sexta-feira, 2 de março de 2012

A.Vampiro aura negra (capitulo 13)


TREZE
As pessoas levantaram e gritaram, todos querendo que sua opinião fosse ouvida. A maioria
deles partilhavam da mesma visão: Tasha estava errada. Eles falaram para ela que ela estava
louca. Eles falaram para ela que ao mandar os Moroi e dhampirs lutarem contra os Strigoi, ela
estaria promovendo a extinção das duas raças. Eles até tiveram a coragem de sugerir que esse
é era o plano de Tasha desde o principio – que ela estava de algum jeito colaborando com os
Strigoi nisso tudo.
Dimitri levantou, nojo em todas as suas feições enquanto ele avaliava o caos.”Vocês também
deveriam ir embora. Nada de útil vai acontecer agora.”
Mason e eu levantamos, mas ele balançou a cabeça quando eu comecei a seguir Dimitri para
fora.
“Vai você,” disse Mason. “Eu quero checar algo.”
Eu olhei para as pessoas de pé, que discutiam. Eu encolhi os ombros. “Boa sorte.”
Eu não podia acreditar que só fazia alguns dias desde que eu tinha falado com Dimitri. Indo até
o corredor com ele, parecia que faziam anos. Estar com Mason nos últimos dias tinha sido
fantástico, mas ver Dimitri de novo, todos os meus antigos sentimentos por ele voltaram. De
repente, Mason parecia uma criança. Meu estresse com a situação de Tasha voltou também, e
palavras estúpidas saíram da minha boca antes que eu pudesse parar elas.
“Você não deveria estar lá dentro protegendo Tasha?” eu perguntei. “Antes da multidão pegar
ela? Ela vai ter muitos problemas por usar mágica daquele jeito?”
Ele levantou uma sobrancelha. “Ela pode cuidar de si mesma.”
“Eh, eh, porque ela é ótima lutadora e usa mágica. Eu entendo tudo isso. Eu apenas imaginei
que como você vai ser o guardião dela e tudo mais...”
“Onde você ouviu isso?”
“Eu tenho minhas fontes.” De algum jeito, dizer que eu ouvi da minha mãe soava menos legal.
“Você decidiu, certo?Eu quero dizer, parece um bom negocio, já que ela vai te dar vários
benefícios...”
Ele me deu um olhar nivelado. “O que acontece entre ela e eu não é da sua conta,” ele
respondeu duramente.
As palavras entre ela e eu me doeram. Parecia que ele e Tasha era um negocio fechado. E,
como acontecia quando eu estava magoada, minha atitude e temperamento tomaram conta.
“Bem, tenho certeza que vocês serão felizes juntos. Ela é o seu tipo, também – eu sei o quanto
você gosta de mulheres que não são da sua idade. Eu quero dizer, ela é o que, 6 anos mais
velha que você? 7? E eu sou 7 anos mais nova que você.”
“Sim,” ele disse depois de vários segundos de silencio.”Você é. E a cada segundo que essa
conversa continua, você só prova o quão nova você realmente é.”
Whoa. Minha mandíbula quase bateu no chão. Nem mesmo minha mãe me socando tinha
doido tanto quanto isso. Por um segundo, eu pensei ter visto arrependimento nos olhos dele,
como se ele tivesse percebido o quão dura suas palavras tinham sido. Mas o momento passou,
e a sua expressão estava dura de novo.
“Pequena dhampir,” uma voz de repente disse ali perto.
Devagar,ainda atordoada, eu virei e vi Adrian Ivashkov. Ele riu para mim e deu um breve aceno
de reconhecimento para Dimitri. Eu suspeitei que meu rosto estava vermelho vivo.O quanto
Adrian tinha ouvido?
Ele manteve suas mãos em um gesto casual. “Eu não quero interromper nem nada. Só quero
falar com você quando tiver tempo.”
Eu queria dizer a Adrian que eu não tinha tempo para jogar o jogo que ele queria agora, mas as
palavras de Dimitri ainda doíam. Ele estava olhando para Adrian com um olhar desaprovador.
Eu suspeito que ele, assim como todo mundo, tinha ouvido falar da reputação de Adrian.
Ótimo, eu pensei. De repente eu queria que ele sentisse ciúmes. Eu o queria magoar ele tanto
quanto ele tinha me magoado ultimamente.
Engolindo minha dor, eu dei o meu sorriso comedor de homens, um que eu não usava para
efeito inteiro a um bom tempo. Eu andei até Adrian e coloquei minha mão no seu braço.
“Eu tenho tempo agora.” Eu acenei para Dimitri e levei Adrian para longe, andando perto dele.
“Vejo você depois, Guardião Belikov.”
Os olhos escuros de Dimitri nos seguiram com dureza. Então eu virei e não olhei para trás.
“Não é afim de caras mais velhos,hun?” perguntou Adrian quando estávamos sozinhos.
“Você está imaginando coisas,” eu disse. “Claramente, minha beleza estonteante deixou você
confuso.”
Ele riu com aquela risada legal dele. “Isso é inteiramente possível.”
Eu comecei a me afastar, mas ele jogou um braço ao meu redor. “Não,não, você queria bancar
a camarada comigo – agora você tem que continuar.”
Eu virei os olhos e deixei o braço ficar. Eu podia sentir o cheiro de álcool nele assim como o
cheiro de cigarro. Eu me pergunto se ele esta bêbado agora. Eu tinha a impressão que havia
pouca diferença na sua atitude quando ele estava bêbado ou sóbrio.
“O que você quer?” eu perguntei.
Ele me estudou por um momento. “Eu quero que você pegue Vasilisa e venha comigo. Nós
vamos nos divertir. Você provavelmente vai precisar de uma roupa de banho também.” Ele
parecia desapontado por admitir isso. “A não ser que você queira ir nua.”
“O que? Um bando de Moroi foi assassinado, e você quer que eu vá nadar e me divertir?”
“Não é só nadar,” ele disse pacientemente. “Além do mais, aquele massacre é exatamente
porque você deve fazer isso.”
Antes que eu pudesse discutir, eu vi meus amigos aparecerem no corredor. Lissa, Mason, e
Christian. Eddie Castile estava junto, o que não deveria ter me surpreendido, mas Mia estava
junto – o que certamente me surpreendia. Eles estavam envoltos na conversa, mas todos
pararam quando me viram.
“Ai está você,” disse Lissa, um olhar surpreso no rosto.
Eu lembrei do braço de Adrian que estava ao meu redor. Eu o retirei. “Hey, gente,” eu disse.
Um momento de estranheza ficou entre nós, e eu tenho certeza que ouvi um pequeno riso
vindo de Adrian. Eu sorri para e ele e para meus amigos. “Adrian está nos convidando para ir
nadar.”
Eles me olharam surpresos, e eu podia quase ver a especulação na cabeça deles. O rosto de
Mason ficou um pouco mau humorado, mas como os outros, ele não disse nada. Eu reprimi
um gemido.
Adrian levou muito bem eu ter convidado os outros para seu descanso secreto. Com uma
atitude leve, eu não teria esperado nada diferente dele. Assim que nós tínhamos roupa de
banho, seguimos suas direções a uma porta na parte mais distante do hotel. Havia uma
escada que levava para baixo – e mais e mais para baixo. Eu estava quase tonta enquanto
dávamos voltas na escada. Luzes elétricas estavam penduradas nas paredes, mas quando
íamos mais afundo, as paredes pintadas foram substituídas por pedras entalhadas.
Quando chegamos no nosso destino, descobrimos que Adrian estava certo – não era só nadar.
Nós estávamos numa área especial de SPA do hotel, uma usada somente pela maior elite dos
Moroi. Nesse caso, era reservado para um bando da realeza que eu assumi serem amigos de
Adrian. Tinha mais uns 30, todos da sua idade ou mais velho, que tinham as marcas do calor e
do elitismo.
O SPA consistia numa serie de piscinas minerais quentes. Talvez isso antes tivesse sido uma
caverna ou algo assim, mas os construtores do hotel já haviam a muito tempo se livrado de
qualquer vestígio rústico. As paredes pretas de pedra e o teto eram tão polidos e lindos como
qualquer coisa no resort. Era como estar em uma caverna – uma caverna com um design e
muito boa. Torres de toalhas se alinhavam nas paredes, assim como mesas cheias de comidas
exóticas.As banheiras combinavam com o resto do aposento com a decoração atravessada:
piscinas de pedras tinham água quente que era aquecida por alguma fonte subterrânea. Vapor
enchia o quarto, e um fraco, e metálico cheiro estava no ar. O som da risada das pessoas e de
respingos ecoava ao nosso redor.
“Porque Mia esta com você?” eu perguntei a Lissa suavemente. Nós estávamos andando pelo
aposento, procurando por uma piscina que não estivesse ocupada.
“Ela estava falando com Mason quando estávamos nos preparando para ir embora,” ele
respondeu. Ela manteve sua voz silenciosa. “Parecia maldade só...você sabe...deixar ela...”
Até eu concordava com isso. Sinais óbvios de pesar estavam no seu rosto, mas Mia parecia
pelo menos momentaneamente distraída pelo que Mason estava falando pra ela.
“Eu pensei que você não conhecesse Adrian,” Lissa acrescentou. Desaprovação estava na sua
voz e na nossa ligação. Nós finalmente encontramos uma piscina grande, um pouco fora do
caminho. Um cara e uma garota estavam no lado oposto, se agarrando, mas tinha muito
espaço para todos nós. Era fácil ignorar eles.
Eu pus um pé na água e o tirei imediatamente.
“Eu não conheço,” eu disse a ela.” Cuidadosamente, eu pus o pé de volta, devagar afundando
o resto do meu corpo. Quando chegou no meu estomago, eu fiz uma careta. Eu estava usando
um biquíni marrom, e a água quente pegou meu estomago de surpresa.
“Você deve conhecer ele um pouco. Ele te convidou para festa dele.”
“É, mas você vê ele com a gente agora?”
Ela seguiu meu olhar. Adrian estava no canto mais afastado com um grupo de garotas com
biquínis muito menores que o meu. Um era Betsey Johnson que eu tinha visto em uma revista
e havia desejado. Eu suspirei e olhei pra longe.
Todos entraram na água. Era tão quente que eu sentia que estava em uma sopa. Agora que
Lissa parecia convencida da minha inocência com Adrian, eu ouvi outras conversas.
“Sobre o que você está falando?” eu interrompi. Era mais fácil do que ouvir e descobrir por
mim mesma.
“A reunião,” disse Mason excitado. Aparentemente, ele tinha superado ter me visto com
Adrian.
Christian tinha sentado numa parte rasa da piscina. Lissa se enrolou ao lado dele. Colocando
um braço ao redor dela, ele afundou as costas para que descansasse na beirada.
“Seu namorado quer liderar um exercito contra os Strigoi,” ele me disse. Eu pude perceber que
ele estava dizendo aquilo para me provocar.
Eu olhei para Mason de forma questionadora. Não valia a pena discutir pelo comentário do
“namorado.”
“Hey, foi sua tia que sugeriu,” Mason lembrou Christian.
“Ela só disse que nós devíamos encontrar o Strigoi antes que eles nos encontrem,” respondeu
Christian. “Ela não estava sugerindo que os novatos lutassem. Quem sugeriu isso foi Monica
Szelsky.”
Uma garçonete veio com vários drinks rosas. Os copos de cristal eram elegantes e compridos.
Eu suspeitava fortemente que os drinks fossem alcoólicos, mas eu duvidava que qualquer um
que estava nessa festa fosse ficar desembaraçado. Eu não fazia idéia do que eles eram. A
maior parte da minha experiência com álcool envolvia cerveja barata. Eu peguei um copo e
virei para Mason.
“Você acha que isso é uma boa idéia?” eu perguntei pra ele. Eu experimentei o drink com
cuidado. Como uma guardiã em treinamento, eu sentia que sempre devia estar alertar, mas
hoje de novo eu sentia vontade de ser rebelde. O drink tinha gosto de ponche. Suco de laranja.
Algo doce, tipo morango. Eu ainda tinha certeza que tinha álcool neles, mas não parecia ser
forte o suficiente para mim ficar bêbada.
Outra garçonete logo apareceu com uma travessa de comida. Eu olhei e não reconheci
praticamente tudo. Tinha algo que parecia muito com cogumelos recheados com queijo, e
também algo que parecia com empadas de carne ou salsicha. Como uma boa carnívora, eu
peguei uma, pensando que não podia ser tão ruim.
“É foie gras,” disse Christian. Tinha um sorriso no rosto dele que eu não gostei.
Eu olhei pra ele cautelosa. “O que é isso?”
“Você não sabe?” O tom dele era convencido, e pela primeira vez na vida dele, ele parecia
como alguém da realeza trazendo seu conhecimento de elite para os subalternos. Ele riu.
“Experimente. E descubra.”
Lissa suspirou em exaspero. “É fígado de pato.”
Eu devolvi. A garçonete prosseguiu, e Christian riu. Eu olhei para ele.
Enquanto isso, Mason ainda estava ocupado com a questão sobre se os novatos irem para
batalhe antes da formatura ser uma boa idéia.
“O que mais vamos fazer?” ele perguntou indignado. “O que você está fazendo?Você fica
dando voltas correndo com Belikov toda manhã. O que isso está fazendo por você? Pelos
Moroi?”
O que aquilo estava fazendo por mim? Estava fazendo meu coração acelerar e minha mente
ter pensamentos indecentes.
“Nós não estamos prontos,’ eu disse instantaneamente.
“Nós só temos mais 6 meses,” se intrometeu Eddie.
Mason acenou em concordância. “É. O quanto mais a gente pode aprender?”
“Muito,” eu disse, pensando o quanto eu tinha aprendido nos treinamentos com Dimitri. Eu
terminei minha bebida. “Além do mais onde isso para? Vamos dizer que a gente termine a
escola seis meses antes, que eles nos envia em missão. O que vem a seguir?Eles decidem
terminar o nosso ultimo ano? Ou nosso primeiro ano?”
Ele riu. “Eu não tenho medo de lutar. Eu podia ter acabado com um Strigoi quando estava no
segundo ano.”
“É,” eu disse secamente. “Como você fez quando estávamos esquiado.”
O rosto de Mason, que já estava vermelho do calor, se tornou ainda mais vermelho. Eu me
arrependi das minhas palavras imediatamente, especialmente quando Christian começou a rir.
“Nunca pensei que eu viveria para ver o dia que eu concordaria com você, Rose. Mas
infelizmente, eu concordo.” A garçonete voltou de novo, e eu e Christian pegamos novos
drinks. “Os Moroi tem que começar a ajudar a defender a si mesmos.”
“Com magia?” perguntou Mia de repente.
Era a primeira vez que ela falava desde que tínhamos chegado aqui. O silencia a encontrou. Eu
acho que Mason e Eddie não responderam porque eles não sabiam nada sobre lutar com
mágica. Lissa, Christian, e eu sabíamos – e nós estávamos tentando bastante fazer parecer que
não sabíamos. Tinha meio que uma esperança engraçada nos olhos de Mia, e eu só podia
imaginar o que ela estava passando hoje. Ela acordou para saber que sua mãe tinha sido morta
e então ser submetida a horas e horas de políticas irritantes e estratégias de batalha. O fato
que dela estar sentada aqui semi-composta parecia um milagre. Eu suponho que as pessoas
que realmente gostam de suas mães mal são capazes de funcionar nessas situações.
Quando parecia que mais ninguém ia responder ela, eu finalmente disse, “Eu suponho que
sim. Mas... mas não sei muito sobre isso.”
Eu terminei o resto do meu drink e fechei os olhos, esperando que alguém continuasse a
conversa. Eles não continuaram. Mia parecia desapontada mas não disse mais nada quando
Mason voltou para o debate dos Strigoi.
Eu tomei um terceiro drink e afundei na água o mais que eu podia e ainda continuar segurar a
taça. Esse drink era diferente parecia chocolate e tinha um creme batido por cima. Eu
experimentei e finalmente senti um pouco do gosto do álcool. Ainda sim, eu supus que o
chocolate provavelmente iria diluir ele.
Quando eu estava pronta para tomar o quarto drink, a garçonete não estava em nenhum lugar
perto. Mason parecia muito, muito, fofo pra mim de repente. Eu teria gostado de uma atenção
romântica dele, mas ele ainda estava falando sobre os Strigoi e a logística de fazer um ataque
no meio do dia. Mia e Eddie estavam concordando com ele avidamente, e eu tinha a
impressão que se ele decidisse caçar Strigoi agora mesmo, eles o seguiriam. Christian estava
participando da conversa, mas era mais pra brincar de advogado do diabo. Típico. Ele achava
que um ataque iria precisar tanto de guardiões quanto de Moroi, como Tasha tinha dito.
Mason, Mia, e Eddie discutiram que se os Moroi não estivesse dispostos, os guardiões
deveriam assumir.
Eu confesso o entusiasmo deles era contagiante. Eu meio que gostava da idéia de pegar os
Strigoi. Mas no ataque aos Badica e aos Drozdov, todos os guardiões tinham sido morto. Tinha
se admitir que os Strigoi tinham se organizado em grupos enormes e tinham tido ajuda, mas
tudo o que me disseram era que nosso lado precisava ter um cuidado extra.
Deixando a fofura de lado, eu não queria mais ouvir Mason falar sobre habilidades de
combate. Eu queria outro drink. Eu levantei e fui até a beira da piscina. Para minha surpresa, o
mundo começou a girar. Isso tinha acontecido antes quando eu saia dos banhos ou do ofuro
muito rápido, mas quando o mundo não parou de girar, eu percebi que aqueles drinks eram
mais fortes do que eu tinha pensado.
Eu também decidi que o 4º não era uma boa idéia, mas eu não queria voltar e dizer pra todos
o quanto eu estava bêbada. Eu fui até um quarto mais afastado onde eu tinha visto as
garçonetes desaparecerem. Enquanto eu andava, eu prestava uma atenção especial ao chão
escorregadio, imaginando que cair em uma das piscinas e quebrar meu crânio definitivamente
iria me custar pontos na escala de estilo.
Eu estava prestando tanta atenção nos meus pés e tentando não ficar tanto que eu dei um
encontrão em alguém. Para meu crédito, a culpa foi dele; ele tinha se apoiado em mim.
“Hey, cuidado,” eu disse, me firmando.
Mas ele não estava prestando atenção em mim. Os olhos dele estavam em outro cara, um cara
com um nariz sangrando.
Eu me meti no meio de uma briga.

A.Vampiro - aura negra (capitulo 12)




DOZE
Eu estava fora da cama num segundo. O hotel inteiro estava uma confusão devido as noticias.
As pessoas agruparam-se em grupos pequenos nos corredores. Familiares procuravam uns aos
outros. Algumas conversas eram feitas em sussurros apavorados; alguns eram altos e fáceis de
ouvir. Eu parei algumas pessoas, tentando pegar a história certa. Todos tinham uma visão
diferente do que tinha acontecido, no entanto, e uns nem paravam pra conversar. Eles
passavam com pressa, ou procurando seus familiares ou se preparando para sair do hotel,
convencidos de que havia um lugar mais seguro em outro lugar.
Frustrada com as histórias diferentes, eu finalmente – relutantemente – sabia que tinha
procurar as duas fontes que me dariam informações solidas. Minha mãe ou Dimitri. Era como
virar uma moeda. Eu não estava animada com nenhuma das duas no momento. Eu debati
momentaneamente e finalmente decidi por minha mãe, sabendo o quanto ela estava se dando
com Tasha Ozera.
A porta para o quarto da minha mãe estava entre aberta, e eu e Lissa entramos, e eu vi que
um quartel temporário tinha sido montado aqui. Vários guardiões estavam amontoados,
entrando e saindo, discutindo estratégias. Alguns nos deram olhares estranhos, mas ninguém
nos parou para nos questionar. Lissa e eu sentamos num pequeno sofá e ouvimos a conversa
que minha mãe estava tendo.
Ela estava com um grupo de guardiões, um deles era Dimitri. E eu queria evitar ele. Os olhos
marrom dele me olharam brevemente e eu desviei meu olhar. Eu não queria lidar com meus
sentimentos perturbados por ele agora.
Lissa e eu logo discernimos os detalhes. Oito Moroi tinham sido assassinados junto com seus
cinco guardiões. Três Moroi estavam desaparecidos, mortos ou transformados em Strigoi. O
ataque não tinha acontecido perto daqui; tinha sido em algum lugar perto do norte da
California. Ainda sim, uma tragédia como essa não podia deixar de ecoar no mundo dos Moroi,
e para alguns, dois estados de distancia era muito perto. As pessoas estavam aterrorizadas, e
eu logo soube o que fazia esse ataque ser tão notável.
“Deviam ser mais do que da ultima vez,” disse minha mãe.
“Mais? Exclamou um dos outros guardiões. “Aquele ultimo grupo foi sem precedentes. Eu
ainda não consigo acreditar que nove Strigoi conseguiram trabalhar juntos – você espera que
eu acredite que eles conseguiram ficar ainda mais organizados?”
“Sim,” falou minha mãe.
“Alguma evidencia de humanos?” alguém perguntou.
Minha mãe hesitou, então: “Sim. Mais wards quebradas. E do jeito que tudo foi feito... é
idêntico ao ataque a casa dos Badica.”
A voz dela era dura, mas havia meio que um cansaço nela. Não era exaustão física, no entanto.
Era mental, eu percebi. Tensão e dor pelo que eles estavam falando. Eu sempre pensei que
minha mãe era algum tipo de maquina de matar, nas isso era claramente difícil pra ela. Era um
duro, e feio assunto de discutir – mas ao mesmo tempo, ela estava falando sem hesitar. Era o
dever dela.
Um caroço se formou na minha garganta e eu rapidamente o engoli. Humanos. Idêntico ao
ataque aos Badica. Desde o massacre, nós analisamos extensamente a estranheza de um
grupo tão grande de Strigoi se juntar e recrutar humanos. Nós falamos em termos vagos “se
algo assim acontecer de novo...” Mas ninguém tinha falado seriamente sobre esse grupo – os
assassinos dos Badica – fazendo isso de novo. Uma vez era casualidade – talvez um bando de
Strigoi tinham se reunido por acaso e num impulso decidiram invadir e atacar de surpresa a
casa. Era horrível, mas nós podíamos entender isso.
Mas agora... agora parecia que aquele grupo de Strigoi não tinha sido algo por acaso. Eles se
uniram com um propósito, usaram humanos estrategicamente, e tinham atacado de novo.
Agora nós tínhamos o que podia ser um padrão: Atividade Strigoi procurando um grupo
grande de presas. Assassinos em serie. Nós não podíamos mais confiar na mágica protetora
das wards. Não podíamos nem confiar na luz do sol. Humanos podiam se mover durante o dia,
explorando e sabotando. A luz não era mais segura.
Eu lembrei o que eu disse para Dimitri na casa dos Badica: Isso muda tudo, não muda?
Minha mãe remexia em alguns papeis em uma mesa. “Eles não tem detalhes forenses ainda,
mas o mesmo numero de Strigoi não poderia ter feito isso. Nenhum dos Drozdovs ou sua
equipe escapou. Com cinco guardições, sete Strigoi estariam preocupados – pelo menos
temporariamente – que alguém escapasse. Eram 9 ou 10, talvez.”
“Janine está certa,” disse Dimitri. “E se você olhar para o local do crime... é muito grande. Sete
não podiam ter coberto ele.”
Os Drozdovs eram uma das doze famílias reais. Eles eram muitos e prósperos, diferente do
clan a beira da morte de Lissa. Eles tinham muitos familiares, mas obviamente, um ataque
como esse ainda era horrível. Mais afundo, algo sobre isso me incomodou. Tinha algo que eu
deveria lembrar... algo que eu deveria saber sobre os Drozdovs.
Enquanto parte de mim tentava descobrir o que era, eu observei minha mãe fascinada. Eu
tinha ouvido ela contar as historias dela. Eu tinha visto e sentido ela lutar. Mas na realidade, eu
nunca tinha a visto em ação em uma crise real. Ela demonstrava cada parte daquele controle
que ela mostrava ao meu redor, mas aqui, eu podia ver o quão necessário era. Uma situação
dessas gerava pânico. Mesmo entre os guardiões, eu podia ver aqueles que estavam tão
alarmados que queriam fazer algo drástico. Minha mãe era a voz da razão, um lembrete que
eles tinham que permanecer focados e avaliar a situação. A compostura dela acalmou a todos;
seus modos fortes os inspiraram. Assim, eu percebi, é como um líder se comporta.
Dimitri estava tão controlado quanto ela, mas ele deixou ela cuidar das coisas. Eu tive que me
lembrar que as vezes ele era jovem até onde os guardiões iam. Eles discutiram mais o ataque,
como os Drozdovs estavam comemorando o natal atrasado em um banquete quando foram
atacados.
“Primeiro os Badica, agora os Drozdovs,” murmurou um guardião. “Eles estão indo atrás da
realeza.”
“Eles estão indo atrás dos Moroi,” disse Dimitri. “Da realeza. Comuns. Não importa.”
Realeza. Comuns. Eu de repente sabia porque os Drozdovs eram tão importantes. Meus
instintos espontâneos queriam pular e fazer uma pergunta agora mesmo, mas eu sabia mais.
Isso era a coisa real. Não era hora para comportamento irracional. Eu queria ser tão forte
quanto minha mãe e Dimitri, então eu esperei pelo fim da conversa.
Quando o grupo começou a se separar, eu levantei do sofá e fui falar com minha mãe.
“Rose,” ela disse, surpresa. Como na aula do Stan, ela não tinha me notado no quarto. “O que
você está fazendo aqui?”
Era uma pergunta tão estúpida que eu nem respondi. O que ela acha que eu estou fazendo
aqui? Isso era uma das maiores coisas acontecendo com os Moroi.
Eu apontei para a mesa. “Quem mais foi morto?”
A irritação fez rugas na testa dela. “Drozdovs.”
“Mas quem mais?”
“Rose, não temos tempo-“
“Eles tinham empregados, certo? Dimitri disse comuns. Quem eram eles?”
De novo, eu vi cansaço nela. Ela sentiu aquelas mortes. “Eu não sei todos os nomes.” Virando
algumas paginas, ela virou os papeis para mim. “Aqui.”
Eu olhei a lista. Meu coração afundou.
“Ok,” eu disse a ele. “Obrigado.”
Lissa e eu deixamos eles com seus negócios. Eu gostaria de poder ajudar, mas os guardiões
funcionavam eficientemente sozinhos; não havia necessidade para novatos no pé deles.
“O que foi isso?” perguntou Lissa, quando atingimos a parte principal do hotel.
“Os empregados dos Drozdovs,” eu disse. “A mãe de Mia trabalhava para eles...”
Lissa arfou. “E?”
Eu suspirei. “E o nome dela estava na lista.”
“Oh Deus. “Lissa parou de andar. Ela encarou o nada, piscando e derramando lagriams. “Oh
Deus,” ela repetiu.
Eu me movi para frente dela e coloquei minha mão nos ombros dela. Ela estava tremendo.
“Está tudo bem,” eu disse. O medo dela veio até mim em ondas, mas era um medo atordoado.
Choque. “Vai ficar tudo bem.”
“Você os ouviu,” ela disse. “Tem um bando de Strigoi organizado nos atacando!Quantos? Eles
estão vindo pra cá?”
“Não,” eu disse afirmativamente. Eu não tinha evidencias disso, é claro. “Estamos seguros
aqui.”
“Pobre Mia...”
Não tinha nada que eu pudesse dizer sobre isso. Eu achava que Mia era uma completa vadia,
mas eu não desejaria isso a ninguém, nem a meu pior inimigo – o que, tecnicamente, ela era.
Imediatamente, eu corrigi aquele pensamente. Mia não era meu pior inimigo.
Eu não consegui sair do lado de Lissa pelo resto do dia. Eu sabia que não tinham Strigoi no
hotel, mas meus instintos protetores eram fortes. Guardiões protegiam os Moroi. Com
sempre, eu também me preocupei por ela ficar ansiosa e chateada, então eu fiz o meu melhor
para desarmar aqueles sentimentos.
Os outros guardiões resseguraram os Moroi também. Eles não andavam lado a lado com os
Moroi, mas eles reforçaram a segurança do hotel e ficam em constante comunicação com os
guardiões na cena do ataque. Informações vieram o dia todo sobre os horrendos detalhes,
assim como a especulação sobre onde o bando de Strigoi estava. Pouco disso foi divido com os
novatos, é claro.
Enquanto os guardiões faziam o faziam melhor, os Moroi fizeram o que eles – infelizmente –
faziam melhor: falar.
Com tantos outros da realeza e importantes Moroi no hotel, uma reunião foi organizada
aquela noite para discutir o que aconteceu o que deveria ser feito no futuro. Nada oficial podia
ser decidido aqui; os Moroi tinham uma rainha e um conselho governamental para esse tipo
de decisão. Todos sabiam, no entanto, que opiniões juntadas aqui iriam chegar até na cadeira
de comando. Nossa segurança futura podia muito bem depender do que estava sendo
discutido nessa reunião.
Ela foi feita num enorme salão de banquete dentro do hotel, um com um palanque e muitos
acentos. Apesar da atmosfera de negócios, você podia notar que esse aposento tinha sido
desenhado para outras coisas do que encontros para discutir massacres e defesas. O carpete
tinha uma textura de veludo e era decorado com um design de flores ornamentais em tons de
prata e preto. As cadeiras eram feitas de madeira preta polida e tinha costas altas, claramente
feitas para jantares chiques. Pinturas dos Moroi da realeza mortos a muito tempo estavam
penduradas na parede. Eu encarei brevemente uma com o nome de uma rainha que eu não
sabia. Ela usava um vestido antigo – com muitos laços para o meu gosto – e tinha cabelo pálido
como o de Lissa.
Um cara que eu não conhecia estava no comando da moderação e foi até o palanque. A
maioria da realeza estava reunida na frente do aposento. Todos os outros, incluindo
estudantes, sentaram onde podia. Christian e Mason encontraram Lissa e eu nesse ponto, e
todos começamos a sentar atrás quando Lissa balançou a cabeça.
“Vamos sentar na frente.”
Nos três encaramos ela. Eu estava muito chocada para vasculhar a mente dela.
“Olhem.”Ela apontou. “A realeza está sentada na frente, sentada por família.”
Era verdade. Membros do mesmo clan estavam amontoados uns perto dos outros. Badicas,
Ivashkovs, Zekloses, etc. Tasha estava sentada lá também, mas ela estava sozinha. Christian
era o único outro Ozera ali.
“Eu preciso estar lá,” disse Lissa.
“Ninguem espera que você esteja,” eu disse a ela.
“Eu tenho que representar os Dragomirs.”
Christian zombou. “É só um monte de merda da realeza.”
O rosto dela estava determinado. “Eu preciso ir pra lá.”
Eu me abri para os sentimentos de Lissa e gostei do que descobri. Ela passou a maior parte do
dia quieta e com medo, a maior parte quando ela tinha descoberto sobre a mãe de Mia.
Aquele medo ainda estava com ela, mas estava sendo suprimido por sua confiança e
determinação. Ela reconheceu que era uma dos Moroi que comandavam, e embora a idéia de
um bando de Strigoi a assustasse, ela queria ser parte.
“Você deveria,” eu disse suavemente. Eu também gostava da idéia dela desafiando Christian.
Lissa encontrou meus olhos e sorriu. Ela sabia o que eu tinha sentido. Um momento mais
tarde, ela se virou para Christian. “Você deveria se juntar a sua tia.”
Christian abriu sua boca em protesto. Se não fosse pelo horror da situação, ver Lissa mandar
nele teria sido engraçado. Ele era sempre teimoso e difícil; aqueles que tentavam forçar ele
não conseguiam. Vendo o rosto dele, eu via a mesma realização que eu tinha visto em Lissa
cobrir ele. Ele gosta de ver ela forte também. Ele pressionou seus lábios juntos em uma careta.
“Ok.” Ele pegou a mão dela, e os dois andaram para frente.
Mason e eu sentamos. Um pouco antes das coisas começarem, Dimitri sentou do meu outro
lado, cabelo preso atrás da nuca e o casaco de couro o guarnecendo enquanto ele sentado na
cadeira. Eu olhei pra ele surpresa mas não disse nada. Tinha poucos guardiões nessa reunião;a
maioria deles estava muito ocupada controlando os danos. Vai entender. Ali eu estava, entre
meus dois homens.
A reunião começou não muito depois disso.Todos estavam ansiosos para falar como achavam
que os Moroi estariam seguros, mas na verdade, duas teorias chamaram minha atenção.
“Isso é uma preocupação para todos nós,” disse um da realeza, quando ele teve oportunidade
de falar. Ele estava na sua cadeira e olhava ao redor do aposento. “Aqui. Em lugares como esse
hotel. E a Academia St. Vladimir. Nós mandamos nossos filhos para lugares seguros, lugares
em que estejam seguros devido aos números e possam ser guardados facilmente. E veja
quantos de nós estão aqui, crianças e adultos igualmente. Porque não vivemos desse jeito o
tempo todos?”
“Muitos de nós já vivem,’ alguém gritou mais atrás.
O homem ignorou. “Alguns famílias aqui e ali. Ou uma cidade com muitos Moroi. Mas aqueles
Moroi ainda estão descentralizados. A maioria não utiliza seus recursos – seus guardiões, sua
mágica. Se nós pudermos imitar esse modelo... “Ela espalhou suas mãos”... nunca teremos que
nos preocupar com os Strigoi de novo.”
“E os Moroi não poderiam interagir com o resto do mundo de novo,” eu murmurei. “Bem, até
os humanos descobrirem cidades secretas de vampiros se espalhando por aí. Então havia
muita interação.”
A outra teoria sobre como proteger os Moroi tinha alguns problemas de lógica mas tinha um
impacto mais forte – particularmente para mim.
“O problema é que nós não temos guardiões suficiente.” Esse plano foi evocado por uma
mulher da família dos Szelsky. “E então, a resposta é simples: conseguir mais.Os Drozdovs
tinham cinco guardiões, e isso não foi suficiente. Apenas seis para proteger uma dúzia de
Moroi! Isso é inaceitável. Não é de se admirar que esse tipo de coisa fique acontecendo.”
“Onde você propõe conseguirmos mais guardiões?” perguntou o homem que tinha sido a
favor de juntar os Moroi. “Eles são um recurso limitado.”
Ela apontou para onde eu e alguns novatos estavam. “Nós já temos vários. Eu os assisti treinar.
Eles são mortais. Porque esperar até eles fazerem 18 anos? Se nós acelerarmos o programa de
treinamento e nos focarmos em treinamento de combate do que em livros, nós podemos
transformar eles em novos guardiões quando tiverem 16 anos.”
Dimitri fez um som baixo com a garganta que não parecia feliz. Se inclinando para frente, ele
colocou os cotovelos nos joelhos e descansou o queixo nas mãos, olhos estreitos em
pensamento.
“Não apenas isso, muitos dos guardiões em potencial estão sendo desperdiçados. Onde estão
todas aquelas mulheres dhampir? Nossas raças são interligadas. Os Moroi estão fazendo a
parte deles para ajudar os dhampir a sobreviver. Porque aquelas mulheres não estão fazendo a
delas? Porque elas não estão aqui?”
Uma longa e sufocante risada veio como resposta. Todos os olhos se viraram para Tasha
Ozera. Enquanto a maioria dos outros da realeza tinham se arrumado, ela estava simples e
casual. Ela usava jeans, um top branco que mostrava um pouco do diafragma e um cardigan de
lã que tocava seus joelhos.
Olhando para o moderador, ela perguntou, “Eu posso?”
Ele concorou. A mulher Szelsky sentou; Tasha levantou. Diferente dos outros oradores, ela foi
até o palanque, para que pudesse ser vista claramente por todos. Seu cabelo brilhoso estava
preso em um rabo de cavalo, expondo suas cicatrizes completamente o que eu suspeitei que
era intencional. Seu rosto era ousado e desafiante. Lindo.
“Aquelas mulheres não estão aqui,Monica, porque elas estão muito ocupadas criando seus
filhos – você sabe, aquelas que você quer começar a mandar para a frente de batalha assim
que aprenderem a caminhar. E por favor não nos insulte agindo como se os Moroi fizessem um
grande favor aos dhampirs os ajudando a se reproduzir. Talvez seja diferente na sua família,
mas para o resto de nós, sexo é divertido. Os Moroi transando com os dhampirs não estão
fazendo nenhum sacrifício.”
Dimitri se ajeitou agora, sua expressão não mais irritada. Ele provavelmente estava excitado
porque sua nova namorada tinha mencionado sexo. Irritação passou por mim, e eu esperava
que se eu tivesse um olhar homicida no meu rosto, as pessoas pensassem que era para os
Strigoi e não para a mulher que estava falando.
Além de Dimitri, eu de repente notei Mia sentada sozinha, mais aparte da linha. Eu não tinha
percebido que ela estava aqui. Ela estava caída em seu assento. Os olhos dela estavam
vermelhos, seu rosto mais pálido do que o usual. Um dor estranha queimou em meu peito,
uma que eu nunca esperei que ela trouxesse.
“E a razão que nós estamos esperando os guardiões fazerem 18 anos é para que nós possamos
deixar eles aproveitar algum pretenso de viva antes de forçar eles a passar o resto de seus dias
em constante perigo. Eles precisam desses anos extras para se desenvolver mentalmente e
fisicamente. Pegar eles antes de estarem prontos, tratar eles como se fossem parte de uma
linha de montagem – então você só está criando ração para os Strigoi.”
Algumas pessoas arfaram com a escolha de palavras de Tasha, mas ela conseguiu com sucesso
a atenção de todos.
“Você vai criar mais comida se tentar fazer as outras mulheres dhampir virarem guardiãs. Você
não pode forçar elas a uma vida que não querem. Todo esse seu plano de conseguir mais
guardiões está baseado em jogar crianças e aqueles que não querem em perigo, só para que
você possa – por pouco – ficar um pouco a frente do inimigo. Eu diria que esse é o plano mais
estúpido que eu já ouvi, se eu já não tivesse ouvido o dele.”
Ela apontou par o primeiro orador, aquele que tinha proposto um ajuntamento de Moroi.
Embaraço apareceu em suas feições.
“Nos ilumine então,Natasha,” ele disse. “Nos diga o que você acha que nós deveríamos fazer,
vendo quanta experiência você tem com os Strigoi.”
Um pequeno sorriso apareceu nos lábios de Tasha, mas ela não se abalou com o insulto. “O
que eu acho?” Ela caminhou mais para perto da frente do palco, nos olhando enquanto
respondia a pergunta. “Eu acho que nós deveríamos parar de bolar planos que envolvem
depender de alguém ou algo para nos proteger. Você acha que tem poucos guardiões? Esse
não é o problema. O problema é que tem muitos Strigoi. E nós os deixamos se multiplicar e
ficar mais poderosos porque não fazemos nada em relação a eles a não ser ter discussões
estúpidas como essa. Nós corremos e nos escondemos atrás dos dhampirs e deixamos os
Strigoi fugir. É nossa culpa. Nós somos a razão dos Drozdovs terem morrido. Você quer um
exercito? Bem, aqui estamos. Dhampirs não são os únicos que podem aprender a lutar. A
questão, Monica, não é porque as mulheres dhampir não estão lutando. A questão é: Porque
nós não estamos?”
Tasha estava gritando agora, e o esforço a fez corar. Os olhos dela brilhavam com seus
sentimentos apaixonados, e combinado com o resto de suas feições – e mesmo com a cicatriz
– ela era uma figura impressionante. A maioria das pessoas não podia tirar os olhos dela. Lissa
assistia Tasha com admiração, inspirada pelas palavras dela. Mason parecia hipnotizado.
Dimitri parecia impressionado. E além dele...
Além dele estava Mia. Mia não estava mais atirada na cadeira. Ela estava sentada direito,
direito e dura, seus olhos mais selvagens do que poderiam ficar. Ela encarava Tasha como se
somente ela tivesse todas as respostas da vida.
Monica Szelsku parecia menos respeitosa, enquanto encarava Tasha. “Certamente você não
está sugerindo que os Moroi lutem junto com os guardiões quando os Strigoi vierem?”
Tasha reparou nela igualmente. “Não. Eu estou sugerindo que os Moroi e seus guardiões lutem
com os Strigoi antes deles virem.”
Um cara com seus vinte anos que parecia um dos modelos de Ralph Lauren levantou. Eu podia
apostar que ele era da realeza. Mais ninguém poderia pagar para fazer mechas loiras tão
perfeitas. Ele usava um suéter ao redor da cintura e a colocou ao redor de sua cadeira. “Oh,”
ele disse em uma voz de zombação, falando sem ser sua vez. “Então, você vai nos dar cacetes e
estacas e nos mandar para a batalha?”
Tasha deu nos ombros. “Se for preciso, Andrew, então claro.” Um sorriso bobo cruzou seus
lábios. “Mas tem outras armas que nós podemos usar também. Uma que os guardiões não
podem.”
O seu rosto mostrava o quão insano ele achava que essa idéia era. Ele virou seus olhos. “Oh é?
Como o que?”
Seu sorriso virou uma risada. “Como isso.”
Ela balançou a mão, e o sueter colocado na cadeira pegou fogo.
Ele gritou surpreso e o derrubou no chão, pisando no suéter com os pés.
Houve uma breve e coletiva falta de ar no aposento. Então... o caos tomou conta.


A.Vampiro - aura negra (capitulo 11)


ONZE
Lissa tinha levantado e desaparecido antes mesmo deu me mexer na manhã seguinte, o que
significa que eu tinha o banheiro para mim mesma, enquanto me arrumava. Eu amava aquele
banheiro. Era enorme. Minha cama King-size teria cabido ali confortavelmente. Um chuveiro
escaldante com um bocal diferente me acordou, embora meus músculos estivessem doloridos
de ontem. Enquanto eu estava parada diante do enorme espelho e arrumava o cabelo, eu
notei com algum desapontamento que meu machucado ainda estava ali. Estava
significantemente mais claro, no entanto, e tinha se tornado amarelado. Alguma maquiagem o
cobriria quase que completamente.
Eu desci procurando comida. O restaurante estava fechando para o café da manhã, mas uma
das garçonetes me deu alguns bolinhos de marzipan de pêssego para viagem. Mastigando um
enquanto andava, eu expandi meus sentidos para ter uma idéia melhor de onde Lissa estava.
Depois de alguns segundos, eu a senti no outro lado do hotel, longe do quarto dos estudantes.
Eu segui o rastro até eu chegar no quarto do terceiro andar. Eu bati.
Christian abriu a porta. “A bela adormecida chegou. Bem vinda.”
Ele me conduziu para dentro. Lissa estava sentada com as pernas cruzadas na cama e sorriu
quando me viu. O quarto era tão suntuoso quanto o meu, mas a maioria dos moveis tinha sido
colocada de lado para fazer espaço, e na área aberta, Tasha estava de pé.
“Bom dia,” ela disse
“Hey,” eu disse. E eu queria evitar ela.
Lissa deu um tapinha num ponto perto dela. “Você tem que ver isso.”
“O que está acontecendo?” eu sentei na cama e terminei com o ultimo bolinho.
“Coisas ruins,” ela disse de forma travessa. “Você vai aprovar.”
Christian andou até o espaço vazio e encarou Tasha. Eles repararam um no outro, esquecendo
sobre Lissa e eu. Aparentemente eu interrompi algo.
“Então porque eu não posso ficar com o feitiço de consumo?” perguntou Christian.
“Porque usa muita magia,” ela disse a ele. Mesmo com jeans e um rabo de cavalo – e a cicatriz
– ela conseguiu ficar ridiculamente bonita. “E, você provavelmente vai matar seu oponente.”
Ele zombou. “Porque eu não iria querer matar um Strigoi?”
“Você nem sempre pode estar lutando com um. Ou talvez você precise de informação deles.
Independente, você deveria se preparar.”
Eles estavam praticando magia ofensiva, eu percebi. Excitação e interesse substituíram o
silencio que eu tinha adquirido ao ver Tasha. Lissa não estava brincado sobre eles estarem
fazendo “coisas ruins.”Eu sempre suspeitei que eles estivessem fazendo magia ofensiva,
mas...wow. Pensando sobre e realmente ver os dois era muito diferente. Usar mágica como
arma era proibido. Uma ofensa punitiva. Um estudante experimentando poderia ser perdoado
e simplesmente disciplinado, mas um adulto ensinar a um menor...yeah. Isso poderia fazer
Tasha ter sérios problemas. Por meio segundo, eu brinquei com a idéia de entregar ela.
Imediatamente, eu deixei de lado. Eu posso odiar ela por dar em cima de Dimitri, mas parte de
mim meio que acreditava no que ela e Christian estavam fazendo. Além do mais, era legal.
“Um feitiço de distração é quase tão útil,” ela continuou.
Seus olhos azuis se focaram intensamente de uma forma que eu normalmente via os olhos dos
Moroi ficar enquanto usavam magia. O pulso dela virou para frente, e uma linha de fogo
passou o rosto de Christian. Não tocou nele, mas pelo jeito que ele afastou, eu suspeitei que
tinha sido perto o bastante para ele sentir o calor.
“Tente,” ela disse a ele.
Christian hesitou por um momento e então fez o mesmo movimento com a mão que ela tinha
feito. Fogo saiu, mas não tinha o mesmo controle que o dela tinha tido. E também não tinha
mira. Foi direto pro rosto dela, mas antes que pudesse tocar ela, se quebrou e dividiu ao redor
dela, como se tivesse atingido um escudo invisível. Ela o refletiu com sua própria mágica.
“Nada mal – fora o fato de que você teria queimado meu rosto.”
Nem mesmo eu queria o rosto dela queimado. Mas o cabelo...ah,sim. Vamos ver o quão bonita
ela é sem seu cabelo preto.
Ela e Christian praticaram mais um pouco. Ele melhorou com o tempo, embora ele claramente
tivesse muito o que aprender para ter a habilidade de Tasha. Meu interesse cresceu e cresceu
enquanto eles continuavam, e eu me encontrei ponderando todas as possibilidades que esse
tipo de mágica podia trazer.
Eles encerram a lição quando Tasha disse que precisava ir. Christian suspirou, claramente
frustrado por não ter sido capaz de dominar o feitiço em uma hora. Sua natureza competitiva
era quase tão forte quanto a minha.
“Eu ainda acho que seria mais fácil queimar eles inteiros,” ele discutiu.
Tasha sorriu e arrumou seu cabelo em um rabo de cavalo apertado. Yeah. Ela definitivamente
podia ficar sem aquele cabelo, especialmente desde que eu sabia o quanto Dimitri gostava de
cabelos cumpridos.
“Mais fácil porque envolve menos foco. É preguiçoso. Sua mágica vai ficar mais forte mais
devagar se você não aprender isso. E, como eu disse, tem suas utilidades.”
Eu não queria concordar com ela, mas não tinha como.
“Poderia ser muito útil se você estiver lutando com um guardião,” eu disse excitada.
“Especialmente se queimar um Strigoi completamente queima muita energia.Desse jeito, você
usa só um pouco da sua força para distrair o Strigoi. E vai distrair ele já que eles odeiam tanto
fogo. Esse é todo o tempo que o guardião precisa para empalar ele. Você acabaria com um
monte de Strigoi desse jeito.”
Tasha sorriu para mim. Alguns Moroi – como Lissa e Adrian – sorriam sem mostraram seus
dentes. Tasha quase sempre mostrava os dela, incluindo suas presas.
“Exatamente. Você e eu temos que caçar uns Strigoi algum dia,’ ela provocou.
“Eu acho que não,” eu respondi.
As palavras em si não foram tão ruins, mas o tom que eu usei certamente foi. Frio. Nada
amigável. Tasha pareceu momentaneamente surpresa na minha mudança brusca de atitude
mas deu nos ombros. O choque de Lissa viajou por nossa ligação.
Tasha não parecia incomodada, no entanto. Ela conversou conosco um pouco mais e fez
planos de encontrar Christian no jantar. Lissa me deu um olhar afiado enquanto ela, Christian,
e eu descíamos as elaboradas escadas que guiavam de volta para o lobby.
“O que foi aquilo?” ela perguntou.
“O que foi o que?” eu perguntei inocente.
“Rose,” ela disse de forma significativa. Era difícil se fazer de boba quando sua amiga sabe que
você pode ler a mente dela. Eu sabia exatamente o que ela estava pensando. “Você sendo uma
vaca com a Tasha.”
“Eu não fui tão vaca.”
“Você foi rude,” ela exclamou, saindo do caminho de um bando de crianças Moroi que vinham
correndo pelo lobby. Elas estavam usando capas de chuva, e um cansa instrutor de esqui
Moroi as seguia.
Eu pus as mãos nos quadris. “Olha, estou apenas mau humorada, ok?Não dormi muito. Além
do mais, eu não sou como você. Eu não tenho que ser educada o tempo todo.”
Como acontecia tão freqüentemente ultimamente, eu não podia acreditar no que eu tinha
acabado de dizer. Lissa me encarava, mais surpresa do que magoada. Christian parecia
irritado, prestes a me responder, quando Mason misericordiosamente se aproximou de nós.
Ele não estava usando gesso ou algo assim, mas ele mancava um pouco.
“E ai, companheiro de salto,” eu disse, deslizando minha mão no pulso dele.
Christian colocou sua raiva por mim em espera e virou para Mason. “É verdade que seus
movimentos suicidas finalmente te alcançaram?”
Os olhos de Mason estavam nos meus. “É verdade que você está andando com Adrian
Ivashkov?”
“Eu-o que?”
“Eu ouvi que vocês dois ficaram bêbados ontem a noite.”
“Você ficou?” perguntou Lissa, assustada.
Eu olhei para os dois.”Não, é claro que não!Eu mal o conheço.”
“Mas você o conhece,” insistiu Mason.
“Muito mal.”
“Ele tem uma má reputação,” avisou Lissa.
“É,” disse Christian. “Ele sai com muitas garotas.”
Eu não podia acreditar nisso. “Vocês podem parar? Eu falei com ele por,tipo,cinco minutos! E
isso só porque ele estava bloqueando meu caminho. Da onde você tirou isso?” imediatamente,
eu respondi minha própria pergunta. “Mia.”
Mason confirmou e tinha aquele olhar de embaraço.
“Desde quando você fala com ela?” eu perguntei.
“Eu só me encontrei com ela, só isso.” Ele me disse.
“E você acreditou nela?Você sabe que ela mente metade do tempo.”
“Sim, mas normalmente tem alguma verdade nas mentiras dela. E você falou com ele.”
“Sim.Falei. Só isso.”
Eu realmente estive pensando em sair com Mason, então eu não gostei dele não acreditar em
mim. Ele tinha me ajudado a desvendar as mentiras da Mia na escola, então eu estava
surpresa que ele tivesse ficado tão paranóico agora. Talvez seus sentimentos tivessem
aumentado por mim, ele estava mais susceptível ao ciúmes.
Surpreendentemente, foi Christian que veio ao resgate e mudou de assunto. “Eu suponho que
não vá haver esqui hoje, huh?” Ele apontou para o tornozelo de Mason, imediatamente
despertando uma resposta indignada.
‘O que, você acha que isso vai me atrapalhar?” perguntou Mason.
A raiva dele diminuiu, substituída por aquela vontade de se provar – a necessidade que ele e
eu dividíamos. Lissa e Christian olhavam para ele como se ele fosse maluco, mas eu sabia que
nada que disséssemos iria parar ele.
“Vocês querem vir conosco?” eu perguntei para Lissa e Christian.
Lissa balançou a cabeça. “Não podemos. Nós temos que ir para um almoço que os Contas são
anfitriões.”
Christian gemeu. “Bem,você tem que ir.”
Ela levantou as sobrancelhas pra ele. “Você também.O convite dizia que eu podia levar um
convidado. Além do mais, isso é só um aquecimento para o maior.”
“Que é?” perguntou Mason.
“O enorme jantar de Priscilla Voda,” disse Christian. Ver ele parecer tão pesaroso me fez sorrir.
“A melhor amiga da rainha. Todos os metidos da realeza estarão lá, e eu tenho que vestir um
terno.”
Mason me deu uma risada. Seu antagonismo de cedo tinha sumido. “Esquiar soa cada vez
melhor,huh? Tem um código de vestimenta menor.”
Nós deixamos os Moroi para trás e saímos. Mason não podia competir comigo do mesmo jeito
que ele tinha ontem;seus movimentos eram devagar e estranhos. Ainda sim, ele se saiu muito
bem considerando tudo. O ferimento não era tão ruim quanto eu temia, mas ele teve a
prudência de ficar em caminhos extremamente fáceis.
A lua cheia diminuía a escuridão, uma bola reluzente de um cinza esbranquiçado. As luzes
elétricas ultrapassam a maior parte da iluminação no chão, mas de vez em quanto, nas
sombras, a lua por pouco conseguia lançar seu brilho. Eu queria que fosse claro o bastante
para mostrar as montanhas que nos cercavam, mas aqueles picos permaneciam escondidos
nas sombras. Eu esqueci de olhar para eles quando era dia ou mais cedo.
Os percursos eram super simples para mim, mas eu fiquei com Mason e de vez em quando o
provocava sobre como seu como ele esquiar mais ou menos estava me dando sono. Percursos
chatos ou não, ainda era bom estar na rua com meu amigo, e a atividade movimentou meu
sangue o suficiente para me esquentar contra o ar frio. As luzes dos postes iluminavam a neve,
a transformando em um vasto mar branco, os flocos de cristal brilhando fracamente. Se eu
conseguisse me virar e bloquear a luz do meu campo de visão, eu podia olhar para cima e ver
as estrelas no céu. Elas se destacam brilhando, no claro e gelado ar. Nós ficamos fora a maior
parte do dia de novo, mas dessa vez, voltamos mais cedo, fingindo estar cansada para que
Mason pudesse descansar. Ele pode ter conseguido esquiar um pouco com seu tornozelo
machucado, mas eu podia perceber que estava começando a doer.
Mason e eu voltamos para o hotel andando muito perto um do outro, rindo sobre algo que
tínhamos visto mais cedo. De repente, eu vi uma coisa branca na minha visão periférica, e uma
bola de neve atingiu o rosto de Mason.Eu imediatamente fiquei defensiva, olhando ao redor.
Opas e choros vinham de uma área do resort que tinha um barracão e tinha pinheiros
espalhados ao redor.
“Muito devagar, Ashford,” alguém chamou. “Não vale a pena estar apaixonado.”
Mais risadas. O melhor amigo de Mason, Eddie Castile, e mais uns 5 outros novatos da escola
se materializaram de trás das arvores. Além deles, ouvi mais gritaria.
“Nós ainda aceitamos você, no entanto, se quiser ser do nosso time,” disse Eddie. “Mesmo que
você desvie como uma garota.”
“Time?” Eu perguntei excitada.
Na Academia, jogas bolas de neve era proibido. Os oficiais da escola tinham um medo
inexplicável de nos jogarmos bolas com pedaços de vidro ou navalhas, embora eu não tenha
idéia de como nós colocaríamos a mão nesse tipo de coisa pra começar.
Não que uma briga de neve fosse tão rebelde, mas depois do estresse que eu tinha passado
recentemente, jogar objetos em outras pessoas soava como a melhor idéia que eu ouvi a
algum tempo. Mason e eu saimos com os outros, a prospecto de uma luta proibida dando a ele
nova energia e fazendo ele esquecer da dor no tornozelo. Nós fomos a luta com um
entusiasmo estilo duro de matar.
A luta logo se tornou uma questão de acertar o máximo de pessoas possível enquanto
desviava do ataque de outros. Eu era excepcional nos dois e ainda imatura os que eu acertava
gritava insultos bobos.
Quando alguém notou o que nós estávamos fazendo e gritou conosco, nós já estávamos rindo
e cobertos de neve. Mason e eu começamos a voltar para o hotel, e nosso humor estava tão
alto, que eu sabia que o negocio com Adrian tinha sido esquecido a muito tempo.
De fato, Mason olhou pra mim como antes da gente ter saído. “Desculpe eu, uh, pulei em cima
de você sobre o negocio do Adrian mais cedo.”
Eu apertei a mão dele.”Está tudo bem. Eu sei que Mia pode contar umas histórias bem
convincentes.”
“É...mas mesmo que você estivesse com ele... não é como se eu tivesse algum direito...”
Eu olhei pra ele, surpresa por ver sua ousadia normal ficar tímida. “Você não tem?” eu
perguntei.
Um sorriso veio em seus lábios. “Eu tenho?”
Sorrindo de volta, e dei uma passo para frente e o beijei. Os lábios dele pareciam
incrivelmente quentes no ar congelante. Não foi como o beijo que faz tremer a terra com
Dimitri antes da viagem, mas foi doce e bom – um beijo amigável que talvez pudesse se tornar
algo mais. Pelo menos, era como eu via. Pelo jeito do rosto de Mason, parecia que o mundo
todo ele tinha sido abalado.
‘Wow’,olhos abertor. O luar fez seus olhos parecerem um azul acidentado.
“Você vê,’ eu disse. “Nada para se preocupar. Nem Adrian, nem ninguém.”
Ele me beijou de novo – um pouco mais longo dessa vez – antes de finalmente nos
separarmos. Mason claramente estava com um humor melhor, como ele deveria estar, e eu
cai na cama com um sorriso no rosto. Eu não estava tecnicamente certa se Mason e eu éramos
um casal agora, mas não estávamos bem perto disso.
Mas quando eu dormi, eu sonhei com Adrian Ivashkov.
Eu estava com ele na varanda de novo, mas era verão. O ar estava agradável e calmo, e o sol
brilhava no céu, revestindo tudo com uma luz dourada. Eu não ficava em baixo de tanto sol
desde quando nós vivíamos com os humanos. Ao redor, as montanhas e vales estavam verdes
e vivas. Pássaros cantavam em todos os lugares.
Adrian estava encostado contra o corrimão da varando, olhou ao redor, e ficou estupefato
quando me viu “Oh. Eu não esperava ver você aqui.” Ele sorriu. “Eu estava certo. Você é
devastadora quando está arrumada.”
Instintivamente eu toquei a pele ao redor do meu olho.
“Desapareceu,” ele disse.
Mesmo sem ser capaz de ver, eu de alguma forma sabia que ele estava certo. “Você não esta
fumando.”
“Mal habito,” ele disse. Ele acenou na minha direção. “Você está com medo? Você está usando
muita proteção.”
Eu franzi a sobrancelha, então olhei para baixo. Eu não tinha notado minhas roupas. Eu usava
jeans bordadas que parecia que eu tinha visto uma vez mas não podia comprar. Minha
camiseta estava rasgada, mostrando minha barriga, e eu usava um piercing no umbigo. Eu
sempre quis colocar um piercing mas nunca tinha sido capaz de pagar. O que eu usava agora
tinha um pequeno cristal, e pendurado no final tinha o estranho olho azul que minha mãe
tinha me dado. O chotki de Lissa estava ao redor do meu pulso.
Eu olhei de volta para Adrian, estudando o jeito que o sol brilhava em seu cabelo marrom.
Aqui, em plena luz do dia, eu podia ver que seus olhos eram mesmo verdes – um Esmeralda
profundo ao contrario do jade pálido de Lissa. Algo de repente me ocorreu.
“Todo esse sol não te encomoda?”
Ele deu nos ombros preguiçosamente. “Nah.É o meu sonho.”
“Não, é o meu sonho.”
“Você tem certeza?” O sorriso dele voltou.
Eu me sentia confusa. “Eu...eu não sei.”
Ele riu, mas um momento depois, a risada desapareceu. Pela primeira vez desde que eu tinha
conhecido ele, ele parecia sério. “Porque você tem tanta escuridão ao seu redor?”
Eu franzi. “O que?”
“Você está cercada de escuridão.” Os olhos dele estudaram com sagacidade, mas não de um
jeito pervertido. “Eu nunca vi ninguém como você. Sombras em todos os lugares. Eu nunca
poderia imaginar. Mesmo com você parada aqui, as sombras continuam crescendo.”
Eu olhei para as minhas mãos mas não vi nada diferente. Eu olhei pra cima. “Eu sou uma
shadow-kissed...”
“O que isso significa?”
“Eu morri uma vez.” Eu nunca falei para ninguém alem de Lissa e Victor Dashkov sobre isso,
mas isso era um sonho. Não importava. “E voltei.”
Curiosidade cruzou seu rosto. “Ah, interessante...”
Eu acordei.
Alguém estava me sacudindo. Era Lissa.Os sentimentos dela me atingiram com tanta força
através da ligação que eu brevemente entrei na mente dela e me encontrei olhando para mim.
“Estranho” não começa a cobrir. Eu voltei para mim mesma, tentando filtrar o terror e alarme
vindo dela.
“Qual problema?”
“Houve outro ataque dos Strigoi.”

A.Vampiro - aura negra (capitulo 10)


DEZ
A viagem de esqui não podia ter vindo um segundo antes. Estava impossível tirar o rolo de
Dimitri e Tasha da minha cabeça, mas pelo menos fazendo as malas e me aprontar fez com
que eu devotasse 100% do meu cérebro nisso. Ok, mais pra 95%.
Eu tinha outras coisas para me distrair, também. A Academia pode – com razão – ser super
protetora quando se trata de nós, mas as vezes isso se traduz para coisas bem legais. Exemplo:
A Academia tinha acesso a alguns jatos particulares. Isso significa que os Strigoi não poderiam
nos atacar no aeroporto, e também significa que nós vamos viajar com estilo. Cada jato era
menor que um avião particular, mas os acentos eram confortáveis e tem muito espaço para as
pernas. Elas se estendem para trás tanto que você praticamente pode deixar para dormir. Em
vôos longos, nós tínhamos pequenos consoles nos acentos que nos dava a opção da TV. As
vezes eles até distribuíam refeições chiques. Eu estava apostando que esse vôo, no entanto,
seria curto demais para filmes ou comida substancial.
Nós partimos tarde no dia 26. Quando embarquei no jato, eu olhei ao redor procurando por
Lissa, querendo falar com ela. Nós não tínhamos conversado depois do brunch de natal. Eu
não estava surpresa de ver ela sentada com Christian, e eles não pareciam querer ser
interrompidos. Eu não podia ouvir a conversa deles, mas ele colocou os braços ao redor dela e
tinha aquela expressão relaxada e de flerte que apenas ela podia trazer. Eu continuo
convencida que ele nunca poderia cuidar tão bem dela quanto eu, mas ele claramente a fazia
feliz. Eu dei um sorriso e acenei para eles enquanto passava pelo corredor até onde Mason
estava me esperando. Enquanto eu andava, passei por Dimitri e Tasha que sentavam juntos.
Eu sutilmente os ignorei.
“Hey,” eu disse sentando perto de Mason.
Ele sorriu para mim. “Hey. Você está pronta para o desafio de esqui?”
“Mais pronta que nunca.”
“Não se preocupe,” ele disse. “Eu vou pegar leve com você.”
Eu zombei dele e me inclinei contra o acento. “Você se ilude demais.”
“Caras sãos são chatos.”
Para minha surpresa, ele deslizou sua mão sobre a minha. A pele dele era quente, e eu senti
minha própria pele formigar onde ele me tocou. Me assustou. Eu estava convencida que
Dimitri era o único por quem eu responderia de novo.
Era hora de partir para outra, eu pensei. Dimitri obviamente passou. Você deveria ter feito isso
a muito tempo.
Eu entrelacei meus dedos aos de Mason, o pegando de guarda baixa. “Isso vai ser divertido.”
E foi.
Eu tentei ficar me lembrando que nós estávamos aqui por causa de uma tragédia, que havia
Strigoi e humanos lá fora que talvez atacasse de novo. Ninguém mais parecia se lembrar disso,
no entanto, e eu admito, eu mesma estava tendo dificuldades em lembrar.
O resort era lindo. Era construído de forma muito parecida a de uma cabana, mas nenhuma
cabana de pinho teria contido centenas de pessoas em acomodações tão luxuosas. Três
andares de madeiras douradas e glamorosas estavam entre os altos pinheiros. As janelas eram
altas e graciosamente arqueadas, pintadas para os Moroi. Lanternas de cristal – elétricas, mas
brilhantes demais para parecerem tochas – estavam penduradas na entrada dando a
construção toda um brilho, quase como de uma jóia.
Montanhas – que meus olhos aprimorados puderam perceber a noite – nos rodeavam, e eu
aposto que a vista será de tirar o fôlego quando for dia. Um lado do território levava para a
área de esqui, com colinas íngremes e morrinhos de neve, assim como teleférico. O outro lado
tinha um ringue de gelo, o que me deleitou já que eu não patinei naquele dia na cabana. Perto
disso, montanhas lisas eram reservadas para deslizar de trenó.
Lá dentro, todos os tipos de arranjos tinham sido feitos para satisfazer as necessidades dos
Moroi. Alimentadores estavam disponíveis, prontos para servir 24 horas por dia.As pistas
funcionavam a noite. Ward e guardiões circulavam pelo lugar todo. Era tudo que um vampiro
vivo podia querer.
O salão central tinha um teto de catedral e um enorme lustre pendurado nele. O chão era feito
de mármore, e a recepção ficava sempre aberta, pronta para cuidar de todas as nossas
necessidades.O resto do alojamento, corredores e salas, tinham um esquema de cores
vermelhas,pretas e douradas. O profundo tom de vermelho dominava as outras tonalidades, e
pequenas mesas ornamentais estavam distribuídas por aí. Nelas haviam vasos de orquídeas
manchadas de púrpura que enchiam o ar com um cheiro apimentado.
O quarto que eu dividia com Lissa era maior que os nossos dois quartos colocados juntos e
tinha as mesmas cores ricas que o resto do lugar. O carpete felpudo era tão fofo eu tirei os
sapatos e andei de pés descalços, adorando o jeito que meu pé afundava naquela macieza.
Nós tínhamos camas king-size, com cobertores de penas e tantos travesseiros que eu juro uma
pessoa podia se perder neles e nunca mais ser vista. Portas francesas abriam em uma espaçosa
sacada,o que, considerando que estávamos no ultimo andar, seria legal se não estivesse
congelando lá fora. Eu suspeito que o ofurô para duas pessoas seria bom para compensar o
frio.
Afundada em tanto luxo, eu alcancei um ponto de sobrecarga em que os outros cômodos
começaram a nadar juntas. A banheira com hidromassagem de mármore. A TV de plasma. A
cesta de chocolate e outros doces. Quando nós finalmente decidimos ir esquiar, eu tive que
praticamente me arrastar para fora do quarto. Eu provavelmente podia ter passado o resto
das minhas férias deitada ali e ficaria perfeitamente feliz.
Mas nós finalmente fomos para fora, e quando eu consegui tirar Dimitri e minha mãe da
cabeça, eu comecei a me divertir. Ajudou o fato do lugar ser tão grande; havia poucas chances
de me encontrar com eles.
Pela primeira vez em semanas, eu fui capaz de me focar em Mason e perceber o quão
divertido ele era. Eu também fiquei mais com Lissa do que eu ficava a algum tempo, o que me
deixou com um humor ainda melhor.
Com Lissa, Christian, Mason e eu, nós fomos capazes de meio que sair em casais. Nós quatro
passamos a maior parte do dia esquiando, embora os dois Moroi tivessem uma certa
dificuldade em nos acompanhar. Considerando o que Mason e eu passávamos em nossas
aulas, eu e ele não tínhamos medo de tentar truques desafiantes. Nossa natureza competitiva
nos fez tentar superar um ao outro.
“Vocês dois são suicidas,” observou Christian em um certo ponto. Era noite, e os pontes altos
iluminavam seu rosto confuso.
Ele e Lissa estavam esperando na base da colina, assistindo Mason e eu descer.Nós estávamos
nos movendo em uma velocidade maluca. A parte de mim que estava tentando aprender
controle e sabedoria com Dimitri sabia que era perigoso, mas o resto de mim gostava de
abraças aquela imprudência.
Mason ria enquanto derrapávamos na parada, espalhando neve. “Nah, isso é só um
aquecimento. Eu quero dizer, Rose foi capaz de me acompanhar o tempo todo. Coisa de
criança.”
Lissa balançou a cabeça. “Vocês não estão levando isso muito a sério?”
Mason e eu nos olhamos.”Não.”
Ela balançou a cabeça. “Bem, nós vamos entrar. Tentem não se matar.”
Ela e Christian foram embora, braço a braço. Eu os assisti ir, então me virei para Mason. “Estou
bem por mais um tempo. E você?”
“Absolutamente.”
Ele virou para voltar para o topo da colina. Quando estávamos prestes a descer, Mason
indicou.
“Ok, que tal isso? Aqueles morrinhos altos ali, então pular sobre aquela cadeia, dar uma
virada, desviar daquelas arvores, e paras lá.”
Eu segui o seu dedo que apontava para um caminho irregular nos maiores morrinhos. Eu franzi
a sobrancelha.
“Esse é realmente maluco,Mase.”
“Ah,” ele disse triunfante. “Ela finalmente cedeu.”
Eu olhei com raiva. “Ela não cedeu.” Depois de outra analise na sua rota louca, eu concordei.
“Ok.Vamos fazer isso.”
Ele fez um gesto. “Você primeiro.”
Eu respirei fundo e saltei. Meus esquis deslizavam sobre a neve, e um vento perfurador atingia
meu rosto. Eu dei o primeiro salto limpo e preciso, mas na próxima parte do curso a velocidade
aumentou, e eu percebi o quão perigoso era. Naquele segundo eu tinha uma decisão para
tomar. Se eu não seguisse em frente, eu nunca tinha ouvido o fim que Mason tinha dito – e eu
queria muito mostrar pra ele. Se eu conseguisse, eu podia me sentir muito segura do quão
incrível eu era. Mas se eu tentasse e não conseguisse... eu podia quebrar o pescoço.
Em algum lugar na minha cabeça, uma voz que parecia suspeitosamente como a de Dimitri
começou a falar sobre a escolha certa e aprender quando a ser moderado.
Eu decidi ignorar aquela voz e segui em frente.
O percurso era difícil, mas eu fui perfeita, um movimento insano depois do outro. Neve voava
ao meu redor a cada perigosa volta. Quando eu cheguei na base segura, eu olhei pra cima e vi
Mason gesticulando abertamente. Eu não consegui entender sua expressão ou palavras, mas
eu podia imaginar sua torcida. Eu fiz o contorno e esperei ele fazer o mesmo.
Mas ele não fez. Porque quando Mason estava na metade do caminho, ele não conseguiu dar
um dos pulos. Seus esquis ficaram presos, e pernas viram. Ele rolou pra baixo.
Eu o alcancei praticamente ao mesmo tempo que o resto do equipe do hotel. Para o alivio de
todos,Mason não tinha quebrado o pescoço nem nada. Seu tornozelo parecia torcido, o que
provavelmente iria limitar sua possibilidade de esquiar pelo resto da viagem.
Uma das instrutoras se aproximou, fúria em seu rosto.
“O que vocês crianças estavam pesando?” ele exclamou. Ela se virou para mim. “Eu não pude
acreditar em você quando fez aquelas manobras estúpidas!” Seus olhos fixos em Mason a
seguir. “Então você tinha que copiar ela!”
Eu queria dizer que tinha sido idéia dele, mas culpa não importava nesse ponto. Eu estava
apenas feliz por ele estar bem. Mas quando entramos, a culpa começou a me corroer. Eu tinha
agido de forma irresponsável. E se ele tivesse se ferido gravemente? Visões horríveis
dançavam em minha mente. Mason com uma perna quebrada...com um pescoço quebrado...
No que eu estava pensando? Ninguém tinha me obrigado a fazer aquele percurso. Mason
tinha sugerido... mas eu não tinha discutido. Só Deus sabe que eu provavelmente podia. Eu
poderia ter que agüentar alguma zombação, mas Mason era louco o suficiente por mim que
meus dotes femininos provavelmente impediriam sua loucura. Eu tinha sido pega pela
excitação e o resto – como quando eu havia beijado Dimitri – não pensando o suficiente nas
conseqüências porque secretamente, dentro de mim, aquele impulsivo desejo de ser selvagem
ainda espreitava. Mason também o tinha, e ele o dele me chamava.
Aquela voz mental de Dimitri me castigou mais uma vez.
Depois que Mason voltou seguro para o hotel e tinha posto gelo no tornozelo, eu carreguei
nosso equipamento de volta para dentro até o prédio de armazenamento. Quando eu voltei
para dentro, eu passei por uma porta diferente que eu normalmente usava. Essa entrada
ficava atrás de uma enorme varanda corrimão de madeira ornamentado. A varanda era
construída do lado da montanha e tinha uma visão de tirar o fôlego dos outros picos e vales ao
nosso redor – se você estava afim de ficar no frio o tempo suficiente para admirar. O que a
maioria das pessoas não estavam.
Eu subi os degraus da varanda, tirando a neve das minhas botas. Um cheiro denso, picante e
doce, estava no ar. Algo sobre ele era familiar, mas antes que eu pudesse identificar ele, uma
voz de repente falou nas sombras.
“Hey, pequena dhampir.”
Assustada, eu percebi que alguém estava mesmo parado na varanda.Um cara- um Moroi –
encostado contra a parede não muito longe da porta. Ele tinha um cigarro na boca, deu uma
longa tragada, e então o jogou no chão. Ele pisou na ponta e me deu um sorriso. Aquele era o
cheiro, eu percebi. Cigarros de cravo da índia.
Cuidadosamente, eu parei e cruzei os dedos enquanto o deixava entrar. Ele era um pouco mais
baixo que Dimitri mas não era tão magro quanto alguns caras Moroi ficam. Um longo, casaco
carvão – provavelmente feito de algum cashmere extremamente caro – servia em seu corpo
excepcionalmente bem, e os sapatos de couro que ele usava indicavam que ele tinha muito
dinheiro. Ele tinha cabelo marrom que parecia ser propositalmente arrumada para parecer um
pouco bagunçado, e seus olhos eram ou azul ou verde – eu não tinha luz suficiente para saber
com certeza. Seu rosto era bonito, eu suponho, e eu acho que ele é alguns anos mais velho
que eu. Ele parecia que tinha acabado de vir de um jantar.
“Yeah?” eu perguntei.
Seus olhos varreram meu corpo. Eu estava acostumada com a atenção dos caras Moroi. Mas
normalmente não era tão obvio. E eu normalmente não estava vestida com roupas de inverno
e um olho roxo assustador.
Ele deu nos ombros. “Só dizendo oi, só isso.”
Eu esperei por mais, mas tudo o que ele fez foi colocar suas mãos nos bolsos. Dando nos
ombros, eu dei mais uns passos para frente.
“Você cheira bem, você sabe,” ele disse de repente.
Eu parei de andar de novo e dei a ele um olhar confuso, o que só fez seu sorriso bobo crescer
um pouco mais.
“Eu...um, o que?”
“Você cheira bem,” ele repetiu.
“Você está brincando? Eu suei o dia todo. Estou nojenta.” Eu queria andar pra longe, mas tinha
algo que me compelia para esse cara. Como um descarrilamento de trem. Eu não o achava tão
atraente por si; ele era apenas interessante de conversar.
“Suor não é uma coisa ruim,” ele disse, encostando suas costas contra a parede e olhando para
cima de forma pensativa. “Algumas das melhores coisas da vida acontecem enquanto suamos.
Yeah, se você sua muito e fica velho e fedorento, fica bem nojento. Mas numa mulher bonita?
Intoxicante.Se você pudesse sentir o cheiro das coisas como um vampiro, você saberia do que
eu estou falando. A maioria das pessoas estragam tudo e mergulham em perfume. Perfume
pode ser bom... especialmente se você usa um que combina com sua química. Mas você só
precisa de um pouco. Misture 20% disso com 80% de seu próprio suor...mmm.” Ele inclinou
sua cabeça para o lado e olhou pra mim. “Muito sexy.”
Eu de repente lembrei de Dimitri e seu pós barba. Yeah. Isso tinha sido muito sexy, mas eu
certamente não ia falar para esse cara sobre isso.
“Bem, obrigado pela lição de higiene,” eu disse.”Mas eu tenho nenhum perfume, e eu vou tirar
todo esse suor de mim com um banho. Desculpe.”
Ele puxou um maço de cigarros e ofereceu um pra mim. Ele se moveu mais pra perto, e foi o
suficiente para mim sentir o cheiro de outra coisa nele. Alcool. Eu neguei o cigarro, e ele tirou
um para si.
“Mal habito,” eu disse, observando ele o acender.
“Um de muitos,” ele respondeu. Ele inalou profundamente. “Você está aqui com a St. Vlads?”
“Sim.”
“Então você vai ser uma guardiã quando crescer.”
“Obviamente.’
Ele expirou fumaça, e eu vi ela ser levada pela noite. Com sentidos avançados de vampiros ou
não, era de se admirar que ele pudesse sentir o cheiro de qualquer coisa perto daquele cheiro
de cigarro.
“Quanto tempo até você crescer?” ele perguntou. “Eu posso precisar de um guardião.”
“Eu me formo na primavera. Mas eu já tenho um protegid. Desculpe.”
Surpresa apareceu em seus olhos. “É?Quem é ele?
“Ela é Vasilisa Dragomir.”
“Ah.” Seu rosto abriu um enorme sorriso. “Eu sabia que você era problema assim que te vi.
Você é a filha de Janine Hathaway.”
“Eu sou Rose Hathaway,” eu corrigi, não querendo ser definida por minha mãe.
“Prazer em conhecer você, Rose Hathaway.” Ele estendeu sua mão para mim e eu hesitante a
apertei.” Adrian Ivashkov.”
“E você acha que eu sou problema,” eu murmurei. Os Ivashkovs eram uma família real, uma
das mais ricas e poderosas. Eles eram o tipo de pessoa que pensavam que podiam ter tudo que
queriam e passavam por cima de qualquer um no caminho. Não era de se admirar que ele
fosse tão arrogante.
Ele riu. Ele tinha uma boa risada, rica e quase melodiosa. Me fez pensar em um caramelo
quente derramando da colher. “Útil, huh? Nossas reputações nos precedem.”
Eu balancei a cabeça. “Você não sabe nada sobre mim. E eu só sei sobre a sua família. Não sei
nada sobre você.”
“Você quer?” ele perguntou zombando.
“Desculpe. Não sou a fim de caras mais velhos.”
“Eu tenho 21. Não sou tão velho.”
“Eu tenho namorado.” Era uma pequena mentira. Mason certamente não era meu namorado
ainda, mas eu esperava que Adrian me deixasse em paz se ele achasse que eu já tinha
compromisso.
“Engraçado você não ter mencionado isso na hora,” Adrian ponderou. “Ele não deu a você esse
olho roxo,deu?”
Eu me senti corar, mesmo no frio. Eu estive esperando que ele não notasse o olho, o que era
estúpido. Com seus olhos de vampiro, ele provavelmente notou assim que pisei na varanda.
“Ele não estaria vivo se ele tivesse. Eu o consegui durante...um treino. Eu quero dizer, estou
treinando para ser guardiã. Nossas aulas são sempre duras.”
“Isso é bem quente,” ele disse. Ele derrubou seu segundo cigarro no chão e o pisou.
“Me socar no olho?”
“Bem, não. É claro que não. A idéia de ficar duro é quente. Eu sou muito fã de esportes de
contato.”
“Estou certa que você é,” eu disse secamente. Ele era arrogante e presunçoso, ainda sim eu
não conseguia me forçar a ir embora.
O som de passos atrás de mim me fez virar. Mia apareceu no caminho e subiu os degraus.
Quando ela nós viu, ela parou de repente.
“Hey,Mia.”
Ela olhou para nós dois.
“Outro cara?” ela perguntou. Pelo tom dela, você pensaria que eu tinha meu próprio arem de
homens.
Adrian me deu um olhar questionador e entretido. Eu cerrei os dentes e decidi não me
dignificar a uma resposta. Eu optei pela educação não característica.
“Mia, esse é Adrian Ivashkov.”
Adrian acendeu o mesmo charme que ele tinha usado em mim. Ele apertou a mão dela.
“Sempre um prazer conhecer amigos de Rose, especialmente uma tão bonita.” Ele falou como
se eu e ele nos conhecêssemos desde a infância.
“Nós não somos amigas,” eu disse. Lá se foi a educação.
“Rose só sai com caras e psicopatas,’ disse Mia. Sua voz carregava o desdenho usual que ela
utilizava comigo, mas tinha um olhar no rosto dela que mostrava que Adrian claramente tinha
a interessado.
“Bem,” ele disse alegremente, “Já que eu sou um psicopata e um cara, isso explicaria porque
somos bons amigos.”
“Você e eu não somos amigos também,’ eu disse a ele.
Ele riu. “Sempre bancando a difícil, hun?”
“Ela não é tão difícil,” disse Mia, claramente chateada por Adrian prestar mais atenção em im.
“Apenas pergunte a metade dos caras na nossa escola.”
“É,” eu respondi,”e pergunte a outra metade sobre Mia. Se você puder fazer um favor para ela,
ela vai fazer vários pra você.” Quando ela declarou guerra entre Lissa e eu, Mia tinha
conseguido fazer com que 2 caras contassem para todos na escola que eu tinha feito coisas
horríveis com eles. O irônico era que ela os conseguiu fazer mentir dormindo com eles.
Uma ponta de embaraço passou pelo seu rosto, mas ela se segurou.
“Bem,” ela disse,” pelo menos eu não faço de graça.”
Adrian fez um barulho de gato.
“Você terminou?” eu perguntei. “Já passou da sua hora de dormir, e os adultos gostariam de
conversar agora.” A juventude de Mia era uma ferida dolorida para ela, uma que eu gostava de
explorar freqüentemente.
“Claro,” ela disse de forma quebrada. Suas bochechas ficaram rosa, intensificando sua
aparência de boneca. “Eu tenho coisas a melhor a fazer de qualquer forma.” Ela se virou par
aporta, então parou com sua mão a segurando. Ela olhou para Adrian. “A mãe dela foi
responsável pelo olho roxo, sabe.”
Ela entrou. Aquela porta chique de vidro fechou atrás dela.
Adrian e eu ficamos ali em silencio. Finalmente, ele pegou outro cigarro e acendeu. “Sua
mãe?”
“Cala a boca.”
“Você é uma daquelas pessoas que ou tem almas gêmeas ou inimigos mortais, não é? Nenhum
meio termo. Você e Vasilisa provavelmente são como irmãs, huh?”
“Eu acho.”
“Como ela está?”
“Huh?O que você quer dizer?”
Ele deu nos ombros, como se não importasse, e eu tenho que dizer ele estava exagerando nas
casualidades. “Eu não sei. Eu quero dizer, eu sei que vocês fugiram... e teve aquele negocio
com a família dela e Victor Dashkov...”
Eu me endureci com a referencia a Victor.”E?”
“Não sei. Apenas imaginei que fosse muito para ela, você sabe, lidar.”
Eu o estudei com calma, me perguntando onde ele estava chegando. Tinha havido um
pequeno vazamento sobre o estado frágil estado mental de Lissa, mas eu o tinha contido. A
maioria das pessoas tinham esquecido disso ou assumido que era uma mentira.
“Eu tenho que ir.” Eu decidi que evitar ele era a melhor tática agora.
“Você tem certeza?” Ele parecia um pouco desapontado. Mas na maior parte ele parecia tão
arrogante e entretido como antes. Algo sobre ele ainda me intrigava, mas o que quer que
fosse, não era o suficiente para combater o todo o resto que eu estava sentindo, ou arriscar
uma discussão sobre Lissa. “Eu pensei que fosse a hora de adultos conversarem. Muitas coisas
de adultos que eu gostaria de conversar.”
“Está tarde, estou cansada, e seus cigarros estão me dando dor de cabeça,” eu rosnei.
“Eu suponho que isso seja justo.” Ele fumou mais um pouco e deixou a fumaça sair. “Algumas
mulheres acham que ele me faz parecer sexy.”
“Eu acho que você fuma eles para você ter o que fazer enquanto pensa na sua próxima
cantada.”
Ele se engasgou com a fumaça, preso entre a inalação e a risada. “Rose Hathaway, não posso
esperar pra ver você de novo. Se você tão charmosa assim quando esta casada e irritada e tão
linda machucada e com roupas de ski, você deve ser devastadora quando está bem.”
“Se por “devastadora” você quer dizer que deveria temer pela sua vida, então sim. Você está
certo.” Eu abri a porta. “Boa noite, Adrian.”
“Vejo você mais logo.”
“Dificilmente. Eu disse a você, não sou a fim de caras mais velhos.”
Eu entrei. Enquanto as portas fechavam, eu o ouvi me chamando por trás, “Claro, que você
não é.”

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A.Vampiro - aura negra (capitulo 9)


NOVE
Eu não vi Dimitri por um tempo depois disso. Ele mandou uma mensagem mais tarde naquele
dia dizendo que era melhor cancelar as nossas próximas duas sessões por causa dos planos de
deixar o campus que já estavam quase chegando. As aulas estão pra acabar de qualquer
forma, ele disse; tirar uma folga do treino parece uma coisa razoável.
Era uma desculpa idiota, e eu sabia que não era esse o motivo dele estar cancelando. Se ele
queria me evitar, eu teria preferido que ele tivesse inventado algo sobre como ele e mais
alguns guardiões tinham que cuidar da segurança ou treinar movimentos ninja ultra secretos.
Independente da história, eu sabia que ele estava me evitando por causa do beijo. Aquele
maldito beijo. Eu não me arrependia, não exatamente. Só Deus sabia o quanto eu estava
esperando por ele. Mas eu o beijei pelas razões erradas. Eu o beijei porque eu estava chateada
e frustrada e só queria provar que eu podia. Eu estava tão cansada de fazer a coisa certa o
tempo todo, a coisa inteligente. Eu estava tentando estar mais no controle ultimamente, mas
eu parecia estar escorrendo.
Eu não tinha esquecido do aviso que ele me deu uma vez – que nós ficarmos juntos não era só
um problema de idade. Interferiria no nosso trabalho. Forçá-lo a me beijar...bem, eram as
chamas de um problema que eventualmente iria prejudicar Lissa. Eu não deveria ter feito isso.
Ontem, eu estive incapaz de me parar. Hoje eu podia ver com mais clareza e não conseguia
acreditar no que eu tinha feito.
Mason me encontrou na manhã de natal, e nós fomos nos encontrar com os outros. Foi uma
boa oportunidade para tirar Dimitri da minha cabeça. Eu gostava de Mason-bastate. E não era
como se eu tivesse que fugir e casar com ele. Como Lissa tinha dito, seria saudável para mim
só namorar alguém de novo.
Tasha era a anfitriã do nosso brunch de natal em um elegante salão nos quartos de convidados
da Academia. Várias atividades de grupos e festas estavam ocorrendo na escola, mas eu
rapidamente notei que a presença de Tasha sempre criava um distúrbio. As pessoas ou a
encaravam ou saiam do seu caminho para evitá-la. As vezes ela os desafiava. As vezes ela só
era discreta. Hoje, ela escolheu ficar fora do caminho dos outros da realeza e simplesmente
aproveitar essa pequena, e privada festa com aqueles que não a evitava.
Dimitri tinha sido convidado, e um pouco da minha resolução dissolveu quando eu o vi. Ele
realmente se vestiu para a ocasião. Ok, “se vestiu,” talvez seja um exagero, mas era o mais
perto que eu já vi chegar disso. Normalmente ele parecia um pouco duro... como se ele
pudesse entrar em uma batalha a qualquer momento. Hoje, seu cabelo escuro estava
amarrado na sua nuca, como se ele realmente tivesse tentado fazer ele ficar legal. Ele usava
suas jeans e botas de couro usual, mas ao invés de uma camisa ou uma camisa térmica, ele
usava um suéter preto. Era um suéter normal, nada cara ou de grife, mas acrescentava um
toque de polimento que eu não via normalmente, e oh meu Deus, ficava muito bem nele.
Dimitri não foi mal comigo nem nada disso, mas ele certamente não saiu do seu caminho para
conversar comigo. Ele conversou com Tasha, no entanto, e eu assisti fascinada enquanto eles
conversavam naquele jeito fácil deles. Eu soube que um bom amigo dele era um primo
distante da família de Tasha; que tinha sido como os dois haviam se encontrado.
“Cinco?” perguntou Dimitri surpreso. Eles estavam discutindo o número de filhos do amigo.
“Eu não ouvi isso.”
Tasha acenou. “É loucura. Eu juro, eu não acho que a esposa dele teve mais de 6 meses de
folga entre os nascimentos. Ela é baixa,também – então ela só ficou mais e mais gorda.”
“Quando eu o encontrei pela primeira vez, ele jurou que ele não queria filhos.”
Os olhos dela cresceram excitados. “Eu sei!Eu não posso acreditar. Você deveria ver agora. Ele
simplesmente derrete perto deles. Eu nem consigo entendê-lo metade do tempo. Eu juro, ele
fala mais língua de bebê do que inglês.”
Dimitri deu um raro sorriso. “Bom...crianças fazem isso com as pessoas.”
“Eu não consigo imaginar isso acontecer com você,” ela riu. “Você é sempre tão severo. É
claro... eu suponho que você usaria a língua de bebê em russo, então ninguém nunca saberia.”
Os dois riram disso, e eu me virei, agradecida por Mason estar lá para conversar com ele. Ele
era uma boa distração pra tudo, porque além de Dimitri me ignorar, Lissa e Christian estavam
conversando em seu próprio mundo também. Sexo parecia ter deixado eles muito mais
apaixonados, e eu me pergunto se eu vou passar algum tempo com ela na viagem de esqui. Ela
eventualmente se afastou para me dar seu presente de natal.
Eu abri a caixa e olhei para dentro.Eu vi um rosário, e o cheiro de rosas flutuou no ar.
“O que ...”
Eu levantei o rosário, e um crucifixo pesado balançou na ponta dele. Ela tinha me dado um
achotki. Era parecido a um rosário, mas menor. Do tamanho de um bracelete.
“Você está tentado me converter?” eu perguntei ironicamente. Lissa não era uma louca
religiosa nem nada assim, mas ela acreditava em Deus e ia a igreja regularmente. Como muitas
famílias Moroi que tinham vindo da Rússia ou do Leste Europeu, ela era Cristã Ortodoxa.
Eu? Eu era basicamente uma Ortodoxa Agnóstica. Eu imagino que Deus provavelmente existe,
mas eu não tinha o tempo ou a energia para investigar. Lissa respeitava isso e nunca tentou
me passar a fé dela, o que fazia o presente ser muito mais estranho.
“Vire ao contrário,” ela disse, claramente entretida com meu choque.
Eu virei. Atrás da cruz, um dragão decorado com flores tinha sido entalhado no outro. O
símbolo dos Dragomir. Eu olhei para ela, estarrecida.
“É uma herança de família,” ela disse. “Um dos melhores amigos de papai tem guardado caixas
dessas coisas. Isso estava lá. Pertencia a guardiã da minha bizavó.”
“Liss...” eu disse. O chotki teve um outro significado. “Eu não posso... você não pode me dar
algo assim.”
“Bem, eu certamente não posso ficar com ele. É para um guardião. Meu guardião.”
Eu enrolei o rosário no meu pulso. A cruz era fria contra a minha pele.
“Você sabe,” eu provoquei,”tem uma boa possibilidade deu ser expulsa da escola antes de
poder me tornar sua guardiã.”
Ela riu.”Bem, quando isso acontecer você devolve.”
Todo mundo riu. Tasha começou a dizer algo, então parou quando olhou para porta.
“Janine!”
Minha mãe estava parada lá, parecendo mais rígida e impassível que nunca.
“Desculpe o atraso,” ela disse.”Eu negócios a tratar.”
Negócios. Como sempre. Mesmo no natal.
Eu senti meu estomago se remexer e calor subiu para as minhas bochechas enquanto os
detalhes da nossa briga vinham a minha mente. Ela nunca mandou uma palavra de
comunicação desde do ocorrido dois dias atrás, nem mesmo quando eu estava na enfermaria.
Nada de desculpas. Nada. Eu cerrei os dentes.
Ela se sentou conosco e logo se juntou a conversa. Fazia muito tempo eu sabia que ela só sabia
falar de uma coisa: assuntos de guardiões. Eu me pergunto se ela tem algum hobbie.O ataque
aos Badica estava na mente de todos, e isso a levou para uma conversa sobre uma luta
parecida que ela esteve. Para meu horror, Mason estava preso no mundo dela.
“Bom, decapitar alguém não é tão fácil quanto parece,” ela disse em seu jeito de “aliás”. Eu
nunca pensei que fosse fácil, mas seu tom sugeriu que ela acreditava que todos achavam que
era moleza. “Você tem que passar pela espinha e os tendões.”
Através da ligação, eu senti Lissa ficar inquieta. Ela não gostava de conversas nojentas.
Os olhos de Mason se iluminaram. “Qual é a melhor arma pra fazer isso?”
Minha mãe considerou. “Um machado. Você coloca mais peso nele.”Ela fez um movimento
ilustrativo.
“Legal,” ele disse. “Cara, eu espero que eles me deixem carregar um machado.” Era uma idéia
cômica e ridícula, já que machados não eram armas convenientes para carregar por aí. Por
meio segundo, a idéia de Mason andando pela rua com uma machado em seus ombros
melhorou meu humor. O momento passou rápido.
Eu honestamente não conseguia acreditar que estávamos tendo essa conversa no natal. A
presença dela tinha azedado tudo. Felizmente, os convidados eventualmente se dispersaram.
Lissa e Christian foram fazer suas próprias coisas, e Dimitri e Tasha aparentemente tinham
mais coisas para conversar. Mason e eu estávamos a caminho do dormitório dos dhampirs
quando minha mãe se juntou a nós.
Nenhum de nós disse nada. Estrelas enchiam o céu. Brilhantes e agudas, seu brilho combinava
com o gelo e a neve ao redor de nós. Eu usava minha capa marfim com pele falsa . Fez um bom
trabalho em manter meu corpo quente, embora eu não fizesse nada contra a rajada de vento
que atingia meu rosto. O tempo todo que andamos, eu fiquei esperando que minha mãe
virasse para a área dos guardiões, mas ela entrou no dormitório conosco.
“Eu estava querendo falar com você,” ela disse finalmente. Meu alarme ligou. O que eu tinha
feito agora?
Isso foi tudo o que ela disse, mas Mason entendeu instantaneamente. Ele não era idiota ou
inconsciente das pistas sociais, embora naquele momento, eu meio que desejava que ele
fosse. Eu também achei irônico que ele quisesse lutar com cada Strigoi no mundo mas tivesse
medo da minha mãe.
Ele me olhou pedindo desculpas, encolheu os ombros e disse, “Hey, eu preciso ir, hum, para
algum lugar. Eu vejo você depois.”
Eu observei com lamento enquanto ele partia, desejando poder correr junto com ele. Minha
mãe provavelmente iria me atacar ou socar meu outro olho se eu tentasse fugir. Melhor fazer
as coisas do jeito dela e acabar logo com isso. Virando inconfortável, eu olhei para ela e
esperei ela falar. Pelo canto dos meus olhos, eu notei algumas pessoas nos olhando.
Lembrando que todo mundo parecia saber que ela tinha me dado um olho roxo, eu de repente
decidi que eu não queria que as testemunhas ao redor vissem qualquer sermão que ela estava
prestes a me dar.
“Você quer, hum, ir para o meu quarto?” eu perguntei.
Ela parecia surpresa, quase em duvida. “Claro.”
Eu a levei para cima, mantendo uma distancia segura enquanto andávamos. Uma grande
tensão se criou entre nós. Ela não disse nada quando chegamos no meu quarto, mas eu a vi
examinar cada detalhe com cuidado, como se um Strigoi pudesse entrar ali. Eu sentei na cama
e esperei ela entrar, sem saber o que fazer. Ela passou seus dedos por uma pilha de livros de
comportamento animal e evolução.
“Esses são para um relatório?” ela perguntou.
“Não. Eu só me interesso por eles, só isso.”
As sobrancelhas dela levantaram. Ela não sabia disso. Mas como ela saberia? Ela não sabia
nada sobre mim. Ela continuou sua avaliação, parando e estudando coisas pequenas que
aparentemente a surpreenderam sobre mim. Uma foto de Lissa e eu vestidas de fadas no
Halloween. Uma bolsa de SweeTarts. Era como se minha mãe estivesse me encontrando pela
primeira vez.
Bruscamente, ela se virou e estendeu sua mão para mim. “Aqui.”
Assustada, eu me inclinei para frente e pus minha palma embaixo da dela. Algo pequeno e frio
caiu na minha mão. Era um pingente redondo, bem pequeno – não era muito maior que uma
moeda de 10 centavos. A base de prata segurava um disco de vidro liso com círculos coloridos.
Franzindo a sobrancelha, eu passei meu dedo pela superfície. Era estranho, mas os círculos
quase pareciam um olho. O interior era menor, como uma pupila. Era um azul tão escuro que
parecia preto. Ao redor tinha um circulo grande de um azul pálido, e que ao redor tinha um
circulo branco. Uma pequena, pequena parte da aquele azul escuro circulava fora do branco.
“Obrigado,” eu disse. Eu não esperava nada dela. O presente era estranho, porque diabos ela
me daria um olho? – mas era um presente. “Eu não... eu não tenho nada pra você.”
Minha mãe acenou, rosto vazio e sem preocupação de novo. “Está tudo bem. Eu não preciso
de nada.”
Ela se virou de novo e começou a andar pelo quarto. Ela não tinha muito espaço para fazer
isso, mas sua altura a fazia dar passos menores. Cada vez que ela passava pela janela na frente
da minha cama, a luz atingia seu cabelo e o iluminava. Eu assisti a curiosidade dela e percebi
que ela estava tão nervosa quanto eu.
Ela parou de andar e olhou para mim. “Como está seu olho?”
“Melhorando.”
“Ótimo,” ela abriu sua boca, e eu tive a sensação que ela estava prestes a se desculpar. Mas
ela não se desculpou.
Quando ela começou a andar de novo, eu decidi que eu não conseguia agüentar ficar parada.
Eu comecei a colocar meus presentes para longe. Eu tinha ganhando uma boa quantidade de
coisas essa manhã. Um deles era um vestido de seda de Tasha, vermelho e bordado com
flores. Minha mãe me assistiu pendurar ele no pequeno armário do quarto.
“Isso foi muito gentil de Tasha.”
“É,” eu concordei. “Eu não sabia que ela ia me dar alguma coisa. Eu gosto muito dela.”
“Eu também.”
Eu virei do armário surpresa e encarei minha mãe. Sua surpresa me encarou. Se eu não
soubesse melhor, eu diria que nós estávamos concordando em algo. Talvez um milagre de
natal tenha acontecido.”
“O guardião Belikov será um bom companheiro para ela.”
“Eu-“ eu pisquei, sem ter certeza do que ela estava falando. “Dimitri?”
“Guardião Belikov,” ela me corrigiu firmemente, ainda não aprovando meu jeito casual de me
dirigir a ele.
“Que...que tipo de companheiro?” eu peguntei.
Ela levantou uma sobrancelha. “Você não ficou sabendo? Ela pediu a ele que fosse seu
guardião – já que ela não tem um.”
Eu senti como se tivesse levado um novo soco. “Mas ele...ele foi designado para cá. E para
Lissa.”
“Arranjos podem ser feitos. E independente da reputação dos Ozera... ela ainda é da realeza.
Se ela forçar, ela pode pegar ele.”
Eu encarei um espaço em branco. “Bom, eu acho que eles são amigos e tudo mais.”
“Mais do que isso – ou possivelmente poderiam ser.”
Bam! Soco de novo.”
“O que?”
“Hmm? Oh. Ela... se interessa por ele.” Pelo tom da minha mãe, era claro que romantismo não
interessava para ela. “Ela estava disposta em ter filhos dhampir, então é possível que eles
eventualmente façam a, um, arranjos se ele for o guardião dela.”
Oh. Meu. Deus.
Tempo parou.
Meu coração parou de bater.
Eu percebi que a minha mãe estava esperando por uma resposta. Ela estava inclinada contra a
mesa, me observando. Ela pode ser capaz de caçar um Strigoi, mas ela era inconsciente dos
meus sentimentos.
“Ele... ele vai fazer isso? Ser o guardião dela?” eu perguntei fracamente.
Minha mãe deu nos ombros. “Eu não acho que ele concordou com isso ainda, mas é claro que
ele vai. É uma ótima oportunidade.”
“É claro,” eu repeti. Porque Dimitri recusaria a chance de ser guardião de uma amiga dele e ter
um filho?
Eu acho que a minha mãe disse algo mais depois disso, mas eu não ouvi. Eu não ouvi nada. Eu
fiquei pensando sobre Dimitri deixando a Academia, me deixando. Eu pensei sobre como ele e
Tasha se davam tão bem. E então, depois disso, minha imaginação começou a improvisar
futuros cenários. Tasha e Dimitri juntos. Se beijando. Nus. Outras coisas...
Eu fechei meus olhos por meio segundo e depois os abri.
“Estou cansada.”
Minha mãe parou no meio da frase. Eu não faço idéia o que ela estava dizendo antes deu
interrompe-la.
“Estou cansada,” eu repeti. Eu podia ouvir o vazio na minha própria voz. Vazio. Nada de
emoções. “Obrigado pelo olho...um, coisa,mas se você não se importa...”
Minha mãe me olhou surpresa, suas feições abertas e confusas. E então, desse jeito, sua
parede de profissionalismo voltou para seu devido lugar. Até aquele momento, eu não tinha
percebido o quanto ela tinha deixado sair. Mas ela tinha. Só por um breve momento, ela se
deixou ficar vulnerável comigo. Aquela vulnerabilidade agora tinha desaparecido.
“É claro,” ela disse duramente. “Eu não quero incomodar você.”
Eu queria dizer a ela que não era isso. Eu queria dizer a ela que eu não estava expulsando ela
por qualquer razão pessoal. E eu queria dizer a ela que eu desejava que ela fosse gentil e
amorosa, uma mãe compreensível que você sempre ouve falar, uma que eu pudesse
conversar. Talvez até uma mãe que eu pudesse discutir minha vida amorosa perturbada.
Deus. Eu queria poder contar a qualquer um sobre isso, na verdade. Especialmente agora.
Mas eu estava presa em meu próprio drama pessoal para dizer uma palavra. Eu me sentia
como se alguém tivesse arrancado meu coração e jogado pelo quarto. Tinha um dor que
queimava e agonizada em meu peito, e eu não fazia idéia como ela podia ser preenchida. Era
uma coisa aceitar que eu não podia ter Dimitri. Era uma algo completamente diferente
perceber que outra pessoa podia.
Eu não disse mais nada para ela porque a minha capacidade de falar não existia mais. Furia
brilhou nos olhos dela, e os seus lábios ficaram lisos naquela expressão de desprazer que ela
normalmente usava. Sem outra palavra, ela se virou e saiu, batendo a porta. Ter batido a porta
era algo que eu também teria feito, na verdade. Eu acho que nós dividimos alguns genes afinal.
Mas eu esqueci dela quase que imediatamente. Eu só fiquei sentada pensando. Pensando e
imaginando.
Eu passei o resto do dia fazendo um pouco mais que isso. Eu não fui no jantar. Eu chorei. Mas
principalmente, eu só fiquei sentada na minha cama pensando e ficando cada vez mais
deprimida. Eu também descobri que a única coisa pior que imaginar Dimitri e Tasha juntos era
lembrar quando eu e ele estávamos juntos. Ele nunca mais me tocaria daquele jeito, nunca me
beijaria de novo...
Esse era o pior natal de todos.