domingo, 26 de fevereiro de 2012
academia de vampiros - beijo das sombras (capitulo 15)
QUINZE
Mason entregou.
Ele me achou no outro dia antes da aula. Ele estava carregando uma caixa de livros.
“Eu peguei eles,” ele disse. “Pegue eles antes que você tenha problemas por ser vista falando
comigo.”
Ele me entregou os livros, e eu resmunguei. Eles eram pesado. “Christian te deu todos esses?”
“Sim. Eu consegui falar com ele sem ninguém notar. Ele tem uma certa atitude, você notou
isso?”
“Sim, eu notei.” Eu compensei Mason com um sorriso que ele gostou. “Valeu. Isso significa
muito.”
Eu levei os livros até o meu quarto, consciente do qual estranho era que uma pessoa que odeia
estudar tanto quanto eu prestes a ficar enterrada em livros empoeirados do século XIV.
Quando eu abri o primeiro livro, eu vi esses deveriam ser Xerox do Xerox do Xerox,
provavelmente porque algo assim tão velho provavelmente já teria se virando pó.
Xeretando pelos livros, eu descobri que eles caiam em 3 categorias: Livros escritos por pessoas
depois que o Santo Vladimir tinha morrido, livros escritos por outras pessoas enquanto ele
estava vivo, e um diário que foi escrito por ele. O que o Maison tinha dito sobre fontes
primarias e secundarias? Esses eram os grupos de que eu queria.
Seja quem for que tinha reimprimido tinham reformulado os livros bastante para que eu não
tivesse de ler eles em um inglês antigo ou algo assim. Ou talvez, Russo, eu suponha. O Santa
Vladimir tinha vivido no antigo país.
Hoje eu curei a mãe de Sava que já faz tempo estava sofrendo de dores no estomago. Sua
doença agora se foi, mas Deus não me permitiu fazer isso de forma fácil. Eu estou fraco e
tonto, e a loucura está tentando entrar em minha mente. Eu agradeço a Deus todos os dias
pela Shadow-Kissed Anna, pois sem ela, eu certamente não seria capaz de agüentar.
Anna de novo. E “Shadow-Kissed.” Ele falava muito sobre ela, entre outras coisas. Na maior
parte do tempo ele escrevia longos sermões, como se ele estivesse na Igreja. Super chato. Mas
em outras partes, o livro se lia como um diário comum, recapitulando o que ele tinha feito
naquele dia. E se fosse só um monte de merda, então ele curava o tempo todo. Pessoas
doentes. Pessoas feridas. Até mesmo plantas.Ele trouxe colheitas de volta a vida quando as
pessoas estavam famintas. As vezes ele fazia as flores florescerem só por fazer.
Lendo, eu descobri que era uma boa coisa que o velho Vlad tinha Anna por perto, porque ele
era bem perturbado. Quanto mais ele usava o poder dele, mais eles o atingiam. Ele ficava
irracionalmente irritado e triste. Ele culpava os demônios e coisas estúpidas do tipo, mas era
obvio que ele sofria de algum tipo de depressão. Uma vez ele admitiu em seu diário, que ele
havia tentado se matar. Anna o havia impedido.
Mais tarde, passando por um livro que um cara que conhecia Vladimir escreveu, eu li:
E muitas coisas são milagrosas também, o poder de abençoar que Vladimir mostra aos outros.
Moroi e dhampirs se aproximam dele e ouvem suas palavras, felizes só de estar perto dele.
Alguns dizem que é loucura o que toca nele e não o espírito, mas a maioria o adora e fariam
qualquer coisa que ele pedisse. De certa forma Deus o marcou como seu favorito, e se tais
momentos são permitidos por alucinações e desespero, é um pequeno sacrifico pela
quantidade de coisas boas e espírito de liderança que ele mostra para as pessoas.
Soava muito com o que o padre tinha dito, eu senti algo mais que uma simples “boa
personalidade” as pessoas o adoravam, fariam qualquer coisa que ele quissese. Sim, Vladimir
tinha usado compulsão em seus seguidores, isso era certo. Muitos Moroi faziam isso naquele
tempo, antes de ser banido, mas eles não faziam em Moroi ou dharmpir. Eles não podiam.
Apenas Lissa podia.
Eu fechei o livro e me reclinei contra a cama. Vladimir cuidava das plantas e animais. Ele podia
usar compulsão em grande escala. E até onde eu pude notar, usar esses poderes tinham feito
ele enlouquecer e ficar deprimido.
Acrescentando a tudo, e fazendo tudo ficar muito mais estranho, e que todos ficavam
descrevendo sua guardiã como uma “Shadow-Kissed.” A expressão estava me incomodando
desde a primeira vez que eu a ouvi...
“Você é uma Shadow-Kissed!Você tem que cuidar dela!”
Sra. Karp tinha gritado essas palavras pra mim, as mãos delas agarrando minha camiseta e me
trazendo pra perto dela. Tinha acontecido numa noite dois anos atrás quando eu entrei na
parte superior da escola para devolver um livro. Já tinha quase passado o horário de se
recolher, e os corredores estavam vazios.
Eu tinha ouvido uma forte comoção e, em seguida, a Sra.
Karp tinha aparecido lagrimejando virando a esquina, parecendo frenética e abatida.
Ela me empurrou contra a parede, ainda me pressionando. “Você entende?”
Eu sabia o suficiente de defesa pessoal para empurrá-la para longe se eu quisesse, mas o
choque me congelou.
“Não.”
“Eles estão vindo por mim. Eles virão por ela.”
“Quem?”
“Lissa. Você tem que protege-la. Quanto mais ela usa, pior ela vai ficar. Pare ela, Rose. Pare ela
antes que eles notem, antes que eles notem e a levem embora também. Tire ela daqui.“
“Eu... o que você quer dizer? Tirar ela... você quer dizer da Academia?”
“Sim! Você tem que partir. Vocês estão ligadas. Cabe a você. Tire ela desse lugar.”
As palavras dela eram loucas.Ninguem saia da Academia. Mas enquanto ela me segurava lá e
me encarava, eu comecei a me sentir estranha. Um sentimento confuso escureceu minha
mente. O que ela disse de repente pareceu bem razoável, como a coisa mais razoável do
mundo. Sim. Eu precisava levar Lissa embora, levar ela –
Pés fizeram barulho no corredor, e um grupo de guardiões viraram o corredor. Eu não os
reconheci; eles não eram da escola. Eles nos separaram, segurando firme ela. Alguém
perguntou se eu estava bem, eu só podia continuar olhado para a Sra. Karp.
“Não deixe ela usar os poderes!” ela gritou. “Salve ela. Salve ela dela mesma!”
Os guardiões mais tarde explicaram para mim que ela não estava bem e havia sido levada para
um lugar onde ela pudesse se recuperar. Ela estaria segura e receberia cuidados, eles me
asseguraram. Ela iria se recuperar.
Mas ela não se recuperou.
De volta ao presente, eu encarei os livros e tentei montar tudo junto. Lissa. Sra. Karp. Santo
Vladimir.
O que eu deveria fazer?
Alguém bateu na minha porta, e me arrancou das minhas memórias. Ninguém havia me
visitado, nem mesmo os empregados desde a minha suspensão. Quando eu abri a porta, eu vi
o Mason no corredor.
“Duas vezes em um dia?” Eu perguntei. “Como é que você chegou aqui?”
Ele deu um sorriso. “Alguem pos um forforo acesso na lata de lixo do banheiro. Uma pena. Os
empregados estão meio ocupados. Vem eu estou soltando você.”
Eu balancei minha cabeça. Ele colocar fogo era aparentemente um sinal de afeição. Christian
havia feito e agora Mason. “Desculpe, sem salvamentos hoje a noite. Se eu for pega-“
“Ordens da Lissa.”
Eu calei a boca e deixei ele me tirar do prédio. Ele me levou até o dormitório Moroi e
milagrosamente fez com que eu entrasse sem no quarto dela sem que ninguém notasse. Eu
me perguntei se tinha um banheiro pegando fogo no dormitório deles também.
Dentro do quarto dela, eu encontrei uma festa acontecendo. Lissa, Camille, Carly, Aaron e
alguns outros da realeza estavam sentados rindo, ouvindo musica alta, e passando entre si
garrafas de whiskey. Nada de Mia ou Jesse. Natalie, eu notei algum tempo depois, sentada
longe do grupo, claramente sem saber como agir perto deles. Seu desconforto era totalmente
obvio.
Lissa tropeçou nos seus pés, os sentimentos confusos através da nossa ligação indicanvam que
ela estava bebendo fazia algum tempo. “Rose!” Ela se virou para Mason com um sorriso
deslumbrante. “Você a trouxe.”
Ele fez uma reverencia. “Estou as suas ordens.”
Eu esperava que ele tivesse feito aquilo pela emoção e não por causa da compulsão. Lissa
colocou um braço ao redor da minha cintura e me puxou para perto dos outros. “Se junte as
nossas festividades.”
“O que nós estamos celebrando?”
“Eu não sei. Você ter fugido hoje à noite?”
Alguns dos outros nos arranjaram copos de plástico, aplaudindo e me brindando. Xander
Babica serviu mais dois copos, entregando eles para Mason e eu. Eu tomei o meu com um
sorriso, enquanto sentimentos de apreensão surgiam com a virada de eventos dessa noite. A
pouco tempo atrás eu teria dado boas vindas a uma festa como essa e teria virado meu drink
em 30 segundos. Mas muita coisa estava me incomodando dessa vez. Como o fato de que a
realeza estava tratando Lissa como uma deusa. Como se ninguém parecesse se lembrar que
eles haviam me acusado de ser uma meretriz de sangue.
Ou como Lissa estava completamente infeliz apesar dos sorrisos e risadas.
“Onde você conseguiu o whiskey?” Eu perguntei.
“Sr. Nagy,” Aaron disse. Ele estava sentado bem perto de Lissa.
Todo mundo sabia que o Sr. Nagy bebia o tempo todo depois da aula e que ele mantinha um
estoque no campus. Ele usava novos lugares para esconde-los toda hora- e os estudantes
continuavam a encontrá-los.
Lissa se encostou nos ombros de Aaron. “Aaron me ajudou a entrar no quarto dele e a pegar
elas. Ele as tinha escondido no fundo do closet.”
Os outros riram, e Aaron olhou pra ela com completa adoração. Me divertindo, eu me dei
conta que ela não tinha que usar compulsão nele. Ele era simplesmente louco por ela. Ele
sempre tinha sido.
“Porque você não está bebendo?” Mason me perguntou um tempo depois, falando baixo em
meu ouvido.
Eu olhei para o meu copo, meio surpresa por vê-lo cheio. “Eu não sei. Eu acho que talvez os
guardiões não deveriam beber perto dos seus protegidos.”
“Ela não é sua protegida ainda! Você não está em serviço.Você não vai estar em serviço por
um longo tempo. Desde quando você é tão responsável?”
Eu não achava de verdade que eu fosse tão responsável. Mas eu estava pensando no que o
Dimitri tinha dito sobre balancear diversão e obrigação. Parecia errada me deixar relaxar
enquanto Lissa estava num estado tão vulnerável ultimamente. Passando pelo lugar apertado
entre ela e Mason, eu fui sentar perto de Natalie.
“Hey Nat, você está quieta hoje a noite.”
Ela segurava um copo tão cheio quanto o meu. “Você também.”
Eu ri suave. “Eu acho que sim.”
Ela inclinou sua cabeça assistindo Mason e a realeza como se eles estivessem em um tipo de
experimento científico. Eles beberam muito mais whiskey desde que eu havia chegado, e a
bobeira tinha aumentado consideravelmente. “Estranho, huh? Você costumava ser o centro
das atenções. Agora ela é.”
Eu pisquei surpresa. Eu não tinha pensado assim. “Eu acho que sim.”
“Hey, Rose,” disse Xander, quase derrubando o seu drink quando ele andava para perto de
mim. “Como que era?”
“Como que era o que?”
“Deixar alguém se alimentar de você?”
Os outros ficaram quietos, uma antecipação se apoderando deles.
“Ela não fez isso,” disse Lissa com uma voz de aviso. “Eu disse a você.”
“Sim, sim, eu sei que nada aconteceu com o Jesse e o Ralf. Mas vocês duas fizeram, certo?
Enquanto estavam fora?”
“Deixa pra lá,” disse Lissa. Compulsão funcionava melhor com contato visual direto, e a
atenção dele estava em mim, não nela.
“Eu quero dizer, é legal e tudo mais. Vocês fizeram o que precisavam, certo? Não é como você
fosse uma alimentadora. Eu só quero saber como era. Danielle Szelsky me deixou morde-la
uma vez. Ela disse que não parecia como nada.”
Houve um “eca” coletivo entre as garotas. Sexo e sangue com dhampirs era sujo; entre Moroi,
era canibalismo.
“Você é um mentiroso,” disse Camille.
“Não, eu to falando sério. Foi só uma mordida pequena. Ela não ficou alta como os
alimentadores. Você ficou?” Ele colocou seu braço livre em volta do meu ombro. “Você
gostou?”
O rosto de Lissa ficou duro e pálido.O álcool emudeceu a força total dos sentimentos dela, mas
eu podia ler o suficiente pra saber como ela se sentia. Pensamentos negros e assustadores
passaram por mim – juntamente com raiva. Ela normalmente tinha um bom controle do seu
temperamento – diferente de mim – mas eu já tinha visto isso acontecer antes. Antes tinha
acontecido numa festa bem parecida com essa, apenas algumas semanas depois que a Sra.
Karp tinha sido levada embora.
Greg Daskov – um primo distante de Natalie – tinha feito a festa em seu quarto. Os parentes
dele aparentemente conheciam alguem que conheciam alguem, porque ele tinha um dos
maiores quartos do dormitório. Ele tinha sido amigo do irmão de Lissa antes do acidente e
tinha ficado mais que feliz em levar a irmãzinha do Andre no seu circulo social. Greg também
tinha ficado feliz em me levar junto, e nós dois estávamos um em cima do outro aquela noite.
Para uma estudante novata como eu, estar com um Moroi da realeza sênior era algo imenso.
Eu bebi muito aquela noite, mas ainda consegui manter minha atenção em Lissa. Ela sempre
mantinha uma certa ansiedade quando estava perto de tantas pessoas, mas ninguém tinha
notado, porque ela era capaz de interagir com eles tão bem. O fato deu estar bêbada manteve
vários sentimentos longe de mim, mas enquanto ela parecesse bem, eu não me importava.
Greg, que beijava mais ou menos de repente parou e se afastou olhando pra algo por cima do
meu ombro. Nós dois estávamos sentados na mesma cadeira, comigo no colo dele, e eu virei
meu pescoço para ver. “O que foi?”
Ele balançou sua cabeça com uma certa exasperação divertida. “Wade trouxe um
alimentador.”
Eu segui seu olhar para onde Wade Voda mantinha seus braços ao redor de uma garota frágil
da minha idade. Ela era humana e bonita, com cabelos loiros ondulados e uma pele de
porcelana pálida devido a perda de sangue. Alguns outros caras tinham se apoiado nela e
ficado com Wade, rindo e tocando seu rosto e cabelo.
“Ela já alimentou muito hoje,” eu disse, observando seu olhar colorido e cheio de confusão.
Greg deslizou suas mãos no meu pescoço e me virou de volta a ele. “Rose.”
Eu olhei pro rosto de Lissa. Sua expressão ansiosa surpreendeu porque eu não podia sentir as
emoções. Muita cerveja pra mim. Eu sai do colo de Greg.
“Onde você está indo?” ele perguntou.
“Já volto.” Eu puxei Lissa para o lado, de repente desejando estar sóbria. “Qual o problema?”
‘Eles.”
Ela acenou para onde os caras estavam com a alimentadora. Ela ainda tinha um grupo ao redor
dela, e quando ela se virou pra olhar pra um deles eu vi pequenas marcas vermelhar
espalhadas pelo pescoço dela. Eles estavam meio que se alimentando em grupo, se revezando
para morder ela e fazendo sugestões nojentas. Alta e sem noção, ela deixava.
“Ela é uma alimentadora. Ninguém vai pará-los.”
Lissa olhou pra mim com olhos imploradores. Magoa, ultraje e raiva enchendo seus olhos.
“Você vai?”
Eu sempre tinha sido a agressiva, cuidando dela desde que ela era pequena. Ver ela agora, tão
chateada e esperando que eu concertasse as coisas, era mais do que eu podia agüentar. Dando
a ela um aceno, eu fui em direção ao grupo.
“Você está tão desesperado para pegar alguma garota que você tem que drogá-las agora,
Wade?” Eu perguntei.
Ele olhou pra cima de onde ele estava passando seus lábios pelo pescoço da humana.
“Porque? Você terminou com o Greg e está procurando por mais?”
Eu pus minhas mãos nos meus quadris e esperei parecer feroz. A verdade é que eu estava
começando a me sentir um pouco nauseada devido a toda aquela bebida.”Não existem drogas
o suficiente no mundo para me fazer chegar perto de você,” eu disse a ele. Alguns dos amigos
dele riram. “Mas talvez você possa ficar com o aquela lâmpada ali. Parece ser boa o bastante
pra deixar você feliz. Você não precisa dela mais.” Mais alguns riram.
“Isso não é da sua conta,” ele disse. “Ela é só o almoço.” Se referir aos alimentadores como
comida era a única coisa pior do que chamar dhampirs de meretrizes de sangue.
“Isso não é um quarto de alimentação. Ninguém quer ver isso.“
“É,” concordou uma garota sênior. “É nojento.” Alguns outros amigos dela concordaram.
Wade olhou pra todos, me encarando mais. “Otimo. Nenhum de vocês tem que ver. Vem.” Ele
agarrou o braço da alimentadora e a levou pra longe. Tropeçando, ela choramingava baixo.
“Foi o melhor que pude fazer,’ eu disse a Lissa.
Ela me encarou chocada. “Ele só vai leva-la para o quarto dele. Ele vai fazer coisas ainda piores
com ela.”
“Liss, eu também não gosto, mas não é como se eu pudesse sair perseguindo ele nem nada.”
Eu esfreguei minha testa. “Eu poderia ir quebrar a cara dele ou algo assim, mas eu já estou
sentindo que eu vou vomitar.”
O rosto dela ficou negro, e ela mordeu seu lábio. “Ele não pode fazer isso.”
‘Desculpa.”
Eu voltei para a cadeira com Greg me sentindo um pouco mal sobre o que tinha acontecido. Eu
não queria ver eles tirarem vantagem da alimentadora tanto quanto Lissa – me lembrava
demais sobre o que os caras Moroi pensavam que podiam fazer com as garotas dhampir. Mas
eu também não podia ganhar essa luta, não essa noite.
Greg tinha me mexido um pouco para ter uma visão melhor do meu pescoço, quando eu notei
alguns minutos depois que Lissa tinha sumido. Praticamente caindo, eu subi no colo dele e
olhei em volta. “Onde está Lissa?”
Ele me pegou. “Provavelmente no banheiro.”
Eu não consegui sentir nada através da nossa ligação. O alcool tinha a adormecido. Indo até o
corredor, eu soltei um suspiro de alivio quando escapei da música e das vozes altas. Estava
quieto lá fora, exceto por um som de batida a poucos quartos abaixo. A porta estava
entreaberta, e eu a empurrei para dentro,
A alimentadora estava agachada no canto, apavorada. Lissa estava com os braços cruzados,
seu rosto com raiva e terrível. Ela estava encarando Wade intensamente, e ele olhava de volta
encantado. Ele também segurava um taco de baseball, e parecia que ele já o tinha usado,
porque o quarto estava destruído: prateleiras, o som, o espelho...
“Quebre a janela também,” Lissa disse a ele. “Anda logo. Não importa.”
Hipnotizado, ele andou para perto de uma enorme e fina janela. Eu encarei, minha boca quase
atingindo o chão, enquanto ele batia com o taco contra o vidro. Fez enormes cacos, que eram
jogados por todos os lugares deixando entrar a luz da manhã que normalmente era bloqueada.
Ele estremeceu com o brilho em seus olhos, mas ele não se mexeu.
“Lissa,” eu exclamei. “Pare com isso. Faça ele parar.”
“Ele deveria ter parado antes.”
Eu mal reconheci o olhar no rosto dela. Eu nunca a tinha visto tão chateada, e eu certamente
nunca tinha visto ela fazer nada daquilo. Eu sabia o que era, obvio. Eu soube de cara.
Compulsão. Até onde eu sabia, ela estava a segundos de mandar ele bater com o taco em si
mesmo.
“Por favor, Lissa. Não faça mais isso. Por favor.”
Atraves da confusão e da alta do alcool, eu senti um tremor em suas emoções. Elas eram
fortes o suficiente pra quase me derrubar. Negro.Raiva. Impiedade. As sensações estavam
vindo da doce e estabilizam Lissa. “Eu a conhecia desde o jardim de infância, mas naquele
momento, eu mal a reconhecia.”
E eu estava com medo.
“Por favor, Lissa,” eu repeti. “Ele não vale a pena. Deixe ele ir.”
Ela não olhou pra mim. Seus olhos tempestuosos estavam focados inteiramente em Wade.
Devagar e com cuidado, ele levantou o taco, fazendo com que ele se alinhasse com sua própria
cabeça.
‘Liss,” eu implorei. Oh meu Deus. Eu teria que atacar ela ou algo assim pra fazer ela parar.
“Não faça isso.”
“Ele deveria ter parado,” Lissa disse. O taco se moveu rápido. Estava agora na posição exata
para ganhar força e acertar o alvo. “Ele não deveria ter feito isso com ela. As pessoas não
podem tratar outras pessoas desse jeito – até mesmo os alimentadores.”
“Mas você está assustando ela,” eu disse suave. “Olhe pra ela.”
Nada aconteceu a principio, então Lissa voltou seu olhar para a alimentadora. A garota
humana ainda estava no canto, os braços envolvendo ela mesma de forma protetora. Os seus
olhos azuis estavam arregalados, luz refletia em seu suor, e lagrimas caiam no sobre seu rosto.
Ela deu um soluço chocado e apavorado.
Lissa encarava impassiva. Dentro dela, eu podia sentir a batalha que ela estava travando para
recobrar o controle. Alguma parte dela não queria ferir Wade, apesar da raiva cegante que a
encheu. Seu rosto se enrugou e ela apertou seus olhos fechados. Sua mão direita alcançou seu
pulso esquerdo e suas unhas se cravaram fundo em sua pele. Ela recuou com a dor, mas
através da ligação, eu senti o choque da dor a distrair de Wade.
Ela parou com a compulsão, e ele largou o taco, de repente parecendo confuso. Eu respirei
novamente. No corredor, o som de passos. Eu deixei a porta aberta, e quebrar a janela tinha
chamado atenção. Alguns membros da equipe do dormitório entraram no quarto, ficando
paralisados quando eles viram toda aquela destruição.
“O que aconteceu?”
Nos olhamos uns para os outros. Wade parecia complemente perdido. Ele encarava o quarto,
o taco, e então pra Lissa e eu, “Eu não sei... eu não consigo...” Ele voltou toda a sua atenção
pra mim com uma raiva crescente. “O que diabos – foi você! Você não deixou a coisa da
alimentadora em paz.”
O membros que trabalhavam no dormitório me olharam questionando, e em alguns segundos,
eu tomei uma decisão.
Você tem que protegê-la. Quanto mais ela usa, pior vai ser. Pare ela, Rose. Pare ela antes que
eles notem, antes que eles notem e a levem embora também. Tire ela daqui.
Eu podia ver o rosto da Sra. Karp em minha mente, implorando de forma frenética. Eu dei a
Wade um olhar arrogante, sabendo muito bem que ninguém iria questionar uma confissão ou
suspeitar de Lissa.
“É, bom, se você a tivesse deixado ir,” eu disse a ele, “Eu não teria ter que fazer isso.”
Salve ela. Salve ela de si mesma.
Depois daquela noite, eu nunca mais bebi. Eu me recusei a baixar a guarda perto de Lissa. E
dois dias depois, enquanto eu supostamente deveria estar suspensa por “destruição de
propriedade,” eu peguei Lissa e a tirei da Academia.
De volta ao quarto de Lissa, quando os braços de Xander ao meu redor e o olhar raivosa e
magoado dela, eu não sabia se ela faria algo drástico novamente. Mas a situação me lembrava
demais daquela que aconteceu dois anos atrás, e eu sabia que eu tinha que pará-la.
“Só um pouco de sangue,” Xander estava dizendo. “Eu não vou tirar muito. Eu só quero ver
qual o gosto de dhampir.Ninguém aqui se importa.”
“Xander,” rugiu Lissa,”deixe ela em paz.”
Eu sai dos braços dele e sorri, procurando por uma resposta divertido que não começaria uma
briga. “Anda logo,” eu provoquei. “Eu tive que bater no ultimo cara que me pediu isso, e você
é mais bonito que o Jesse. Seria um desperdício.”
“Bonito?” ele perguntou. “Eu sou incrivelmente sexy não bonito.”
Carly riu. “Não, você é bonito. “Todd me disse que você compra algum tipo de gel Frances para
o cabelo.”
Xander, distraído assim como muitas pessoas bêbadas são, se virou para defender sua honra,
me esquecendo. A tensão desaparecendo e ele levou a gozação sobre o seu cabelo bem.
Atraves do quarto, Lissa encontrou meus olhos com alivio. Ela sorriu e deu um breve aceno de
agradecimento enquanto ela virava sua atenção para Aaron.
house of night - marcada (capitulo 12)
mas capítulos livro house of night - marcada
DOZE
“Zoey! Aqui!”
Eu quase chorei de alivio quando ouvi a voz de Damien e vi suas mãos balançando
para uma mesa vazia perto dele.
“Oi.” Eu sentei e sorri agradecida para ele.
“Pronta para o primeiro dia?”
Não.
Eu acenei. “Sim.” Eu queria dizer mais, mas então um sino tocou e o som de
conversa morreu quando Neferet entrou na sala. Ela estava usando uma saia longa preta
dividia no lado para mostrar uma bota linda, e um suéter púrpura. Sobre o seio esquerdo,
bordado em prata, estava a imagem da deusa com os braços levantados, colocados na lua
crescente. O cabelo preto dela estava puxado para trás em uma intricada trança. As várias
e delicadas ondas de tatuagem que emolduravam o rosto dela a faziam parecer uma
antiga princesa guerreira. Ela sorriu para nós eu pude perceber que a turma toda estava
tão presa quanto eu pela atenção poderosa dela.
“Boa noite! Eu estava ansiosa para começar essa unidade. Mergulhar na rica
sociologia das Amazonas é um dos meus tópicos favoritos.” Ela apontou para mim. “É uma
excelente hora para Zoey Redbird se juntar a nós. Eu sou a mentora de Zoey, então
espero que meus alunos dêem boas vindas a ela. Damien, você pode, por favor, pegar um
livro para Zoey? O armário dela é do lado do seu. Enquanto você explica nosso sistema de
armários para ela eu quero que o resto de vocês pensem sobre as noções pré concebidas
que vocês tem sobre as antigas vampiras guerreiras conhecidas como Amazonas.”
O tipo barulho de papel e sussurro de alunos começou quando Damien me levou
para o fim da sala onde estavam os armários. Ele abriu o que tinha o número “12” em
prata. O armário continha prateleiras cheias de livros e suplementos.
“Na House of Night não a armários como os das escolas normais. Aqui, o primeiro
período é nossa sala de preparação e cada um de nós tem um armário. A sala sempre
estará aberta, então se você vier aqui para pegar livros e etc, como se você estivesse indo
para o seu armário. Aqui está o seu livro de sociologia.”
Ele me deu um livro grosso com capa de couro com a silueta da deusa estampada na
capa junto com o titulo, Sociologia Vampira 101. Eu peguei o caderno e algumas canetas.
Quando fechei a porta do armário eu hesitei.
“Não tem uma fechadura ou algo assim?”
“Não,” Damien baixou a voz. “Eles não precisam de fechaduras aqui. Se alguém
roubar algo, os vampiros vão saber. Eu nem quero pensar com o que aconteceria com
alguém estúpido o bastante para fazer isso.”
Nós nos sentamos e eu comecei a escrever sobre a única coisa que eu sabia em
relação as Amazonas – que elas eram mulheres guerreiras que não tinham muita utilidade
para homens – mas minha mente não estava no trabalho. Ao invés disso, eu estava me
perguntando por que Damien, Stevie Rae, e até mesmo Erin e Shaunee surtam sobre se
meter em problemas. Eu quero dizer, eu sou uma boa garota – ok, não perfeita, mas
ainda sim. Eu só tinha ido para detenção uma vez, e não foi minha culpa. Verdade. Algum
garoto idiota me disse para chupar o pau dele. O que eu deveria fazer? Chorar? Rir?
Agüentar? Umm... não... Então ao invés disso eu dei um tapa nele (embora eu prefira a
palavra “esmaguei”), e então fui para a detenção por isso.
De qualquer jeito, detenção não era tão ruim. Eu fiz meu dever de casa e comecei o
novo livro de Gossip Girl. Claramente detenção na House of Night era mais do que ir para
a sala dos professores por 45 minutos de “silencio” depois da aula. Eu tenho que lembrar
de perguntar a Stevie Rae...
“Primeiro, que partes da tradição amazona ainda praticamos na House of Night?”
Neferet perguntou, chamando minha atenção de volta para aula.
Damien levantou a mão. “A reverencia de respeito, com nosso punho por cima do
coração, vem das Amazonas, e também o jeito como apertamos a mão – por segurar o
antebraço.”
“Correto, Damien.”
Huh. Isso explica o estranho aperto de mão.
“Então, que noções pré concebidas temos sobre as guerreiras amazonas?” ela
perguntou para a turma.
Uma loira que sentava do outro lado da sala disse, “As amazonas eram muito
matriarcais, a lenda tende a adicionar uma camada adicional na história.”
“O que você quer dizer com isso?”
“Bem, pessoas – especialmente humanos – pensam que as Amazonas odiavam
homens,” disse Damien.
“Exato. E que aprendemos é que só porque uma sociedade é matriarcal, a nossa é,
não significa automaticamente que ela odeia os homens. Até Nyx tem um parceiro, o deus
Erebus, a quem ela é devotada. As amazonas eram únicas, no entanto, porque elas
escolheram ser uma sociedade de vampiras que resolver proteger e lutar sozinha. Como a
maior parte de vocês já sabe, nossa sociedade hoje ainda é matriarcal mas respeitamos e
apreciamos os Filhos da Noite, e os consideramos nossos protetores e parceiros. Agora,
abram seus livros no Capitulo Três e vamos dar uma olhada sobre a maior guerreira
Amazona, Penthesilea, mas tenham cuidado para manter lenda e historia separados na
mente de vocês.”
E daí Neferet começou uma das aulas mais legais que eu já tive. Eu não tinha idéia
que uma hora tinha passado; quando o sino tocou foi uma surpresa. Eu tinha acabado de
colocar meu livro de sociologia de volta no armário (ok, eu sei que Damien e Neferet os
chamavam de gabinetes, mas por favor – isso totalmente me lembra dos gabinetes que
costumávamos ter no jardim de infância) quando Neferet chamou meu nome. Eu peguei
meu caderno e uma caneta e fui até a mesa dela.
“Como você está?” ela perguntou, sorrido afetuosamente.
“Estou bem. Estou legal.” Eu disse rapidamente.
Ela levantou uma sobrancelha para mim.
“Bem, eu suponho que esteja um pouco nervosa e confusa.”
“É claro que você está. É muita coisa pra absorver e mudar de escola sempre é difícil
– muito mais mudar de escola e vida.” Ela olhou por cima do meu ombro. “Damien, você
levaria Zoey para a aula de teatro?”
“Claro,” Damien disse.
“Zoey, eu vejo você hoje a noite no ritual. Oh, e Afrodite lhe deu um convite oficial
para que você se junte as Filhas Negras na sua cerimônia privada depois?”
“Sim.”
“Eu queria checar de novo com você para ter certeza que você se sinta legal sobre
participar. Eu iria, é claro, entender se você não quisesse participar, mas eu encorajo você
a ir; eu quero que você aproveite cada oportunidade aqui, que as Filhas Negras é uma
excelente organização. É um elogio que elas já estejam interessadas em você como um
possível membro.”
“Estou bem sobre ir.” Eu forcei minha voz e um sorriso indiferente. Obviamente ela
esperava que eu fosse, e a ultima coisa que eu queria era que Neferet ficasse
desapontada comigo. Além do mais, de jeito nenhum eu iria fazer algo que fizesse a
Afrodite pensar que eu tinha medo dela.
“Muito bem.” Neferet disse com entusiasmo. Ela apertou meu braço e eu
automaticamente sorri para ela. “Se você precisar de mim meu escritório é na mesma área
que a enfermaria.” Ela olhou para minha testa. “Eu vejo que os pontos dissolveram quase
que completamente. Isso é excelente. Sua cabeça ainda dói?”
Minha cabeça imediatamente se dirigiu para a minha têmpora. Eu só podia sentir o
calombo de um ponto ou outro hoje quando havia pelo menos 10 ontem. Muito, muito
estranho. E, ainda mais estranho, eu não tinha pensado no corte desde hoje de manhã.
Eu também percebi que eu não pensei sobre minha mãe ou Heath ou mesmo a Vovó
Redbird...
“Não,” eu disse, percebendo que Neferet e Damien estavam esperando minha
resposta. “Não, minha cabeça não dói nem um pouco.”
“Ótimo! Bem, é melhor vocês dois irem. Eu sei que você ama teatro. Eu acho que a
Professora Nolan acabou de começar a trabalhar com monólogos.”
Eu estava na metade do corredor, correndo para acompanhar Damien quando eu
percebi.
“Como ela sabia que eu iria fazer Teatro? Eu decidi só hoje de manha.”
“Vampiros adultos sabem de mais às vezes,” Damien sussurrou. “Risque isso. Adultos
vampiros sabem demais o tempo todo, especialmente quando essa vampira é a Alta
Sacerdotisa.”
Devido ao que eu não estava contando a Neferet eu não queria pensar muito sobre
isso.
“Hey, gente!” Stevie Rae disse se aproximando. “Como foi Sociologia Vamp? Vocês
começaram a ver as Amazonas?”
“Foi legal.” Eu estava feliz por mudar de assunto dos muito misteriosos vampiros. “Eu
não tinha idéia que elas realmente cortavam seu seio direito para tirar eles do caminho.”
“Elas não teriam que fazer isso se fossem tão chatas quanto eu,” disse Stevie Rae,
olhando para seu próprio peito.
“Ou eu,” disse Damien dramaticamente.
Eu ainda estava rindo quando eles me mostraram a sala de teatro.
A professora Nolan não esvaia poder como Neferet. Ao invés disso ela esvaia energia.
Ela tinha um atlético, mas de algum jeito, corpo em forma de pêra. Seu cabelo moreno
era longo e liso. E Stevie Rae estava certa – ela tinha um sotaque texano muito
carregado.
“Zoey, bem vinda! Sente em qualquer lugar.”
Eu disse oi e sentei perto da garota Elizabeth que eu reconheci da aula de Sociologia
Vampira. Ela parecia amigável o suficiente e eu já sabia que ela era esperta. (Nunca é
ruim sentar perto de um garoto esperto.)
“Estávamos para começar a escolher que monologo cada um de vocês vai apresentar
na aula em algum horário semana que vem. Mas primeiro, eu achei que você gostaria de
ver uma demonstração de como um monologo deve ser apresentado, então eu pedi a um
dos nossos talentosos veteranos para passar aqui e recitar um famoso monologo de Otelo,
escrito por antigo escritor de peças vampiro, Shakespeare.” A professora Nolan parou e
olhou para a janela na porta. “Aqui está ele.”
A porta abriu e oh Jesus Maria do céu eu acredito que meu coração parou de bater.
Eu tenho certeza que minha boca abriu como se eu fosse uma retardada. Ele era o cara
mais lindo que eu já tinha visto. Ele era alto e tinha cabelo escuro que fazia aquela coisa
curvadinha com o cabelo igual ao do Superman. Os olhos dele eram de um azul safira
incrível e...
Oh. Inferno! Inferno! Inferno! Era o cara do corredor.
“Entre, Erik. Como sempre, seu timing para entrar é perfeito. Já estamos prontos
para o seu monologo.” Ela virou para a turma. “A maior parte de vocês já conhece o
quintanista, Erik Night, e sabem que ele ganhou a competição mundial de monólogos da
House of Night ano passado, as finais se passaram em Londres. Ele também já está
criando uma confusão em Hollywood assim como na Broadway por sua performance no
semestre passado como Tony na nossa produção de “West Side Story.” A turma é sua,
Erik.” A professora Nolan disse.
Como se meu corpo de repente estivesse funcionando no modo automático, eu bati
palmas com o resto da turma. Sorrindo e confiante, Erik pisou no pequeno palco que
estava situado no centro da sala arejada.
“Olá. Como vocês estão?”
Ele falou diretamente para mim. Eu quero dizer, diretamente para mim. Eu podia
sentir meu rosto ficando mais quente.
“Monólogos podem parecer intimidantes, mas a chave é ter suas falas decoradas, e
então imaginar que você realmente está atuando com um grupo de atores. Se engane a
pensar que não está sozinho, desse jeito...”
E ele começou o monologo de Otelo. Eu não sei muito sobre a peça, a não ser que é
uma das tragédias de Shakespeare, mas a atuação de Erik era incrível. Ele era um cara
alto, provavelmente tinha pelo menos 1,80m, mas foi quando ele começou a falar que ele
pareceu mais velho e alto e mais poderoso. A voz dele era profunda e ele tinha um
sotaque que eu não reconhecia. Os incríveis olhos dele escureceram e se estreitaram, e
quando ele disse o nome de Desdemona era como se ele estivesse rezando. Era obvio que
ele a amava, mesmo antes dele terminar de falar as linhas:
Ela me ama pelos perigos que eu passei, e eu amo que ela não tenha diminuído eles.
Enquanto ele dizia as duas ultimas falar os olhos dele se prenderam nos meus, e
como tinha acontecido no corredor no dia anterior, pareceu que não havia mais ninguém
na sala – mais ninguém no mundo. Eu senti um calafrio profundo, muito parecido com o
que eu tinha sentido nas duas vezes que tinha sentido o cheiro de sangue desde que fui
Marcada, só que nenhum sangue tinha sido derramado na sala. Só havia Erik. E então ele
sorriu, tocou os lábios nos dedos como se estivesse me mandando um beijo, e fez uma
reverencia. A classe toda aplaudiu feito louca, incluindo eu. Verdade. Eu não consegui
impedir.
“Agora, é assim que se faz,” A professora Nolan disse. “Então, tem copias de
monólogos nas prateleiras vermelhas atrás da sala. Cada um de vocês vai pegar vários
livros e começar a procurar por eles. O que vocês estão tentando achar é uma cena que
signifique muito para você – que toque alguma parte da alma de vocês. Eu vou circular e
posso responder qualquer pergunta que vocês tenham sobre os monólogos individuais.
Quando escolherem suas peças, eu vou passar os passos que precisam ser tomados
enquanto vocês se preparam para sua apresentação.” Com um sorriso energético e um
aceno, ela disse a nós para começar a procurar pelos zilhões de livros de monologo.
Eu ainda me sentia corada e sem ar, mas levantei com o resto da turma, embora não
conseguisse parar de espiar para Erik por cima dos ombros. Ele estava (infelizmente)
saindo da sala, mas não antes de virar e me pegar olhando para ele. Eu corei (de novo).
Ele encontrou meus olhos e sorriu diretamente para mim (de novo). E então saiu.
“Ele é tão gostoso,” alguém sussurrou no meu ouvido. Eu virei, e chocantemente, a
Srta. Estudante Perfeita Elizabeth estava olhando Erik sair e ventilando.
“Ele tem namorada?” eu comentei como uma idiota.
“Só nos meus sonhos,” Elizabeth disse. “Na verdade, dizem os rumores que ele e
Afrodite costumavam ficar, mas eu estou aqui a alguns meses e eles já acabaram desde
então. Aqui vamos nós,” ela jogou alguns livros de monologo para mim. “Eu sou Elizabeth,
sem sobrenome.”
Meu rosto era um ponto de interrogação.
Ela suspirou. “Meu sobrenome era Titswoeth. Você consegue imaginar? Quando
cheguei aqui, algumas semanas atrás e meu mentor explicou que eu podia mudar meu
nome para o que eu quisesse, eu sabia que eu iria me livrar do Titswoeth, mas daí tinha
todo o problema de escolher um novo sobrenome que me estressava demais. Então eu
decidi manter meu nome e não ter um sobrenome.” Elizabeth Sem Sobrenome deu nos
ombros.
“Bem, olá,” eu disse. Tem alguns garotos muito estranhos por aqui.
“Hey,” ela disse quando voltamos para nossas mesas. “Erik estava olhando você.”
“Ele estava olhando para todo mundo,” eu disse, embora eu pudesse sentir meu
estúpido rosto ficando cada vez mais quente e vermelho.
“Yeah, mas ele realmente estava olhando para você.” Ela riu e acrescentou, “Oh, eu
acho que a sua Marca colorida é legal.”
“Obrigado.” Provavelmente estava muito estranha com meu rosto vermelho.
“Qualquer pergunta sobre escolher um monologo, Zoey?” A professora Nolan
perguntou, me fazendo dar um pulo.
“Não, professora Nolan. Eu já fiz eles antes na aula de teatro de SIHS.”
“Muito bom. Me diga se tiver que esclarecer personagens para você.” Ela deu um
tapinha no meu braço e continuou se movendo pela sala. Eu abri o primeiro livro e
comecei a virar as paginas, tentando (Sem sucesso) esquecer sobre Erik e me concentrar
no monologo.
Ele estava olhando para mim. Mas por quê? Ele deveria saber que era eu no
corredor. Então que tipo de interesse em mim ele estava mostrando? E eu queria que um
cara gostasse de mim sendo que ele estava sendo chupado por aquela nojenta da
Afrodite? Eu provavelmente não deveria. Eu quero dizer, eu definitivamente não iria
continuar onde ela parou. Ou talvez ele só estivesse curioso pela minha Marca colorida,
como praticamente todos estavam.
Mas não foi isso que pareceu... pareceu que ele estava olhando para mim. E eu
gostei.
Eu olhei para o livro que eu estive ignorando. As paginas estavam abertas no sub
capitulo: Monólogos Dramáticos para Mulheres. O primeiro monologo era “Sempre
Ridícula” por Jose Echegaray.
Bem, diabos. Era provavelmente um sinal.
DOZE
“Zoey! Aqui!”
Eu quase chorei de alivio quando ouvi a voz de Damien e vi suas mãos balançando
para uma mesa vazia perto dele.
“Oi.” Eu sentei e sorri agradecida para ele.
“Pronta para o primeiro dia?”
Não.
Eu acenei. “Sim.” Eu queria dizer mais, mas então um sino tocou e o som de
conversa morreu quando Neferet entrou na sala. Ela estava usando uma saia longa preta
dividia no lado para mostrar uma bota linda, e um suéter púrpura. Sobre o seio esquerdo,
bordado em prata, estava a imagem da deusa com os braços levantados, colocados na lua
crescente. O cabelo preto dela estava puxado para trás em uma intricada trança. As várias
e delicadas ondas de tatuagem que emolduravam o rosto dela a faziam parecer uma
antiga princesa guerreira. Ela sorriu para nós eu pude perceber que a turma toda estava
tão presa quanto eu pela atenção poderosa dela.
“Boa noite! Eu estava ansiosa para começar essa unidade. Mergulhar na rica
sociologia das Amazonas é um dos meus tópicos favoritos.” Ela apontou para mim. “É uma
excelente hora para Zoey Redbird se juntar a nós. Eu sou a mentora de Zoey, então
espero que meus alunos dêem boas vindas a ela. Damien, você pode, por favor, pegar um
livro para Zoey? O armário dela é do lado do seu. Enquanto você explica nosso sistema de
armários para ela eu quero que o resto de vocês pensem sobre as noções pré concebidas
que vocês tem sobre as antigas vampiras guerreiras conhecidas como Amazonas.”
O tipo barulho de papel e sussurro de alunos começou quando Damien me levou
para o fim da sala onde estavam os armários. Ele abriu o que tinha o número “12” em
prata. O armário continha prateleiras cheias de livros e suplementos.
“Na House of Night não a armários como os das escolas normais. Aqui, o primeiro
período é nossa sala de preparação e cada um de nós tem um armário. A sala sempre
estará aberta, então se você vier aqui para pegar livros e etc, como se você estivesse indo
para o seu armário. Aqui está o seu livro de sociologia.”
Ele me deu um livro grosso com capa de couro com a silueta da deusa estampada na
capa junto com o titulo, Sociologia Vampira 101. Eu peguei o caderno e algumas canetas.
Quando fechei a porta do armário eu hesitei.
“Não tem uma fechadura ou algo assim?”
“Não,” Damien baixou a voz. “Eles não precisam de fechaduras aqui. Se alguém
roubar algo, os vampiros vão saber. Eu nem quero pensar com o que aconteceria com
alguém estúpido o bastante para fazer isso.”
Nós nos sentamos e eu comecei a escrever sobre a única coisa que eu sabia em
relação as Amazonas – que elas eram mulheres guerreiras que não tinham muita utilidade
para homens – mas minha mente não estava no trabalho. Ao invés disso, eu estava me
perguntando por que Damien, Stevie Rae, e até mesmo Erin e Shaunee surtam sobre se
meter em problemas. Eu quero dizer, eu sou uma boa garota – ok, não perfeita, mas
ainda sim. Eu só tinha ido para detenção uma vez, e não foi minha culpa. Verdade. Algum
garoto idiota me disse para chupar o pau dele. O que eu deveria fazer? Chorar? Rir?
Agüentar? Umm... não... Então ao invés disso eu dei um tapa nele (embora eu prefira a
palavra “esmaguei”), e então fui para a detenção por isso.
De qualquer jeito, detenção não era tão ruim. Eu fiz meu dever de casa e comecei o
novo livro de Gossip Girl. Claramente detenção na House of Night era mais do que ir para
a sala dos professores por 45 minutos de “silencio” depois da aula. Eu tenho que lembrar
de perguntar a Stevie Rae...
“Primeiro, que partes da tradição amazona ainda praticamos na House of Night?”
Neferet perguntou, chamando minha atenção de volta para aula.
Damien levantou a mão. “A reverencia de respeito, com nosso punho por cima do
coração, vem das Amazonas, e também o jeito como apertamos a mão – por segurar o
antebraço.”
“Correto, Damien.”
Huh. Isso explica o estranho aperto de mão.
“Então, que noções pré concebidas temos sobre as guerreiras amazonas?” ela
perguntou para a turma.
Uma loira que sentava do outro lado da sala disse, “As amazonas eram muito
matriarcais, a lenda tende a adicionar uma camada adicional na história.”
“O que você quer dizer com isso?”
“Bem, pessoas – especialmente humanos – pensam que as Amazonas odiavam
homens,” disse Damien.
“Exato. E que aprendemos é que só porque uma sociedade é matriarcal, a nossa é,
não significa automaticamente que ela odeia os homens. Até Nyx tem um parceiro, o deus
Erebus, a quem ela é devotada. As amazonas eram únicas, no entanto, porque elas
escolheram ser uma sociedade de vampiras que resolver proteger e lutar sozinha. Como a
maior parte de vocês já sabe, nossa sociedade hoje ainda é matriarcal mas respeitamos e
apreciamos os Filhos da Noite, e os consideramos nossos protetores e parceiros. Agora,
abram seus livros no Capitulo Três e vamos dar uma olhada sobre a maior guerreira
Amazona, Penthesilea, mas tenham cuidado para manter lenda e historia separados na
mente de vocês.”
E daí Neferet começou uma das aulas mais legais que eu já tive. Eu não tinha idéia
que uma hora tinha passado; quando o sino tocou foi uma surpresa. Eu tinha acabado de
colocar meu livro de sociologia de volta no armário (ok, eu sei que Damien e Neferet os
chamavam de gabinetes, mas por favor – isso totalmente me lembra dos gabinetes que
costumávamos ter no jardim de infância) quando Neferet chamou meu nome. Eu peguei
meu caderno e uma caneta e fui até a mesa dela.
“Como você está?” ela perguntou, sorrido afetuosamente.
“Estou bem. Estou legal.” Eu disse rapidamente.
Ela levantou uma sobrancelha para mim.
“Bem, eu suponho que esteja um pouco nervosa e confusa.”
“É claro que você está. É muita coisa pra absorver e mudar de escola sempre é difícil
– muito mais mudar de escola e vida.” Ela olhou por cima do meu ombro. “Damien, você
levaria Zoey para a aula de teatro?”
“Claro,” Damien disse.
“Zoey, eu vejo você hoje a noite no ritual. Oh, e Afrodite lhe deu um convite oficial
para que você se junte as Filhas Negras na sua cerimônia privada depois?”
“Sim.”
“Eu queria checar de novo com você para ter certeza que você se sinta legal sobre
participar. Eu iria, é claro, entender se você não quisesse participar, mas eu encorajo você
a ir; eu quero que você aproveite cada oportunidade aqui, que as Filhas Negras é uma
excelente organização. É um elogio que elas já estejam interessadas em você como um
possível membro.”
“Estou bem sobre ir.” Eu forcei minha voz e um sorriso indiferente. Obviamente ela
esperava que eu fosse, e a ultima coisa que eu queria era que Neferet ficasse
desapontada comigo. Além do mais, de jeito nenhum eu iria fazer algo que fizesse a
Afrodite pensar que eu tinha medo dela.
“Muito bem.” Neferet disse com entusiasmo. Ela apertou meu braço e eu
automaticamente sorri para ela. “Se você precisar de mim meu escritório é na mesma área
que a enfermaria.” Ela olhou para minha testa. “Eu vejo que os pontos dissolveram quase
que completamente. Isso é excelente. Sua cabeça ainda dói?”
Minha cabeça imediatamente se dirigiu para a minha têmpora. Eu só podia sentir o
calombo de um ponto ou outro hoje quando havia pelo menos 10 ontem. Muito, muito
estranho. E, ainda mais estranho, eu não tinha pensado no corte desde hoje de manhã.
Eu também percebi que eu não pensei sobre minha mãe ou Heath ou mesmo a Vovó
Redbird...
“Não,” eu disse, percebendo que Neferet e Damien estavam esperando minha
resposta. “Não, minha cabeça não dói nem um pouco.”
“Ótimo! Bem, é melhor vocês dois irem. Eu sei que você ama teatro. Eu acho que a
Professora Nolan acabou de começar a trabalhar com monólogos.”
Eu estava na metade do corredor, correndo para acompanhar Damien quando eu
percebi.
“Como ela sabia que eu iria fazer Teatro? Eu decidi só hoje de manha.”
“Vampiros adultos sabem de mais às vezes,” Damien sussurrou. “Risque isso. Adultos
vampiros sabem demais o tempo todo, especialmente quando essa vampira é a Alta
Sacerdotisa.”
Devido ao que eu não estava contando a Neferet eu não queria pensar muito sobre
isso.
“Hey, gente!” Stevie Rae disse se aproximando. “Como foi Sociologia Vamp? Vocês
começaram a ver as Amazonas?”
“Foi legal.” Eu estava feliz por mudar de assunto dos muito misteriosos vampiros. “Eu
não tinha idéia que elas realmente cortavam seu seio direito para tirar eles do caminho.”
“Elas não teriam que fazer isso se fossem tão chatas quanto eu,” disse Stevie Rae,
olhando para seu próprio peito.
“Ou eu,” disse Damien dramaticamente.
Eu ainda estava rindo quando eles me mostraram a sala de teatro.
A professora Nolan não esvaia poder como Neferet. Ao invés disso ela esvaia energia.
Ela tinha um atlético, mas de algum jeito, corpo em forma de pêra. Seu cabelo moreno
era longo e liso. E Stevie Rae estava certa – ela tinha um sotaque texano muito
carregado.
“Zoey, bem vinda! Sente em qualquer lugar.”
Eu disse oi e sentei perto da garota Elizabeth que eu reconheci da aula de Sociologia
Vampira. Ela parecia amigável o suficiente e eu já sabia que ela era esperta. (Nunca é
ruim sentar perto de um garoto esperto.)
“Estávamos para começar a escolher que monologo cada um de vocês vai apresentar
na aula em algum horário semana que vem. Mas primeiro, eu achei que você gostaria de
ver uma demonstração de como um monologo deve ser apresentado, então eu pedi a um
dos nossos talentosos veteranos para passar aqui e recitar um famoso monologo de Otelo,
escrito por antigo escritor de peças vampiro, Shakespeare.” A professora Nolan parou e
olhou para a janela na porta. “Aqui está ele.”
A porta abriu e oh Jesus Maria do céu eu acredito que meu coração parou de bater.
Eu tenho certeza que minha boca abriu como se eu fosse uma retardada. Ele era o cara
mais lindo que eu já tinha visto. Ele era alto e tinha cabelo escuro que fazia aquela coisa
curvadinha com o cabelo igual ao do Superman. Os olhos dele eram de um azul safira
incrível e...
Oh. Inferno! Inferno! Inferno! Era o cara do corredor.
“Entre, Erik. Como sempre, seu timing para entrar é perfeito. Já estamos prontos
para o seu monologo.” Ela virou para a turma. “A maior parte de vocês já conhece o
quintanista, Erik Night, e sabem que ele ganhou a competição mundial de monólogos da
House of Night ano passado, as finais se passaram em Londres. Ele também já está
criando uma confusão em Hollywood assim como na Broadway por sua performance no
semestre passado como Tony na nossa produção de “West Side Story.” A turma é sua,
Erik.” A professora Nolan disse.
Como se meu corpo de repente estivesse funcionando no modo automático, eu bati
palmas com o resto da turma. Sorrindo e confiante, Erik pisou no pequeno palco que
estava situado no centro da sala arejada.
“Olá. Como vocês estão?”
Ele falou diretamente para mim. Eu quero dizer, diretamente para mim. Eu podia
sentir meu rosto ficando mais quente.
“Monólogos podem parecer intimidantes, mas a chave é ter suas falas decoradas, e
então imaginar que você realmente está atuando com um grupo de atores. Se engane a
pensar que não está sozinho, desse jeito...”
E ele começou o monologo de Otelo. Eu não sei muito sobre a peça, a não ser que é
uma das tragédias de Shakespeare, mas a atuação de Erik era incrível. Ele era um cara
alto, provavelmente tinha pelo menos 1,80m, mas foi quando ele começou a falar que ele
pareceu mais velho e alto e mais poderoso. A voz dele era profunda e ele tinha um
sotaque que eu não reconhecia. Os incríveis olhos dele escureceram e se estreitaram, e
quando ele disse o nome de Desdemona era como se ele estivesse rezando. Era obvio que
ele a amava, mesmo antes dele terminar de falar as linhas:
Ela me ama pelos perigos que eu passei, e eu amo que ela não tenha diminuído eles.
Enquanto ele dizia as duas ultimas falar os olhos dele se prenderam nos meus, e
como tinha acontecido no corredor no dia anterior, pareceu que não havia mais ninguém
na sala – mais ninguém no mundo. Eu senti um calafrio profundo, muito parecido com o
que eu tinha sentido nas duas vezes que tinha sentido o cheiro de sangue desde que fui
Marcada, só que nenhum sangue tinha sido derramado na sala. Só havia Erik. E então ele
sorriu, tocou os lábios nos dedos como se estivesse me mandando um beijo, e fez uma
reverencia. A classe toda aplaudiu feito louca, incluindo eu. Verdade. Eu não consegui
impedir.
“Agora, é assim que se faz,” A professora Nolan disse. “Então, tem copias de
monólogos nas prateleiras vermelhas atrás da sala. Cada um de vocês vai pegar vários
livros e começar a procurar por eles. O que vocês estão tentando achar é uma cena que
signifique muito para você – que toque alguma parte da alma de vocês. Eu vou circular e
posso responder qualquer pergunta que vocês tenham sobre os monólogos individuais.
Quando escolherem suas peças, eu vou passar os passos que precisam ser tomados
enquanto vocês se preparam para sua apresentação.” Com um sorriso energético e um
aceno, ela disse a nós para começar a procurar pelos zilhões de livros de monologo.
Eu ainda me sentia corada e sem ar, mas levantei com o resto da turma, embora não
conseguisse parar de espiar para Erik por cima dos ombros. Ele estava (infelizmente)
saindo da sala, mas não antes de virar e me pegar olhando para ele. Eu corei (de novo).
Ele encontrou meus olhos e sorriu diretamente para mim (de novo). E então saiu.
“Ele é tão gostoso,” alguém sussurrou no meu ouvido. Eu virei, e chocantemente, a
Srta. Estudante Perfeita Elizabeth estava olhando Erik sair e ventilando.
“Ele tem namorada?” eu comentei como uma idiota.
“Só nos meus sonhos,” Elizabeth disse. “Na verdade, dizem os rumores que ele e
Afrodite costumavam ficar, mas eu estou aqui a alguns meses e eles já acabaram desde
então. Aqui vamos nós,” ela jogou alguns livros de monologo para mim. “Eu sou Elizabeth,
sem sobrenome.”
Meu rosto era um ponto de interrogação.
Ela suspirou. “Meu sobrenome era Titswoeth. Você consegue imaginar? Quando
cheguei aqui, algumas semanas atrás e meu mentor explicou que eu podia mudar meu
nome para o que eu quisesse, eu sabia que eu iria me livrar do Titswoeth, mas daí tinha
todo o problema de escolher um novo sobrenome que me estressava demais. Então eu
decidi manter meu nome e não ter um sobrenome.” Elizabeth Sem Sobrenome deu nos
ombros.
“Bem, olá,” eu disse. Tem alguns garotos muito estranhos por aqui.
“Hey,” ela disse quando voltamos para nossas mesas. “Erik estava olhando você.”
“Ele estava olhando para todo mundo,” eu disse, embora eu pudesse sentir meu
estúpido rosto ficando cada vez mais quente e vermelho.
“Yeah, mas ele realmente estava olhando para você.” Ela riu e acrescentou, “Oh, eu
acho que a sua Marca colorida é legal.”
“Obrigado.” Provavelmente estava muito estranha com meu rosto vermelho.
“Qualquer pergunta sobre escolher um monologo, Zoey?” A professora Nolan
perguntou, me fazendo dar um pulo.
“Não, professora Nolan. Eu já fiz eles antes na aula de teatro de SIHS.”
“Muito bom. Me diga se tiver que esclarecer personagens para você.” Ela deu um
tapinha no meu braço e continuou se movendo pela sala. Eu abri o primeiro livro e
comecei a virar as paginas, tentando (Sem sucesso) esquecer sobre Erik e me concentrar
no monologo.
Ele estava olhando para mim. Mas por quê? Ele deveria saber que era eu no
corredor. Então que tipo de interesse em mim ele estava mostrando? E eu queria que um
cara gostasse de mim sendo que ele estava sendo chupado por aquela nojenta da
Afrodite? Eu provavelmente não deveria. Eu quero dizer, eu definitivamente não iria
continuar onde ela parou. Ou talvez ele só estivesse curioso pela minha Marca colorida,
como praticamente todos estavam.
Mas não foi isso que pareceu... pareceu que ele estava olhando para mim. E eu
gostei.
Eu olhei para o livro que eu estive ignorando. As paginas estavam abertas no sub
capitulo: Monólogos Dramáticos para Mulheres. O primeiro monologo era “Sempre
Ridícula” por Jose Echegaray.
Bem, diabos. Era provavelmente um sinal.
house of night - marcada (capitulo 11)
ONZE
Eu não achei que fosse dormir. Achei que apenas ia ficar deitada ali sentindo
saudades de casa e pensando sobre a virada bizarra que a minha vida tinha tomado.
Flashes perturbadores dos olhos do cara no corredor passaram pela minha mente, mas eu
estava tão cansada que eu não conseguia me focar. Até a personalidade odiosa de
Afrodite era outra coisa que parecia estar me mantendo acordada. Na verdade, minhas
ultimas preocupações antes de não conseguir lembrar de mais nada tinha sido minha
testa. Estava dolorida de novo por causa da Marca e do corte na minha têmpora – ou era
porque eu estava ficando com uma enorme espinha? E meu cabelo iria estar bom para o
meu primeiro dia na escola de vampiros amanha? Mas quando me enrolei
confortavelmente e inalei o cheiro familiar do cobertor e de casa, eu me senti
inesperadamente calma e segura... e eu apaguei.
Eu também não tive um pesadelo. Ao invés disso eu sonhei sobre gatos. Vai
entender. Caras gostosos? Não. Novos poderes legais de vampiros? É claro que não.
Apenas gatos. Tinha um em particular – um pequeno e laranja que tinha pequenas patas
e uma barriga gorda com um olhar que parecia meio marsupial. Ela ficava gritando para
mim com a voz de uma moça e me perguntando por que eu tinha levado tanto tempo
para chegar ali. Então a voz de gato dela mudou para um irritante zunido e eu...
“Zoey, anda! Desliga essa porcaria de alarme!”
“O que-, huh?” Oh, diabos. Eu odeio manhãs. Minha mão falhou em tentar encontrar
o botão para desligar meu irritante despertador.
Eu mencionei que eu sou totalmente, e completamente cega sem minhas lentes? Eu
peguei meus olhos nerds e olhei para o relógio. 18:30, e eu recém estava acordando. Em
falar em bizarro.
“Você quer tomar banho primeiro, ou você quer que eu tome?” Stevie Rae perguntou
sonolenta.
“Eu vou, se você não se importa.”
“Eu não...” ela bocejou.
“Ok.”
“Mas devemos nos atrasar, porque eu não sei sobre você, mas tenho que comer café
da manhã ou vou sentir que vou morrer de fome antes do almoço.”
“Cereal?” eu de repente me animei. Eu seriamente amo cereal, e eu tenho uma
camiseta Eu [coração] CEREAL, para provar. Eu especialmente amo Count Chocula – outra
ironia vampiresca.
“Sim, tem várias daquelas pequenas caixas de cereal e bagels e frutas e ovos cozidos
e tudo mais.”
“Vou me apressar.” De repente eu estava faminta. “Hey, Stevie Rae, importa o que
eu usar?”
“Não,” ela bocejou de novo. “Só pegue um dos suéteres ou jaquetas que eu mostre
seu símbolo de terceiranista e você ficará bem.”
Eu não me apressei, embora eu estivesse realmente nervosa sobre parecer descente
e desejei ter horas para fazer e refazer meu cabelo e maquiagem. Eu usei o espelho de
maquiagem de Stevie Rae enquanto ela estava no banho, e decidi que de menos era
melhor que demais. Era estranho como a minha Marca parecia mudar toda atenção do
meu rosto. Eu sempre tive olhos bonitos – grandes e redondos e escuros, com muito
cílios. Tanto que Kayla costumava reclamar sobre o quão injusto era eu ter cílios o
suficiente para três garotas e ela tinha apenas alguns. (Em falar nisso... eu não senti falta
de Kayla, especialmente essa manhã quando estava me arrumando para ir a uma nova
escola sem ela. Talvez eu ligue para ela mais tarde. Ou mande um email. Ou... eu lembrei
do comentário que Heath tinha feito sobre a festa, e decidi que talvez não ligasse.) De
qualquer forma, a Marca de algum jeito fazia meus olhos parecerem ainda maiores e
escuros. Eu os alinhei com uma sombra suavemente preta que tinha pequenos brilhos
prateados. Não muito como aquelas garotas que acham que emplastar de delineador
preto as faz parecer legal. É, certo. Elas parecem guaxinins assustadores. Eu acrescentei
base, um pouco de pó no rosto, e pus um gloss (para esconder o fato que eu estava
nervosamente mordendo os lábios).
Então eu me olhei.
Graças a Deus meu cabelo estava bom, e até mesmo o pico de viúva* (*aquela
ponta do cabelo que fica na testa) não estava toda bagunçada como fica às vezes. Eu
ainda parecia... umm... diferente, mas a mesma.
O efeito que a minha Marca tinha no meu rosto diminuiu. Fez tudo que era étnico
sobre as minhas feições se destacar: a escuridão dos meus olhos, as bochechas altas dos
Cherokke, meu orgulhoso, nariz reto, e até mesmo a cor oliva da minha pele que era
como a da minha avó. A Marca safira da deusa pareceu ter ligado um holofote nessas
feições; tinha exposto a garota Cherokee dentro de mim e permitido que ela brilhasse.
“Seu cabelo está ótimo,” Stevie Rae disse quando entrava no quarto secando o
cabelo curto com a toalha. “Eu queria que o meu ficasse direito quando está tão
cumprido. Mas não fica. Ele fica todo frizzado e parece um rabo de cavalo.”
“Eu gosto do seu cabelo curto,” eu disse, saindo do caminho dela pegando meus
sapatos de rasteirinha estilo sapatilha de balé.
“Yeah, bem, me faz ser uma aberração aqui. Todos tem cabelo cumprido.”
“Eu notei, mas não entendi.”
“É uma das coisas que acontece enquanto você está Mudando. O cabelo dos
vampiros cresce muito rapidamente, assim como as unhas.”
Eu tentei não suspirar e lembrar das unhas de Afrodite passando cortando jeans e
pele.
Graças a Deus, Stevie Rae estava inconsciente a meu pensamento, e continuou
falando.
“Você vai ver. Depois de um tempo você não vai precisar olhar para o símbolo deles
para saber de que ano são. De qualquer forma, você vai aprender tudo sobre isso na aula
de Sociologia Vampira. Oh! Isso me lembrou.” Ela catou em alguns papeis na mesa dela
até que encontrou o que estava procurando e me entregou. “Aqui está seu horário. Temos
a terceira e a quinta aula juntas. E cheque a lista de matérias eletivas que você tem para
a segunda aula. Você pode escolher qualquer um deles.”
Meu nome estava no topo do horário, impresso com letras grandes, Zoey Redbrid,
entrando como terceiranista, assim como a data, que era de cinco (?!) dias antes do
Rastreador me Marcar.
1º período – Sociologia Vampira 101. Sala. 215. Prof. Neferet.
2º período – Drama 101. No centro de artes. Prof. Nolan
Ou
Desenho 101. Sala. 312. Prof. Doner
Ou
Introdução a musica. Sala 314. Prof. Vento
3º período – Literatura 101. Sala. 214. Prof. Penthesilea
4º período – Esgrima. Ginasio. Prof. D. Lankford
Pausa para o almoço.
5º período – Espanhol 101. Sala. 216. Prof. Germy
6º período – Introdução ao estudo de Equitação Casa de Campo. 215. Prof. Lenobia
“Nada de geometria?” eu percebi, totalmente pasma pelo horário, tentando manter
uma atitude positiva.
“Não, graças a Deus. No próximo semestre vamos ter economia. Mas isso não pode
ser tão ruim.”
“Esgrima? Introdução ao estudo de equitação?”
“Eu te disse que eles gostam de nós manter em forma. Esgrima ok, mesmo que seja
difícil. Eu não sou muito boa, mas você faz par com o pessoal mais velho – como se eles
fosse instrutores, e eu só estou dizendo, alguns daqueles garotos são simplesmente
lindos! Eu não estou tendo a aula de equitação esse semestre – eles me colocaram em
Tae Kwan Do. E eu tenho que te dizer, eu adoro!”
“Verdade?” eu disse duvidosamente. Me pergunto como será a aula de equitação?
“Sim. Que eletiva você vai escolher?”
Eu olhei para a lista. “Qual você está tomando?”
“Introdução a Música. O professor Vento é bem legal, e eu, uh...” Stevie Rae
suspirou e corou. “Eu quero ser uma estrela da musica country. Eu quero dizer, Kenny
Chesney, Faith Hill e Shania Twain são vampiras – e isso é apenas três delas. Diabos, Grth
Brooks cresceu aqui em Oklahoma e você sabe que ele é o maior vampiro de todos eles.
Então eu não vejo porque eu também não posso ser.”
“Faz perfeito sentido para mim,” eu disse. Porque não?
“Você quer ter musica comigo?”
“Isso seria divertido se eu pudesse cantar ou tocar qualquer coisa parecido com um
instrumento. Eu não posso.”
“Oh, talvez não então.”
“Na verdade, eu estava pensando em ter a aula de teatro. Eu tinha teatro em SIHS, e
era legal. Você sabe alguma coisa sobre a Prof. Nolan?”
“Sim, ela é do Texas e tem um enorme sotaque, mas ela estudou drama em Nova
Iorque e todo mundo gosta dela.”
Eu quase ri alto quando Stevie Rae mencionou o sotaque da Prof. Nolan. A garota
era tão fanhosa que parecia um parque de trailers, mas de jeito nenhum eu ia ferir os
sentimentos dela falando isso.
“Bem, então vai ser teatro.”
“Ok, pegue seu horário e vamos. Hey,” ela disse enquanto nos apressávamos para
sair do quarto e descíamos as escadas, “Talvez você seja a próxima Nicole Kidman!”
Bem, eu acho que ser a próxima Nicole Kidman não seria ruim (não que eu esteja
planejando me casar e então me divorciar de um cara maníaco e baixinho). Agora que
Stevie Rae mencionou, eu dificilmente pensava sobre o meu futuro desde que o
Rastreador tinha jogado a minha vida no caos completo, mas agora que eu estava
pensando eu realmente queria ser uma veterinária.
Um gato obeso preto e branco passou pelas escadas na nossa frente perseguindo o
que parecia o clone dele. Com todos esses gatos você ia pensar que haveria a
necessidade de vampiros veterinários. (hee hee... vampiros veterinários... eu poderia
chamar minha clinica de Vamp Vet, e os anúncios estariam escritos: “Tiramos seu sangue
de graça!”)
A cozinha e a sala estavam cheia de garotas comendo e falando e correndo. Eu tentei
responder alguns dos olás que eu estava recebendo quando Stevie Rae me apresentava
para o que parecia uma impossível confusão de garotas e manter minha concentração que
eu mantive para procurar uma caixa de Count Chocula. Quando eu estava começando a
me preocupar, eu encontrei, escondida atrás de várias caixas de Frosted Flakes (que não
seria uma escolha ruim, mas, bem, eles não são de chocolate e eles não tem nenhum
marshmallow gostoso). Stevie Rae serviu uma tigela de Lucky Charms, e sentamos na
mesa da cozinha, comendo rápido.
“E aí, Zoey!”
Aquela voz. Eu sabia quem era antes de ver Stevie Rae baixar a cabeça e encarar a
tigela de cereal.
“Olá, Afrodite,” eu disse, tentando soar neutra.
“Caso eu não te veja mais tarde eu queria me certificar que você saiba onde ir hoje a
noite. O Ritual da Lua Cheia das Filhas Negras, vai começar as 4 da manhã, logo depois
do ritual da escola. Você vai perder o jantar, mas não se preocupe com isso. Vamos
alimentar você. Oh, é na sala perto do corredor leste. Eu te encontro perto do Templo de
Nyx antes do ritual da escola para que a gente possa entrar lá dentro, e então posso te
mostrar o caminho para a sala depois.”
“Na verdade, eu já prometi a Stevie Rae que eu vou encontrar ela e nós vamos para
o ritual da escola juntas.” Eu realmente odeio pessoas insistentes. “Yeah, desculpe por
isso.” Eu fiquei feliz por ver que Stevie Rae levantou a cabeça e disse isso.
“Hey, você sabe onde é essa sala, não sabe?” eu perguntei a Stevie Rae na minha
voz mais alegre e sem noção.
“Sim, eu sei.”
“Então você pode me mostrar como chegar lá, certo? E isso significa que Afrodite não
tem que se preocupar comigo me perdendo.”
“Qualquer coisa que eu puder fazer para ajudar,” Stevie Rae disse, soando como
sempre.
“Problema resolvido,” eu disse com um grande sorriso para Afrodite.
“Ok. Ótimo. Te vejo as 4 da manhã. Não se atrase.” Ela se virou.
“Se ela balançasse mais a bunda do que já está balançando ela vai quebrar alguma
coisa,” eu disse.
Stevie Rae roncou e quase derramou leite pelo nariz. Tossindo, ela disse, “Não faça
isso enquanto estou comendo!” Então ela engoliu e sorriu para mim. “Você não deixou ela
mandar em você.
“Nem você.” Eu disse dando a ultima colherada do cereal. “Pronta?”
“Pronta. Ok, isso vai ser fácil. Seu primeiro período é do lado do meu primeiro
período. Todas as aulas dos terceiranistas são no mesmo corredor. Anda – eu te mostro a
direção certa e você ficara colocada.”
Nós pegamos nossos pratos e os colocamos numa das cinco lava louças, então nos
apressamos para sair na linda escuridão da noite. Droga, era estranho ir para a aula a
noite, mesmo que meu corpo estivesse me dizendo que tudo estava normal. Nós seguimos
a onda de estudantes passando por uma das grandes portas de madeira.
“O corredor dos terceiranistas é por aqui,” Stevie Rae disse, me guiando para um
canto e por uma escada.
“Isso é um banheiro?” eu perguntei quando passamos por uma fonte de água situada
entre duas portas.
“Sim,” ela disse. “Aqui é a minha aula, e a sua é ao lado. Vejo você depois da aula!”
“Ok, obrigado,” eu respondi.
Pelo menos o banheiro era perto. Se eu tivesse um serio caso de diarréia eu não
precisava ir longe.
house of night - marcada (capitulo 10)
DEZ
“Eu continuo achando que a aquela confiança em excesso eventualmente vai
derrubar Afrodite.” Damien disse.
“Excesso de confiança,” Stevie Rae explicou, “ter a arrogância de uma deusa.”
“Eu na verdade entendi essa,” eu disse, ainda encarando Afrodite e seu bando.
“Acabamos de ler Medea* (*peça trágica grega onde sua heroína a bruxa Medea mata o
seus dois filhos para vingar a traição do marido) na aula de Inglês. Foi o que derrubou
Jason.”
“Eu adoraria arrancar a arrogância da cabeça dela,” Erin disse.
“Eu seguro ela pra você, Gêmea,” Shaunee disse.
“Não! Vocês sabem que já conversamos sobre isso antes. A penalidade por brigar é
ruim. Muito ruim. Não vale a pena.”
Eu observei Erin e Shaunee empalidecerem ao mesmo tempo e queria perguntar o
que poderia ser tão ruim, mas Stevie Rae continuou falando, dessa vez comigo.
“Apenas tenha cuidado, Zoey. As Filhas Negras, e Afrodite especialmente, podem
parecer ok na maior parte do tempo, e é por isso que elas são perigosas.”
Eu balancei a cabeça. “Oh, nu uh. Eu não vou para o negocio da lua cheia delas.”
“Eu acho que você precisa,” Damien disse suavemente.
“Neferet concordou com isso.” Stevie Rae disse enquanto Erin e Shaunee acenavam
em concordância.” Isso significa que ela espera que você vá. Você não pode dizer a seu
mentor não.”
“Especialmente se seu mentor é Neferet, Alta Sacerdotisa de Nyx,” Damien disse.
“Eu não posso só dizer que eu não estou pronta para... pra... o que quer que seja
que eles querem que eu faça, e perguntar a Neferet se eu posso ser – eu não sei, o que
você chamaria – dispensada do negocio da lua cheia delas dessa vez?”
“Bem, você poderia, mas daí Neferet contaria para as Filhas Negras e elas Irão achar
que você tem medo delas.”
Eu pensei sobre a enorme merda que já tinha acontecido entre Afrodite e eu em tão
pouco tempo. “Uh, Stevie Rae, eu posso já ter medo delas.”
“Nem deixe elas saberem.” Stevie Rae olhou para seu prato, tentando esconder o
embaraçamento. “Isso é pior do que enfrentar elas.”
“Querida,” Damien disse, dando um tapinha na mão de Stevie Rae, “pare de se
culpar por isso.”
Stevie Rae deu a Damien um doce, e agradecido sorriso.
Então ela disse para mim, “Apenas vá. Seja forte e vá. Eles não farão nada muito
horrível no ritual. É aqui no campus; elas não se atreveriam.”
“Yeah, elas fazem todas as merdas longe daqui, quando é mais difícil para os
vampiros pegarem elas,” Shaunee disse. “Por aqui elas fingem ser enjoadamente doces
para ninguém saber como elas realmente são.”
“Ninguém a não ser nós,” Erin disse, fazendo um gesto com a mão para que incluísse
não apenas nosso pequeno grupo, mas todos no salão também.
“Eu não sei, gente, talvez Zoey realmente se dê bem com um deles,” Stevie Rae
disse com nenhum toque de sarcasmo ou inveja.
Eu balancei a cabeça. “Nope. Eu não vou me dar com nenhum deles. Eu não gosto
do tipo deles – o tipo de pessoa que tenta controlar outros e fazer eles serem humilhados
só para se sentir melhor sobre si mesmo. E eu não quero ir para o Ritual da Lua Cheia!”
eu disse firmemente, pensando no meu padrasto e seus colegas, e o quão irônico e o
quão irônico era que eles parecessem ter tanta coisa em comum com esse grupo de
adolescentes que se auto proclamavam filhas de uma deusa.
“Eu iria com você se pudesse – qualquer um de nós iria – mas a não ser que você
seja uma das Filhas Negras, você só pode entrar se for convidada,” Stevie Rae disse
tristemente.
“Está tudo bem. Vou lidar com isso.” De repente eu não estava mais com fome. Eu
estava muito, muito cansada, e eu realmente queria mudar de assunto. “Então me
explique os diferentes símbolos que usamos aqui. Você me falou sobre o nosso – A espiral
de Nyx. Damien tem uma espiral também, então isso deve significar que ele é...” eu
pausei para lembrar do que Stevie Rae tinha chamado os calouros, “um terceiranista. Mas
Erin e Shaunee tem asas, e Afrodite tem outra coisa.”
“Você quer dizer além daquela atitude nojenta?” Erin murmurou.
“Ela quer dizer os três destinos,” Damien intercedeu, interrompendo o que quer que
fosse que Shaunee ia acrescentar. “Os três Destinos são crianças de Nyx. Os sestanistas
todos usam o emblema dos Destinos, com Atropos segurando a tesoura para simbolizar o
fim da escola.”
“E para algum de nós, o fim da vida,” Erin acrescentou tristemente.
Isso fez todos se calarem. Quando eu não agüentava mais o silencio desconfortável
eu limpei minha garganta e disse, “E o que são asas de Erin e Shaunee?”
“As asas de Eros, que o filho de Nyx a semente -”
“Do amor a deusa,” Shaunee disse, apertando os lábios.
Damien franziu as sobrancelhas para elas e continuou falando. “As asas douras de
Eros são o símbolo dos quartanistas.”
“Porque somos a classe do amor,” Erin cantarolou, levantando os braços por cima da
cabeça e remexendo os lábios.
“Na verdade, é porque devemos nos lembrar da capacidade de Nyx amar, e as asas
simbolizam que continuamos seguindo em frente.”
“Qual é o símbolo dos quintanistas?” eu perguntei.
“A carruagem dourada de Nyx puxando um rastro de estrelas,” Damien disse.
“Eu acho que o símbolo mais bonito,” Stevie Rae disse. “Aquelas estrelas brilham
feito louco.”
“A carruagem mostra que continuamos na jornada de Nyx. As estrelas representam a
mágica dos dois anos pelos quais já passamos.”
“Damien, você é um bom estudante,” Erin disse.
“Eu disse que você deveria ter feito ele nos ajudar para o teste de mitologia
humana,” Shaunee disse.
“Eu pensei ter dito a você que nós precisávamos da ajuda dele, e –“
“De qualquer forma,” Damien gritou por cima da discussão delas, “esses são os
símbolos das classes. Facinho, facinho, na verdade,” ele apontou para as Gêmeas que
agora estavam quietas. “Isso é, se você presta atenção na aula ao invés de escrever
bilhetes e encarar os caras que você acha gostosos.”
“Você é realmente um puritano, Damien,” Shaunee disse.
“Especialmente para um garoto gay.” Erin acrescentou.
“Erin, seu cabelo está meio que com frizz hoje. Sem querer ser mal nem nada disso,
mas talvez você devesse considerar mudar de produto. Você não pode ser cuidadosa
demais com esse tipo de coisa. Quando você ver, você vai ficar com pontas duplas.”
Os olhos azuis de Erin ficaram enormes e as mãos foram automaticamente para seu
cabelo.
“Oh, não não não. Eu não acredito que você acabou de dizer isso, Damien. Você
sabe o quão louca ela é pelo cabelo.” Shaunee começou a inchar como um blowfish* (é
um peixe com um aspecto inflado).
Damien, enquanto isso, apenas sorriu e voltou a comer sua massa – a perfeita
imagem de inocência.
“Uh, gente,” Stevie Rae disse rapidamente, levantando e me puxando pelo cotovelo.
“Zoey parece cansada. Todos lembramos como é quando recém chegamos aqui. Vamos
voltar para o nosso quarto. Eu tenho que estudar para o teste de sociologia vampirica,
então provavelmente vou ver vocês só amanhã.”
“Ok, nos vemos,” Damien disse. “Zoey, foi um prazer conhecer você.”
“É, bem vinda ao Colégio Inferno.” Erin e Shaunee falaram juntas antes que Stevie
Rae me levasse para o quarto.
“Obrigado. Eu realmente estou cansada,” eu disse a Stevie Rae em quando
andávamos pelo corredor que eu estava feliz por reconhecer como aquele que levaria para
a entrada principal do prédio central da escola. Paramos, quando um gato cinza passou
perseguindo um gato menos, na nossa frente.
“Bellzebub! Deixe o Cammy em paz! Damien vai arrancar seu pelo!”
Stevie Rae fez menção de pegar o gato cinza, mas não conseguiu, mas ele parou de
perseguir o menor e ao invés disso saiu pelo corredor de onde ele tinha acabado de
aparecer. Stevie Rae estava com a testa franzida por causa dele.
“Shaunee e Erin precisam ensinar a esse gato alguns modos, ele sempre está
aprontando algo.” Ela falou para mim enquanto saiamos do prédio e andávamos na suave
escuridão do pré-amanhecer. “Aquele gatinho pequeno é Cameron e é o gato de Damien.
Bellzbub pertence a Erin e Shaunee; ele escolheu as duas – juntas. Sim. Por mais estranho
que pareça, mas com o devido tempo você será como nós e começar a pensar que elas
realmente devem ser gêmeas.”
“Elas parecem legais.”
“Oh, elas são ótimas. Eles são brigam bastante, mas são totalmente leais e nunca
vão deixar ninguém falar de você.” Ela riu. “Ok, eles podem falar de você, mas isso é
diferente, e não será pelas suas costas.”
“E eu realmente gostei de Damien.”
“Damien é doce, e realmente esperto. Eu apenas sinto pena dele às vezes.”
“Porque?”
“Bem, ele tinha um colega de quarto quando chegou aqui seis meses atrás, mas
quando o cara descobriu que Damien era gay – olá, não é como se ele tivesse tentando
esconder – ele reclamou para Neferet e disse que não teria um colega de quarto bicha.”
Eu encarei. Eu não consigo suportar pessoas homofônicas. “E Neferet realmente
agüentou essa atitude?”
“Não, ela deixou claro que aquele garoto – oh, ele mudou o seu nome para Thor
quando chegou aqui” – ela balançou a cabeça e virou os olhos – “vai entender. De
qualquer forma, Neferet disse para aquele Thor que ele estava passando dos limites, e ela
deu a Damien a opção de se mudar para outro quarto ou continuar com Thor. Damien
escolheu se mudar. Eu quero dizer, você não teria escolhido?”
Eu acenei. “Sim. De jeito nenhum ficaria com Thor o homofônico.”
“Isso é o que todos pensamos também. Então Damien tem estado num quarto
sozinho desde então.”
“Não tem outros garotos gays por aqui?”
Stevie Rae deu nos ombros. “Tem algumas garotas que são lesbicas assumidas, mas
embora alguns deles sejam legais e fique com o resto de nós elas basicamente ficam
juntas. Elas são muito aprofundadas a religião e adoração da deusa e passam muito
tempo no templo de Nyx. E, é claro, tem garotas malucas que acham que é legal ficar
uma com as outras, mas normalmente só quando algum cara gostoso está assistindo.”
Eu balancei a cabeça. “Sabe, eu nunca entendi porque as garotas acham que ficar
com outras garotas é um jeito bom te ter um namorado. É de se pensar que seria contra
produtivo.”
“Como se eu quisesse um namorado que só me acha quente quando estou beijando
uma garota? Eca.”
“E quanto a caras gays?”
Stevie suspirou. “Tem alguns além de Damien, mas eles são na maioria muito
femininos e estranhos para ele. Eu me sinto mal por ele. Eu acho que ele fica bem
solitário. Os pais dele nem escrevem nem nada.”
“A coisa toda dos vampiros os assustou?”
“Não, eles não se importaram. Na verdade, não diga nada para Damien porque fere
os sentimentos dele, mas acho que eles ficaram aliviados por ele ter sido Marcado. Eles
não sabiam o que fazer com um filho gay.”
“Porque eles tinham que fazer algo? Ele ainda é filho deles. Ele só gosta de caras.”
“Bem, eles vivem em Dallas, e o pai dele é muito fã das Pessoas de Fé. Eu acho que
ele é algum tipo de pastou ou algo assim -”
Eu levantei a mão. “Pare. Você não tem que dizer mais uma palavra. Eu totalmente
entendo.” E eu entendia. Eu era muito familiarizada com as mentes pequenas, “nosso jeito
é o único certo” das idéias das Pessoas de Fé. Só em pensar nisso me fazia ficar exausta e
depressiva.
Stevie Rae abriu a porta do dormitório. A sala estava vazia com exceção de algumas
garotas que estavam assistindo a reprise de The 70´s Show. Stevie Rae acenou para elas.
“Hey, você quer uma bebida ou algo assim para levar com a gente?”
Eu acenei e a segui passando pela sala até um aposento menor que tinha
refrigeradores, uma grande pia, dois microondas, vários armários, e uma mesa de madeira
muito branca no meio – como uma cozinha, a não ser o fato dessa ser estranhamente
refrigerada e amigável. Tudo era legal e claro. Stevie Rae abriu um dos refrigeradores. Eu
espiei por cima dos ombros dela para ver que estava cheio de vários tipos de bebidas – de
refrigerante a vários sucos e a uma água que tinha um gosto horrível.
“O que você quer?”
“Qualquer refri está bom.” Eu disse.
“Isso é pra todos nós,” ela disse enquanto me entregava duas cocas diets e pegava
dois sucos para ela.
“Tem frutas e vegetais e coisas assim naqueles outros dois refrigeradores, e carne
para sanduíches no outro. Eles mantém cheio o tempo todo, mas os vampiros são bem
obsessivos por comer direito, então você não vai encontrar saco de batatinhas ou bolinhos
ou coisas assim.
“Nada de chocolates?”
“Sim, tem alguns chocolates bem caros nos armários. Os vampiros dizem que
chocolate em moderação é bom para nós.”
Ok, então quem diabos quer comer chocolate em moderação? Em mantive o
pensamento para mim mesma enquanto voltávamos para sala e subíamos para nosso
quarto.
“Então, os, uh, vampiros” – eu meio que me atrapalhei com a palavra – “são fãs de
comer saudavelmente?”
“Bem, sim, mas eu acho que apenas os calouros comem bem. Eu quero dizer, você
não vê vampiros gordos, mas você também não vê eles mastigando uma cebolinha ou
comendo apenas salada. A maior parte deles comem juntos no seu próprio refeitório, e
dizem os rumores que eles comem bem.” Ela olhou para mim e baixou a voz. “Eu ouvi
dizer que eles comem muita carne vermelha. Muita carne vermelha crua.”
“Eca,” eu disse, sem querer pensar no bizarro visual que passou pela minha mente
de Neferet comendo carne crua.
Stevie Rae tremeu, e continuou: “Às vezes o mentor de alguém senta com calouro no
jantar, mas eles normalmente apenas tomam uma taça ou duas de vinho tinto e não
comem conosco.”
Stevie Rae abriu a porta do quarto e com um suspiro eu sentei na minha cama e tirei
os sapatos. Deus, eu estava cansada. Esfregando meus pés eu me perguntei do porque os
vampiros adultos não comerem conosco, e então decidi que eu realmente não estava mais
afim de pensar nisso. Eu quero dizer, trazia a minha mente muitas perguntas como, o que
eles realmente estavam comendo? E o que teríamos que comer quando/se nos
tornássemos vampiros adultos? Ugh.
E, parte do meu cérebro sussurrou algo que me fez lembrar da minha reação ao
sangue de Heath ontem. Isso tinha sido apenas ontem? E também a mais recente reação
ao sangue do cara no corredor. Não. Eu definitivamente não queria pensar neles também
– nadinha. Então eu rapidamente me re-foquei na conversa sobre a dieta saudável.
“Ok, eles não se importam particularmente em comer de forma saudável, enquanto
qual é o da grande obsessão?” Eu perguntei a Stevie Rae.
Ela me olhou nos olhos, parecendo preocupada e um pouco assustada.
“Eles querem que a gente coma saudável pela mesma razão que eles nos fazem a
gente se exercitar todo dia – para que nossos corpos fiquem o mais forte possível, porque
se você começa a ficar fraca ou gorda ou doente, esse é o primeiro sinal que o seu corpo
está rejeitando a Mudança.”
“E então você morre,” eu disse baixo.
“E então você morre,” ela concordou.
house of night - marcada ( capítulo 9)
NOVE
Ok, a cafeteria era legal – oops, eu quero dizer “salão de jantar,” como a placa
prateada do lado de fora da entrada dizia. Não era nada parecido com a cafeteria
monstruosa da SIHS onde a acústica era tão ruim que mesmo eu sentado ao lado de
Kayla eu não podia ouvir o que ela estava falando na metade do tempo. Esse salão era
quente e amigável. As paredes eram feitas da mesma estranha mistura de tijolos e pedras
pretas como o exterior do prédio e o salão estava cheio de enormes mesas de piquenique
de madeira que tinham bancos combinando com assentos acolchoados e com encostos.
Em cada mesa sentavam 6 garotos e irradiando de uma enorme mesa situada no centro
do salão estavam frutas e queijo e carne quase transbordando, e uma taça de cristal que
estava cheia do que parecia ser vinho tinto. (huh? Vinho na escola? O que?) O teto era
baixo e a parede de trás era composta de janelas com uma porta de vidro no centro.
Pesadas cortinas de veludo estavam abertas para que o lado de fora pudesse ser visto era
um lindo jardim com alguns bancos de pedra, alguns caminhos que davam voltas, e
arbustos ornamentais e flores. No meio do jardim havia uma fonte de mármore com água
saindo do topo de algo que parecia muito com um abacaxi. Era bem bonito, especialmente
iluminado pela luz da lua e ocasional luz das lâmpadas.
A maior parte das mesas já estava cheia de adolescentes que falavam e comiam que
olhavam para cima com obvia curiosidade quando Stevie Rae e eu entramos no salão. Eu
respirei fundo e mantive a cabeça erguida. Era melhor dar a eles uma clara visão da Marca
que eles pareciam tão obcecados. Stevie Rae me levou para o lado do salão que tinha a
típica mesa de Buffet para se servir.
“Pra que é a mesa no meio do salão?” eu perguntei quando andamos.
“É uma oferenda simbólica para a deusa Nyx. Tem sempre um lugar colocado na
mesa para ela. Parece meio estranho no começo, mas logo não vai parecer tão estranho e
vai parecer certo também.”
Na verdade, não parecia estranho para mim. De certa forma, fazia sentido. A deusa
estava tão viva aqui. A Marca dela estava em todo lugar. A estatua dela estava
orgulhosamente na frente do seu Templo. Eu também estava começando a notar que em
toda a escola haviam pequenas figuras e figurinos que a representavam. A Alta
Sacerdotisa dela era minha mentora, e eu tive que admitir, eu já me sentia conectada a
Nyx. Com um esforço, eu me impedi de tocar a Marca na minha testa. Ao invés disso
peguei uma bandeja e me movi atrás de Stevie Rae na fila.
“Não se preocupe,” ela sussurrou para mim. “A comida é muito boa. Eles não fazem
você beber sangue ou comer carne crua ou nada disso.”
Aliviada, eu destravei a mandíbula. A maior parte do pessoal já estava comendo,
então a fila era curta, e Stevie Rae e eu pegamos a comida senti minha boca se encher de
água. Massa! Eu senti o cheiro: com alho!
“A coisa toda de que vampiros não suportam alho é bobagem,” Stevie Rae estava
dizendo para mim enquanto carregávamos os nossos pratos.
“Ok, e aquela coisa sobre vampiros terem que beber sangue?” eu sussurrei em
resposta.
“Não,” ela disse suavemente.
“Não?”
“Não é bobagem.”
Ótimo. Maravilhoso. Fantástico. Exatamente o que eu queria ouvir – não.
Tentando não pensar sobre o sangue e o que mais não eu peguei um copo de chá
com Stevie Rae, e então a segui para uma mesa onde dois outros garotos já estavam
conversando animadamente enquanto conversavam. É claro a conversa parou totalmente
quando me juntei a eles, o que não pareceu incomodar Stevie Rae. Enquanto eu deslizava
no banco do lado oposto ao dela ela nos apresentou com seu fanhoso sotaque.
“E aí, gente. Conheçam minha colega de quarto, Zoey Redbird. Zoey, essa é Erin
Bates,” ela apontou para uma ridiculamente bonita garota loira sentada no meu lado da
mesa. (Bem, diabos – quantas loiras podiam ter em uma escola? Não tem algum limite?)
Ainda com a sua voz em um tom de ‘alias,’ ela continuou, fazendo pequenas paradas para
dar ênfase. “Erin é a “bonita.” Ela também é divertida e esperta e tem mais sapatos do
que qualquer um que eu conheça.”
Erin tirou seus olhos azuis para longe da minha Marca por um tempo longo o
suficiente para dizer “Oi.”
“E esse é o simbólico garoto do nosso grupo, Damien Maslin. Mas ele é gay então eu
não acho que ele realmente conta como um cara.”
Ao invés de ficar puto com Stevie Rae, Damian parecia sereno e descolado. “Na
verdade, já que eu sou gay eu acho que deveria contar por dois caras ao invés de um. Eu
quero dizer, comigo você tem o ponto de vista masculino e você não tem que se
preocupar comigo querendo tocar seus peitos.”
Ele tinha um rosto descansado totalmente limpo de espinhas, e um cabelo marrom
escuro e olhos que me lembravam um filhote de cervo. Na verdade, ele era fofo. Não de
um jeito super feminino que a maioria dos caras são quando decidem sair do armário e
contar a todos o que todo mundo já sabia (bem, todos a não ser seus pais tipicamente
sem noção). Damien não era um estridente cara-garota; ele era apenas um cara fofo com
um belo sorriso. Ele também estava notavelmente tentando não olhar para minha Marca,
o que eu apreciei.
“Bem, talvez você esteja certo. Eu não pensei sobre isso dessa forma,” Stevie Rae
disse depois de uma bela mordida em um pão de alho.
“Apenas ignore ela, Zoey. O resto de nós é quase normal,” Damien disse. “E estamos
desesperadamente felizes por você finalmente ter chegado aqui. Stevie Rae tem
enlouquecido todo mundo se perguntando como você seria, quando você chegaria aqui-“
“Se você não seria uma daquelas garotas estranhas que cheiram mal e acham que
ser um vampiro significa ver quem pode ser o maior perdedor,” Erin interrompeu.
“Ou se perguntando se você seria um deles,” Damien disse, passando os olhos pela
mesa a nossa esquerda.
Eu segui o olhar dele e senti os nervos quando reconheci a pessoa de quem ele
estava falando. “Você quer dizer Afrodite?”
“Sim,” Damien disse. “E seu metido bando de bajuladores* (*Damien usa uma
palavra que normalmente não é utilizada para se referir a “bajuladores” o que explica a
confusão de Zoey).
“Huh?” Eu pisquei para ele.
Stevie Rae suspirou. “Você vai se acostumar o vocabulário obsessivo de Damien.
Graças a Deus, esse não é um novo mundo então alguns de nós entendem o que ele esta
falando sem precisar de tradução. De novo. Bajulador – um servil lisonjeador.” Ela falou
orgulhosa como se estivesse dando uma resposta na aula de inglês.
“Tanto faz. Eles me fazem sentir vontade de vomitar,” Erin disse sem tirar os olhos
da massa.
“Eles?” eu perguntei.
“As Filhas Negras,” Stevie Rae disse, e eu notei que ela automaticamente baixou a
voz.
“Pense neles como uma fraternidade,” Damien disse.
“De bruxas do inferno,” Erin disse.
“Hey, gente, acho que não deveríamos falar mal deles para Zoey, Ela pode se dar
com eles.”
“Que se foda isso. Elas são bruxas do inferno,” Erin disse.
“Cuidado com a boca, Er Bear* (* apelido). Você tem que comer com ela,” Damien
disse animado.
Incrivelmente aliviada por nenhum deles gostar de Afrodite, eu já estava me
aprontando para pedir mais explicações quando uma garota chegou, e com uma grande
bufada, deslizou a si e a bandeja ao lado de Stevie Rae. Ela era da cor de um cappuccino
(o tipo que você consegue de uma verdadeira cafeteria e não a nojeira que você pega na
maquina da Quick Trip) e tinha varias curvas com seus lábios cheios e bochechas elevadas
que a faziam parecer uma princesa africana. Ela também tinha um ótimo cabelo. Era
espesso e caia em escuras e brilhantes ondas nos ombros dela. Os olhos dela eram tão
pretos que pareciam não ter pupilas.
“Ok, por favor! Por favor. Alguém,” ela apontou para Erin, “se incomodou de me
acordar e me dizer que iríamos jantar?”
“Eu acredito que seja sua colega de quarto, não sua mãe,” Erin disse
preguiçosamente.
“Não me faça cortar seu cabelo parecido com da Jessica Simpson no meio na noite,”
a princesa africana disse.
“Na verdade, o jeito certo de frasear isso seria “Não me faça cortar seu cabelo seu
cabelo parecido com da Jessica Simpson no meio do dia.” Tecnicamente dia é noite para
nós e a noite seria o dia. O tempo é reverso aqui.”
A garota negra estreitou os olhos para ele. “Damien, você está me irritando com essa
merda de vocabulário.”
“Shaunee,” Stevie Rae interrompeu brutamente. “Minha colega de quarto finalmente
chegou. Essa é Zoey Redbird. Zoey, essa é a colega de Erin, Shaunee Cole.”
“Olá,” eu disse com a boca cheia de massa quando Shaunee virou seu olhar de Erin
para mim.
“Então, Zoey, qual é a da tua Marca ser colorida? Você ainda é uma caloura, não é?”
Todos na mesa ficaram silenciosamente chocados com a pergunta de Shaunee. Ela olhou
ao redor. “O que? Não finjam que vocês também não estão se perguntando a mesma
coisa.”
“Podemos estar, mas também podemos ser educados o suficiente para não
perguntar,” Stevie Rae disse firmemente.
“Oh, por favor. Tanto faz.” Ela suspirou com o protesto de Stevie Rae. “Isso é muito
importante para isso. Todos querem saber sobre a Marca dela. Não tem tempo para ficar
brincado quando fofoca está envolvida.” Shaunee virou para mim. “Então, qual é a da sua
estranha Marca?”
É melhor encarar isso agora. Eu tomei um rápido gole de chá e limpei a garganta. Os
4 estavam me olhando, esperando impacientemente pela minha resposta.
“Bem, eu sou uma caloura. Eu não acho que sou diferente de vocês.” Então comentei
sobre algo que estava considerando enquanto todos estavam falando. Eu quero dizer, eu
sabia que teria que responder essa pergunta eventualmente. Eu não sou estúpida –
confusa, talvez, mas não estúpida – e algo me disse que eu precisava dizer algo além da
minha experiência extra corpórea com Nyx. “Eu não sei com certeza porque a Marca está
cheia. Não estava desse jeito quando o Rastreador me Marcou. Mas mais tarde naquele
dia eu tive um acidente. Eu cai e bati a cabeça. Quando acordei a Marca estava assim. Eu
estive pensando, e tudo que eu consegui pensar é que deve ter sido alguma estranha
reação ao acidente. Eu estava inconsciente e perdi muito sangue. Talvez isso tenha feito
algo para acelerar o processo que a escurece. Esse é meu palpite, de qualquer forma.”
“Huh,” Saunee disse. “Eu estava esperando que fosse algo mais interessante. Algo
bom para fofocar.”
“Desculpe,” eu murmurei.
“Cuidado, Gêmea,” Erin disse para Shaunee, jogando a cabeça em direção as Filhas
Negras. “Você está começando a soar como se devesse se sentar naquela mesa.”
O rosto de Shaunee se contorceu. “Eu não estaria nem morta com aquelas vacas.”
“Vocês estão confundindo Zoey,” Stevie Rae disse.
Damien deu um longo suspiro. “Eu vou explicar, provando mais uma vez o quão
valioso sou para este grupo, com ou sem pênis.”
“Eu realmente queria que você não usasse a palavra com P,” Stevie Rae disse.
“Especialmente quando estou tentando comer.”
“Eu gosto,” Erin disse. “Se todos chamassem as coisas do que são seria muito menos
confuso. Por exemplo, você sabe que quando eu tenho que ir ao banheiro eu digo o obvio
– eu tenho urina que precisa sair da minha uretra. Simples. Fácil. Claro.”
“Nojento. Repugnante. Grosso,” Stevie Rae disse.
“Estou com você Gêmea.” Shaunee disse. “Eu quero dizer, se falássemos bastante
sobre coisas como urinar e menstruar, a vida seria muito mais simples.”
“Ok. Chega da conversa sobre menstruação enquanto estou comendo massa.”
Damien levantou a mão como se pudesse fisicamente parar a conversa. “Eu posso ser
gay, mas tem um numero limitado de coisas que eu posso agüentar.” Ele se inclinou na
minha direção e começou sua explicação. “Primeiro, Shaunee e Erin se chamam uma a
outra de Gêmea porque embora elas claramente não sejam parentes – Erin sendo uma
extremamente branca garota de Tulsa, e Shaunee sendo descendente de jamaicanos e da
cor de chocolate de Connecticut -”
“Obrigado pela apreciação a minha pele escura,” Shaunee disse.
“Sem problemas,” Damien disse, e então continuou com a explicação. “Embora elas
não sejam parentes de sangue elas são muito parecidas.”
“É como se elas tivessem sido separadas no nascimento ou algo assim,” Stevie Rae
disse.
Ao mesmo tempo Shaunee e Erin se olharam e começaram a rir. Foi então que eu
notei que elas estavam usando a mesma roupa – jaqueta de jeans escura, com lindas asas
douras no bolso, camiseta preta, e calças de cintura baixa. Elas até estavam usando o
mesmo brinco – enormes argolas de ouro.
“E o que a uma pequena diferença de melanina quando uma verdadeira amante de
sapatos está envolvida?” Levantando o pé Shaunne mostrou outro ótimo par de botas – só
que essas eram de couro preto com fivelas prateadas no tornozelo.
“Próxima!” Damien interrompeu, virando os olhos. “As Filhas Negras. A versão
resumida é que elas são um grupo formado pela classe alta que dizem estar responsáveis
pelo espírito escolar.”
“Não, a versão resumida é que elas são bruxas do inferno,” Shaunee disse.
“Foi exatamente o que eu disse, Gêmea,” Erin riu.
“Vocês duas não estão ajudando,” Damien disse a elas. “Agora, onde eu estava?”
“Espírito escolar,” eu respondi.
“Isso mesmo. Yeah, elas deveriam ser essa incrível organização pró-escola, próvampiros.
E também, se assume que o líder delas vai crescer para ser a Alta Sacerdotisa,
então ela deve ser o coração, mente, e espírito da escola – assim como a futura líder da
sociedade vampiresca, etc, etc, blá, blá. Pense no Mérito Nacional Escolar responsável
pela Sociedade de Honra misturada com lideres de torcida e um bando de bichas.”
“Hey, isso não é desrespeitoso a sua gayzura chamar eles de um bando de bichas?”
Stevie Rae perguntou.
“Estou usando a palavra como um termo carinhoso,” Damien disse.
“E jogadores de futebol – não esqueça que eles são Filhos Negros, também,” Erin
disse.
“Uh-huh, Gêmea. É realmente um crime e uma pena que caras tão seriamente
gostosos fiquem presos nessa -”
“E ela está falando isso literalmente,” disse Erin com um sorriso travesso.
“A bruxas do inferno,” concluiu Shaunee.
“Alô! Como se eu fosse esquecer os caras? Vocês ficam me interrompendo.”
As três garotas deram a ele um sorriso de desculpa. Stevie Rae fingiu fechar a boca e
jogar fora a chave. Erin e Shaunee murmuraram “palerma” para ela, mas elas ficaram
quieta para Damien poder terminar.
Eu notei que elas brincavam com a palavra “chupar,” me fazendo pensar que a
pequena cena que eu tinha visto não era rara.
“Mas o que as Filhas Negras realmente são é um grupo de vadias metidas que
andam mandando em todo mundo. Elas querem que todos as sigam, que se conforme
com a idéia bizarra delas do que significa se tornar uma vampira. E o mais importante de
tudo, elas odeiam humanos, e se você não se sente da mesma forma elas não querem
nada a ver com você.”
“A não ser para te zoar,” Stevie Rae acrescentou.
Eu percebi pela expressão dela que ela deveria ter uma experiência própria com a
parte do “zoar,” e lembrei o quão pálida e assustada ela parecia quando Afrodite tinha me
mostrado nosso quarto. Eu fiz uma nota mental para lembrar de perguntar a ela mais
tarde sobre o que aconteceu.
“Mas não deixe elas te assustarem,” Damien disse. “Só cuide das suas costas e-“
“Olá, Zoey. Bom ver você tão cedo.”
Eu não tive problemas em reconhecer a voz dessa vez. Eu decidi que era como mel –
pegajosa e doce demais. Todos na mesa pularam, incluindo eu. Ela estava usando um
suéter como o meu, com exceção que por cima do coração dela estava a silueta prateada
de três deusas iguais, um delas segundo o que parecia um par de tesouras. Ela estava
usando uma saia muito curta, uma meia calça que tinha brilhos prateados, e botas que
iam até os joelhos. Duas garotas estavam atrás dela, vestidas de forma parecida. Uma era
negra, com um cabelo impossivelmente longo (deve ser uma boa extensão), e a outra era
outra loira (que, com uma inspeção mais de perto das sobrancelhas dela, era
provavelmente, eu decidi, tão loira natural quanto eu).
“Olá, Afrodite,” eu disse quando todos pareciam chocados demais para falar.
“Espero não estar interrompendo nada,” ela disse nada sincera.
“Você não está. Só estávamos discutindo o lixo que precisa ser retirado hoje a noite,”
Erin disse com um enorme sorriso falso.
“Bem, você certamente deve saber tudo sobre isso,” ela disse com um olhar de
desprezo, e então virando as costas para Erin propositalmente, que estava apertando os
punhos e parecendo que estava prestes a pular em cima de Afrodite. “Zoey, eu deveria ter
dito algo para você mais cedo, mas eu acho que eu esqueci. Eu queria te dar um convite
para você se juntar as Filhas Negras no nosso privado Ritual de Lua cheia amanha a noite.
Eu sei que é raro para alguém que não está aqui a tempo o bastante participar do ritual
tão rapidamente, mas sua Marca mostra claramente que você é, bem, diferente da
maioria dos calouros.” Ela olhou para baixo o nariz perfeito dela em Stevie Rae.
“Eu já falei com Neferet, e ela concorda que seria bom para você se juntar a nós. Eu
te dou os detalhes mais tarde, quando você não estiver tão ocupada com... uh... lixo.” Ela
deu ao resto da mesa seu apertado sorriso sarcástico, virando seu longo cabelo enquanto
saia.
“Bruxas do inferno,” Shaunee e Erin falaram juntas.
house of night - marcada (capitulo 8)
OITO
A parte da House of Night onde ficavam os dormitórios era do outro lado do campus,
então andamos bastante, e Neferet parecia estar caminhando devagar de propósito, me
dando bastante para fazer várias perguntas e admirar feito uma idiota. Não que eu me
importasse. Caminhar pelo enorme “castelo” e aquela aglomeração de prédios, com
Neferet apontando pequenos detalhes sobre o que era aquilo, me deu uma noção do
lugar. Era estranho, mas de um jeito bom. Além do mais, caminhar parecia normal. Na
verdade, por mais estranho que pareça, eu me sentia eu mesma de novo. Eu não estava
tossindo. Meu corpo não doía. Minha cabeça até tinha parado de doer. Eu estava
absolutamente, totalmente não pensando sobre o incidente que eu testemunhei. Eu
estava esquecendo aqui – de propósito. A última coisa que eu precisava era lidar com
eles, uma nova vida e uma estranha Marca. Então, boquete – esquecido.
Profundamente em negação em me disse que se eu não estivesse andando pelo
campus da escola em um estranho horário ao lado de uma vampira eu quase podia fingir
que eu era a mesma de ontem. Quase.
Bem, ok. Talvez nem mesmo quase, mas minha cabeça estava melhor, e eu já estava
pronta para encarar minha colega de quarto quando Neferet abriu a porta.
Lá dentro foi uma surpresa. Eu não tenho certeza o que esperava – talvez que tudo
fosse preto e assustador. Mas era legal, decorado com um azul suave e um antigo
amarelo, com um sofá confortável e várias almofadas suaves grandes o suficiente para
sentar enchendo o quarto com gigantes almofadas parecidas com M&Ms. A suave luz
vinda de vários antigos lustras de cristais fazia o lugar parecer como o castelo de uma
princesa. Nas paredes cor de creme tinha uma grande pintura a óleo, onde havia uma
mulher que parecia exótica e poderosa. Flores recém colhidas, na maioria rosas, estavam
em vasos de cristais na mesa que estava cheia de livros e bolsas e coisas bem de
adolescentes. Eu vi várias TVs de tela plana, e reconheci o som de MTV Mundo Real vindo
de uma delas. Eu olhei para tudo isso rápido, enquanto eu tentava sorrir e aparecer
amigável para as garotas que tinham ficado quietas no segundo que eu entrei no quarto e
agora estava me encarando. Bem, risque isso. Elas não estavam exatamente me
encarando. Elas estavam encarando a Marca na minha testa.
“Senhoritas, essa é Zoey Redbird. Dêem boas vindas a ela pela House of Night.”
Por um segundo eu não achei que alguém fosse dizer algo, e eu queria morrer de
mortificação. Então uma garota levantou do meio de um grupo que estava amontoado
perto de uma TV. Ela era uma loira baixa e quase perfeita. Na verdade, ela me lembrava
uma versão mais nova de Sarah Jessica Parker (que eu não gosto, alias – ela é só tão...
tão... irritante e nada naturalmente alegre).
“Olá Zoey. Bem vinda a sua nova casa.” A garota parecida com SJP sorriu de forma
quente e genuína, e ela claramente estava se esforçando para manter contato visual ao
invés de encarar minha Marca. Instantaneamente eu me senti mal sobre fazer uma
comparação negativa sobre ela. “Eu sou Afrodite,” ela disse.
Afrodite? Ok, talvez eu não tenha sido muito dura na minha comparação. Como
alguém normal poderia escolher Afrodite como seu nome? Por favor. Em falar de ilusão de
grandeza. Eu coloquei um sorriso no rosto, no entanto, e disse um alegre, “Olá Afrodite!”
“Neferet, você gostaria que eu mostrasse a Zoey o quarto dela?”
Neferet hesitou, o que pareceu bem estranho. Ao invés de responder imediatamente
ela só ficou parada ali e olhou nos olhos de Afrodite. Então, assim como tão rapidamente
o silencio tinha começado, o rosto de Neferet se quebrou em um enorme sorriso.
“Obrigado, Afrodite, isso seria ótimo. Eu sou a mentora de Zoey, mas tenho certeza
que ela se sentiria muito mais a vontade se alguém da idade dela mostrasse o caminho
para o quarto dela.”
Foi raiva que eu vi passar pelos olhos de Afrodite? Não, eu devo ter imaginado – ou
pelo menos eu teria acreditado que eu tinha imaginado se eu não tivesse aquele estranho
sentimento que me dizia ao contrario. E eu não precisei da minha nova intuição para
perceber que algo estava errado, porque Afrodite riu – e eu reconheci o som da risada.
Me sentindo como se alguém tivesse me socado no estomago eu percebi que essa
garota – Afrodite – era a que eu tinha acabado de ver com o cara no corredor!
Afrodite riu, seguido de um alegre, “É claro que eu fiquei feliz em mostrar o lugar
para ela! Você sabe que estou sempre feliz em te ajudar, Neferet,” era falso e frio como
os enormes peitos de Pamela Anderson, mas Neferet apenas acenou em resposta e então
se virou para me olhar.
“Vou deixar você agora, Zoey,” Neferet disse, apertando meus ombros. “Afrodite vai
te levar para seu quarto, e sua nova colega de quarto pode te ajudar a se aprontar para o
jantar. Eu te vejo na sala de jantar.” Ela sorriu daquele jeito quente e estilo de mãe, e eu
tive a ridícula e infantil vontade de abraçar ela e implorar a ela para não me deixar
sozinha com Afrodite. “Você ficará bem,” ela disse, como se pudesse ler minha mente.
“Você verá, Zoeybird. Tudo ficará bem,” ela sussurrou, parecendo tanto com a minha vó
que eu tive que piscar com força para não chorar. Então ela deu um rápido tchau para
Afrodite e as outras garotas, e deixou o quarto.
A porta fechou com um abafado som. Oh, diabos... eu só quero ir pra casa!
“Anda Zoey. Os quartos são para esse lado,” Afrodite disse. Ela fez um movimento
para que eu fosse com ela para subir as grandes escadas curvas que estavam a nossa
direita. Enquanto subíamos eu tentei ignorar o zunido de vozes que instantaneamente
começou atrás de nós.
Nenhuma de nós falou, e eu me sentia tão desconfortável que eu queria gritar. Ela
tinha me visto no corredor? Bem, eu certamente não ia mencionar isso. Nunca. Até onde
eu sabia nunca tinha acontecido.
Eu limpei a garganta e disse, “O dormitório parece muito bom. Eu quero dizer, é bem
bonito.”
Ela me deu um olhar lateral. “É melhor que bom ou realmente bonito; é incrível.”
“Oh. Bem. É bom ouvir isso.”
Ela riu. O som era totalmente nada agradável – quase uma risada de desprezo – e
subiu pela minha nuca como da primeira vez que eu tinha ouvido.
“É incrível aqui em maior parte por minha causa.”
Eu olhei para ela, pensando que ela deveria estar brincado, e encontrei os olhos
azuis frios dela.
“É, você ouviu direito. Esse lugar é legal porque eu sou legal.”
Oh. Meu. Deus. Que coisa bizarra para ela dizer. Eu não tinha idéia de como
responder a essa informação bem metida. Eu quero dizer, como se eu precisasse do
estresse de uma briga com a vadia Srta. Acha-que-é-tudo-isso além da mudança de
vida/espécie/escola? E eu ainda não conseguia saber se ela sabia que era eu que estava
no corredor.
Ok. Eu só queria achar um jeito de me encaixar. Eu queria ser capaz de chamar essa
nova escola de lar. Então eu decidi pegar a estrada mais segura e manter a boca fechada.
Nenhuma de nós disse mais nada. A escada levava para um corredor alinhado com
portas. Eu segurei o fôlego quando Afrodite diante de um que estava pintado com um
púrpura bem claro, mas ao invés de bater, ela se virou para me encarar. O rosto perfeito
dela de repente parecia cheio de ódio e frio e definitivamente nada bonito.
“Ok, esse é o negocio, Zoey. Você tem essa estranha Marca, então todos estão
falando sobre você e se perguntando qual o que diabos você tem.” Ela virou os olhos
mexeu nas suas perolas dramaticamente, mudando a voz para que parecesse boba e fofa.
“Ooooh! A garota nova tem uma Marca totalmente preenchida! O que isso poderia
significar? Ela é especial? Ela tem poderes fabulosos? Oh meu – oh meu!” Ela derrubou as
mãos da garganta e estreitou os olhos em minha direção. A voz dela ficou tão chata e
maldosa quanto seu rosto. “Fique sabendo como as coisas funcionam. Eu sou a tal por
aqui. As coisas funcionam do meu jeito. Você quer se dar bem aqui, então é melhor se
lembrar disso. Caso contrário, você vai ter muitas merdas.”
Ok, ela estava começando a me irritar. “Olha,” eu disse. “Eu acabei de chegar aqui.
Eu não estou procurando problemas, e eu não tenho controle sobre o que as pessoas
estão dizendo sobre a minha Marca.”
Os olhos dela se estreitaram. Ah, merda. Eu teria mesmo que brigar com essa
garota? Eu nunca estive numa briga em toda a minha vida! Meu estomago se girou e eu
me preparei para me fugir ou o que fosse que me impedisse de apanhar.
E então, tão rapidamente quanto ela tinha ficado assustadora e odiosa, o rosto dela
relaxou em um sorriso e ela se transformou de volta na doce garotinha loira. (Não que eu
tivesse sido enganada.)
“Bom. Só queria saber se a gente tinha se entendido.”
Huh? Eu entendi que ela esqueceu de tomar seus remédios, mas foi só isso que eu
entendi.
Afrodite não me deu tempo para dizer nada. Com um ultimo, estranho e quente
sorriso, ela bateu na porta.
“Entre!” falou uma voz alegre com um sotaque Okie* (*de Oklahoma). Afrodite abriu
a porta.
“E aí! Oh meu Deus, entre.” Com um enorme sorriso, minha nova colega de quarto,
também loira, se apressou como um pequeno tornado. Mas no instante que ela viu
Afrodite, o sorriso dela sumiu do rosto e ela parou de correr na nossa direção.
“Eu trouxe sua nova colega de quarto.” Não teve nada tecnicamente errado com as
palavras de Afrodite, mas o tom dela era odioso e ela estava usando um terrível e falso
sotaque de Oklahoma. “Stevie Rae Johnson, essa é Zoey Redbird. Zoey Radbird, essa é
Stevie Rae Johnson. Pronto agora todas estamos todas aconchegadas como milho na
espiga?”
Eu olhei para Stevie Rae. Ela parecia um pequeno coelho apavorado.
“Obrigado por me trazer até aqui, Afrodite.” Eu falei rapidamente, me movendo em
direção a Afrodite, que automaticamente foi para trás, o que a colocou de volta no
corredor. “Vejo você por aí.” Eu fechei a porta na cara dela quando o olhar de surpresa
dela estava começando a virar raiva. Então eu me virei para Stevie Rae, que ainda estava
pálida.
“Qual o problema dela?” eu perguntei.
“Ela... ela...”
Embora eu não a conhecesse, eu conseguia perceber que Stevie Rae estava lutando
sobre o quanto ela deveria ou não dizer. Então eu decidi ajudar ela. Eu quero dizer,
iríamos ser colegas de quarto. “Ela é uma vaca!” eu disse.
Os olhos de Stevie Rae ficaram enormes, e então ela riu. “Ela não é muito legal, isso
é verdade.”
“Ela precisa de ajuda farmacêutica, isso é verdade,” eu acrescentei, fazendo ela rir
ainda mais.
“Eu acho que vamos nos dar bem, Zoey Redbird,” ela disse ainda sorrindo. “Bem
vinda a seu novo lar!” Ela deu uma passo para o lado e então fez um gesto com o braço
para mostrar o quarto, como se tivesse me mostrando um palácio.
Eu olhei ao redor e pisquei. Várias vezes. A primeira coisa que eu vi foi o pôster
tamanho real de Kenny Chesney que estava entre as duas camas e o chapéu de cawboy
que estava em uma das cabeceiras – a que também tinha um jeito antigo – parecendo
uma lâmpada com uma base em formato de bota de caubói. Oh, nu uh. Stevie Rae era
uma Okie total!
Então ela me deu um enorme abraço de olá, me lembrando o quanto ela parecia um
filhotinho, com o cabelo encaracolado e o sorriso no rosto. “Zoey, estou feliz que esteja se
sentindo melhor! Eu estava tão preocupada quando ouvi que você tinha se machucado.
Estou realmente feliz que você finalmente esteja aqui.”
“Obrigado,” eu disse, ainda olhando para o que agora era meu quarto também, e me
sentindo totalmente sobrepujada e prestes a chorar de novo.
“É meio assustador, não é?” Stevie Rae estava me observando com grande e sérios
olhos azuis, que estavam cheios de lagrimas simpatéticas. Eu acenei, sem confiar na
minha voz.
“Eu sei. Eu chorei toda a primeira noite.”
Eu engoli minha lagrimas e perguntei, “A quanto tempo você está aqui?”
“Três meses. E, cara, eu fiquei feliz quando eles me contaram que eu iria ter uma
colega de quarto!”
“Você sabia que eu estava vindo?”
Ela acenou vigorosamente. “Oh, sim! Neferet me disse ante ontem que o Rastreador
tinha sentido você e iria te Marcar. Eu pensei que você estaria aqui ontem, mas daí eu
ouvi que você tinha sofrido um acidente e sido levada para a clinica. O que aconteceu?”
Eu suspirei e disse, “eu estava procurando minha avó e cai e bati a cabeça.” Eu não
estava tendo o estranho sentimento que me dizia para manter a boca fechada, mas eu
não tinha certeza do quanto dizer a Stevie Rae ainda, e eu fiquei aliviada quando ela
acenou como se entendesse e não fez mais perguntas sobre o acidente – ou mencionou o
fato da minha Marca ser completamente colorida.
“Seus pais surtaram quando viram que você foi Marcada?”
“Totalmente. Os seus não?”
“Na verdade, minha mãe ficou legal. Ela disse que qualquer coisa que me tirasse de
Henrietta era uma coisa boa.”
“Henrietta, Oklahoma?” eu perguntei, feliz por mudar para um assunto que não era
sobre mim.
“Infelizmente, sim.”
Stevie Rae sentou na cama em frente ao pôster de Kenny Chesney e fez menção
para mim sentar na frente dela. Eu sentei, e então senti um pequeno choque de surpresa
quando percebi que estava sentada do meu acolchoado legal rosa e verde da Ralph
Lauren. Eu olhei para a pequena mesa de carvalho e pisquei. Ali estava o meu irritante, e
feio alarme, meus óculos de nerd, para quando eu estava cansada de usar lentes, e a foto
da vovó e eu no ultimo verão. E na prateleira atrás do computador do meu lado do quarto
eu vi minha coleção de livros Gossip Girls e Bubbles (junto com alguns dos outro favoritos,
Drácula de Bram Stoker – o que era um pouco irônico), alguns CD´s, meu laptop, e – o
meu Deus do céu – meu figurino dos Monsters Inc. Que incrivelmente vergonhoso. Minha
mochila estava no chão perto da minha cama.
“Sua avó trouxe suas coisas para cá. Ela é bem legal,” disse Stevie Rae.
“Ela é mais que legal. Ela é brava como o inferno por ter enfrentado minha mãe e o
estúpido marido dela para tirar essas coisas para mim. Eu só consigo imaginar a super
dramática cena que minha mãe fez.” Eu suspirei e então balancei a cabeça.
“É, eu acho que tenho sorte. Pelo menos minha mãe ficou tranqüila com tudo isso,”
Stevie Rae apontou para o tracejo da lua crescente na testa. “Mesmo que meu pai tenha
perdido a cabeça, já que eu era sua única filhinha e tudo mais.” Ela suspirou e então riu.
“Meus três irmãos acharam que era tão incrível e queriam saber se eu podia ajudar eles a
conseguir garotas vampiras.” Ela virou os olhos. “Garotos estúpidos.”
“Garotos estúpidos,” eu repeti e sorri para ela. Se ela achava que garotos eram
estúpidos ela e eu iríamos nos dar bem.
“Mas agora estou tranqüila com tudo isso. Eu quero dizer, as aulas são estranhas
mas eu gosto delas – especialmente a aula de Tae Kwan Do. Eu meio que gosto de chutar
bundas.” Ela sorriu de forma travessa, como um pequeno elfo loiro. “Eu gosto do
uniforme, o que a principio totalmente me chocou. Eu quero dizer, é esperado que alguém
goste de uniformes de escola? Mas podemos acrescentar coisas para fazer eles ficarem
únicos, então eles não parecem uniformes metidos, típicos de escolas. E tem uns caras
seriamente gostosos aqui – mesmo que garotos sejam estúpidos.” Os olhos dela
brilharam. “Principalmente estou apenas tão feliz por estar longe de Henrietta que eu não
me importo com as outras coisas, mesmo que Tulsa seja meio assustador por ser tão
grande.”
“Tulsa não é assustadora,” eu disse automaticamente. Ao contrario de muitos
garotos do subúrbio de Broken Arrow, eu na verdade conhecia Tulsa, graças ao que a
vovó gostava de chamar de “viagem de campo” que eu fazia com ela. “Você só tem que
saber aonde ir. Tem uma grande galeria onde você pode fazer sua própria bijuteria na
cidade baixa na Rua Brady, e do lado disso tem a Lola at the Bowery – ela tem a melhor
sobremesa da cidade. A Rua Cherry também é legal. Não estamos longe de lá agora. Na
verdade, estamos perto do incrível Museo Philbrook e a Utica Square. Tem alguns
excelentes shoppings lá e-“
De repente eu percebi o que eu estava dizendo. Os vampiros adolescentes não
tinham que se misturar com os adolescentes normais? Eu procurei na memória. Não. Eu
nunca vi garotos com luas crescentes andando por Philbrook ou Utica Gap ou a Bananaa
Republic ou a Starbucks. Eu nunca os vi no cinema. Diabos! Eu nunca nem vi um garoto
vampiro até hoje. Então eles nos manteriam trancados aqui por 4 anos? Me sentindo um
pouco sem ar e claustrofóbica eu perguntei, “A gente sai daqui alguma vez?”
“Sim, mas tem todo tipo de regra que você tem que seguir.”
“Regras? Como o que?”
“Bem, você não pode usar nenhuma parte do uniforme da escola-“ Então ela surtou.
“Merda! Isso me lembrou. Temos que nos apressar. O jantar é em alguns minutos e você
precisa se trocar.” Ela pulou e começou a procurar pelo closet que era no meu lado do
quarto, falando comigo por cima dos ombros o tempo todo.
“Neferet mandou entregar algumas roupas aqui ontem a noite. Não se preocupe
como o tamanho ser o certo. De algum jeito eles sempre sabem qual o tamanho antes de
nós verem – é meio bizarro como os vampiros adultos muito mais do que deveriam. De
qualquer forma, não se assuste. Eu falei serio quando disse que os uniformes não são tão
horríveis quanto você imagina que sejam. Você realmente pode adicionar suas próprias
coisas nele – como eu.”
Eu olhei para ela. Eu quero dizer, olhei mesmo para ela. Ela estava usando uma
jeans Roper. Você sabe, aquele tipo de jeans de tamanho por idade que são muito
apertadas e não tem bolso traseiro. Como alguém pode achar que não ter bolso e ser
apertado e bonito, eu honestamente nunca entendi. Stevie Rae era totalmente magra, e a
calça até fazia a bunda dela parecer grande. Eu sabia antes de olhar para o pé da garota
o que ela estava usando – botas de cowboy. Eu olhei para baixo e suspirei. Sim. Couro
marrom, salto chato, ponta estreita... botas de cowboy. Enfiado no jeans havia uma blusa
preta com mangas longas que tinha o jeito cara de algo que você acha na Saks ou Neiman
Marcus, versos a barata camiseta transparente que era cara demais da Acercrobie que
tenta fazer parecer que elas não são camisetas de vadia. Quando ela olhou para mim eu vi
que ela tinha dois furos nas orelhas com brincos prateados nelas. Ela virou e tinha em
uma mão uma blusa preta como a que ela estava usando, e um pulôver na outra mão, e
eu decidi que mesmo que o visual country dela não era para mim ela ficava meio fofa com
a mistura de chique com barato.
“Aqui está! Apenas coloque isso por cima dos jeans e você ficará pronta.”
A luz da lâmpada de cowboy brilhou contra a bordadura que estava presa no peito
do suéter que ela estava segurando. Eu levantei e peguei as duas roupas, segurando o
suéter para cima para poder ver a frente e as costas. A bordadura prateada tinha a forma
de uma espiral que fazia voltas em um circulo delicado que estava por cima do meu
coração.
“É a nossa marca,” Stevie Rae disse.
“Nossa marca?”
“Sim, cada classe – aqui eles chamam de terceiranistas, quartanistas, quintanistas, e
sestonistas – tem sua própria marca. Somos os terceiranistas, então nossa marca é o
labirinto prateado da deusa Nyx.”
“O que significa?” eu perguntei, mais para mim mesma do que para ela enquanto
passava o dedo ao redor dos círculos prateados.
“Significa um novo começo enquanto começamos a andar pelo Caminho da Noite e
aprendemos o caminho da deusa e as possibilidades de nossa nova vida.”
Eu olhei para ela, surpresa por ela de repente parecer tão seria. Ela riu um pouco
para mim e deu nos ombros. “É uma das primeiras coisas que aprendemos em Sociologia
Vampira 101. Essa é a matéria que Neferet ensina, e com certeza arrasa com as aulas
mais chatas que eu tinha em Henrietta High, o lar das galinhas lutadoras. Ugh. Galinhas
lutadoras! Que tipo de mascote é esse?” Ela balançou a cabeça e virou os olhos enquanto
eu ria. “De qualquer forma, eu ouvi que a Neferet é sua mentora, o que é realmente uma
sorte. Ela dificilmente pega garotos novos, e além de ser a Alta Sacerdotisa, ela é a
professora mais legal por aqui.”
O que ela não disse é que eu não tinha só sorte, eu era “especial” com a minha
estranha Marca colorida. O que me lembrou...
“Stevie Rae, porque você não me perguntou sobre a minha Marca? Eu quero dizer,
eu aprecio você não ter me bombardeado com perguntas, mas no caminho até aqui todos
que me viram encararam minha Marca. Afrodite mencionou no segundo que ficamos
sozinhas. Você nem olhou para ela. Por quê?”
Então ela finalmente olhou para minha testa antes de suspirar e me olhar nos olhos.
“Você é minha colega de quarto. Eu achei que você fosse falar o que está acontecendo
com você quando estivesse pronta. Uma coisa que eu aprendi crescendo numa cidade
pequena como Henrietta é que é melhor cuidar da sua vida se você quer que alguém seja
seu amigo. Bem, vamos ser colegas de quarto por 4 anos...” Ela pausou em um suspiro
entre as palavras, com a verdade feia que vamos apenas ser colegas de quarto por 4 anos
se nós duas sobrevivermos a Mudança. Stevie Rae engoliu com força e terminou
rapidamente, “Eu acho que o que estou tentando dizer é que eu quero que a gente seja
amiga.”
Eu sorri para ela. Ela parecia tão jovem e esperançosa – tão legal e normal e nem de
perto o que eu imaginei que uma garota vampira seria. Eu senti um pequeno fio de
esperança. Talvez eu conseguisse achar um jeito de me encaixar aqui. “Eu também quero
que sejamos amigas.”
“Yaay por isso!” Eu juro que ela parecia um filhotinho feliz de novo. “Mas vamos!
Depressa – não queremos nos atrasar.”
Ela me empurrou pela porta que ficava entre os dois armários antes de ir até um
espelho na mesa do computador dela e começar a escovar o cabelo. Eu me apertei para
encontrar um pequeno banheiro, e eu rapidamente tirei minha camiseta BA Tiger e
coloquei a blusa e por cima disso o suéter macio que tinha uma profunda e bonita cor de
púrpura com pequenas linhas pretas atravessando. Eu já estava pronta para voltar ao
quarto para pegar minha mochila para tentar dar um jeito no rosto e cabelo com
maquiagem e tudo mais, quando olhei para o espelho por cima da pia. Meu rosto ainda
estava branco, mas eu tinha perdido a palidez assustadora que tinha antes. Meu cabelo
parecia insano, todo selvagem e despenteado, e eu mal podia ver a linha preta que estava
acima da minha têmpora esquerda. Mas foi a Marca azul safira que chamou minha
atenção. Enquanto eu olhava para ela, cheia de uma beleza exótica, a luz do banheiro
refletiu na bordadura meu prateada que estava por cima do coração. Eu decidi que os dois
símbolos de alguma forma combinavam, embora eles tivessem formas diferentes... cores
diferentes...
Mas eu não combinava com eles? E eu não combinava com esse novo mundo
estranho?
Eu fechei os meus olhos com força e esperei desesperadamente que o que fosse que
iríamos comer no jantar (oh, por favor permita que não esteja envolvido beber sangue)
não fosse descordar do meu já problemático estomago.
“Oh não...” eu sussurrei para mim mesma, “seria bem a minha sorte tem um caso de
diarréia.”
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