que de menos era
melhor que demais. Era estranho como a minha Marca parecia mudar toda atenção do
meu rosto. Eu sempre tive olhos bonitos – grandes e redondos e escuros, com muito
cílios. Tanto que Kayla costumava reclamar sobre o quão injusto era eu ter cílios o
suficiente para três garotas e ela tinha apenas alguns. (Em falar nisso... eu não senti falta
de Kayla, especialmente essa manhã quando estava me arrumando para ir a uma nova
escola sem ela. Talvez eu ligue para ela mais tarde. Ou mande um email. Ou... eu lembrei
do comentário que Heath tinha feito sobre a festa, e decidi que talvez não ligasse.) De
qualquer forma, a Marca de algum jeito fazia meus olhos parecerem ainda maiores e
escuros. Eu os alinhei com uma sombra suavemente preta que tinha pequenos brilhos
prateados. Não muito como aquelas garotas que acham que emplastar de delineador
preto as faz parecer legal. É, certo. Elas parecem guaxinins assustadores. Eu acrescentei
base, um pouco de pó no rosto, e pus um gloss (para esconder o fato que eu estava
nervosamente mordendo os lábios).
Então eu me olhei.
Graças a Deus meu cabelo estava bom, e até mesmo o pico de viúva* (*aquela
ponta do cabelo que fica na testa) não estava toda bagunçada como fica às vezes. Eu
ainda parecia... umm... diferente, mas a mesma.
O efeito que a minha Marca tinha no meu rosto diminuiu. Fez tudo que era étnico
sobre as minhas feições se destacar: a escuridão dos meus olhos, as bochechas altas dos
Cherokke, meu orgulhoso, nariz reto, e até mesmo a cor oliva da minha pele que era
como a da minha avó. A Marca safira da deusa pareceu ter ligado um holofote nessas
feições; tinha exposto a garota Cherokee dentro de mim e permitido que ela brilhasse.
“Seu cabelo está ótimo,” Stevie Rae disse quando entrava no quarto secando o
cabelo curto com a toalha. “Eu queria que o meu ficasse direito quando está tão
cumprido. Mas não fica. Ele fica todo frizzado e parece um rabo de cavalo.”
“Eu gosto do seu cabelo curto,” eu disse, saindo do caminho dela pegando meus
sapatos de rasteirinha estilo sapatilha de balé.
“Yeah, bem, me faz ser uma aberração aqui. Todos tem cabelo cumprido.”
“Eu notei, mas não entendi.”
“É uma das coisas que acontece enquanto você está Mudando. O cabelo dos
vampiros cresce muito rapidamente, assim como as unhas.”
Eu tentei não suspirar e lembrar das unhas de Afrodite passando cortando jeans e
pele.
Graças a Deus, Stevie Rae estava inconsciente a meu pensamento, e continuou
falando.
“Você vai ver. Depois de um tempo você não vai precisar olhar para o símbolo deles
para saber de que ano são. De qualquer forma, você vai aprender tudo sobre isso na aula
de Sociologia Vampira. Oh! Isso me lembrou.” Ela catou em alguns papeis na mesa dela
até que encontrou o que estava procurando e me entregou. “Aqui está seu horário. Temos
a terceira e a quinta aula juntas. E cheque a lista de matérias eletivas que você tem para
a segunda aula. Você pode escolher qualquer um deles.”
Meu nome estava no topo do horário, impresso com letras grandes, Zoey Redbrid,
entrando como terceiranista, assim como a data, que era de cinco (?!) dias antes do
Rastreador me Marcar.
1º período – Sociologia Vampira 101. Sala. 215. Prof. Neferet.
2º período – Drama 101. No centro de artes. Prof. Nolan
Ou
Desenho 101. Sala. 312. Prof. Doner
Ou
Introdução a musica. Sala 314. Prof. Vento
3º período – Literatura 101. Sala. 214. Prof. Penthesilea
4º período – Esgrima. Ginasio. Prof. D. Lankford
Pausa para o almoço.
5º período – Espanhol 101. Sala. 216. Prof. Germy
6º período – Introdução ao estudo de Equitação Casa de Campo. 215. Prof. Lenobia
“Nada de geometria?” eu percebi, totalmente pasma pelo horário, tentando manter
uma atitude positiva.
“Não, graças a Deus. No próximo semestre vamos ter economia. Mas isso não pode
ser tão ruim.”
“Esgrima? Introdução ao estudo de equitação?”
“Eu te disse que eles gostam de nós manter em forma. Esgrima ok, mesmo que seja
difícil. Eu não sou muito boa, mas você faz par com o pessoal mais velho – como se eles
fosse instrutores, e eu só estou dizendo, alguns daqueles garotos são simplesmente
lindos! Eu não estou tendo a aula de equitação esse semestre – eles me colocaram em
Tae Kwan Do. E eu tenho que te dizer, eu adoro!”
“Verdade?” eu disse duvidosamente. Me pergunto como será a aula de equitação?
“Sim. Que eletiva você vai escolher?”
Eu olhei para a lista. “Qual você está tomando?”
“Introdução a Música. O professor Vento é bem legal, e eu, uh...” Stevie Rae
suspirou e corou. “Eu quero ser uma estrela da musica country. Eu quero dizer, Kenny
Chesney, Faith Hill e Shania Twain são vampiras – e isso é apenas três delas. Diabos, Grth
Brooks cresceu aqui em Oklahoma e você sabe que ele é o maior vampiro de todos eles.
Então eu não vejo porque eu também não posso ser.”
“Faz perfeito sentido para mim,” eu disse. Porque não?
“Você quer ter musica comigo?”
“Isso seria divertido se eu pudesse cantar ou tocar qualquer coisa parecido com um
instrumento. Eu não posso.”
“Oh, talvez não então.”
“Na verdade, eu estava pensando em ter a aula de teatro. Eu tinha teatro em SIHS, e
era legal. Você sabe alguma coisa sobre a Prof. Nolan?”
“Sim, ela é do Texas e tem um enorme sotaque, mas ela estudou drama em Nova
Iorque e todo mundo gosta dela.”
Eu quase ri alto quando Stevie Rae mencionou o sotaque da Prof. Nolan. A garota
era tão fanhosa que parecia um parque de trailers, mas de jeito nenhum eu ia ferir os
sentimentos dela falando isso.
“Bem, então vai ser teatro.”
“Ok, pegue seu horário e vamos. Hey,” ela disse enquanto nos apressávamos para
sair do quarto e descíamos as escadas, “Talvez você seja a próxima Nicole Kidman!”
Bem, eu acho que ser a próxima Nicole Kidman não seria ruim (não que eu esteja
planejando me casar e então me divorciar de um cara maníaco e baixinho). Agora que
Stevie Rae mencionou, eu dificilmente pensava sobre o meu futuro desde que o
Rastreador tinha jogado a minha vida no caos completo, mas agora que eu estava
pensando eu realmente queria ser uma veterinária.
Um gato obeso preto e branco passou pelas escadas na nossa frente perseguindo o
que parecia o clone dele. Com todos esses gatos você ia pensar que haveria a
necessidade de vampiros veterinários. (hee hee... vampiros veterinários... eu poderia
chamar minha clinica de Vamp Vet, e os anúncios estariam escritos: “Tiramos seu sangue
de graça!”)
A cozinha e a sala estavam cheia de garotas comendo e falando e correndo. Eu tentei
responder alguns dos olás que eu estava recebendo quando Stevie Rae me apresentava
para o que parecia uma impossível confusão de garotas e manter minha concentração que
eu mantive para procurar uma caixa de Count Chocula. Quando eu estava começando a
me preocupar, eu encontrei, escondida atrás de várias caixas de Frosted Flakes (que não
seria uma escolha ruim, mas, bem, eles não são de chocolate e eles não tem nenhum
marshmallow gostoso). Stevie Rae serviu uma tigela de Lucky Charms, e sentamos na
mesa da cozinha, comendo rápido.
“E aí, Zoey!”
Aquela voz. Eu sabia quem era antes de ver Stevie Rae baixar a cabeça e encarar a
tigela de cereal.
“Olá, Afrodite,” eu disse, tentando soar neutra.
“Caso eu não te veja mais tarde eu queria me certificar que você saiba onde ir hoje a
noite. O Ritual da Lua Cheia das Filhas Negras, vai começar as 4 da manhã, logo depois
do ritual da escola. Você vai perder o jantar, mas não se preocupe com isso. Vamos
alimentar você. Oh, é na sala perto do corredor leste. Eu te encontro perto do Templo de
Nyx antes do ritual da escola para que a gente possa entrar lá dentro, e então posso te
mostrar o caminho para a sala depois.”
“Na verdade, eu já prometi a Stevie Rae que eu vou encontrar ela e nós vamos para
o ritual da escola juntas.” Eu realmente odeio pessoas insistentes. “Yeah, desculpe por
isso.” Eu fiquei feliz por ver que Stevie Rae levantou a cabeça e disse isso.
“Hey, você sabe onde é essa sala, não sabe?” eu perguntei a Stevie Rae na minha
voz mais alegre e sem noção.
“Sim, eu sei.”
“Então você pode me mostrar como chegar lá, certo? E isso significa que Afrodite não
tem que se preocupar comigo me perdendo.”
“Qualquer coisa que eu puder fazer para ajudar,” Stevie Rae disse, soando como
sempre.
“Problema resolvido,” eu disse com um grande sorriso para Afrodite.
“Ok. Ótimo. Te vejo as 4 da manhã. Não se atrase.” Ela se virou.
“Se ela balançasse mais a bunda do que já está balançando ela vai quebrar alguma
coisa,” eu disse.
Stevie Rae roncou e quase derramou leite pelo nariz. Tossindo, ela disse, “Não faça
isso enquanto estou comendo!” Então ela engoliu e sorriu para mim. “Você não deixou ela
mandar em você.
“Nem você.” Eu disse dando a ultima colherada do cereal. “Pronta?”
“Pronta. Ok, isso vai ser fácil. Seu primeiro período é do lado do meu primeiro
período. Todas as aulas dos terceiranistas são no mesmo corredor. Anda – eu te mostro a
direção certa e você ficara colocada.”
Nós pegamos nossos pratos e os colocamos numa das cinco lava louças, então nos
apressamos para sair na linda escuridão da noite. Droga, era estranho ir para a aula a
noite, mesmo que meu corpo estivesse me dizendo que tudo estava normal. Nós seguimos
a onda de estudantes passando por uma das grandes portas de madeira.
“O corredor dos terceiranistas é por aqui,” Stevie Rae disse, me guiando para um
canto e por uma escada.
“Isso é um banheiro?” eu perguntei quando passamos por uma fonte de água situada
entre duas portas.
“Sim,” ela disse. “Aqui é a minha aula, e a sua é ao lado. Vejo você depois da aula!”
“Ok, obrigado,” eu respondi.
Pelo menos o banheiro era perto. Se eu tivesse um serio caso de diarréia eu não
precisava ir longe.
house of night - marcada (capitulo 10)
DEZ
“Eu continuo achando que a aquela confiança em excesso eventualmente vai
derrubar Afrodite.” Damien disse.
“Excesso de confiança,” Stevie Rae explicou, “ter a arrogância de uma deusa.”
“Eu na verdade entendi essa,” eu disse, ainda encarando Afrodite e seu bando.
“Acabamos de ler Medea* (*peça trágica grega onde sua heroína a bruxa Medea mata o
seus dois filhos para vingar a traição do marido) na aula de Inglês. Foi o que derrubou
Jason.”
“Eu adoraria arrancar a arrogância da cabeça dela,” Erin disse.
“Eu seguro ela pra você, Gêmea,” Shaunee disse.
“Não! Vocês sabem que já conversamos sobre isso antes. A penalidade por brigar é
ruim. Muito ruim. Não vale a pena.”
Eu observei Erin e Shaunee empalidecerem ao mesmo tempo e queria perguntar o
que poderia ser tão ruim, mas Stevie Rae continuou falando, dessa vez comigo.
“Apenas tenha cuidado, Zoey. As Filhas Negras, e Afrodite especialmente, podem
parecer ok na maior parte do tempo, e é por isso que elas são perigosas.”
Eu balancei a cabeça. “Oh, nu uh. Eu não vou para o negocio da lua cheia delas.”
“Eu acho que você precisa,” Damien disse suavemente.
“Neferet concordou com isso.” Stevie Rae disse enquanto Erin e Shaunee acenavam
em concordância.” Isso significa que ela espera que você vá. Você não pode dizer a seu
mentor não.”
“Especialmente se seu mentor é Neferet, Alta Sacerdotisa de Nyx,” Damien disse.
“Eu não posso só dizer que eu não estou pronta para... pra... o que quer que seja
que eles querem que eu faça, e perguntar a Neferet se eu posso ser – eu não sei, o que
você chamaria – dispensada do negocio da lua cheia delas dessa vez?”
“Bem, você poderia, mas daí Neferet contaria para as Filhas Negras e elas Irão achar
que você tem medo delas.”
Eu pensei sobre a enorme merda que já tinha acontecido entre Afrodite e eu em tão
pouco tempo. “Uh, Stevie Rae, eu posso já ter medo delas.”
“Nem deixe elas saberem.” Stevie Rae olhou para seu prato, tentando esconder o
embaraçamento. “Isso é pior do que enfrentar elas.”
“Querida,” Damien disse, dando um tapinha na mão de Stevie Rae, “pare de se
culpar por isso.”
Stevie Rae deu a Damien um doce, e agradecido sorriso.
Então ela disse para mim, “Apenas vá. Seja forte e vá. Eles não farão nada muito
horrível no ritual. É aqui no campus; elas não se atreveriam.”
“Yeah, elas fazem todas as merdas longe daqui, quando é mais difícil para os
vampiros pegarem elas,” Shaunee disse. “Por aqui elas fingem ser enjoadamente doces
para ninguém saber como elas realmente são.”
“Ninguém a não ser nós,” Erin disse, fazendo um gesto com a mão para que incluísse
não apenas nosso pequeno grupo, mas todos no salão também.
“Eu não sei, gente, talvez Zoey realmente se dê bem com um deles,” Stevie Rae
disse com nenhum toque de sarcasmo ou inveja.
Eu balancei a cabeça. “Nope. Eu não vou me dar com nenhum deles. Eu não gosto
do tipo deles – o tipo de pessoa que tenta controlar outros e fazer eles serem humilhados
só para se sentir melhor sobre si mesmo. E eu não quero ir para o Ritual da Lua Cheia!”
eu disse firmemente, pensando no meu padrasto e seus colegas, e o quão irônico e o
quão irônico era que eles parecessem ter tanta coisa em comum com esse grupo de
adolescentes que se auto proclamavam filhas de uma deusa.
“Eu iria com você se pudesse – qualquer um de nós iria – mas a não ser que você
seja uma das Filhas Negras, você só pode entrar se for convidada,” Stevie Rae disse
tristemente.
“Está tudo bem. Vou lidar com isso.” De repente eu não estava mais com fome. Eu
estava muito, muito cansada, e eu realmente queria mudar de assunto. “Então me
explique os diferentes símbolos que usamos aqui. Você me falou sobre o nosso – A espiral
de Nyx. Damien tem uma espiral também, então isso deve significar que ele é...” eu
pausei para lembrar do que Stevie Rae tinha chamado os calouros, “um terceiranista. Mas
Erin e Shaunee tem asas, e Afrodite tem outra coisa.”
“Você quer dizer além daquela atitude nojenta?” Erin murmurou.
“Ela quer dizer os três destinos,” Damien intercedeu, interrompendo o que quer que
fosse que Shaunee ia acrescentar. “Os três Destinos são crianças de Nyx. Os sestanistas
todos usam o emblema dos Destinos, com Atropos segurando a tesoura para simbolizar o
fim da escola.”
“E para algum de nós, o fim da vida,” Erin acrescentou tristemente.
Isso fez todos se calarem. Quando eu não agüentava mais o silencio desconfortável
eu limpei minha garganta e disse, “E o que são asas de Erin e Shaunee?”
“As asas de Eros, que o filho de Nyx a semente -”
“Do amor a deusa,” Shaunee disse, apertando os lábios.
Damien franziu as sobrancelhas para elas e continuou falando. “As asas douras de
Eros são o símbolo dos quartanistas.”
“Porque somos a classe do amor,” Erin cantarolou, levantando os braços por cima da
cabeça e remexendo os lábios.
“Na verdade, é porque devemos nos lembrar da capacidade de Nyx amar, e as asas
simbolizam que continuamos seguindo em frente.”
“Qual é o símbolo dos quintanistas?” eu perguntei.
“A carruagem dourada de Nyx puxando um rastro de estrelas,” Damien disse.
“Eu acho que o símbolo mais bonito,” Stevie Rae disse. “Aquelas estrelas brilham
feito louco.”
“A carruagem mostra que continuamos na jornada de Nyx. As estrelas representam a
mágica dos dois anos pelos quais já passamos.”
“Damien, você é um bom estudante,” Erin disse.
“Eu disse que você deveria ter feito ele nos ajudar para o teste de mitologia
humana,” Shaunee disse.
“Eu pensei ter dito a você que nós precisávamos da ajuda dele, e –“
“De qualquer forma,” Damien gritou por cima da discussão delas, “esses são os
símbolos das classes. Facinho, facinho, na verdade,” ele apontou para as Gêmeas que
agora estavam quietas. “Isso é, se você presta atenção na aula ao invés de escrever
bilhetes e encarar os caras que você acha gostosos.”
“Você é realmente um puritano, Damien,” Shaunee disse.
“Especialmente para um garoto gay.” Erin acrescentou.
“Erin, seu cabelo está meio que com frizz hoje. Sem querer ser mal nem nada disso,
mas talvez você devesse considerar mudar de produto. Você não pode ser cuidadosa
demais com esse tipo de coisa. Quando você ver, você vai ficar com pontas duplas.”
Os olhos azuis de Erin ficaram enormes e as mãos foram automaticamente para seu
cabelo.
“Oh, não não não. Eu não acredito que você acabou de dizer isso, Damien. Você
sabe o quão louca ela é pelo cabelo.” Shaunee começou a inchar como um blowfish* (é
um peixe com um aspecto inflado).
Damien, enquanto isso, apenas sorriu e voltou a comer sua massa – a perfeita
imagem de inocência.
“Uh, gente,” Stevie Rae disse rapidamente, levantando e me puxando pelo cotovelo.
“Zoey parece cansada. Todos lembramos como é quando recém chegamos aqui. Vamos
voltar para o nosso quarto. Eu tenho que estudar para o teste de sociologia vampirica,
então provavelmente vou ver vocês só amanhã.”
“Ok, nos vemos,” Damien disse. “Zoey, foi um prazer conhecer você.”
“É, bem vinda ao Colégio Inferno.” Erin e Shaunee falaram juntas antes que Stevie
Rae me levasse para o quarto.
“Obrigado. Eu realmente estou cansada,” eu disse a Stevie Rae em quando
andávamos pelo corredor que eu estava feliz por reconhecer como aquele que levaria para
a entrada principal do prédio central da escola. Paramos, quando um gato cinza passou
perseguindo um gato menos, na nossa frente.
“Bellzebub! Deixe o Cammy em paz! Damien vai arrancar seu pelo!”
Stevie Rae fez menção de pegar o gato cinza, mas não conseguiu, mas ele parou de
perseguir o menor e ao invés disso saiu pelo corredor de onde ele tinha acabado de
aparecer. Stevie Rae estava com a testa franzida por causa dele.
“Shaunee e Erin precisam ensinar a esse gato alguns modos, ele sempre está
aprontando algo.” Ela falou para mim enquanto saiamos do prédio e andávamos na suave
escuridão do pré-amanhecer. “Aquele gatinho pequeno é Cameron e é o gato de Damien.
Bellzbub pertence a Erin e Shaunee; ele escolheu as duas – juntas. Sim. Por mais estranho
que pareça, mas com o devido tempo você será como nós e começar a pensar que elas
realmente devem ser gêmeas.”
“Elas parecem legais.”
“Oh, elas são ótimas. Eles são brigam bastante, mas são totalmente leais e nunca
vão deixar ninguém falar de você.” Ela riu. “Ok, eles podem falar de você, mas isso é
diferente, e não será pelas suas costas.”
“E eu realmente gostei de Damien.”
“Damien é doce, e realmente esperto. Eu apenas sinto pena dele às vezes.”
“Porque?”
“Bem, ele tinha um colega de quarto quando chegou aqui seis meses atrás, mas
quando o cara descobriu que Damien era gay – olá, não é como se ele tivesse tentando
esconder – ele reclamou para Neferet e disse que não teria um colega de quarto bicha.”
Eu encarei. Eu não consigo suportar pessoas homofônicas. “E Neferet realmente
agüentou essa atitude?”
“Não, ela deixou claro que aquele garoto – oh, ele mudou o seu nome para Thor
quando chegou aqui” – ela balançou a cabeça e virou os olhos – “vai entender. De
qualquer forma, Neferet disse para aquele Thor que ele estava passando dos limites, e ela
deu a Damien a opção de se mudar para outro quarto ou continuar com Thor. Damien
escolheu se mudar. Eu quero dizer, você não teria escolhido?”
Eu acenei. “Sim. De jeito nenhum ficaria com Thor o homofônico.”
“Isso é o que todos pensamos também. Então Damien tem estado num quarto
sozinho desde então.”
“Não tem outros garotos gays por aqui?”
Stevie Rae deu nos ombros. “Tem algumas garotas que são lesbicas assumidas, mas
embora alguns deles sejam legais e fique com o resto de nós elas basicamente ficam
juntas. Elas são muito aprofundadas a religião e adoração da deusa e passam muito
tempo no templo de Nyx. E, é claro, tem garotas malucas que acham que é legal ficar
uma com as outras, mas normalmente só quando algum cara gostoso está assistindo.”
Eu balancei a cabeça. “Sabe, eu nunca entendi porque as garotas acham que ficar
com outras garotas é um jeito bom te ter um namorado. É de se pensar que seria contra
produtivo.”
“Como se eu quisesse um namorado que só me acha quente quando estou beijando
uma garota? Eca.”
“E quanto a caras gays?”
Stevie suspirou. “Tem alguns além de Damien, mas eles são na maioria muito
femininos e estranhos para ele. Eu me sinto mal por ele. Eu acho que ele fica bem
solitário. Os pais dele nem escrevem nem nada.”
“A coisa toda dos vampiros os assustou?”
“Não, eles não se importaram. Na verdade, não diga nada para Damien porque fere
os sentimentos dele, mas acho que eles ficaram aliviados por ele ter sido Marcado. Eles
não sabiam o que fazer com um filho gay.”
“Porque eles tinham que fazer algo? Ele ainda é filho deles. Ele só gosta de caras.”
“Bem, eles vivem em Dallas, e o pai dele é muito fã das Pessoas de Fé. Eu acho que
ele é algum tipo de pastou ou algo assim -”
Eu levantei a mão. “Pare. Você não tem que dizer mais uma palavra. Eu totalmente
entendo.” E eu entendia. Eu era muito familiarizada com as mentes pequenas, “nosso jeito
é o único certo” das idéias das Pessoas de Fé. Só em pensar nisso me fazia ficar exausta e
depressiva.
Stevie Rae abriu a porta do dormitório. A sala estava vazia com exceção de algumas
garotas que estavam assistindo a reprise de The 70´s Show. Stevie Rae acenou para elas.
“Hey, você quer uma bebida ou algo assim para levar com a gente?”
Eu acenei e a segui passando pela sala até um aposento menor que tinha
refrigeradores, uma grande pia, dois microondas, vários armários, e uma mesa de madeira
muito branca no meio – como uma cozinha, a não ser o fato dessa ser estranhamente
refrigerada e amigável. Tudo era legal e claro. Stevie Rae abriu um dos refrigeradores. Eu
espiei por cima dos ombros dela para ver que estava cheio de vários tipos de bebidas – de
refrigerante a vários sucos e a uma água que tinha um gosto horrível.
“O que você quer?”
“Qualquer refri está bom.” Eu disse.
“Isso é pra todos nós,” ela disse enquanto me entregava duas cocas diets e pegava
dois sucos para ela.
“Tem frutas e vegetais e coisas assim naqueles outros dois refrigeradores, e carne
para sanduíches no outro. Eles mantém cheio o tempo todo, mas os vampiros são bem
obsessivos por comer direito, então você não vai encontrar saco de batatinhas ou bolinhos
ou coisas assim.
“Nada de chocolates?”
“Sim, tem alguns chocolates bem caros nos armários. Os vampiros dizem que
chocolate em moderação é bom para nós.”
Ok, então quem diabos quer comer chocolate em moderação? Em mantive o
pensamento para mim mesma enquanto voltávamos para sala e subíamos para nosso
quarto.
“Então, os, uh, vampiros” – eu meio que me atrapalhei com a palavra – “são fãs de
comer saudavelmente?”
“Bem, sim, mas eu acho que apenas os calouros comem bem. Eu quero dizer, você
não vê vampiros gordos, mas você também não vê eles mastigando uma cebolinha ou
comendo apenas salada. A maior parte deles comem juntos no seu próprio refeitório, e
dizem os rumores que eles comem bem.” Ela olhou para mim e baixou a voz. “Eu ouvi
dizer que eles comem muita carne vermelha. Muita carne vermelha crua.”
“Eca,” eu disse, sem querer pensar no bizarro visual que passou pela minha mente
de Neferet comendo carne crua.
Stevie Rae tremeu, e continuou: “Às vezes o mentor de alguém senta com calouro no
jantar, mas eles normalmente apenas tomam uma taça ou duas de vinho tinto e não
comem conosco.”
Stevie Rae abriu a porta do quarto e com um suspiro eu sentei na minha cama e tirei
os sapatos. Deus, eu estava cansada. Esfregando meus pés eu me perguntei do porque os
vampiros adultos não comerem conosco, e então decidi que eu realmente não estava mais
afim de pensar nisso. Eu quero dizer, trazia a minha mente muitas perguntas como, o que
eles realmente estavam comendo? E o que teríamos que comer quando/se nos
tornássemos vampiros adultos? Ugh.
E, parte do meu cérebro sussurrou algo que me fez lembrar da minha reação ao
sangue de Heath ontem. Isso tinha sido apenas ontem? E também a mais recente reação
ao sangue do cara no corredor. Não. Eu definitivamente não queria pensar neles também
– nadinha. Então eu rapidamente me re-foquei na conversa sobre a dieta saudável.
“Ok, eles não se importam particularmente em comer de forma saudável, enquanto
qual é o da grande obsessão?” Eu perguntei a Stevie Rae.
Ela me olhou nos olhos, parecendo preocupada e um pouco assustada.
“Eles querem que a gente coma saudável pela mesma razão que eles nos fazem a
gente se exercitar todo dia – para que nossos corpos fiquem o mais forte possível, porque
se você começa a ficar fraca ou gorda ou doente, esse é o primeiro sinal que o seu corpo
está rejeitando a Mudança.”
“E então você morre,” eu disse baixo.
“E então você morre,” ela concordou.
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