sábado, 17 de março de 2012

A.Vampiro - tocada pelas sombras (capitulo 11)

ONZE
Nos saimos do aviao e fomos atingidos imediatamente por um tempo estrondoso. Granizo caia
em nos, de forma muito pior que a coisa branca em Montana. Estavamos na costa Oeste
agora, ou bem, perto disso. A corte da rainha era em Pennsylvania, perto das Montanhas
Pocono, em um alcance que eu so tinha ideia. Eu sabia que nao era perto de nenhuma cidade
grande, como Philadelphia ou Pittsburgh, que eram as unicas que eu conhecia no estado.
A pista onde pousamos era parte da propriedade da Corte, entao ja estavamos protegidos
pelas wards. Era como a pequena pista de pouso da Academia. Na verdade, de muitos jeitos, a
Corte Real foi feita exatamente como a escola. Era o que eles diziam aos humanos que era, na
verdade. A Corte era uma colecao de predios, lindos e ornamentados, que se espalhavam por
lindas terras adornadas com arvores e flores. Pelo menos, a terra seria adornada com elas
quando a primavera vinha. Assim como em Montana, a vegetacao era deserta e sem folhas.
Nos fomos recebidos por um grupo de 5 guardioes, todos bem vestidos com calcas pretas e
casacos combinando, com camisetas brancas por baixo. Nao eram uniformes exatamente, mas
o costume normalmente diz que para ocasioes formais, guardioes usem algum tipo de
conjunto. Comparando, nossas jeans e camisetas, nosso grupo parecia pobre. Mas ainda sim
nao podia deixar de pensar que estavamos estariamos muito mais confortaveis se houvesse
uma luta com Strigoi.
Os guardioes conheciam Alberta e Dimitri – honestamente, aqueles dois conheciam todo
mundo – e depois de algumas formalidades, todos relaxaram e ficaram amigaveis. Estavamos
todos ansiosos para sair do frio, e nossa escolta nos levou ate os predios. Eu sabia o suficiente
sobre a Corte que os maiores e mais elaborados predios eram onde todos os negocios Moroi
oficial aconteciam. Lembrava um tipo de palacio gotico por fora, mas por dentro, eu
suspeitava que provavelmente parecia algum tipo de instalacao do governo.
Nao fomos levados la, no entanto. Nos fomos levados para outro predio adjacente, tao lindo
por fora quanto os outros, mas da metade do tamanho. Um dos guardioes explicou que ali era
onde todos os convidados e dignitarios que estavam viajando para dentro e fora da Corte
ficavam. Para a minha surpresa, cada um fomos para um quarto.
Eddie comecou a protestar, dizendo que precisava ficar com Lissa. Dimitri sorriu e disse a ele
que nao era necessario. Num lugar como esse, guardioes nao precisavam ficar perto de seus
Moroi. Na verdade, muitas vezes eles se separavam e iam fazer suas proprias coisas. A Corte
era mais segura que a Academia. E na verdade, os visitantes Moroi na Academia tambem
raramente eram seguidos por seus guardioes. Era so pela nossa experiencia de campo que isso
estava sendo feito conosco. Eddie concordou com alguma relutancia,e de novo, eu estava
espantada com dedicacao dele.
Alberta falou brevemente e entao retornou para o resto de nos. “Va descansar um pouco e se
apronte para o jantar em algumas horas. Lissa, a rainha quer falar com voce em uma hora.”
Um pulso de surpresa passou por Lissa, e ela e eu trocamos olhares admirados. A ultima vez
que Lissa tinha visto a rainha, Tatiana tinha esnobado e embaracado ela na frente da escola
por ter fugido comigo. Nos duas nos perguntamos porque ela queria ver Lissa agora.
“Claro,” disse Lissa. “Rose e eu estaremos prontas.”
Alberta balancou a cabeca. “Rose nao vai. A rainha pediu especificamente para falar com voce
sozinha.”
E claro que ela tinha. Que interessa a rainha teria na sombra de Vasilisa Dragomir? Uma voz
suja falou em minha cabeca, descartavel, descartavel...
O sentimento negro cresceu em mim, e eu o coloquei de lado. Eu fui para meu quarto, aliviada
por ver que tinha uma TV. A ideia de vegetar pelas proximas horas soava fantastica. O resto do
quarto era bem chique, estilo muito moderno, com mesas prestas e moveis brancos. Eu estava
meio com medo de sentar neles. Ironicamente, apesar do quao bonito era, o lugar como o
hotel de esqui que tinhamos ficado nas ferias. Eu suponho que quando se trata da Corte Real,
voce veio a negocios, nao em ferias.
Eu tinha acabado de me espalhar no sofa de couro e ligado a TV quando senti Lissa na minha
mente. Venha conversar, ela disse. Eu levantei, surpresa com a mensagem e seu conteudo.
Normalmente nossa ligacao era toda sobre sentimentos e impressoes. Pedidos especificos
como esse eram raros.
Eu levantei e sai do meu quarto, indo para a porta ao lado. Lissa abriu.
“O que, voce nao podia ir falar comigo?” eu perguntei.
“Desculpe,” ela disse, parecendo como se falasse a verdade. Era dificil ser mau humorada com
alguem tao bom. “Eu so nao tinha tempo. Estou tentando decidir o que usar.”
A mala dela ja estava aberta na cama, com coisa penduradas no armario. Diferente de mim,
ela veio preparada para cada ocasiao, formal e casual. Eu sentei no sofa. O dela era de veludo,
nao couro.
“Use a blusa estampada com a calca preta,” eu disse a ela. “Nao um vestido.”
“Porque nao um vestido?”
“Porque voce nao quer parecer que esta rastejando nos pes dela.”
“Essa e a rainha, Rose. Se arrumar mostra respeito, nao puxacao de saco.”
“Se voce diz.”
Mas Lissa usou a roupa que eu sugeri. Ela conversou comigo enquanto terminava de se
arrumar, e eu observei com inveja enquanto ela aplicava a maquiagem. Eu nao percebi o
quanto eu sentia falta de cosmeticos. Quando ela e eu vivemos com humanos, eu fui muito
severa em me arrumar todo dia. Agora, nunca parecia ter tempo o suficiente –ou nenhuma
razao. Eu estava sempre em algum tipo de situacao que fazia da maquiagem uma inutilidade e
a estragava de qualquer forma. O maximo que eu podia fazer era passar no meu rosto um
creme hidratante. Parecia excessivo de manha –como se eu estivesse colocando uma mascara
–mas ainda sim na hora que eu encarava a agua fria e outras condicoes duras, estava sempre
surpresa por ver minha pele sugar todo o creme.
Um pouco de arrependimento se apoderou de mim por eu ter poucas oportunidades de fazer
isso o resto da minha vida. Lissa iria passar a maior parte da sua vida se arrumando, com
funcoes da realeza. Ninguem ira me notar. E estranho, considerando que ate o ano passado,
eu fui sempre aquela a ser notada.
“Porque voce acha que ela quer me ver?” Lissa perguntou.
“Talvez para explicar porque estamos aqui.”
“Talvez.”
Agitacao encheu Lissa, apesar da calma exterior. Ela ainda nao tinha se recuperado
inteiramente da humilhacao que a rainha a tinha feito passar no outono. Minha propria inveja
patetica e mau humor de repente pareciam idiotas comparados com o que ela tinha que
passar. Eu mentalmente me bati, me lembrando que eu nao era so sua guardia invisivel. Eu
tambem era sua melhor amiga, e nos nao conversamos muito ultimamente.
“Voce nao tem nada para temer, Lissa. Voce nao fez nada errado. E na verdade, voce tem feito
tudo certo. Suas notas sao perfeitas. Seu comportamento e perfeito. Lembra de todas aquelas
pessoas que voce impressionou na viagem de esqui? Aquela vaca nao tem nada para reclamar
de voce.”
“Voce nao deveria dizer isso,” disse Lissa automaticamente. Ela colocou mais rimel nos cilios,
os observou, e entao adicionou outra camada.
“So chamo ela como a vejo. Se ela te der alguma repreensao vai ser porque ela tem medo de
voce.”
Lissa riu. “Porque ela deveria ter medo de mim?”
“Porque as pessoas sao atraidas por voce, e pessoas como ela nao gostam quando outros
chamam atencao.” Eu estava um pouco surpresa por quao sabia eu soava. “Alem do mais, voce
e a ultima Dragomir. Voce sempre esta na frente dos holofotes. Quem e ela? So outra
Ivashkov. Tem varios deles. Provavelmente porque todos os caras sao como Adrian e tem todo
tipo de filhos ilegitimos.”
“Adrian nao tem filhos.”
“Que a gente saiba,” eu disse misteriosamente.
Ela riu e se afastou do espelho, satisfeita com sua aparencia. “Porque voce e sempre tao ma
com o Adrian?”
Eu dei a ela um olhar de surpresa zombada. “Voce esta defendendo Adrian agora? O que
aconteceu com o aviso para ficar longe dele? Voce praticamente arrancou minha cabeca da
primeira vez que eu encontrei com ele –e nao foi nem por escolha minha.”
Ela tirou um lenco dourado de sua mala e tentou colocar ele ao redor do pescoco. “Bem, e...
eu nao o conhecia. Ele nao e tao ruim. E e verdade, ele nao e um grande modelo, mas eu
tambem acho que aquelas historias sobre ele e as outras garotas sao exageradas.”
“Eu nao acho,” eu disse, pulando. Ela ainda nao tinha conseguido arrumar o lenco, entao eu p
peguei e arrumei para ela.
“Obrigado,” ela disse, passando suas maos pelo laco no pescoco. “Eu acho que Adrian
realmente gosta de voce. Tipo, do jeito eu-quero-ficar-serio.”
Eu balancei a cabeca e dei um passo para tras.”Nao. Ele gosta de mim no jeito eu-quero-tiraras-
roupas-da-fofa-dhampir.”
“Eu nao acredito nisso.”
“Isso porque voce acredita no melhor lado de todos.”
Ela parecia cetica quando comecou a escovar seu cabelo suave por cima de seus ombros. “Eu
tambem nao sei sobre isso. Mas eu acho que ele nao e uma ma pessoa. Eu sei que nao faz
tanto tempo desde o Mason, mas voce deveria pensar em sair com outra pessoa...”
“Use seu cabelo preso.” Eu entreguei uma tiara que estava na sua mala. “Mason e eu nao
estavamos realmente saindo.Voce sabe disso.”
“Sim. Bem, acho que essa e mais uma razao para comecar a sair de novo. Colegial nao acabou
ainda. Voce deveria estar fazendo algo divertido.”
Divertido. Que ironico. Meses atras, eu discuti com Dimitri sobre nao ser justo que,como uma
guardia em treinamento, eu tinha que cuidar da minha reputacao e nao fazer coisas loucas. Ele
concordou que nao era justo eu nao poder fazer as mesmas coisas que as garotas da minha
idade, mas esse era o preco a pagar pelo meu futuro. Eu fiquei chateada, mas depois do
encontro com Victor, eu comecei a ver que Dimitri tinha razao –a tal extensao que ele avisou
que eu nao deveria me limitar tanto assim. Agora, depois de Spokane, eu me sentia como uma
garota completamente diferente daquela que falou com Dimitri no outono sobre se divertir. So
falta alguns meses pra formatura. Coisas do ensino medio... dancas... namorados... o que elas
importam no grande cenario das coisas? Tudo na Academia parece trivial –a nao ser o que me
faz ser uma guardia melhor.
“Eu nao acho que eu preciso de um namorado para completar minha experiencia escolar,” eu
disse a ela.
“Eu tambem nao acho que voce precisa,” ela concordou, arrumando seu rabo de cavalo. “Mas
voce costumava flertar e sair as vezes. Eu acho que vai ser bom pra voce fazer um pouco disse.
Nao e como se voce tivesse que ter algo serio com o Adrian.”
“Bem, eu nao vou ter nenhuma discussao com ele sobre isso. Acho que a ultima coisa que ele
quer e algo serio, esse e o problema.”
“Bom, de acordo com algumas historias, ele esta bem serio. Eu ouvi o outro dia que voces
estavam noivos. Alguem disse que ele foi deserdado porque ele disse ao pai que nunca amaria
mais ninguem.”
“Ahhhh.” Nao havia uma resposta adequada para esse tipo idiota de rumor. “A coisa bizarra e
que as mesmas historias estao no campos do ensino fundamental tambem.” Eu encarei o teto.
“Porque essas coisas ficam acontecendo comigo?”
Ela andou ate o sofa e olhou para mim, “Porque voce e incrivel, e todo mundo ama voce.”
“Bem, entao, nos somos as duas incriveis e amadas. E um desses dias” –uma faisca enganosa
dancou nos olhos dela –“vamos encontrar um cara que voce tambem ame.”
“Nao espere de pe. Nada disso importa. Nao agora. Voce e a unica com quem eu tenho que me
preocupar. Nos vamos nos formar, e voce vai pra faculdade, e vai ser otimo. Nada mais de
regras, so nos por nossa conta.”
“E um pouco assustador,” ela disse. “Pensar em estar por minha conta. Mas voce vai estar
comigo. E Dimitri tambem.” Ela encarou. “Nao consigo imaginar nao ter voce por perto. Eu
nem consigo lembrar quando voce nao estava.”
Eu sentei e dei um leve soco no braco dela. “Hey, cuidado. Voce vai deixar Christian com
ciumes. Oh merda. Eu suponho que ele vai estar por perto, huh? Nao importa onde voce acabe
indo?”
“Provavelmente. Voce, eu, ele, Dimitri, e qualquer guardiao que estiver com Christian. Uma
grande familia feliz.”
Eu ridicularizei, mas por dentro, tinha um sentimento quente e confuso se formando. As coisas
estao loucas no nosso mundo agora, mas eu tenho todas essas grandes pessoas na minha vida.
Desde que fiquemos juntos, tudo vai ficar bem.
Ela olhou para o relogio, e seu medo retornou. “Eu tenho que ir. Voce vai... voce vai comigo?”
“Voce sabe que nao posso.”
“Eu sei... nao fisicamente... mas tipo, voce vai fazer aquilo?Quando voce assiste pela minha
cabeca? Vai me fazer sentir que nao estou sozinha.”
Era a primeira vez que Lissa me pediu para propositalmente fazer isso. Normalmente, ela
odiava pensar que eu estava vendo tudo pelos olhos dela. Era um sinal do quao nervosa ela
estava.
“Claro,” eu disse.”E provavelmente melhor do que qualquer outra coisa na TV de qualquer
forma.“
Eu voltei para meu quarto, tomando uma posicao identica a que eu estava antes no sofa.
Limpando meus pensamentos, eu me abri para mente de Lissa, indo alem de simplesmente
saber seus sentimentos. Era algo que a ligacao de uma shadow-kissed me permitia fazer e era
a parte mais intensa da nossa conexao. Nao era so sentir os pensamentos dela –era estar
dentro dela, olhando atraves dos olhos dela e dividindo as mesmas experiencias. Eu aprendi a
controlar recentemente. Eu costumava fazer isso sem querer, por mais que as vezes eu
mantivesse os sentimentos dela fora de mim. Eu podia controlar minhas experiencias “fora do
carpo” agora e ate resolver quando usa-las –assim como eu estava prestes a fazer.
Lissa tinha acabado de chegar na sala em que a rainha estava esperando. Moroi podem usar
termos como “majestade” e ate se ajoelhar as vezes, mas nao tinha um trono ou algo assim
aqui. Tatiana estava sentada numa cadeira comum, vestida com uma saia azul marinho e um
blazer, parecendo mais uma mulher de negocios que algum tipo de monarca. Ela tambem nao
estava sozinha. Uma Moroi alto cujo cabelo loiro tinha mexas pratas, estava sentado perto
dela. Eu reconheci ela: Priscilla Voda, a amiga e conselheira da rainha. Nos a conhecemos na
viagem de esqui, e ela se impressionou com Lissa. Eu tomei a presenca dela como um bom
sinal. Guardioes silenciosos, vestidos em preto e branco, estavam perto da parede. Para minha
surpresa, Adrian tambem estava ali. Ele estava sentado em um pequena cadeira
completamente inconsciente ao fato de estar com o lider maximo dos Moroi. O guardiao com
Lissa a anunciou.
“Princesa Vasilisa Dragomir.”
Tatiana acenou em reconhecimento. “Bem Vinda, Vasilisa. Por favor sente-se.”
Lissa sentou perto de Adrian, sua apreensao crescendo. Um servo Moroi veio para oferecer
cha ou cafe, mas Lissa nao aceitou. Enquanto isso Tatiana pegou sua xicara de cha e avaliou
Lissa da cabeca as pes. Priscilla Voda quebrou o estranho silencio.
“Lembra o que eu disse sobre ela??” Priscilla perguntou alegremente. “Ela foi muito
impressionante no jantar em Idaho. Encontrou uma solucao para a discussao sobre os Moroi
lutarem com os guardioes. Ela ate conseguiu acalmar o pai de Adrian.”
Um sorriso gelado apareceu nas feicoes frias de Tatiana. “Isso e impressionante. Na metade do
tempo, eu ainda acho que Nathan tem 12 anos.”
“Eu tambem,’ disse Adrian, bebendo uma taca de vinho.
Tatiana o ignorou e de novo se focou em Lissa. “Todos parecem impressionados com voce, na
verdade. Eu nao ouvi nada a nao ser coisas boas sobre voce, apesar das transgressoes
passadas... que pelo que eu entendi nao foram inteiramente sem razao.” O jeito surpreso de
Lissa fez a rainha rir. Nao havia muito calor ou humor na risada, no entanto. “Sim, sim... eu sei
sobre seus poderes, e e claro eu sei o que aconteceu com Victor. Adrian me contou sobre o
Espirito tambem. E tao estranho. Me diga...voce pode...” Ela olhou para uma mesa ali perto. Ali
tinha um vaso de flor, as flores pretas. Era um tipo de planta que alguem estava cultivando no
lado de fora. Como seus companheiros de rua, ela estava esperando a primavera chegar.
Lissa hesitou. Usar seus poderes na frente de outros era uma coisa estranha para ela. Mas,
Tatiana estava observando com expectativa. Depois de alguns momentos, Lissa se inclinou
sobre a planta e a tocou. As raizes levantaram da terra, ficando mais fortes –quase 30
centimetros. Grandes flores se formaram dos lados enquanto a planta crescia, se abrindo e
revelando a fragrancia de uma flor branca. Lilas do Leste. Lissa retirou sua mao.
Fascinacao apareceu no rosto de Tatiana, enquanto ela murmurava numa lingua que eu nao
entendi. Ela nao tinha nascido nos Estados Unidos mas havia escolhido colocar sua Corte aqui.
Ela falava com nenhum sotaque, mas, como com Dimitri, momentos de surpresa
aparentemente a faziam falar em sua lingua nativa. Em segundos, ela se recompos.
“Hmm. Interessante,’ ela disse. Em falar em discurso.
“Poderia ser muito util,” disse Priscilla. “Vasilisa e Adrian podem ser os unicos com isso. Se
pudessemos encontrar outros, tanto poderia ser aprendido. O poder de cura ja e um dom, sem
contar tudo mais que eles podem conjurar. So pense no que podemos fazer com isso.”
Lissa ficou otimista. Ha um tempo, ela tem procurado sozinha por outros como ela. Adrian foi
o unico que ela descobriu, e isso por pura sorte. Se a rainha e o conselho dos Moroi
colocassem seus recursos nisso, nao havia como dizer o que eles poderiam encontrar. Mas
ainda sim, algo sobre as palavras de Priscilla incomodaram Lissa.
“Me desculpe, Princessa Voda... nao tenho certeza se deviamos estar tao ansioso em usar o
meu –ou de outros –poderes de cura por mais que voce queira.”
“Porque nao?” perguntou Tatiana. “Pelo que eu entendi, voce pode curar praticamente tudo.”
“Eu posso...” disse Lissa devagar. “E eu quero. Eu queria poder ajudar a todos, mas nao posso.
Eu quero dizer, nao me entenda mal, eu definitivamente vou ajudar algumas pessoas. Mas sei
que vamos encontrar outras pessoas como Victor, que querem abusar. E depois de um
tempo... eu quero dizer, como escolher? Quem vive? Parte da vida e... bem, algumas pessoas
tem que morrer. Meus poderes nao sao uma prescricao que voce pode pedir mais sempre que
precisar, e honestamente, eu temo que so seria usado para, uh, certos tipos de pessoa. Assim
como os guardioes sao.”
Uma leve tensao se criou na sala. O que Lissa insinuou era raramente mencionado em publico.
“O que voce esta falando?” perguntou Tatiana com olhos estreitos. Eu pude notar que ela ja
sabia.
Lissa estava com medo de dizer suas proximas palavras, mas ela disse mesmo assim. “Todos
sabem que tem um certo, um, metodo de como os guardioes sao distribuidos. Apenas a elite
os tem. A realeza. Pessoas ricas. Pessoas no poder.”
Um calafrio atingiu a sala. A boca de Tatiana permaneceu em uma linha. Ela nao falou por
varios segundos, e eu tive o pressentimento que todos estavam segurando sua respiracao. Eu
certamente estava. “Voce nao acha que a realeza merece protecao especial?” ela perguntou
finalmente. “Voce nao acha que voce merece –a ultima dos Dragomirs?”
“Eu acho que manter nossos lideres a salvo e importante, sim. Mas eu tambem acho que
precisamos parar as vezes e ver o que estamos fazendo. Pode ser hora de reconsiderar o jeito
que fazemos as coisas.”
Lissa soava tao sabia e segura. Eu estava orgulhosa dela. Prestando atencao em Priscilla Voda,
eu podia ver que ela tambem estava orgulhosa. Ela sempre gostou de Lissa. Mas eu tambem
podia perceber que Priscilla estava nervosa. Ela respondia a rainha e sabia que Lissa estava
nadando em aguas perigosas.
Tatiana bebeu seu cha. Eu acho que foi uma desculpa para organizar seus pensamentos. “Eu
entendo,” ela disse, “que voce tambem e a favor dos Moroi lutarem com os guardioes e atacar
os Strigoi?”
Outro topico perigoso, um que Lissa insistiu. “Eu acho que tem Moroi que se desejam, nao
devem ter a oportunidade negada.”Jill de repente apareceu na mente dela.
“A vida dos Moroi sao preciosas,” disse a rainha. “Elas nao devem ser arriscadas.”
“A vida dos dhampir tambem sao preciosas,” Lissa respondeu. “Se eles lutarem com os Moroi,
poderia salvar todos. E de novo, se os Moroi quiserem, porque negar a elas? Eles merecem
saber como se defender. E pessoas como Tasha Ozera desenvolveram jeitos de lutar usando
magia.”
A mencao a tia de Christian trouxe uma expressao carrancuda ao rosto da rainha. Tasha tinha
sido atacada por Strigoi quando era mais nova e passado o resto de sua vida aprendendo a se
defender. “Tasha Ozera... ela e uma problematica. Ela esta comecando a reunir muitos outros
problematicos.”
“Ela esta tentando introduzir novas ideias.” Eu notei que Lissa nao estava mais com medo. Ela
estava confiante em suas crencas e queria expressar elas. “Atraves da historia, pessoas com
novas ideias –que pensam de forma diferente e tentam mudar as coisas –sempre foram
chamadas de problematicas. Mas serio? Voce quer a verdade?”
Uma expressao divertida apareceu no rosto de Tatiana, quase um sorriso. “Sempre.”
“Nos precisamos mudar. Eu quero dizer, nossas tradicoes sao importantes. Nao devemos
desistir delas. Mas as vezes, eu acho que a gente se engana.”
“Se engana?”
“Enquanto o tempo passa, nos mudamos. Nos evoluimos. Computadores. Eletricidade.
Tecnologia em geral. Todos concordamos que eles nos fazem viver melhor. Porque nao pode
ser do mesmo jeito em como agimos? Porque ainda estamos apegados ao passado quando
tem jeitos melhores de fazer as coisas?”
Lissa estava sem ar, excitada e inquieta. Suas bochechas estavam quentes, seu coracao batia
rapidamente. Todos nos estavamos observando Tatiana, procurando qualquer pista em seu
rosto de marmore.
“Voce e muito interessante para conversar,” ela finalmente disse. Ela fez ‘interessante’ parecer
uma palavra suja. “Mas eu tenho coisas a fazer agora.” Ela levantou, e todos se apressaram
para seguir seu passo, ate Adrian. “Eu nao vou me juntar a voce para jantar, mas voce e seus
companheiros vao ter tudo que precisam. Eu vejo voce amanha no julgamento. Nao importa o
quao radicais e ingenuas sejam suas ideias, estou feliz por voce estar la para completar a
sentenca dele. Sua prisao, pelo menos, e algo que todos podemos concordar.”
Tatiana saiu, dois guardioes imediatamente a seguiram. Priscilla tambem a seguiu, deixando
Lissa e Adrian sozinhos.
“Muito bem, prima. Nao tem muitas pessoas que deixam a rainha despreparada daquele
jeito.”
“Ela nao parecia despreparada.”
“Oh, ela estava. Acredite em mim. A maioria das pessoas com quem ela lida todo dia nao fala
com ela desse jeito, muito menos pessoas da sua idade.” Ele levantou e estendeu uma mao
para Lissa. “Anda. Eu vou mostrar o lugar para voce. Para distrair um pouco.”
“Eu ja estive aqui antes,” ela disse. “Quando era mais nova.”
“E, bem, as coisas que voce viu quando era jovem sao diferentes das coisas que voce vai ver
agora que e mais velha. Voce sabia que tem um bar 24 horas aqui? Vamos te pegar um drink.”
“Eu nao quero um drink.”
“Voce vai querer antes dessa viagem terminar.”
Eu deixei a cabeca de Lissa e voltei ao meu quarto. O encontro com a rainha estava acabado, e
Lissa nao precisava do meu invisivel suporte. Alem do mais, eu nao queria ver Adrian agora.
Me sentando, eu descobri que estava surpreendentemente alerta. Estar na cabeca dela foi
meio como tirar um cochilo.
Eu decidi fazer uma exploracao sozinha. Eu nunca estive na Corte real. Deveria ser como uma
pequena cidade, e eu me perguntava o que mais tinha para ver, fora o bar que Adrian
provavelmente vivia visitando.
Eu me dirigi para o andar de baixo, imaginando que eu tinha que sair. Ate onde eu sabia, esse
predio era apenas para convidados. Era como um palacio hotel. Quando eu cheguei na
entrada, no entanto, eu vi Christian e Eddie parados e falando com alguem que eu nao
conseguia ver. Eddie, sempre vigilante, me viu rapidamente.
“Hey, Rose. Veja quem eu achei.”
Eu me aproximei, Christian deu um passo para o lado, revelando a pessoa misteriosa. Eu levei
um susto, e ela riu para mim.
”Ola, Rose.”
Um momento mais tarde, eu senti um sorriso vagarosamente aparecer no meu rosto. “Ola,
Mia.

A.Vampiro - tocada pelas sombras (capitulo 10)

DEZ
No dia seguinte, voltei as minhas funcoes como guardia de Christian. De novo, minha vida foi
posta de lado para outra pessoa.
“Como foi sua penitencia?” ele perguntou enquanto cruzavamos o campus.
Eu segurei um bocejo. Eu nao consegui dormir, devido a meus sentimentos por Dimitri e por
causa do que o Padre Andrew tinha me contado. Ainda sim, eu mantive um olhar afiado. Esse
era o local onde Stan ja tinha nos atacado duas vezes,e alem do mais, os guardioes eram
doentes e problematicos o suficiente para vir atras de mim quando eu estava tao exausta.
“Foi ok. O padre nos deixou sair mais cedo.”
“Nos?”
“Dimitri apareceu para me ajudar. Eu acho que ele sentia mal por mim ficar presa com aquele
trabalho.”
“Ou isso ou ele nao tinha mais nada para fazer agora que ele nao esta fazendo treinamentos
extras.”
“Talvez, mas eu duvido. No geral, eu acho que nao foi um dia ruim.” A nao ser que voce
considere aprender sobre fantasmas.
“Eu tive um dia otimo,” disse Christian, uma menor quantidade de presuncao em sua voz.
Eu reprimi a vontade de virar os olhos. “E, eu sei.”
Ele e Lissa tinham se aproveitado da falta de guardioes para se aproveitar um do outro. Eu
suponho que eu deveria ter ficado feliz por eles esperarem ate Eddie e eu nao estarmos por
perto, mas em muitas formas, nao importava. Verdade, quando estava acordada, eu podia
bloquear todos os detalhes, mas eu ainda sabia o que o que estava acontecendo. Um pouco de
inveja e raiva que eu sentia pela ultima vez que eles estiveram juntos retornou. Era o mesmo
problema todo de novo: Lissa estava fazendo todas as coisas que eu nao podia.
Eu estava morrendo de vontade para comer cafe. Eu podia sentir o cheiro de torradas e xarope
de bordo. Carboidratos e mais carboidratos. Ymm. Mas Christian queria sangue antes de
comer comida solida, e as necessidades dele venceram as minhas. Eles vem primeiro. Ele
aparentemente tinha pulado sua alimentacao diaria de sangue ontem –provavelmente para
maximizar o tempo romantico.
O a sala de alimentacao nao estava cheia, mas nos ainda sim tivemos que esperar.
“Hey,” eu disse. “Voce conhece Brett Ozera? Voces sao parentes, certo?” Depois do meu
encontro com Jill, eu finalmente coloquei os quebra-cabecas juntos. Brett Ozera e Dane Zeklos
como Brandon parecia no dia do primeiro ataque de Stan. O desastre do ataque me fez
esquecer completamente sobre Brandon, mas a coincidencia aqui finalmente agucou minha
curiosidade. Todos os tres tinham apanhado.Os tres estavam negando.
Christian acenou. “E, de certa forma todos parentes.Eu nao o conheco tao bem –ele e tipo um
primo de 3o ou 4o grau. Seu lado da familia nao tem muito a ver comigo desde...bem, voce
sabe,”
“Eu ouvi algo estranho sobre isso.” Entao em relacionei o que Jill tinha me dito sobre Dane e
Brett.
“Isso e estranho,” concordou Christian. “Mas pessoas brigam.”
“E, mas tem algo estranho aqui. E a realeza normalmente nao se mete em brigas –todos eles
sao.
“Bem, talvez seja isso.Voce sabe como e.Muitos da realeza estao se irritando com quem nao e
nobre e querendo mudar a forma dos guardioes serem selecionados para Moroi e querem
lutar. Esse e todo o ponto do clube idiota do Jesse e do Ralf. Eles querem se certificar que a
realeza fique por cima. Os plebeus provavelmente estao ficando putos e querem lutar.”
“Entao,o que, algum tipo de vigilante esta fazendo a realeza pagar?”
“Nao seria a coisa mais estranha que aconteceu por aqui,” ele apontou.
“Isso com certeza,” eu murmurei.
O nome de Christian foi chamado, e ele deu uma olhada. “Olhe pra isso,” ele disse feliz.”Alice
de novo.”
“Eu nao entendo sua fascinacao por ela,” eu apontei enquanto nos aproximavamos da velha
alimentadora.”Lissa sempre esta meio excitada em ver ela tambem. Mas Alice e louca.”
“Eu sei,’ ele disse. “Por isso que e tao bom.”
Alice nos cumprimentou enquanto Christian sentava ao lado dela. Eu me inclinei contra a
parede, bracos cruzados sobre o peito. Me sentindo inquieta, eu disse, “Alice, o cenario nao
mudou. Esta exatamente o mesmo da ultima vez.”
Ela virou seu olhar deslumbrado para mim.”Paciencia, Rose. Voce deve ser paciente. E
preparada. Voce esta preparada?”
A mudanca no assunto, me deixou um pouco anime. Era como falar com Jill, a nao ser que ela
era menos sa.”Um, me preparar como? Para o cenario?”
No que era uma ironia, ela olhou para mim como se eu fosse gorda. “Armada. Voce esta
armada? Voce vai nos proteger, nao vai?”
Eu pus minha mao dentro do meu casaco e tirei minha estaca de pratica que foi me dada para
a experiencia de campo. “Eu te cubro,” eu disse.
Ela parecia imensamente aliviada e aparentemente nao pode diferenciar uma estava de
verdade de uma falsa.”Otimo,” ela disse. “Agora estaremos seguros.”
“Isso mesmo,” disse Christian.”Com Rose armada, nao temos nada para nos preocupar. O
mundo Moroi pode descansar traquilo.”
Alicia nao percebeu o sarcasmo dele. “Sim.Bem,agora aqui e seguro.”
Eu escondi a estaca de novo. “Estamos a salvo. Temos os melhores guardioes do mundo nos
protegendo, sem mencionar as wards. Strigoi nao podem entrar aqui.”
Eu nao acrescentei o que recentemente tinha descoberto: que Strigoi podiam fazer humanos
quebrar as wards. Wards eram linhas invisiveis de poder que eram compostas dos 4
elementos. Elas eram criadas por 4 Moroi, cada um controlando um elemento, andava pela
area e fazia um circulo de magia no chao, criando uma barreira protetora. A magia dos Moroi
era cheia de vida, e um forte campo mantinha os Strigoi longe, ja que eles nao tinham vida.
Entao wards frequentemente eram colocadas em residencias Moroi. Varias delas estavam ao
redor da escola. Ja que estacas tambem tinham os 4 elementos, se podia perfurar atraves de
uma ward com a estaca e cancelar os efeitos protetores. Isso nunca tinha sido uma
preocupacao ja que Strigoi nao podem tocar nas estacas. No entanto, em um ataque recente,
humanos –que podem tocar nas estacas –tinha ajudado os Strigoi e quebrado algumas wards.
Nos acreditavamos que o Strigoi que eu matei tinha sido o chefe do grupo, mas eu ainda nao
tinha certeza.
Alice me estudou de perto com seus olhos enevoados, quase como se pudesse ver o que eu
estava pensando. “Nenhum lugar e seguro. Wards somem. Guardioes morrem.”
Eu olhei para Christian, que riu de um jeito “o que voce esperava dela?”
“Se voces ja terminaram com suas conversas de garota, posso comer agora?” ele perguntou.
Alice estava mais que feliz em obedecer; ele era a o primeiro que ela alimentava no dia. Ela
logo esqueceu sobre wards e tudo mais e simplesmente se perdeu no estase da mordida dele.
Eu esqueci das wards tambem. Eu tinha uma preocupacao, na verdade: Eu ainda queria saber
se Mason era real ou nao. Deixando de lado a explicacao do padre, eu tinha que admitir que as
visitas de Mason nao tinham sido ameacadoras, so assustadoras. Se ele queria me pegar, ele
nao estava fazendo um trabalho muito bom. De novo, eu comecei a me puxar para a teoria do
estresse e da fadiga.
“Agora e hora deu comer,” eu disse quando Christian terminou. Eu tinha certeza que eu podia
sentir o cheiro de bacon. Isso provavelmente deixou Christian feliz. Ele podia comer sua
torrada.
Nos mal entramos no salao quando Lissa veio correndo na nossa direcao, Eddie atras dela.
Excitacao estava no rosto dela, embora os sentimentos nao fossem exatamente feliz.
“Voce ficou sabendo?” ela perguntou, um pouco sem ar.
“Soube o que?” eu perguntei.
“Voce tem que se apressar –va arrumar suas coisas. Vamos ao julgamento de Victor. Agora.”
Nao houve aviso sobre quando seria o julgamento de Victor, muito menos que alguem decidiu
que nos iriamos. Christian e eu trocamos olhares rapidos, entao nos apressamos para o quarto
dele para pegar nossas coisas.
Se arrumar foi rapido. Minha mala ja estava pronta, e Christian levou apenas um minuto para
juntar suas coisas. Em menos de meia hora, estavamos nos jardins de fora da Academia. Dois
jatos privados estavam a nossa disposicao, cada um cheio de combustivel e pronto para partir.
Alguns Moroi se preocuparam sobre fazer coisas de ultimo minuto com o aviao.
Ninguem parecia saber o que estava acontecendo. Simplesmente tinham dito a Lissa que ela,
Christian, e eu iriamos testemunhar e que Eddie podia ir junto para continuar a experiencia de
campo. Nao houve explicacao do porque as coisas tinham mudado, e uma estranha mistura de
ansia e apreensao estava ao nosso redor. Todos queriamos ver Victor preso pra sempre, mas
agora que realmente encaravamos a realidade do julgamento e ver ele –bem, era meio
assustador.
Alguns guardioes se demoraram a entrar no aviao. Eu reconheci um deles como um dos que
tinham ajudado a capturar Victor. Eles provavelmente estariam no protegendo e tambem
testemunharia. Dimitri estava perto dos outros, e eu corri para perto dele.
“Eu sinto muito,” eu pus pra fora. “Eu sinto muito.”
Ele se virou para mim, seu rosto naquela perfeita figura de neutralidade que ele sempre
mantinha. “Desculpe pelo que?”
“Por todas as coisas terriveis que eu disse ontem. Voce conseguiu –voce realmente
conseguiu. Voce fez eles deixarem a gente ir.”
Apesar do meu nervosismo sobre ver Victor, eu estava cheia de deleite. Dimitri tinha
conseguido. Eu sempre soube que ele se importava comigo –e isso provava. Se nao tivesse
tantas pessoas ao nosso redor, eu teria abracado ele.
O rosto de Dimitri nao mudou. “Nao fui eu, Rose. Eu nao tive nada a ver com isso.”
Alberta disse que podiamos embarcar, e nos nos apressamos para nos juntar aos outros. Eu
congelei por um momento, observando ele e tentando descobrir o que aconteceu. Se ele nao
tinha intercedido, entao porque estavamos indo? Os esforcos diplomaticos de Lissa nao
tinham surtido efeito.Porque a mudanca de ideia?
Meus amigos ja tinham embarcado, entao me apressei para alcancar eles. Assim que eu pisei
na cabine, uma voz me chamou. “Pequena dhampir! Ja era hora de voce chegar.”
Eu olhei e vi Adrian acenando, um drink em sua mao. Otimo. Nos tivemos que implor para vir
junto, e ainda sim Adrian de algum jeito se meteu junto. Lissa e Christian estavam sentados
juntos, entao eu me juntei a Eddie na esperanca de ficar longe de Adrian. Eddie me deixou
sentar na janela. Adrian sentou na nossa frente, no entanto, era como estar sentado em nosso
lado, de tanto que ele se virava para falar comigo. Seu flerte barato e ultrajante indicavam que
ele estava bebendo bem antes de nos embarcarmos. Eu meio que queria ter bebido enquanto
estavamos no ar. Uma dor de cabeca bizarra comecou assim que o aviao levantou voo, e eu
entraria em um estado de fantasia que a vodka fizesse entorpecer a dor.
“Nos vamos para o tribunal.” Adrian disse. “Voce nao esta excitada com isso?”
Eu fechei meus olhos e esfreguei minhas temporas. “Qual deles? O da realeza ou o legal?”
“O da realeza. Voce trouxe um vestido?”
“Ninguem me disse pra trazer.’
“Entao... isso e um “nao.””
“Sim.”
“Sim? Eu pensei que voce tinha dito nao.”
Eu abri meus olhos e o encarei. “Eu disse nao, e voce sabe. Nao, eu nao trouxe um vestido.”
“Vamos conseguir um pra voce,” ele disse alto.
“Voce vai me levar para as compras?Eu vou sair numa limosine e eles nao vao considerar um
confiavel acompanhante.”
“As compras? Ate parece. Tem alfaiates que vivem la. Vamos conseguir algo feito sob medida.”
“Nao vamos ficar tanto tempo. E eu realmente preciso de um vestido para o que vamos fazer
la?”
“Nao, eu so meio que gosto de te ver em um.”
Eu encarei e inclinei minha cabeca contra a janela. A dor no meu cranio ainda era
perturbadora. Era como se o ar estivesse me pressionado.Algo apareceu na minha visao
periferica, e eu me virei surpresa, mas nao tinha nada a nao ser estrelas fora da janela.
“Algo preto,” ele continuou. “Seda, eu acho... talvez com rendas. Voce gosta de rendas?
Algumas mulheres acham que elas cocam.”
“Adrian.” Era como um martelo, um martelo dentro da minha cabeca.
“Voce poderia colocar uma renda de veludo. Essa nao coca.”
“Adrian.” Ate meus olhos pareciam doer.
“E um pouco mais levantado do lado para mostrar suas pernas maravilhosas. Podia ir quase
ate o quadril e ter um laco mais fofo –“
“Adrian!” Algo dentro de mim explodiu. “Da pra diabos voce calar a boca por cinco segundos?”
Eu gritei tao alto que o piloto provavelmente me ouviu. Adrian tinha um raro olhar de surpresa
em seu rosto.
Alberta, sentada perto de Adrian, falou em seu assento. “Rose,” ela exclamou. “O que esta
acontecendo?”
Eu cerrei meus dentes e esfreguei minha cabeca. “Eu estou com a dor de cabeca mais foda do
mundo, e ele nao cala a boca.” Eu nem percebi que eu tinha xingado na frente da minha
instrutora ate varios segundos depois. Do outro lado do meu campo de visao, eu pensei ter
visto outra coisa –outra sombra andando impetuosamente pelo aviao, que me lembrava de
asas negras. Como um morcego ou corvo. Eu cobri meus olhos. Nao tinha nada voando pelo
aviao. “Deus, porque nao passa?”
Eu esperava que Alberta me xingasse por minha explosao, mas ao inves disso, Christian
falou:”Voce nao comeu hoje. Ela estava com muita fome mais cedo.”
Eu descobri meus olhos. O rosto de Alberta estava cheio de preocupacao, e Dimitri estava
atras dela. Mas sombras apareceram na minha linha de visao. A maior parte nao dava para
distinguir, mas eu podia jurar que eu vi algo que parecia um cranio junto com a escuridao. Eu
pisquei rapidamente, e tudo desapareceu. Alberta se virou para as aeromocas. “Voce pode
pegar algo para ela comer? E conseguir a ela um analgesico?”
“Onde e?” Dimitri me perguntou. “A dor?” com toda essa atencao, minha explosao de repente
parecia excessiva. “E uma dor de cabeca... tenho certeza que vai passar...” Vendo o olhar
preocupado dele, eu apontei para o centro da minha testa. “E como algo pressionando meu
cranio. E tem dor meio que atras dos meus olhos. Eu fico me sentindo como...bem, como se eu
tivesse algo no meu olho. Eu acho que eu estou vendo uma sombra ou algo assim. Entao eu
pisquei e ela sumiu.”
“Ah,” disse Alberta. “Isso e um sintoma de enxaqueca –ter problemas de visao. Se chama
aura. As pessoas a tem antes da dor de cabeca aparecer.“
“Uma aura?” eu perguntei, encarando. Eu olhei para Adrian. Ele estava olhando pra mim por
cima de seu assento, seus longos bracos atras dele.
“Nao desse tipo,” ele disse, um pequeno sorriso voltando a seus labios. “Mesmo nome. Como
uma Corte e uma corte.Auras de enxaqueca sao imagens e luz que voce ve quando a
enxaqueca comeca. Elas nao tem nada a ver com a aura ao redor das pessoas que eu vejo. Mas
vou te dizer... a aura que eu posso ver... a que esta ao seu redor... wow.”
“Preta?”
“E muito. E obvio ate depois dos drinks que eu tomei. Nunca vi nada assim.”
Eu nao sabia exatamente o que fazer sobre isso, mas entao a aeromoca voltou com uma
banana, uma barra de cereais, e tylenol. Nao era nem de perto torrada, mas soava muito bom
para um estomago vazio. Eu comi tudo e pus um travesseiro contra a janela. Fechando meus
olhos, eu descansei minha cabeca e esperei poder dormir com a dor de cabeca antes de
pousarmos. Misericordiamente, todo mundo ficou quieto.
Eu me mexi um pouco quando senti um leve toque no meu braco. “Rose?”
Eu abri meus olhos, e vi Lissa sentada onde Eddie estava antes. Aquelas formas de asas se
mexiam atras dela, e minha cabeca ainda doia. Naquelas sombras, eu de novo vi o que parecia
ser um rosto, dessa vez uma boca aberta e olhos de fogo. Eu me encolhi.
“Voce ainda esta com dor?” Lissa perguntou, me observando. Eu pisquei, e o rosto
desapareceu.
“Sim, eu-oh, nao.” Eu percebi o que ela ia fazer. “Nao faca isso. Nao desperdice comigo.”
“E facil,” ela disse. “Mal me afeta.”
“E, mas quanto mais voce usa... mais vai machucar voce a longo termo. Mesmo que seja facil
agora.”
“Eu me preocupo com isso depois. Aqui.”
Ela colocou minhas maos entre as dela e fechou seus olhos. Atraves de nossa ligacao, eu senti
a magia a envolvendo enquanto ela chamava o poder de curar do Espirito. Para ela, magica era
quente e dourada. Eu ja fui curada antes, e vinha ate mim com varias temperaturas: quente,
entao fria, entao quente,etc. Mas dessa vez, quando ela soltou a magica e enviou para mim, eu
nao senti nada exceto por uma pequeno formigamento. Os olhos dela abriram.
“O que- o que aconteceu?” ela perguntou.
“Nada,” eu disse. “A enxaqueca ainda esta forte.”
“Mas eu...” a confusao e choque em seu rosto espelhou o que eu sentia nela. “Eu a tinha. Eu
senti a magia. Funcionou.”
“Eu nao sei, Liss. Esta tudo bem, verdade. Voce so saiu dos remedios a algum tempo, sabe.”
“E, mas eu curei Eddie o outro dia sem problemas. E Adrian,” ela adicionou secamente. Ele
estava por cima do assento de novo, nos observando atentamente.
“Aqueles eram arranhoes,” eu disse. “Essa e uma super enxaqueca. Talvez voce ainda tenha
que ficar mais forte.”
Lissa mordeu seu labio. “Voce nao acha que as pilulas prejudicaram a magica
permanentemente, acha?”
“nah,” disse Adrian, com a cabeca levemente virada. “Voce acende como uma supernova
quando voce esta chamando por ela. Voce tem magia. Eu so nao acho que teve efeito nela.”
“Porque nao?” ela exigiu.
“Talvez ela tenha algo que voce nao pode curar.”
“Uma enxaqueca?”eu perguntei rapidamente.
Ele deu nos ombros. “O que eu pareco, um doutor? Eu nao sei. So estou dizendo o que eu vi.”
Eu encarei e pus uma mao na minha testa. “Bem, eu agradeco a ajuda, Liss, e agradeco seu
comentario irritante, Adrian. Mas eu acho que dormir pode ser a melhor coisa agora. Talvez
seja estresse ou algo assim. “Claro, porque nao? Estresse era a resposta para tudo
ultimamente. Fantasmas. Enxaquecas incuraveis. Rostos estranhos flutuando no ar.
“Provavelmente pode curar isso.”
“Talvez,” ela disse, soando como se ela tivesse se ofendido pessoalmente por nao ter sido
capaz de me curar. Dentro da mente dela, no entanto, as acusacoes estavam viradas contra ela
propria, nao contra mim. Ela estava preocupada em nao ser boa o bastante.
“Esta tudo bem,” eu disse suavemente. “Voce recem esta reassumindo seus poderes. Assim
que voce estiver cheia de poder, eu vou quebrar uma costela para voce testar ele.”
Ela gemeu. “A parte horrivel e que eu nao acho que voce esta brincando.” Depois de um
aperto na minha mao, ela levantou. “Durma bem.”
Ela saiu, assim que eu percebi que Eddie nao ia voltar. Ele sentou noutro lugar para que eu
tivesse mais espaco. Agradecendo, eu me afofei e reposicionei meu travesseiro enquanto
esticava minhas pernas o maximo que eu pude. Alguns outros fantasmas dancaram na minha
visao, entao eu fechei meus olhos e dormi.
Eu acordei mais tarde quando o aviao pousou, o som dos motores me acordou. Para meu
alivio, a enxaqueca desapareceu. Assim como as formas estranhas que flutuavam ao redor.
“Melhor?” Lissa perguntou quando eu levantei e bocejei.
Eu acenei. “Muito. Ficarei ainda melhor se arranjar comida de verdade.”
“Bem,” ela riu. “eu duvido que tenha alguma falta de comida por aqui.”
Ela estava certa. Olhando para a janela, eu tentei olhar ao meu redor. Nos conseguimos.
Estavamos na Corte da Realeza

A.Vampiro - tocada pelas sombras (capitulo 9)

NOVE
Com tantos Moroi vindos do Leste europeu, cristianismo ortodoxo era a religiao dominante no
campus. Outras religioes tambem eram representadas, e eu diria que de modo geral, apenas a
metade do corpo estudantil assistia alguma celebracao regulamente. Lissa era desse tipo. Ela
ia para a igreja todo domingo porque ela acreditava. Christian tambem assistia. Ele fazia isso
porque ela ia e porque o fazia parecer bem e menos provavel de se tornar um Strigoi. Desde
que Strigoi nao podia entrar em solo sagrado, a cerimonia regular da igreja provia uma
pequena frente de responsabilidade para ele.
Quando eu nao estava dormindo. Eu aparecia na igreja pelo aspecto social. Lissa e meus
amigos costumavam sair e fazer algo divertido depois, entao a igreja servia como um bom
ponto de encontro. Se Deus se importava comigo usando sua capela como um meio se seguir
com minha vida social, ele nao tinha me deixado saber. Era isso, ou ele estava esperando seu
tempo para depois me punir.
Quando a cerimonia acabou aquele domingo, porem, eu tive que continuar nas redondezas da
capela, porque ali era onde meu servico comunitario ia acontecer. Quando o lugar esvaziou, eu
fiquei surpresa de ver outra pessoa tinha se ficado comigo: Dimitri.
“O que voce esta fazendo aqui?” eu perguntei.
“Pensei que voce poderia precisar de alguma ajuda. Eu ouvi que o padre quer limpar muita
coisa.”
“Yeah, mas nao e voce que esta sendo punido aqui. E esse e o seu dia livre tambem. Nos –bem, todos os outro –passam a semana toda batalhando, mas sao voces os caras que
apanham nas lutas o tempo todo.” De fato, eu agora notei que Dimitri tinha alguns
machucados tambem –mas nem pertos dos muitos que Stan tinha. Tinha sido uma longa
semana para todos, e era apenas a primeira das seis.
“O que mais eu poderia fazer hoje?”
“Eu poderia pensar em um monte de outras coisas,” eu disse secamente. “Provavelmente
existe um filme de John Wayne em algum lugar que voce ainda nao tenha visto.”
Ele negou com a cabeca. “Nao, nao tem. Eu vi todos eles. Olha –o padre esta esoerando por
nos.”
Eu me virei. Sem duvida. Padre Andrew esta na nossa frente, nos olhando esperancosamente.
Ele tinha tirado a rica tunica que ele vestia durante a cerimonia e agora estava com calcas
simples e blusa de botao. Ele parecia estar pronto para o trabalho tambem, e eu desejei saber
o que tinha acontecido com o domingo sendo um dia de descanso. Quando eu e Dimitri nos
aproximamos para fazer nossas tarefas, eu refleti o que realmente tinha feito Ditrimi ficar aqui
em primeiro lugar. Seguramente ele nao queria trabalhar em seu dia de folga. Eu nao estava
acostumada a nao entende-lo. A intencoes dele era normalmente diretas, e eu tinha que
assumir que existia uma simples explicacao agora. Isso so nao estava claro ainda.
“Obrigado a voces dois por se voluntariarem para me ajudar.” Padre Andrew sorriu para nos.
Eu tentei nao ridicularizar a referencia ao “voluntariar”. Ele era um Moroi com quase
cinquenta anos, com pouco cabelo grisalho. Mesmo nao tendo muita fe em religiao, eu ainda
gostava e respeitava ele. “Nos nao vamos fazer nada particularmente complexo hoje,” ele
continuou. “e um pouco chato, realmente. Nos iremos fazer a limpeza regular, claro, e entao
eu gostaria de organizar as caixas de velhos materiais que eu tenho no sotao.”
“Nos estamos felizes em fazer tudo que voce precisar,” Dimitri disse solenemente. Eu reprimi
um suspiro e tentei nao pensar em todas as outras coisas que eu poderia estar fazendo.
Nos comecamos.
Eu fui fiquei com o esfregao, e Dimitri ficou tirando po e polindo os bancos de madeira da
igreja. Ele parecia pensativo e atento enquanto limpava, parecendo como se de fato estivesse
orgulhoso de seu trabalho. Eu ainda estava tentando entender porque realmente ele estava
aqui. Nao me entenda mau; eu estava feliz de te-lo aqui. A presenca dele fazia eu me sentir
melhor, e claro eu sempre amava observa-lo.
Eu pensei que ele talvez estivesse aqui para conseguir mais informacao de mim sobre o que
tinha acontecido aquele dia com Stan, Christian, e Brandon. Ou talvez ele quisesse me castigar
pelo outro dia com Stan, onde eu tinha sido acusada de pular fora da batalha por razoes
proprias. Estas pareciam as explicacoes provaveis, contudo ele nao disse uma palavra. Mesmo
quando o padre sai do santuario para ir ao escritorio, Dimitri continuou trabalhando
silenciosamente. Eu achava que se ele tinha tido alguma coisa a dizer, ele teria feito isso
naquele momento.
Quando nos acabamos a limpeza, Padre Andrew nos fez arrastar caixa depois de caixa do atico
e da despensa da parte de tras da capela. Lissa e Christian normalmente usavam o atico como
esconderijo secreto, e eu queria saber se tendo isso limpo seria um pro ou contra para as
escapadas romanticas deles. Talvez eles abandonassem isso, e ai eu poderia comecar
conseguir dormir um pouco.
Com todas as coisas no andar de baixo, nos tres sentamos no chao e comecamos a organizar
tudo fora. Padre Andrew nos disse o que salvar e o que jogar fora., e era um alivio nao estar de
pe em algum momento esta semana. Ele falou um pouco enquanto nos trabalhavamos, me
perguntando sobre as aulas e outras coisas. Isso nao era tao ruim.
E enquanto nos trabalhavamos, um pensamento veio a mim. Eu tinha feito um bom trabalho
me convencendo de que Mason tinha sido uma ilusao causada pela minha falta de sono, mas
tendo garantia de uma autoridade entendida que fantasmas nao eram reais seria um bom
modo de me fazer sentir melhor.
“Hey,”eu disse para o Padre Andrew. “Voce acredita em fantasmas? Quero dizer, existe
alguma mencao deles na –“ eu apontei para o meu redor. “- nesse negocio?”
Essa pergunta claramente o surpreendeu, mas ele nao parecia ter se ofendido por eu ter
chamado sua vocacao e o trabalho de sua vida de “ este negocio.” Ou o fato que eu
obviamente nao sabia nada sobre isso tudo, apesar dos dezessete anos assistindo a missa.
Uma expressao distraida cruzou seu rosto, e ele pousou o seu trabalho.
“Bem .. isso depende de como voce define ‘fantasmas’, eu suponho.”
Eu bati com o dedo em um livro de teologia. “O ponto todo disso e que quando voce morre,
voce vai para o ceu ou o inferno. O que faz dos fantasmas apenas historias, certo? Eles nao
estao na Biblia ou qualquer coisa assim.”
“De novo,”ele disse, “depende da sua definicao. Nossa fe tem sempre dito que depois da
morte, o espirito se separa do corpo e pode de fato demorar um pouco nesse mundo.”
“O que?” Uma empoeirada tigela que eu estava segurando caiu da minha mao. Felizmente, era
de madeira e nao quebrou. Eu rapidamente a recolhi. Aquela nao era a resposta que eu estava
esperando. “Por quando tempo? Para sempre?”
“Nao, nao, claro que nao. Essas voam para a face da ressurreicao e salvacao, o que forma a
base das nossas conviccoes. Mas acreditasse que a alma pode ficar na terra por tres a
quarenta dias depois da morte. Eventualmente recebe um julgamento ‘temporario’ que o
manda desse mundo para o ceu ou inferno –embora ninguem realmente sabera ate
verdadeiro dia do julgamento, quando a alma e o corpo se reunem para viver eternamente
como um so.”
O negocio de salvacao estava perdido para mim. O “tres a quarenta dias” foi o que pegou
minha atencao. Eu esqueci completamente o que estava fazendo. “Yeah, mas isso e verdade
ou nao? Existem realmente espiritos andando na terra por quarenta dias depois da morte?”
“Ah, Rose. Aqueles que tem perguntado se fe e verdade estao abrindo uma discussao que eles
poderiam nao estar prontos para ter.”
Eu tive o pressentimento que ele estava certo, eu suspirei e voltei para a caixa em frente a
mim.
“Mas,” ele disse gentilmente, “se isso te ajuda, algumas dessas ideias sobre fantasmas se
comparam as conviccoes do povo do leste europeu que existiam antes da expansao do
cristianismo. Essas tradicoes de apoiavam na ideia de espiritos ficando por aqui por um
pequeno periodo de tempo depois da morte –principalmente se a pessoa em questao morreu
jovem ou violentamente.”
Eu congelei. Qualquer progresso que eu tinha feito me convencendo que Mason tinha sido
criado pelo meu estresse imediatamente desapareceu. Jovem ou violentamente.
“Porque?”Eu perguntei com a voz baixa. “Porque ele ficariam? E ... e por vinganca?”
“Eu estou certo que existem alguns que acreditam nisso, da mesma maneira que alguns
acreditam que isso e porque a alma teve problemas em encontrar paz depois de algo tao
perturbador assim.”
“O que voce acredita?” eu perguntei.
Ele sorriu. “eu acredito que a alma se separa do corpo, como nossos pais nos ensinam, mas eu
duvido que o tempo da alma na terra e algo que qualquer vivo pode perceber. Nao e como nos
filmes, com fantasmas assombrando predios ou vindo visitar aqueles que ele conheciam. Eu
acho que esses espiritos sao mais com uma energia ao nosso redor, algo alem da nossa
percepcao enquanto eles esperam se mudar e encontrar paz. No final das contas, o que
importa e o que acontece alem dessa terra quando nos atingimos a vida eterna que o nosso
salvador nos deu com o seu grande sacrificio. Isso e o que e importante.”
Eu quis saber se o padre Andrew seria tao rapido ao dizer isso se ele tivesse visto o que eu
tinha. Jovem ou violentamente. Os dois se aplicavam a Mason, e ele tinha morrido a menos de
quarenta dias atras. Aquela triste, triste face voltou por mim, e eu queria saber o que isso
significava. Vinganca? Ou poderiam ele realmente nao ter encontrado paz?
E como a teologia do Padre Andrew sobre ceu e inferno se ajustar com alguem como eu, que
tinha morrido e voltado para a vida? Victor Dashkov tinha dito que fui ao mundo dos mortos e
retornei quando Lissa me curou. Qual mundo da morte? Foi o ceu ou o inferno? Ou era outro
modo de se referir a este estado entre a tera que Padre Andrew estava falando?
Eu nao disse nada depois disso, porque a ideia de Mason procurando-vinganca era muito
assustadora. Padre Andrew sentiu a mudanca em mim, mas ele obviamente nao sabia o que
tinha trazido isso. Ele tentou me distrair.
“Eu a pouco consegui alguns livros novos de um amigo de outra paroquia. Historias
interessantes sobre St. Vladimir.” Ele inclinou a cabeca. “Voce ainda esta interessada nele? E
Anna?”
Teoricamente, eu estava. Ate encontrar Adrian, nos tinhamos apenas sabido de outros dois
usuarios de espirito. Um era nossa antiga professora, Srt. Karp, que tinha ficado
completamente louca por causa do espirito e se tornado uma Strigoi para parar a loucura. A
outra pessoa era St. Vladimir, o homenageado com o nome da escola. Ele tinha vivido seculos
atras e tinha trazido sua guardia, Anna, de volta da morte, assim como Lissa fez comigo. Isso
fez da Anna shadow-kissed e criado uma ligacao entre eles dois tambem.
Normalmente, Lissa e eu tentavamos por nossas maos em tudo que nos poderiamos sobre
Anna e Vlad, para aprender mais sobre nos mesmas. Mas, tao incrivel quanto era para eu
admitir, eu tinha problemas maiores agora que o sempre-presente e sempre-confuso laco
entre Lissa e eu. Isso tinha sido agora vencido por um fantasma que poderia possivelmente
estar irritado comigo pelo meu papel em sua intempestiva morte.
“Yeah,” eu disse evasivamente, nao fazendo contato com os olhos. “Eu estou interessa ... mas
eu nao acho que vou conseguir ler isso tao cedo. Eu estou meio que ocupada com tudo isso ...
voce sabe, a coisa da experiencia de campo.”
Eu fiquei em silencio de novo. Ele pegou a dica e me deixou trabalhar sem mais nenhum
interrupcao. Dimitri nunca disse uma palavra durante tudo isso. Quando nos finalmente
acabamos de organizar, Padre Andrew nos disse que nos tinhamos mais uma tarefa antes de
acabar. Ele apontou para algumas caixas que nos tinhas organizado e reencaixotado.
“Eu preciso de voces para carregar essas para a campus elementar (*cinco primeiras series do
ensino fundamental),”ele disse. “ Deixe elas fora do dormitorio Moroi de la. Sr. Davis tem
estado ensinando na escola dominical para algumas criancas e poderia usar esses livros.”
Levaria pelo menos duas viagens entre eu e Dimitri, e o campus elementar era a uma distancia
consideravel. Porem, isso me colocava a um passo da liberdade.
“Porque voce esta interessada em fantasmas?” Dimitri me perguntou na primeira viagem.
“Apenas puxando conversa,”eu disse
“Eu nao posso ver seu rosto agora, mas eu sinto que voce esta mentindo de novo.”
“Jesus, todo mundo esta pensando o pior de mim ultimamente. Stan me acusando de procurar
gloria.”
“Eu ouvi sobre isso,” Dimitri disse, quando nos viramos um canto. Os predios do campus
elementar apareceram na nossa frente. “Aquilo foi um pouco injusto da parte dele.”
“Um pouco, huh?” o ouvindo admitir aquilo me emocionou, mas isso nao mudava minha raiva
contra Stan. Aquele negro, sentimento aborrecido que tinha me importunado ultimamente
voltou a vida. “Bem, obrigada, mas eu estou comecando a perder a fe nessa experiencia de
campo. As vezes em toda a academia.”
“Voce nao quis dizer isso.”
“Eu nao sei. A escola parece tao envolta nas regras e politicas que nao tem nada a fazer com a
vida real. Eu vi como era la fora, camarada. Eu fui direto para a toca do monstro. De algum
modo ... eu nao sei se isso realmente nos prepara.
Eu esperei que ele discutisse, mas para a minha surpresa ele disse, “As vezes eu concordo com
voce.”
Eu quase tropecei quando nos pisamos dentro de um dos dois dormitorios Moroi no campus
elementar. O salao de entrada parecia muito como os do campus secundario. “Realmente?” eu
perguntei.
“Realmente,”ele disse, um pequeno sorriso em seu rosto. “Quero dizer, eu nao concordo que
os novicos devem ser postos no mundo quando ele tem dez anos ou algum assim, mas as
vezes eu tenho pensado que a experiencia de campo deveria realmente ser em um campo. Eu
provavelmente aprendi mais no meu primeiro ano como guardiao que em todos os meus anos
de treinamento. Bem ... talvez nao tudo. Mas esta e uma situacao diferente, absolutamente.”
Nos trocamos olhares, contentes pelo nossa acordo.Algo quente se agitou em mim, colocando
um fim na minha recente raiva. Dimitri entendeu minha frustracao com o sistema, mais ainda,
Dimitri me entendeu. Ele olhou ao redor, mas nao tinha ninguem na mesinha. Uns poucos
estudantes de uns dez anos estavam trabalhando ou conversando no salao de entrada.
“Oh,”eu disse, trocando o peso da caixa que eu segurava. “Nos estamos no meio do dormitorio
da escola. As criancas mais novas estao na proxima porta.”
“Sim, mas Sr. Davis vive nesse predio. Deixe-me tentar encontra-la e ver onde ela quer isso.”
Ele colocou sua caixa no chao cuidadosamente. “Eu estarei logo de volta.”
Eu o olhei ir e coloquei minhas propria caixa no chao. Apoiando-me contra a parede, eu olhei
em volta e quase pulei quando vi uma garota Moroi apenas a alguns passos de distancia. Ela
tinha estado tao perfeitamente imovel, que eu nao a tinha notado. Ela parecia como se tivesse
na pre-adolescencia –treze ou quatorze –mas ela era alta, muito mais alta que eu. A esbelteza
de seu corpo Moroi a fazia parecer ainda mais alta. Seu cabelo era um toldo de cachos
marrons, e ela tinha sarnas –raro entre a normalmente palida pele dos Moroi –pelo seu rosto.
Seus olhos arregalaram quando ela me viu olhando para ela.
“Oh. Meu . Deus. Voce e Rose Hathaway, nao e?”
“Yeah,”eu disse surpresa. “Voce me conhece?”
“Todo mundo te conhece. Eu quero dizer, todo mundo ouviu sobre voce. Voce e aquela que
fugiu. E entao voltou e matou aqueles Strigoi. Aquilo foi tao legal. Voce recebeu marcas
molnija?” suas palavras vieram de uma vez so. Ela mal respirou.
“Yeah. Eu tenho duas.” Pensado sobre as duas minusculas tatuagens na parte de tras do meu
pescoco fez minha pele formigar.
Os palidos olhos verdes dela –se possivel –se arregalaram mais. “Oh meu deu. Wow.”
Eu normalmente ficava muito irritada quando as pessoas agiam como se as marcas molnija
fossem grande coisa. Depois de tudo, as circunstancias nao tinham sido legais. Mas essa garota
era jovem, e tinha alguma coisa interessante nela.
“Qual o seu nome?” eu perguntei
“Jillian –Jill. Eu quero dizer, apenas Jill. Nao os dois. Jillian e o meu nome todo. Jill e como todo
mundo me chama.”
“Certo,” eu disse, escondendo um sorriso. “Eu percebi isso.”
“Eu ouvi que Moroi usaram magica naquela viagem da luta. Isso e verdade? Eu adoraria fazer
isso. Eu gostaria que alguem me ensinasse. Eu uso o ar. Voce acha que eu poderia lutar com
isso contra Strigoi? Todos dizem que eu estou louca por isso.” Por seculos, Moroi usando
magia para lutar tinha sido um pecado. Todos acreditavam que isso tinha que ser usado
pacificamente. Recentemente, alguns tinham questionado isso, particularmente depois que
Christian tinha provado que era util na figa de Spokane.
“Eu nao sei,”eu disse “Voce deveria falar com Christian Ozera.”
Ela ficou boquiaberta. “Ele falaria comigo?”
“Se voce expor a questao da luta, Yeah, ele ira falar com voce.”
“Ok, legal. Aquele era o Guardiao Belikov?” ela perguntou, trocando de assunto
abruptamente.
“Yeah.”
Eu juro que pensei que ela fosse desmaiar naquele instante. “Serio? Ele e ainda mais atraente
do que eu ouvi. Ele e o seu professor, certo? Como, seu professor particular?”
“Yeah.” Eu queria saber onde ele estava. Falar com Jill era exaustivo.
“Wow. Voce sabe, voces caras nao agem como professor e estudante. Voces parecem amigos.
Voces saem quando nao estao treinando?”
“Er, bem, meio que. As vezes.” Eu lembrei meus pensamentos de mais cedo, sobre como eu
era uma das poucas pessoas com quem Dimitri era sociavel fora de seus deveres de guardiao.
“Eu sabia! Eu nem posso imaginar isso –eu estaria fora de mim o tempo todo perto dele. Eu
nunca conseguiria fazer nada, mas voce e tao legal nisso, tipo assim, ‘Yeah, eu estou com este
cara totalmente gostoso, mas e dai, nao me importa.’ “
Eu rir para mim mesma. “ Eu acho que voce esta me dando mais credito do que eu mereco.”
“De jeito nenhum. E eu nao acredito em nenhum daquelas historias , voce sabe.”
“Um, historias?”
“Yeah, sobre voce batendo no Christian Ozera.”
“Obrigada,” eu disse. Aogra os rumores da minha humilhacao estavam se espalhando por
todo o campus. Se eu andasse para os dormitorios elementares, algum seis-anos-de-idade iria
provavelmente me dizer que ela tinha ouvido falar que eu matei Christian.
A expressao de Jill se tornou momentaneamente incerta. “mas eu nao sei sobre a outra
historia?”
“Que outra historia?”
“Sobre como voce e Adrian Ivashkov estao –“
“Nao,” eu interrompi, nao esperando para ouvir o resto.” Tudo o que voce ouviu, nao e
verdade.”
“mas era realmente romantico.”
“Entao definitivamente nao e verdade.”
O rosto dela caiu, e entao ela se recuperou alguns segundos depois. “Hey, voce pode me
ensinar a esmurrar alguem?”
“Esper –O que? Porque voce iria querer saber isso?”
“Bem, eu achei que se eu vou lutar com magica algum dia, eu deveria aprender a lutar do
modo normal tambem.”
“Eu certamente nao sou a pessoa certa para pedir,”eu disse a ela.” Talvez voce devesse, um,
pedir a seu professor de educacao fisica.”
“eu pedi!” o rosto dela pareceu distraido. “E ele disse nao.”
“Eu nao fiz mais nada alem de rir. “Eu estava brincando sobre pedir a ele.”
“Vamos, isso poderia me ajudar a lutar contra um Strigoi algum dia.”
Minha risada secou. “Nao, realmente nao irei.”
“ela mordeu o labio, ainda desesperada para me convencer. “Bem, pelo menos ia me ajudar
conta aquele psicopata.”
“O que? Qual psicopata?”
“Pessoas continuam aparecendo machucadas por aqui. Semana passada Dane Zeklos, e a
pouco mais o outro dia foi Brett.”
“Dane ... “ eu corri pelo meu conhecimento da arvore genealogica dos Moroi. Existia um
imenso numero de estudantes Zeklos por aqui.”Esta e o irmao mais novo de Jesse, yeah?”
Jill confirmou com a cabeca. “Yup. Um dos nossos professores estava muito furioso, tambem,
mas Dane nao disse uma palavra. Nem Brett disse.”
“Que Brett?”
“Ozera.”
Eu fiquei estupefaca. “Ozera?”
Eu tive a impressao de que ela estava realmente excitada de me dizer coisas que eu nao sabia.
“Ele e o namorado da minha amiga Aimee. Ele estava todo machucado ontem –tinham umas
coisas estranhas que pareciam golpes, tambem. Talvez queimaduras? Mas as dele nao eram
tao ruins quanto as de Dane. E quando a Srt. Callahan o perguntou sobre isso, Brett a
convenceu de que nao era nada, e ela deixou passar, o que foi estranho. Ele tambem estava
em um humor realmente bom –o que foi muito estranho tambem, desde que voce meio que
pensaria que receber uns murros poderia deixar a pessoa triste.”
Em algum lugar no fundo da minha mente, as palavras dela rocaram em uma memoria. Tinha
alguma conexao que eu deveria estar fazendo, mas eu nao conseguia forma-la totalmente.
Entre Victor, fantasmas, e a experiencia de campo, seria honestamente incrivel que eu
entender mais alguma coisa.
“Assim voce pode me ensinar para que eu nao seja apanhada?” Jill me perguntou, claramente
esperando que tivesse me convencido. Ela fechou os punhos e os levantou. “Eu apenas faco
isso, certo? Fecho ao redor” dos dedos de balanco?”
‘Uh, bem, e um pouco mais complicado que isso. Voce precisa ficar de um certo modo, ou voce
ira se machucar maos do que a outra pessoa. Tem um monte de coisas que voce precisa fazer
com os seus cotovelos e quadris.”
“Mostre-me, por favor?” ela implorou. “Eu aposto que voce e realmente boa.”
Eu era realmente boa, mas corrupcao de menores era uma ofensa que eu ainda nao tinha nos
meus registros, e que eu preferia continuar nao tendo. Felizmente, Dimitri voltou com a Srt.
Davis.
“Hey,”eu disse a ele. “Eu tenho alguem que quer te conhecer. Dimitri, esta e Jill. Jill, Dimitri.”
Ele pareceu surpreso, mas sorriu e balancou a mao dela. Ela ficou vermelho brilhante e ficou
sem palavras pela primeira vez. Tao logo quanto ele libertou sua mao, ela gaguejou um tchau e
sai correndo. Nos acabamos com a Srt. Davis e nos dirigimos de volta a capela para a segunda
carga.
“Jill sabia quem eu era,” eu disse a Dimitri enquanto andavamos. “Ela estava tendo um tipo de
adoracao ao heroi acontecendo aqui.”
“Isso te surpreendeu?”ele perguntou. “ que estudantes mais novos possam admirar voce?”
“Eu nao sei. Eu apenas nunca pensei nisso. Eu nao acho que eu sou boa no papel de modelo.”
“Eu discordo. Voce e esforcada, dedicada, e supera tudo o eu voce faz. Voce ganhou mais
respeito do que pensa.”
Eu dei uma olhada de lado para ele. “ E ainda nao e o suficiente para ir ao julgamento de
Victor, aparentemente.”
“Isso de novo nao.’
“Sim, isso de novo! Porque voce nao entende o quanto isso e importante? Victor e uma
ameaca imensa.”
“Eu sei que ele e.”
“E se ele for solto, ele ira logo comecar seus loucos planos de novo.”
“E realmente improvavel que ele seja solto, voce sabe. Muitos desses rumores sobre a rainha
libertando ele sao apenas isso –rumores. Voce de todas as pessoas deveria saber que nao
deve acreditar em tudo que escuta.”
Eu fitei a frente duramente, recusando reconhecer o ponto dele.”Voce ainda nos deveria
deixar ir. Ou”- eu respirei fundo –“voce deveria deixar pelo menos Lissa ir.”
Foi mais dificil para mim dizer aquelas palavras do que deveria ter sido, mas isso era algo o que
eu vinha pensando. Eu nao achava que eu era uma buscadora de gloria como Stan tinha dito,
mas tinha uma parte de mim que seMpre queria estar no meio da briga. Eu queria me jogar na
frente, fazendo o que era certo e ajudando os outros. Igualmente, como eu queria estar la no
julgamento de Victor. Eu queria olha-lo nos olhos e ter certeza de que ele seria punido.
Mas com o tempo passando, isto parecia menos provavel de acontecer. Ele realmente nao irao
nos levar. Talvez, entretanto, talvez eles deixassem um de nos ir, e se pudesse ser qualquer
um, deveria ser Lissa. Ela tinha sido o alvo do plano de Victor, e embora ela ir sozinha fosse
uma ideia que me deixava nervosa como se talvez ela nao precisa de mim para protege-la, eu
ainda preferia ficar com a chance e ve-lo sendo preso.
Dimitri, entendendo minha necessidade de me jogar dentro e entrar em acao, pareceu
surpreso pelo meu comportamento incomum. “Voce esta certa –ela deveria estar la, mas de
novo, nao tem nada que eu possa fazer sobre isso. Voce continua achando que eu posso
controlar isso, mas eu nao posso.”
“Mas voce fez tudo o que voce podia?” eu pensei nas palavras que Adrian no sonho, sobre
como Dimitri poderia ter feito mais. “Voce tem muito influencia deve haver alguma coisa.
Qualquer uma.”
“Nao tanta influencia quanto voce pensa. Eu tenho uma alta posicao aqui na academia, mas no
resto do mundo guardiao, eu ainda sou muito novo. E sim, eu na verdade falei por voce.”
“Talvez voce devesse ter falado mais alto.”
Eu pude sentir ele se fechando. Ele discutiria muitas coisas razoavelmente mas nao me
encorajaria quando eu estava apenas sendo uma vaca. Entao, eu tentei ser mais razoavel.
“Victor sabe sobre nos,”eu disse. “Ele poderia dizer alguma coisa.”
“ Victor tem coisas maiores para se preocupar nesse julgamento do que nos.”
“Yeah, mas voce o conhece. Ele nao age exatamente como uma pessoa normal agiria. Se ele
sentir como se tivesse perdido toda a esperanca de se livrar, ele poderia decidir nos expor
como vinganca.”
Eu nunca tinha sido capaz de confessar minha relacao com Dimitri para Lissa, contudo o nosso
maior inimigo sabia disso. Era mais estranho ainda o conhecimento de Adrian. Victor tinha
percebido isso nos observando e juntando dados. Eu acho que quando voce e um vilao
calculista, voce fica bom nessas coisas. Ele nunca trouxe esse conhecimento a tona,
entretanto. Ao inves, ele usou isso contra nos com um feitico de luxuria que ele fez com a
magica da terra. Um feitico como aquele nao teria funcionado se ja nao existisse atracao no
lugar. O feitico apenas trazia as coisas a tona. Dimitri e eu tinhamos estado por toda parte um
do outro e tinhamos estado apenas por uma batida de coracao longe do sexo. Tinha sido um
modo muito inteligente de Victor para nos distrair sem usar de violencia. Se qualquer tivesse
tentado nos atacar, nos poderiamos ter tipo uma boa luta. Mas nos virando um para o outro?
Nos tivemos problemas lutando contra aquilo.
Dimitri ficou em silencio durante alguns instantes. Eu sabia que ele sabia que eu tinha um
ponto. “Entao teremos que negociar com isso o melhor que pudermos,”ele disse ao final. “Mas
se Victor vai contar, ele fara isso com ou sem o seu testemunho.”
Eu me recusei a dizer mais alguma coisa ate chegarmos na igreja. Quando chegamos, Padre
Andrew nos disse que depois de revisar algumas coisas a mais, tinha decidido que ele
realmente so precisava que mais uma caixa fosse entregue a Srt. Davis.
“Eu farei isso,”eu disse a Dimitri secamente, uma vez que o padre estava fora do campo de
audicao. “voce nao tem que vim.”
“Rose, por favor nao faca uma confusao por isso.”
“Isso e muito importante!” eu falei entre os dentes. “E voce nao parece entender isso.”
“Eu entendo. Voce realmente acha que eu quero ver Victor livre? Voce acha que eu nos quero
em perigo de novo?” Esta e a primeira vez em muito tempo que o via o controle dele a beira
de quebrar. “Mas eu te disse, eu fiz tudo o que pude. Eu nao sou como voce –eu nao posso
fazer uma cena quando as coisas nao saem do meu jeito.’
“Eu nao faco isso.”
“Voce esta fazendo agora mesmo.”
Ele estava certo. Alguma parte de mim sabia que eu tinha passado da linha ... mas como com
todo o resto das coisas recentemente, eu nao conseguia parar de falar.
“Porque voce veio me ajudar hoje?”eu exigi. “Porque voce esta aqui?”
“Isso e muito estranho?”ele perguntou. Ele quase parecia ferido.
‘Sim. Quero dizer, voce esta tentando me espionar? Entender porque eu falhei? Ter certeza
que eu nao me meti em alguma confusao?”
Ele me estudou, tirando o cabelo dos olhos. “ Porque tem que existir algum motivo
escondido?”
Eu queria dizer um monte de coisas diferentes. Como, se nao existisse um motivo, entao isso
significa que voce apenas que passar algum tempo comigo. E isso nao fazia sentido, porque
nos dois sabiamos que nos eramos apenas pare ter uma relacao professor-aluno. Ele de todas
as pessoas devia saber disso. Ele foi quem me disse isso.
‘Porque todos tem um motivo.”
“Sim. Mas nem sempre o motivo que voce acha.” Ele abriu a porta. “Ate mais.”
Eu o olhei ir, meus sentimentos um emaranhado de confusao e raiva. Se a situacao nao tivesse
sido tao estranha, eu quase teria dito que foi como se tivessemos tido a um encontro.

A.Vampiro - tocada pelas sombras (capitulo 8)

OITO
Pelos proximos dias, eu segui Christian sem nenhum incidente. E enquanto eu seguia, eu me
encontrei ficando cada vez mais impaciente.
Para comeco de conversa, eu estava descobrindo que muito de ser um guardiao tem a ver com
esperar. Eu sempre soube disse, mas a realidade e mais dificil do que eu pensei. Guardioes
eram absolutamente essenciais para quando Strigoi decidissem atacar. Mas esses ataques?
Eram geralmente raros. Tempo podia passar – anos podiam passar – sem um guardiao nem ter
que entrar em nenhum tipo de conflito. Enquanto meus instrutores certamente nao nos
fariam esperar tanto tempo durante esse exercicio, eles queriam nos ensinar paciencia e o
quao importante e nao ser preguicoso so porque nao houve perigo em um tempo.
Nos tambem estamos sendo colocados em condicoes estritas que um guardiao estaria: sempre
de pe e sempre formal. Muito comumente, guardioes que viviam com familias Moroi se
comportavam casualmente em suas casas ou faziam coisas normais como ler ou assistir TV –
enquanto continuavam perfeitamente atentos a ameacas. Nos sempre podiamos esperar isso,
no entanto, entao tinhamos que praticar do jeito mais dificil na escola.
O nivel da minha paciencia nao se saiu muito bem quanto a espera, mas minha frustracao era
mais do que inquietacao. Eu estava desesperada para me provar, por me redimir por nao ter
reagido ao ataque de Stan. Eu nao vi mais o Mason e decidi que o que eu tinha visto tinha sido
devido a induzido pela fatiga – e pelo estresse. Isso me deixou feliz, porque essas eram razoes
muito melhores do que ser louca ou incapaz.
Mas certas coisas nao estavam me deixando feliz. Quando Christian e eu nos encontramos
com Lissa depois da aula certo dia, eu podia sentir a preocupacao, o medo e a raiva irradiando
dela. Mas foi apenas por causa da ligacao que eu percebi. Para a todas as aparencias, ela
estava bem. Eddie e Christian, que estavam falando sobre algo entre si, nao notaram nada.
Eu me movi para mais perto e pus um braco ao redor dela enquanto andavamos. “Esta tudo
bem. Tudo vai ficar bem.” Eu sabia o que estava incomodando ela. Victor.
Nos decidimos que Christian –apenas da vontade de “cuidar das coisas” –provavelmente nao
era a melhor escola para ir ver as preparacoes para o julgamento de Victor. Entao Lissa tinha
bancado a diplomata outro dia e muito educadamente falou com Alberta sobre a possibilidade
de testemunhar. Alberta tinha dito a ela, igualmente educada, que isso estava fora de questao.
“Eu queria so explicar as coisas –porque e tao importante –que ele nos deixem ir,” ela
murmurou para mim. “Rose, eu nao consigo dormir... eu so fico pensando sobre isso. E se ele
for solto? E se eles realmente o soltarem?”
A voz dela tremeu, e havia uma velha vulnerabilidade la que eu nao via a muito tempo. Esse
tipo de coisa normalmente acendia meus ponteiros, mas dessa vez, trouxe de volta uma
quantidade estranha de memorias, dos tempos em que Lissa tinha dependido de mim. Eu
estava feliz por ver o quao forte ela se tornou e queria me certificar que ela ficasse desse jeito.
Eu apertei meu braco, o que e dificil fazer quando voce esta andando.
“Ele nao vai ser solto,” eu disse selvagemente. “Nos vamos ao julgamento. Eu vou me certificar
disso. Voce sabe que eu nunca deixaria algo acontecer com voce.”
Ela inclinou sua cabeca contra meu ombro, com um pequeno sorriso no seu rosto. “E isso que
eu amo em voce. Voce nao tem ideia de como nos levar ao julgamento, mas voce ainda insiste
so para me fazer sentir melhor.”
“Esta funcionando?”
“Sim.”
A preocupacao ainda estava nela, mas seu divertimento diminui os efeitos um pouco. Alem do
mais, apesar da sua provocacao sobre minha ousada promessa, minhas palavras tinha
acalmaram ela.
Infelizmente, nos logo descobrimos que Lissa tinha outra razao para estar frustrada. Ela estava
esperando pela medicacao desaparecer do seu sistema e permitir que ela acessasse sua magia
inteiramente. Estava la –nos duas podiamos sentir –mas ela estava tendo problemas em tocar
ela. Tres dias tinham passado, e nao houve nenhuma mudanca para ela. Eu me sentia mal por
ela, mas a maior preocupacao era seu estado mental –que estava longe de permanecer claro.
“Eu nao sei o que esta acontecendo,” ela reclamou. Nos quase tinhamos chegado nas areas
comuns. Lissa e Christian tinham planos de assistir um filme. Eu meio que me perguntava o
quao dificil seria para mim assistir o filme e estar em alerta. “Parecia que eu seria capaz de
fazer algo, mas eu ainda nao posso. Estou presa.”
“Isso pode nao ser uma coisa ruim,” eu apontei, me movendo para longe de Lissa para que eu
pudesse olhar o caminho na frete.
Ela me deu um olhar de lamento. “Voce e tao preocupada. Eu pensei que esse fosse meu
trabalho.”
“Hey, e meu trabalho cuidar de voce.”
“Na verdade, e meu trabalho,” disse Eddie, em uma rara demonstracao de brincadeira.
“Nenhum de voces deveria se preocupar,” ela discutiu. “Nao sobre isso.”
Christian deslizou seu braco ao redor da cintura dela. “Voce e mais impaciente que Rose. Tudo
que precisamos fazer-“
Era um deja vu.
Stan saltou de um grupo de arvores e foi alcancar Lissa, colocando seu braco ao redor do torco
dela e a empurrando mais perto dele. Meu corpo respondeu imediatamente, sem hesitacao
enquanto eu me mexia para “salvar” ela. O unico problema era que Eddie respondeu
instantaneamente tambem, e ele estava mais perto, o que o colocava na minha frete. Eu
circulei, tentando entrar em acao, mas o jeito que os dois estavam se mexendo me bloqueava
de ser efetiva.
Eddie foi em direcao de Stan pelo lado, poderoso e duro, puxando o braco de Stan para longe
de Lissa com uma forca quase tao forte que poderia arrancar ele da posicao. A roupa de Eddie
escondia o quao forte ele realmente era. As maos de Stan alcancaram o lado do rosto de
Eddie, as unhas se afundando nele, mas foi o suficiente para que Lissa pudesse se soltar e
corresse para o lado de Christian. Com ela fora do caminho, eu me movi para o lado, tentado
dar uma ajuda a Eddie –mas nao havia necessidade. Sem perder um segundo, ele agarrou Stan
e o jogou no chao. Meio segundo depois, a estaca de pratica de Eddie estava colocada bem por
cima do coracao de Stan.
Stan riu, genuinamente satisfeito. “Bom trabalho, Castile.”
Eddie retirou a estava e ajudou seu instrutor a levantar. Com o fim da acao, eu podia ver o
quao machucada estava o rosto de Stan. Os ataques para nos novatos pode ser pouco e muito
espacado, mas nossos guardioes estavam lutando diariamente durante o exercicio. Todos eles
estavam aguentando muito abuso, mas eles lidavam com graca e bom humor.
“Obrigado, senhor,” disse Eddie. Ele parecia satisfeito mas nao arrogante.
“Eu seria mais forte e rapido se eu fosse um Strigoi, e claro, mas eu juro, voce poderia igualar a
igualdade dele.” Stan olhou para Lissa. “Voce esta bem?”
“Bem,” ela disse, seu rosto brilhando. Eu podia sentir que ela estava na verdade gostando da
excitacao. A adrenalina dela estava alta.
O rosto sorridente de Stan desapareceu quando ele virou a atencao dele para mim. “E voce-o
que voce estava fazendo?”
Eu encarei, nervosa com o tom dele. Era o que ele tinha dito para mim da ultima vez.
“O que voce quer dizer?” eu exclamei. “Eu nao congelei ou nada disso dessa vez! Eu estava
pronta para ajudar ele, procurando uma chance para me juntar a ele.”
“Sim,’ ele concordou. “Esse foi exatamente o problema. Voce estava tao ansiosa para dar um
soca que voce esqueceu que tinha dois Moroi atras de voce. Eles podiam muito bem nao
existir ate onde voce se preocupou. Voce esta no aberto, e voce deu suas costas para ele.”
Eu olhei para frente e o encarei, sem me preocupar com o ser apropriada. “Isso nao e justo. Se
estivessemos no mundo real e um Strigoi atacasse, voce nao pode me dizer que outro guardiao
nao entraria na luta e faria tudo que pudesse para derrubar o Strigoi o mais rapido possivel.”
“Voce provavelmente tem razao,” Stan disse. “Mas nao estavamos falando sobre eliminar eles
eficientemente. Estavamos falando sobre expor um Moroi. Voce estava pensando sobre o
quao rapidamente voce podia fazer algo excitante e se redimir.”
“O-O que?Voce nao esta cometendo alguns erros ai?Voce esta me dando nota no que voce
acha que e a minha motivacao. Como voce pode ter certeza do que eu estava pensando?”
Nem eu mesma sei metade do tempo.
“Instinto,” ele respondeu misteriosamente. Ele pegou um pequeno pedaco de papel e fez
algumas anotacoes. Eu estreitei meus olhos, desejando poder ver atraves do papel e saber o
que ele estava escrevendo. Quando ele terminou, ele deslizou o papel de volta em seu casaco
e deu um aceno para todos nos. “Vejo voces depois.”
Nos observamos ele andar pela neve em direcao ao ginasio onde dhampirs treinavam. Minha
boca estava aberta, e eu a principio nem consegui dizer nada. Quando acabava com essas
pessoas? Eu estava me ferrando de novo e de novo em tecnicalidades estupidas que nao
tinham nada a ver com o que realmente era feito no mundo real.
“Isso nem e justo. Como eles podem me julgar no que eles acham que eu estou pensando?”
Eddie deu nos ombros enquanto continuavamos nossa jornada em direcao ao dormitorio. “Ele
pode pensar no que quiser. Ele e nosso instrutor.”
“E, mas ele vai me dar outra nota ruim! A experiencia de campo e inutil se nao podemos
realmente mostrar como nos saimos contra um Strigoi. Eu nao posso acreditar nisso. Eu sou
boa –muito bom. Como diabos eu posso estar me saindo mal nisso?”
Ninguem tinha uma resposta para isso, mas Lissa acenou inconfortavel, “Bem... independente
de ser justo ou injusto, ele acertou numa coisa: Voce foi otimo, Eddie.”
Eu olhei para Eddie e me senti mal por deixar meu drama pessoal tirar o sucesso dele. Eu
estava fula –realmente fula –mas a ideia errada de Stan era problema meu. Eddie tinha se
saido brilhante, e todos o elogiaram tanto enquanto andavamos de volta que eu pude ver ele
corar. Ou talvez fosse so o frio. Independente, eu estava feliz por ele.
Nos sentamos no lounge, satisfeitos por nao encontrar mais ninguem –e isso era quente e
acolhedor. Cada um dos dormitorios tinha outros lounges, e todos tinham filmes e jogos e
varias cadeiras confortaveis e sofas. Eles so eram disponiveis para estudantes ate certo
horario. Nos finais de semana, eles eram abertos basicamente o tempo todo, mas em dias de
semana, havia horas limitadas –presumidamente para encorajar a fazer o dever de casa.
Eddie e eu avaliamos o aposento e fizemos um plano, e entao tomamos nossas posicoes.
Parada entre a parede, eu olhei para o sofa onde Lissa e Christian estavam espalhados com
uma inveja consideravel.
Eu pensei que o filme me distrairia, mas na verdade, eu tinha meus proprios sentimentos para
manter minha mente girando. Eu nao podia acreditar que Stan tivesse dito o que disse. Ele ate
admitiu que no calor da batalha, qualquer guardiao teria tentado entrar na luta. O argumento
dele sobre eu ter interiormente, procurado gloria era absurdo. Eu me perguntava se eu estava
correndo serio risco de nao passar nessa experiencia. Certamente, desde que eu passasse, eles
nao me tiraram de Lissa? Alberta e Dimitri tinham falado como se tudo isso fosse apenas um
experimento para dar Lissa e eu mais treinamento, mas de repente, uma parte ansiosa e
paranoica de mim comecou a imaginar. Eddie estava fazendo um grande trabalho protegendo
ela. Talvez eles quisessem ver o quao bem ela se sairiam com outros guardioes. Talvez eles
estivessem preocupados que eu so fosse boa em proteger ela e nao outro Moroi –eu deixei
Mason morrer, afinal de contas, certo? Talvez o verdadeiro teste aqui era para ver se eu
precisava ser substituida. Afinal de conta, quem eu era, na verdade? Um novato descartavel.
Ela era a princesa Dragomir. Ela sempre teria protecao –e nao precisava ser eu. A ligacao era
inutil se eu me provasse incompetente.
A entrada de Adrian pos minha frenetica paranoia em espera. Ele entrou no aposento escuro,
piscando os olhos enquanto sentava numa cadeira perto de mim. Eu tinha imaginado que so
seria uma questao de tempo antes dele aparecer. Eu acho que nos somos a unica diversao dele
no campus.Ou talvez nao, julgando pelo forte cheiro de alcool ao redor dele.
“Voce esta sobrio?” eu perguntei quando o filme acabou.
“Sobrio o bastante. O que voces estao tramando?”
Adrian nao tinha visitado meus sonhos desde o jardim. Ele tambem parou com seu flerte
descarado.
A maior parte das aparicoes dele com a gente era para trabalhar com Lissa ou para diminuir
seu tedio.
Nos contamos nosso encontrado com Stan para ele, contando sobre a bravura de Eddie e nao
mencionando meu papel.
“Bom trabalho,” disse Adrian. “Parece que voce tambem tem uma cicatriz de batalha.” Ele
apontou para o lado do rosto de Eddie onde tres marcas vermelhas brilhavam para nos. Eu
lembrei das unhas de Stan afundando em Eddie durante a luta para libertar Lissa.
Eddie tocou levemente sua bochecha. “Eu mal posso sentir.”
Lissa se inclinou para frente e estudou ele. “Voce conseguiu isso me protegendo.”
“Eu consegui isso tentando passar na experiencia de campo,” ele provocou. “Nao se preocupe
comigo.”
E foi quando aconteceu. Eu vi se apoderar dela, aquela compaixao e incrivel necessidade de
ajudar os outros que tao frequentemente enchia ela. Eu senti o poder crescendo nela, um
glorioso e tempestuoso sentimento que fez meus pes formigarem. Eu estava experimentando
como isso afetava ela. Era fogo e felicidade. Intoxicante. Ela se mexeu e alcancou o rosto de
Eddie...
E as marcas sumiram.
Ela abaixou a mao, e a euforia do Espirito sumiu em nos duas.
“Filho da puta,” sussurrou Adrian. “Voce nao estava brincando sobre isso.” Ele olhou para a
bochecha de Eddie. “Nenhum traco dele.”
Lissa tinha levantado e agora estava afundada no fundo no sofa. Ela se inclinou suas costas
contra e fechou seus olhos. “Eu fiz. Eu ainda consigo fazer.”
“E claro que voce pode,” disse Adrian sem interesse. “Agora voce tem que mostrar como fazer
isso.”
Ela abriu os olhos. “Nao e tao facil.”
“Oh, eu entendo,” ele disse em um tom exagerado. “Voce me incomodou sobre como ver
auras e entrar em sonhos, mas agora voce nao revela seus segredos.”
“Nao tem um “eu nao,” ela discutiu. “Eu nao “posso”.”
“Bem, prima, tente.” Entao de repente ele colocou as unhas contra sua mao ate tirar sangue.
“Jesus Cristo!” eu gritei. “Voce e louca?” Quem eu estava enganado? E claro que ele estava.
Lissa segurou a mao dele, e assim como antes, ela curou a pele dele. Euforia encheu ela, mas
meu humor de repente caiu sem causa nenhuma.
Os dois entraram numa discussao que eu nao consegui segui, usando termos de magicas
comuns enquanto alguns termos eu tenho certeza que eles inventaram na hora. Julgando pelo
rosto de Christian, parecia que ele tambem nao entendi, e logo ficou claro que Adrian e Lissa
tinham esquecido de nos enquanto conversavam sobre os misterios do Espirito.
Christian finalmente levantou, parecendo entediado. “Anda, Rose. Se eu quisesse ouvir isso, eu
estaria em aula. Estou com fome.”
Lissa olhou para cima. “Jantar so e daqui uma hora e meia.”
“Alimentador,” ele disse. “Nao tive o meu hoje.”
Ele deu um leve beijo na bochecha de Lissa e saiu. Eu segui ao lado dele. Tinha comecado a
nevar de novo, e eu olhei para os flocos de neve de enquanto eles caiam ao redor de nos.
Quando tinha comecado a nevar no inicio de Dezembro, eu estava excitado. Agora essa coisa
branca estava ficando velha. Como tinha acontecido algumas noites atras, sair em um clima
tao ruim fazia meu humor diminuir um pouquinho, o ar frio me tirava um pouco disso. A cada
passo mais perto dos alimentadores, eu me permiti acalmar de novo.
Um ‘alimentador” era como eram chamados os humanos que se voluntariavam a ser uma
fonte regular de sangue para os Moroi. Diferente dos Strigoi, que matavam suas vitimas
enquanto bebiam deles, os Moroi pegavam apenas uma pequena quantidade todo dia e nao
matavam seus donos. Os humanos que viviam pela alta das mordidas dos vampiros pareciam
estar completamente feliz por passar suas vidas desse jeito separados do resto da sociedade
humana. Era estranho mas necessario para os Moroi. A escola normalmente tinha um
alimentador ou dois no dormitorios dos Moroi para noite, mas na maior parte do dia, os
estudantes tinham que ir nas areas comuns para satisfazer suas necessidades.
Enquanto eu continuava a andar, olhando para as arvores, com chiques e brancas pedras, algo
branco chamou minha atencao na paisagem. Bem, nao era branco exatamente. Tinha cor –palida, e opaca.
Eu parei bruscamente enquanto meus olhos encaravam. Mason estava do outro lado da
quadra, quase se misturando com as arvores. Nao, eu pensei. Eu me convencia de que isso
tinha acabado, mas ali estava ele, olhando para mim com pesar, seu rosto de fantasma. Ele
apontou, para tras do campus. Eu olhei para aquele lado mas de novo eu tinha ideia do que
procurar. Me virando de volta para ele, eu so podia encarar, medo se apossando de mim.
Uma mao fria tocou o lado do meu pescoco, e eu olhei ao redor.Era Christian.
“Qual o problema?” ele perguntou.
Eu olhei de volta para onde estava Mason. Ele tinha sumido, e claro. Eu apertei meus olhos por
um segundo e suspirei. Entao, me virei de volta para Christian, continuei andando e disse,
“nada.”
Christian sempre tinha algum comentarios espertinho quando estavamos juntos, mas ele
estava quieto enquanto faziamos o resto da jornada. Eu estava consumida com meus proprios
pensamentos sobre Mason, entao eu tambem nao disse nada. So o vi por alguns segundos.
Considerando o quao dificil era ver la, era mais provavel que tivesse um truque de visao,
certo? Eu tentei me convencer disso enquanto andavamos. Quando entramos nas salas
comuns e saimos do frio, finalmente me toquei que algo estava acontecendo com Christian.
“Qual o problema?” eu perguntei, tentando nao pensar em Mason. “Voce esta bem?”
“otimo,” ele disse.
“O jeito que voce disse prova que voce nao esta.”
Ele me ignorou enquanto entravamos na sala dos alimentadores. Estava mais cheia do que o
esperando, e todos os pequenos cubiculos em que estavam os alimentadores estavam cheios
de Moroi. Brandon Lazar era um deles. Enquanto ele se alimentava, eu vi um machucado verde
desaparecendo em sua bochecha e me lembrei que eu nunca tinha descoberto quem bateu
nele. Christian se registrou com os Moroi entao esperou na porta ate que fosse chamado. Eu
remexi meu cerebro, tentado entender o que teria causado o mau humor de Christian.
“Qual o problema? Voce nao gostou do filme?”
Nao houve resposta.
“Ficou enojado pela auto mutilacao de Adrian?”Incomodar Christian era um prazer culposo. Eu
podia fazer isso a noite toda.
Nao houve resposta.
“Voce esta –Oh.”
Entao eu entendi. Eu estava surpresa por nao ter entendido antes.
‘Voce esta chateado porque Lissa queria falar sobre magica com Adrian?”
Ele deu nos ombros, o que me disse o que eu precisava saber.
“Anda, ela nao gosta mais de magica do que de voce. E so essa coisa com ela, voce sabe? Ela
passou todos aqueles anos pensando que nao podia fazer magica, entao descobriu que podia –exceto que era esse tipo louco e completamente imprevisivel. Ela so esta tentando entender.”
“Eu sei,” ele disse firmemente, encarando ao redor do aposento caro sem realmente se focar
nas pessoas. “Esse nao e o problema.”
“Entao porque...” eu deixei minhas palavras sumirem com outra revelacao que me atingiu.
“Voce tem ciumes de Adrian.”
Christian fixou seus olhos azuis em mim, e eu pode perceber que eu tinha acertado. “Eu nao
tenho ciumes. Eu so-“
“- se sente inseguro sobre o fato que sua namorada esta passando muito tempo com um cara
rico e razoavelmente bonito que ela pode gostar. Ou, como eu gosto de chamar, ciumes.”
Ele se virou para longe de mim, claramente incomodado. “A lua de mel pode ter acabado entre
nos, Rose. Merda. Porque essas pessoas estao demorando tanto tempo?”
“Olha,” eu disse, mudando de posicao. Meus pes doiam depois de passar tanto tempo de pe.
“Voce nao ouviu ao meu romantico discurso no outro dia sobre estar no coracao de Lissa? Ela
e louca por voce. Voce e o unico que ela quer, acredite em mim, eu posso dizer isso com 100%
de certeza. Se tivesse mais alguem, eu saberia.”
Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto. “Voce e a melhor amiga dela. Voce poderia estar
cobrindo ela.”
Eu zombei. “Nao se ela estiver com Adrian. Eu asseguro voce, ela nao esta interessada nele,
gracas a Deus –pelo menos nao romanticamente.”
“Ele pode ser persuasivo, no entanto. Ele sabe como trabalhar com sua compulsao...”
“Ele nao esta usando nela. Eu nem sei se ele pode- eu acho que eles cancelam um ao outro.
Alem do mais, voce nao prestou atencao? Eu sou o infortunado objeto de atencao de Adrian.”
“Verdade?” perguntou Christian, claramente surpreso. Caras sao tao desligados nesse tipo de
assunto. “Eu sei que ele flerta-“
“E aparece nos meus sonhos sem convite. Ja que eu nao posso escapar, e da a ele a chance
perfeita de me torturar com o seu tao chamado charme e tentativa de ser romantico.”
Ele ficou duvidoso. “Ele aparece nos sonhos de Lissa tambem.”
Merda. Nao deveria ter mencionado os sonhos. O que Adrian disse?”Esses sao sonhos pra
treinamento. Nao tem porque se preocupar.”
“As pessoas nao encaram se ela aparecer em alguma festa com Adrian.”
“Ah,” eu disse. “Entao e sobre isso. Voce acha que vai arrastar ela pra baixo?”
“Eu nao sou tao bom... nesse tipo de coisa social,” ele admitiu mostrando vulnerabilidade. “E
eu acho que Adrian tem uma reputacao melhor que a minha.”
“Voce esta brincando?”
“Anda,Rose.Beber e fumar nao e a mesma coisa que as pessoas pensarem que voce vai se
tornar um Strigoi. E vi o jeito que todo mundo age quando ela me levou nos jantares e tudo
mais na viagem de esqui. Eu sou um peso. Ela e a unica representante de sua familia. Ela vai
passar o resto da vida dela ligada a politica, tentando parecer boa com as pessoas. Adrian
poderia fazer muito mais por ela do que eu.”
Eu resisti a vontade de literalmente por algum senso nele. “Eu consigo entender de onde isso
esta saindo, mas tem uma falha no seu pensamento. Nao tem nada acontecendo entre ela e
Adrian.”
Ele olhou para o outro lado e nao disse nada. Eu suspeitei que seus sentimentos iam alem do
que simplesmente estar com outro cara. Como ele tinha admitido, ele tinha uma grande
inseguranca sobre Lissa. Estar com ela tinha feito maravilhas com a atitude dele e sua
sociabilidade, mas no fim do dia, ele ainda tinha problemas em lidar com o que vinha da sua
“manchada” familia. Ele ainda estava preocupado em nao ser bom o suficiente para ela.
“Rose tem razao,” uma voz que nao era bem vinda disse atras de nos. Preparando meu melhor
olhar, eu me virei e olhei para Jesse. Natualmente, Ralf estava por perto. O trabalho de Jesse,
Dean, estava parado na porta. Eles aparentemente tinham uma relacao mais formal. Jesse e
Ralf nos estavam na fila quando chegamos, mas eles aparentemente entraram e ouviram o
suficiente da conversa. “Voce ainda e da realeza. Voce tem todo direito de estar com ela.”
“Wow, em falar de mudanca,” eu disse. “Voces nao estavam me dizendo no outro dia como
Christian estava prestes a virar um Strigoi a qualquer momento? Eu tomaria cuidado com o
pescoco se fosse voces. Ele parece perigoso.”
Jesse riu. “Hey, voce disse que ele estava limpo, e se alguem conhece um Strigoi e voce. Alem
do mais, estamos comecando a achar que a natureza rebelde de Ozera seja uma coisa boa.”
Eu olhei para ele de forma suspeita, assumindo que havia algum truque aqui. Mas ele parecia
sincero, como se ele estivesse convencido que Christian fosse seguro.
“Obrigado,” disse Christian, um pequeno sorriso em seu rosto. “Agora que voce endossou eu e
a minha familia, eu finalmente posso retomar minha vida. Era a unica coisa que estava me
atrasando.”
“Estou falando serio,” disse Jesse. “Os Ozera estao meio quietos ultimamente, mas eles
costumavam ser uma das familias mais poderosas. Eles poderiam ser de novo –especialmente
voce. Voce nao tem medo de fazer o que tiver que fazer. Gostamos disso. Se voce superar essa
merda anti social, voce poderia fazer os amigos certos e ir longe. Pode fazer voce parar de se
preocupar tanto com Lissa.”
Christian e eu trocamos olhares. “O que voce esta falando?” ele perguntou.
Jesse sorriu e olhou ao redor de nos. “Alguns de nos tem se reunido. Nos formamos um grupo
–um jeito de unir as melhores familias, sabe? As coisas estao um pouco loucas, com os
ataques dos Strigoi mes passado e as pessoas nao saberem disso tambem. Tambem tem
conversas sobre nos fazer lutar e encontrar um jeito de ajudar os guardioes.” Ele disse num
sussurro, eu me arrepiei ao ouvir guardioes sendo descritos como objetos. “Muitos Moroi que
nao sao da realeza estao tentando assumir o controle.”
“E porque isso e um problema se eles tiverem boas ideias?” eu exigi.
“A ideia deles nao sao boas. Eles nao sabem o lugar deles. Alguns de nos comecaram a pensar
em jeitos de nos proteger disso e cuidarmos um do outro. Eu acho que voce gostaria de saber
o que nos sabemos. Afinal de contas, nos somos aqueles precisam fazendo decisoes, nao os
dhampirs e nao os Moroi. Nos somos a elite. Os melhores. Se junte a nos, e tem coisas que
poderiamos fazer para ajudar voce e Lissa.”
Eu nao consegui evitar. Eu ri. Christian simplesmente pareceu enojado.
‘Eu retiro o que eu disse antes,” ele disse a eles. “Isso e o que eu tive esperando minha vida
inteira. Um convite para se juntar a sua cazinha na arvore.”
Ralf, grande e desajeitado, dei um passo para frente. “Nao brinque conosco. Isso e serio.”
Christian encarou. “Entao nao brinquem comigo. Se voces realmente acham que eu quero ficar
com voces e tentar fazer as coisas melhores para os Moroi que ja sao egoistas e mimados,
entao voces sao ainda mais estupidos do que eu pensei. E isso e MUITO estupido.”
Raiva e vergonha encheram o rosto de Jesse e Ralf, mas piedosamente, o nome de Christian foi
chamado. Ele parecia consideravelmente encorajado quando andavamos pelo aposento. Nada
como um confronto com dois babacas para fazer voce se sentir melhor sobre sua vida.
O alimentador de Christian esta noite era uma mulher chamada Alice, que era a alimentadora
mais velha no campus. A maioria dos Moroi preferia doadores mais jovens, mas Christian,
sendo uma pessoa problematica como era, gostava dela porque ela era gentil e caduca. Ela
nao era tao velah –60 anos –mas muitas endorfinas de vampiros na vida dela tinham a
afetado permanentemente.
“Rose,” ela disse, virando seus olhos azuis deslumbrados para me. “Voce normalmente nao
esta com Christian. Voce e Vasilisa brigaram?”
“Nao,” eu disse. “So mudando o cenario.”
“Cenario,” ela murmurou, olhando para uma janela ali perto. Moroi mantinham as janelas
pintadas para bloquear a luz solar, e eu duvidava que um humano pudesse ver algo. “O cenario
esta sempre mudando. Voce notou isso?”
“Nao nosso cenario,” disse Christian, sentado perto dela. “Essa neve nao vai a lugar nenhum.
Nao por alguns meses.”
Ela encarou e deu a ele um olhar exasperado. “Eu nao estava falando sobre o cenario.”
Christian me deu um olhar divertido, entao se inclinou e afundou seus dentes no pescoco dela.
A expressao dela ficou preguicosa, toda a conversa sobre cenario ou o que fosse que ela
quisesse dizer esquecida enquanto ele bebia dela. Eu vivi entre vampiros tantos que eu nem
pensava na ideia nas presas deles metade do tempo. A maior parte dos Moroi era muito boa
em esconder deles. Era apenas em momentos como esse que eu lembrava do poder que os
vampiros tinham.
Normalmente, quando eu assistia os vampiros se alimentar, eu me lembrava de quando Lissa e
eu tinhamos fugido da Academia, e eu deixava ela se alimentar de mim. Eu nunca fiquei tao
loucamente viciada quando um alimentador, mas eu tinha gostado da breve alta. Eu
costumava querer aquilo de um jeito que eu nunca admiti a ninguem. No nosso mundo,
apenas humanos doavam sangue. Dhampirs que faziam isso eram vulgares e humilhados.
Agora, quando eu assisti um vampiro beber, eu nao mais pensava sobre o quao bom era. Ao
inves disso, eu pensava naquele quarto em Spokane onde Isaiah, nosso Strigoi raptor, tinha se
alimentado de Eddie. O sentimento que mexeu dentro de mim eram qualquer coisa menos
bons. Eddie tinha sofrido horrivelmente, e eu nao tinha sido capaz de fazer nada a nao ser
olhar. Fazendo careta, eu me virei para longe de Christian e Alice.
Quando deixamos a sala dos alimentadores, Chrisitan parecia mais vibrante e otimista. “O fim
de semana esta aqui, Rose. Nada de aulas –e voce tem um dia de folga.”
“Nao,” eu disse, quase tendo esquecido. Merda. Porque ele tinha que me lembrar? Eu quase
estava me sentindo bem depois do incidente com Stan. Eu suspirei. “Eu tenho servico
comunitario.”